Sonny Boy
1 Capítulo 1
As pessoas quando me veem, elas pensam que sou fútil e eu concordo até. Mas, nesse momento, debaixo da chuva, carregando uma mala que as rodinhas se prendiam nas calçadas desniveladas dessa cidade lixo; me sinto a própria deusa da guerra, cujo o nome se não me engano é Athena. Na verdade não sei, eu não entendo muito dessas coisas e Afrodite sempre foi a minha favorita e esse papo não vem ao caso.
Ademais, o motivo de eu estar aqui bufando de raiva e tomando um caldo do céu é que briguei com meu namorado. Ultimamente a minha situação com Jonas está indo de mal a pior e simplesmente quis acabar o namoro, mas como eu digo isso toda hora, ele — e eu também — sabe que nunca é sério. Contudo, dessa vez saí de casa sem alguma resistência, o maldito pensou que no mínimo não iria pra muito longe e voltaria brevemente. E confesso que até pensei em voltar, chorava muito por me sentir desamparada e muito imprudente. A chuva só reforçava que eu devia voltar, mas um rosto veio à minha mente e isso fez com que eu pegasse o trem.
O rosto era de Joe e foi na casa dele que resolvi me abrigar.
— Vivi, o que você está fazendo aqui? — Joe disse preocupado ao abrir a porta de seu apartamento e me ver encharcada. — Não se pode andar na chuva, você pode pegar uma pneumonia!
— Então, me dê uma toalha para eu me enxugar ou tomar um banho em vez de me dar alguma lição de moral.
Ele piscou os olhos, como se compreendesse que perdia tempo com coisas pequenas. — É verdade! Não é hora pra isso, vou pegar uma toalha! — Saiu disparado, mas antes bateu o dedinho do pé na quina de um móvel. Soltei um suspiro ao me lembrar de como era desastrado.
Não fazia ideia como ele ainda estava vivo quando morava sozinho, sem uma namorada ou um colega de quarto. Eu costumava organizar o apartamento de Jonas, até lhe preparava algo para comer enquanto torrava o tempo num jogo idiota.
Depois do banho, vesti um pijama que trouxe na mala e senti um cheiro gostoso ao sair do banheiro. Andei alguns passos até a sala e na mesa estava um prato com macarronada.
— Pra mim? — Perguntei.
— Sim! Eu comi quando você ainda não estava aqui, então não poderei lhe fazer companhia.
— Mas será que pode ao menos sentar na mesa? — Abaixei o olhar. — Vim pra cá com o fim de me sentir menos só.
Joe começou a balançar as mãos como se quisesse corrigir um mal entendido. — E-esquece o-que disse!! Vou te fazer companhia!
Ele puxou a cadeira para eu me sentar e depois se sentou na que ficava a minha frente. — Havia um bom tempo que não nos víamos, né?
Eu dei um aceno. — Eu briguei com Jonas e só pude pensar em vir pra cá te ver.
Joe deu um sorriso. Eu amava seus sorrisos, eram muito calorosos. — Aposto que ele está preocupado com você.
Bufei. — Que fique! E olha só, não vai dizer a ele que estou aqui! Promete?
— Prometo. Mas coma antes que esfrie.
Dei uma garfada. — Joe, continua cozinhando tão bem!
Ele coçava a nuca sem jeito. — Tive umas aulas da minha mãe que fez questão de me ensinar a cozinhar quando finalmente morasse sozinho.
Eu olhei em volta. — E não é só a comida, sempre que venho aqui noto que seu apartamento é muito organizado para um rapaz.
Ele continuou constrangido. — Faz parecer que não preciso de uma namorada!!
— Ah! Mas continua tendo também esse pensamento que mulheres servem pra isso!! — Inflei as bochechas.
Joe se desesperou e pediu desculpas a mim sem parar.
— Tá tudo bem, Joe. — Eu gostava muito desse jeitinho inseguro dele. Joe era típico um nerd daqueles que usam óculos de grau e que viveram muito tempo sob a asa da mãe.
Eu o conheço desde o ensino médio e ele já me livrou de cada situação... graças aos deveres e trabalhos que ele fazia pra mim, consegui passar no ensino médio. Mas o que me mais me intrigava em Joe era que, por mais bonita que eu fosse, eu não via nenhum sinal de atração dele por mim. Uma época pensei se ele era gay ou inseguro demais, mas ele teve namoradas bonitas até. No entanto, a maior evidência da falta do desejo estava em como ele me tratava, era um amor de irmão.
Ele definitivamente era o único cara que me amava ou talvez que me amou por exatamente não me ver como um objeto.
Joe era tão puro que eu também não forcei a barra.
— Você já contou para Jonas que estou aqui, certo?
Ele levou a mão a nuca, sem jeito. — Sim, não achei certo deixá-lo preocupado.
— E o que ele disse?
— Ele disse se não me daria trabalho se você pudesse ficar comigo por um tempo. Ele acha que vai te fazer bem.
— Você está dizendo que vai cuidar de mim?
— Não quis dizer isso, mas pensando bem é basicamente isso.
— Então, amanhã você fará minhas unhas do pé!
— Vivi, eu vou cuidar de você e não ser seu escravo. — Censurou-me
Ri, antigamente era difícil fazê-lo discordar de mim. Resolvi pegar em sua mão, deixando-o um pouco atordoado com o toque. — Eu te amo.
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