Notas iniciais
Capítulo muito atrasado, eu sei, sinto muito -.-' Vou tentar não atrasar de novo XD Espero que gostem do capítulo! Boa leitura n_n

Kono sekai ni umarete kita ima wo

Para compreender o significado de ter nascido neste mundo

Sagashite hito wa iki tsudukeru

Viveria procurando pela pessoa que me responderia

Subete ukeireru chikara areba

Se tivesse forças para aceitar

Ashita wo ikiru chikara ni naru

Teria forças para viver o amanhã

Akiramenai to yubikiri wo shite

Não desista nem deixe de acreditar

Kimi to yakusoku shita hi

Na promessa que fiz com você



Capítulo 5



— O que está fazendo aqui, fracote?! – Wolfram indagou, com seu semblante entre irritado e temeroso, ao ver Yuri o observando, parado em meio às pessoas que iam e vinham.

— Você vai viajar, Wolfram? – Yuri replicou com outra pergunta, aproximando-se até chegar perto do banco onde ele estava sentado.

— O que interessa a você o que eu faço ou deixo de fazer? – Ele se levantou, gritando com os ânimos exaltados, e atraindo a atenção de todas as pessoas ao redor. – Eu nem mesmo conheço você, não se meta na minha vida!

— Eu só o vi aqui... e achei que podia ajudar em alguma coisa. – Yuri respondeu, e Wolfram perdeu a compostura por poucos segundos, olhando para todos os lados a procura de uma resposta.

— P-por que você está sempre me perseguindo, desde que eu cheguei aqui? – Wolfram indagou, dando-se por vencido, e baixando os ombros. Mantinha o olhar preso ao chão, terrivelmente atordoado.

— Eu não estou te perseguindo! Pelo menos eu acho que não... Quero dizer! Eu só estava... te observando esse tempo todo... Você parecia tão solitário e triste... Eu pensei que podíamos nos tornar amigos. Eu só queria... ver você sorrir, só isso! – Yuri explicou, sorrindo sem graça, enquanto bagunçava os cabelos da nuca. Seus olhos transbordavam inocência e bondade, pura e simplesmente, apesar de serem completamente negros e profundos.

Wolfram fitou o garoto, que ainda sorria tolamente. Ele já havia ouvido essas palavras antes, acompanhadas de um sorriso igualmente sem noção e de olhos brilhantes e vivos como aqueles. Com um estalo, uma constatação retumbou no fundo da sua mente. Sentiu todo o ar esvair-se dos seus pulmões, quando finalmente, a verdade surgiu, límpida e clara em sua frente, e ele se amaldiçoou internamente por não ter percebido antes.

— Yuri, você...

Wolfram disse algo, mas o ruído do trem que parava exatamente naquele instante abafou sua voz. O trem desacelerou, fazendo esvoaçar os cabelos e as roupas dos garotos, e então, Wolfram lembrou-se do que tinha que fazer. Como se acordasse de um sonho, ele apanhou a mala, e dirigiu-se ao vagão, onde todas as pessoas também adentravam.

— Espere, Wolfram, para onde você está indo?! – Yuri seguiu-o, exasperado.

— Não importa! – Wolfram gritou de volta, já dentro no vagão. – Vá embora!

A porta do vagão do trem começou a se fechar, e Yuri a segurou, forçando-a a reabrir devido ao mecanismo de segurança. Impulsionou-se para dentro, refreando apenas quando se chocou com Wolfram, há tempo de ver a porta voltar a fechar e o trem iniciar seu movimento, lentamente.

— Por que você está indo embora, Wolfram?! – Indagou, segurando o loiro pelo braço.

— Me larga! – Ele se desvencilhou, com o rosto vermelho de raiva. – O que pensa que está fazendo?!

— Eu só quero saber porque você está sempre fugindo dessa forma! Quero saber se posso te ajudar! – Exclamou, e Wolfram ficou novamente sem palavras.

Olhou ao redor, notando que todos os passageiros do trem, sentados em seus lugares, acompanhavam a cena. Yuri não parecia dar atenção a esse fato, e permanecia na sua posição de ataque, parecendo prestes a agarrar Wolfram pelo braço e arrastá-lo para fora do trem. Wolfram pôde perceber uma velha senhora, no lugar mais próximo, que ria disfarçadamente com o rosto muito corado, murmurando coisas como “Ah! A juventude...”.

— Droga! Sente-se logo, antes que sua gritaria atraia ainda mais atenção! – Wolfram baixou a cabeça e sibilou, irritado, empurrando Yuri, que sorria triunfante, como se tivesse ganhado de fato a discussão, até o lugar ao lado. Repentinamente, Yuri pareceu reparar em algo. Inclinou o rosto para trás, na direção de Wolfram que ainda o empurrava, e sussurrou:

— Ei, eu não comprei passagem. É certo estar aqui?

— O quê? Eu não sei! Apenas sente-se aí e fique em silêncio! – Wolfram murmurou irritado, ciente dos olhares curiosos que o seguiam.

Os dois sentaram um de frente para o outro nos assentos apostos, os únicos vagos. Wolfram escorou a cabeça no braço, bufando aborrecido. Olhou de viés para Yuri, que sorria tolamente enquanto admirava a paisagem. Seria ele a mesma pessoa das suas lembranças? Era provável que sim. Não podiam existir duas pessoas no mundo capazes de sorrir daquela maneira tão boba, ingênua e prestativa, com o brilho tão intenso nos olhos profundamente negros.

Yuri percebeu a observação intensa de Wolfram, e o fitou. Ele corou, desviando o olhar no mesmo instante, e fixou o olhar na cidade, que passava rapidamente do lado de fora, embora continuasse a cuidar Yuri através do reflexo do vidro. Gradualmente, foi se entregando às lembranças que possuía, e deixou-as fluírem até estar completamente imerso. Ele se lembrava daquele dia, como se ele tivesse acontecido há poucas horas.

