Sonny Boy
2 Capítulo 2
Eu acordei e olhei em volta. Entendi que não estava no meu quarto e logo depois me lembrei que noite passada havia ido para o apartamento de Joe. Ainda com os cabelos desgrenhados, saí do aposento e vi a mesa da sala posta para o café. Colado numa fita crepe, havia um bilhete no jarro do suco, era Joe me desejando um bom dia e me dizendo que havia ido pra faculdade.
Joe cursava medicina e diferente de Jonas, que é realmente inteligente, Joe sempre foi um esforçado. Sua família era toda formada por médicos e ele sofria uma certa pressão com isso, até hoje me pergunto se ser médico é o que ele realmente quer.
Às vezes quando penso em Joe, vem-me a sua imagem na escrivaninha estudando para os testes da escola, enquanto eu ficava deitada em sua cama de pernas pro ar. Eu usava um short que mostrava minhas pernas completamente e nem isso o fazia se distrair.
Eu trabalhava numa loja de cosméticos e uma colega do trabalho se tornou uma grande amiga minha, ela se chamava Midori. Era o horário do intervalo e fomos para uma cafeteria perto dali.
— E onde você dormiu essa noite? — Ela perguntou depois de eu contar que havia brigado com Jonas, mas que dessa vez saí de casa.
— No apartamento de Joe.
— Joe? Aquele esquisito?
— Joe não é esquisito!
A garçonete chegou com o nosso pedido, eram dois cappuccinos acompanhados com pão de queijo. Depois se retirou abraçando a bandeja.
— Tá, ele é seu amigo desde os 15 anos e blá, blá, blá... mas Jonas sabe que você tá na casa de outro homem?
— Sabe e ainda pediu pra que eu ficasse por mais uns dias.
— Quê?! Ele não tem medo de Joe fazer algo com você?
— Midori, eu sei me defender e Joe não fará nada comigo. Jonas também sabe que Joe não fará nada.
Midori sorveu seu café. — É, também não deve ser nenhuma ameaça para Jonas se preocupar...
Não levei minha caneca até a boca, porque parei aborrecida com o que ouvi. — Você viu Joe só algumas vezes... como pode pensar isso dele?
— Sei lá, ele é meio... destrambelhado. — Disse ela, ponderando. — Agora fica a dúvida, por que pensou no Joe em vez de mim?
— Você se refere de quando saí de casa ontem a noite e fui pra casa de Joe?
— Isso, seria mais prático, não acha? Ou quis fazer um ciuminho — que pelo visto não deu certo — no Jonas?
Eu finalmente dei um gole no meu café. — Essa pergunta é fácil de responder... é porque eu amo muito mais o Joe do que você.
Cheguei exausta do trabalho, mas relembrar a cara de Midori quando a disse aquilo me refrescava tanto quanto a água fria da ducha que iria tomar agora. Contudo, Joe estava no banheiro só de cueca e eu fechei a porta imediatamente. Que merda!
Fiquei no corredor já esperando ele vindo todo desesperado e foi exatamente assim: estava enrolado na toalha todo ruborizado.
— Me desculpa, Vivi! Eu não tive o cuidado de trancar a porta!
— Joe, não precisa pedir desculpas, eu já vi um monte de homens pelados e você sequer estava pelado. E você não trancou a porta porque ainda está habituado em morar sozinho. Só te peço que não se esqueça que estou aqui, isso seria uma afronta quando tenho a presença de uma deusa... a deusa Athena, sou inesquecível!
"Por que eu estava falando de novo em mitologia grega?"
— Tá legal, deixa comigo, vou me esforçar!!
Ele levava tudo muito sério e eu o achava fofo.
Enquanto tomava banho, o rosto boquiaberto de Midori sumiu e a suposição de que tudo isso era para passar um ciúme besta no Jonas ficou na minha cabeça. Assim como também ficava na minha cabeça ele não se sentir nem um pouco ameaçado por Joe. Joe era tão estranho assim?
Por que ando com Joe? Me faziam muito essa pergunta no ensino médio. Eu era bonita e popular, Joe era um excluído... mas nunca vou me esquecer o que ele disse a mim quando nos conhecemos... eu havia brigado com meu namorado que me chamou de fútil e Joe me encontrou chorando no banco do jardim da escola. Ele disse que ouviu nossa discussão e disse que não havia problema em ser fútil se eu estivesse sendo eu mesma. Joe disse que todos os dias tentava ser ele mesmo e tentava dar o seu melhor, mas todos só o achavam esquisito e um destrambelhado. Então, aceitava que era esquisito e destrambelhado, contanto que estivesse sendo ele mesmo.
Vesti minha roupa e saí do quarto me encontrando com Joe ainda rubro sentado no sofá. Sentei-me ao seu lado, muito perto dele a ponto de nossos braços se encostarem.
— Por que não pergunta nada sobre a briga entre mim e Jonas? Ele já te disse alguma coisa?
— Ele só me disse aquilo que te disse: se você estava me incomodando e se eu podia ficar contigo por uns dias.
— Então, por que não pergunta se ainda não sabe a resposta?
Ele umedeceu os lábios. — Eu não quero te incomodar com papos chatos...
— Mas seu eu precisar de um ouvinte?
— Eu não serei um bom...
Peguei em sua mão. — Você se lembra do que eu te disse?
— Que eu tenho qualidades?
— Isso. — Assenti. — Então, por que não me ouviu? Você é o meu melhor ouvinte.
Joe estava tremendo e eu me aproximei de seu ouvido.
— Você acha que é incapaz de me dar conselhos como acha que é incapaz de me fazer feliz?
Meus lábios beijaram sua orelha e aos poucos trilharam um caminho até a boca de Joe, que suava bastante em meus braços. Nos beijamos pela primeira vez ali naquela noite.
Seu pênis estava duro e eu me sentei em seu colo enquanto ainda nos beijávamos. Paramos pra respirar e despimos as roupas de baixo. Foi tão gostoso senti-lo entrando em mim e eu gemi o seu nome quando alcançou o meu ponto mais sensível.
Joe realmente não podia ser uma ameaça, mas quem disse que eu não seria uma?
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