Era outono em Shin Makoku. Na praça da cidade, duas crianças brincavam. Um era loiro, de olhos verdes e aparentemente bem apessoado, embora agora, com areia por toda a roupa, os cabelos desgrenhados e rosto sujo, não parecesse tanto assim. O outro, de cabelos e olhos negros, corria para todos os lados, sem se importar com suas roupas sujas, encharcadas de suor e sujeira e o band-aid no joelho quase descolando.

— Eeei! Woolf! Eu aposto como você não me pega! – Ele corria de um lado para o outro, desafiando o menor.

— Não vá tão rápido! Eu não consigo! – O loirinho gritava, tentando em vão alcançar o moreno, que corria ainda mais rápido. Repentinamente, ele reconheceu uma figura ao longe, do outro lado do parque, e estancou. O moreno estranhou a expressão de pavor no rosto do amigo, e correu ao seu encontro.

— O que houve, Wolf?

— Ele... ele veio me buscar... – Ele balbuciou, assustando, apontando para onde um homem alto e jovem, de cabelos castanhos e olhos gentis, chamava por alguém. Ele tinha uma cicatriz que riscava sua sobrancelha direita, e isso era o suficiente para o pequeno moreno deduzir que se tratava de uma pessoa má. Sem hesitar, segurou seu mais novo amigo pela mão e o rebocou até o pequeno bosque que circundava a praça.

O bosque estava completamente colorido de laranja, por causa do outono, e o chão em que pisavam era todo coberto por folhas secas. O garoto moreno corria com habilidade, esquivando dos troncos caídos e outros obstáculos, e só restava à Wolfram segui-lo cegamente, com a visão embaçada pelas lágrimas teimosas que se amontoavam rapidamente.

Acabaram encontrando um carvalho enorme e centenário, provavelmente o maior e mais velho daquele lugar, e se refugiaram no espaço entre suas raízes, onde havia um buraco de tamanho suficiente para que os dois coubessem bem.

— Ninguém irá nos encontrar aqui, Wolf! – O garoto bradou com confiança, e então, reparou que o loiro já chorava copiosamente, tentando em vão barrar as lágrimas que corriam em cascata, lavando seu rosto.

— E-eu não q-quero ir embora! – Wolfram soluçou, com a voz embargada. – Eu quero f-ficar, e brincar com v-você! – Ele pranteou com mais intensidade, esfregando as mãozinhas nos olhos, tentando segurar o choro.

— Ei! Não chora! – O garoto tentava consolar o menor, sem jeito, com batidinhas de leve em suas costas. Obviamente não obteve resultados, então tentou pensou em algo diferente. – Olha só, você não precisa chorar! Eu estou aqui com você, não estou?

— Mas... mas eu tenho medo! – Wolfram balbuciou, confuso.

— Tudo bem. Eu vou fazer em você o mesmo encanto que minha mãe faz quando eu tenho medo, e você vai ver que tudo vai ficar bem! – O moreno pronunciou, e dizendo isso, segurou as mãos que o loiro ainda tinha sobre o rosto nas suas, trazendo-as para baixo. Afastou os cabelos loiros para trás, fechando os olhos, e depositou um singelo e delicado beijo bem no meio da testa do pequeno Wolfram. Este, por sua vez, se assombrou, arregalando os olhos em surpresa, e sentiu seu coração acelerar como um colibri, enquanto seu rosto se aquecia inexplicavelmente naquele momento. — Você está bem agora? – Ele voltou a indagar, como se não tivesse feito nada demais.

— E-eu... – Wolfram nada conseguia dizer, e se limitou a corar furiosamente, colocando a mão no local tocado.

— Agora, eu acho que você deveria ir mesmo para casa, sabia? – O moreno sugeriu, cuidadosamente. – Seus pais devem estar muito preocupados! E você disse para mim que era um príncipe, não é? Então, você tem que ser um bom Rei para todas as pessoas, certo?

— Mas... Eu não gosto de ter aulas todos os dias, e de ter que ficar ouvindo as pessoas falarem. Eu quero brincar com você! – Wolfram replicou, fazendo beicinho.

— Eu não sei como é isso... mas eu logo terei que voltar para o meu país, também... e eu gosto muito de lá! Você também deve amar o seu país, não é? Afinal, é um lugar tão bonito!

Wolfram encarou o amigo admirado. Hesitante, segurou a manga da sua camiseta, e fixou nele seus suplicantes olhos.

— Se... se eu voltar para casa, a gente vai se ver de novo? – Indagou, temeroso.

— Claro que vai! É uma promessa! – O garoto moreno riu, mostrando um sorriso brilhante em que faltava um dente. Wolfram sorriu de volta, apenas.

Acordando de suas lembranças, Wolfram olhou para o garoto a sua frente. Agora, ele dormia profundamente, com a cabeça em um ângulo estranho escorada no vidro do trem, e a boca aberta, ressonando.

Não restavam dúvidas. Aquele era o mesmo garoto que Wolfram encontrou durante sua imatura fuga, durante a infância, e com quem brincara e dividira suas melhores recordações daquela época remota. O garoto que o ensinara que ele devia manter suas responsabilidades, e com um único beijo, inocente e completamente puro, acabou com todos os seus temores e preocupações. Aquele, a quem Wolfram havia esperado por todo esse tempo, mesmo sem perceber realmente isso.

E ele havia cumprido com sua promessa.

Notas finais
Waaa~ e aí, o que acharam? *u* Kisu~ [Revisado]