Sonic Tales

3 Controle do Caos


Notas iniciais
"Os problemas vão continuar, não é?" "Sim, mas não tenha medo, de algum jeito, tudo vai ficar bem." Nota: Capítulo reescrito 2020

O ouriço azul não conseguia crer no que via: uma considerável parte daquela trecho da cidade estava sendo consumida por fogo. Enquanto as brasas consumiam o que sobrava do concreto e os cômodos, Sonic olhou com urgência a sua volta na tentativa de avistar algum ser vivo naquele lugar.

Vários gritos de civis correndo para salvar suas vidas soaram de repente.

— Ei! Esperem! O que está acontecendo? — Sonic correu até um casal de civis que estava por perto.

— Um palhaço maluco! Um palhaço maluco! — gritou a mulher antes de sair correndo com seu parceiro.

Sonic franziu o cenho um pouco confuso, imaginando se Eggman estava por trás daquilo, o que era bastante provável, mas ser apelidado de “palhaço”, não era algo que estava acostumado a ouvir, contudo, Sonic não tinha tempo a perder pensando sobre aquilo...

O jovem herói passou por entre o fogo com rapidez para que não se queimasse, o azulado então procurou se não havia ninguém em perigo.

Até que ouviu um grito familiar.

Sentiu seu sangue gelar.

— Cream?! — gritou Sonic o nome da menina, erguendo sua cabeça alarmado.

— Sinto muito, preciso de uma refém para trazer o ouriço azul até a armadilha! — disse uma voz fina em tom divertido.

— Por favor! Não leve a minha filha! — implorou Vanilla sendo apreendida por um par de badniks consideravelmente maiores.

— Chao! — protestou Chocola antes de avançar sem pensar duas vezes na tentativa de salvar sua dona e irmão.

Sonic achou o local se deparando com a cena de um pequeno ser que lembrava um palhaço arlequim cujas roupas alternavam entre preto e vermelho segurando um controle remoto em uma mão e Cheese na outra enquanto Chocola avançava na direção deste ser.

Antes que Sonic pudesse ter qualquer reação, o ser que parecia um palhaço, cruelmente deu um pontapé em Chocola, que foi repelido de volta para Vanilla.

— Chocola! — gritou Cream desesperada batendo contra o vidro da cápsula em que fora colocada, que estava nas mãos de um badnik ainda maior que os outros dois.

— Ei! Deixe meus amigos em paz! — protestou Sonic irreflexivamente, avançado pelas costas do sequestrador.

— Ora! Você veio! — exclamou o palhacinho voador com uma expressão animada.

— Largue eles! — Sonic assumiu a forma de uma bola avançando contra o inimigo.

— Foi mais depressa do que imaginei! — O pequeno ser levantou voo até ficar inalcançável para Sonic. — Realmente você não parece tão esperto quanto dizem por aí! — acrescentou num tom audacioso.

Sonic pousou no chão com equilíbrio antes de saltar e tentar o mesmo movimento na tentativa de alcançar aquela criatura irritante.

— Há! — O pequeno palhaço se esquivou sem a menor dificuldade e o que mais parecia frustrante para Sonic: ele parecia se divertir com a situação. — Eu até poderia renomeá-lo! Hum... Que tal, Foolic the Hedgehediot! — sugeriu enquanto executava mais acrobacias aéreas para se desviar das tentativas de Sonic de golpeá-lo. — Será que não soaria clichê? — ponderou despreocupadamente.

— Chao, Chao! — protestou Cheese se debatendo na tentativa de se desvencilhar do palhaço arlequim, mas estava tonto demais para poder fazer algo.

— Ora, cale-se, bichinho irritante! — gritou o palhaço numa repentina mudança de humor.

Sem fazer rodeios, a criatura voou rapidamente até a cápsula, ignorando completamente a presença de Sonic, abriu a cápsula por cima com o comando do controle e jogou Cheese no colo de Cream antes de fechá-la rapidamente.

— Muito bem, onde estávamos? — indagou o palhacinho num sorriso simpático. — Oh! É mesmo! Eu estava escolhendo um nominho mais adequado para você!

— Pare de brincadeiras! — gritou Sonic reprimindo sua frustração o máximo que podia. — Eu quero saber quem é você e o porquê que está machucando meus amigos, fale, agora!

— Ora, ora, ora, quem disse que eu te devo alguma satisfação? — perguntou o ser dando piruetas pelo ar e em seguida limpou a garganta, como se estivesse prestes a fazer um discurso — Eu apenas lhe farei o favor de responder a primeira pergunta. Permita-me que eu apresente minha pessoa. — O palhacinho se agachou no ar com toda a cortesia antes de se erguer novamente com a mão no peito. — Me chamam de Dee, estou aqui para sequestrar sua preciosa amiga! — Sorriu o palhaço arlequim como se aquela frase fosse completamente normal.

Sonic olhou para o ser que se identificou como “Dee” por alguns segundos. Não conseguia acreditar no que via e muito menos no que ouvia, aquela pequena criatura que não aparentava medir mais que 80 centímetros de altura, não parecia ter a menor noção do que estava fazendo.

Ou ao menos era que parecia para Sonic naquele momento...

— Que farra é essa em plena madrugada? — exigiu saber uma voz irritada.

Em seguida uma série de tiros foram disparados contra Dee, que rapidamente e esquivou de todos os eles.

— Ei! Não tem educação? — gritou Dee após verificar se seu vestuário havia sofrido algum tipo de dano. Para a sua sorte, tudo estava intacto. — Não é assim que gente civilizada cumprimenta o outros!

— Olha quem tá da falando! — Tails pousou o avião e saiu de dentro do veículo com um pequeno canhão que a raposa era capaz de carregar em seu ombro com apenas um braço. — Não fui eu quem saiu tacando fogo na casa dos outros o meio da noite!

Sonic aproveitou a distração de Dee para ajudar Cream e Cheese a saírem de dentro da cápsula. O azulado subiu na cápsula e tentou desatarraxá-la.

— Cha- — Cheese, animado quase exclamou, mas Cream foi mais rápida e tampou a boca de seu amiguinho com a mão antes.

— Shhh... — pediu Cream baixinho.

O robô que estava segurando a cápsula, não parecia muito inteligente, pois não fez absolutamente nada quando Sonic subiu na cápsula para resgatar os reféns, mas para o completo desgosto de Sonic a tampa parecia impossível de desatarraxar.

— Eu não tenho tempo para ficar discutindo com um baixinho esquentado! — retrucou Dee uma última vez para Tails antes de se virar para o outro lado. — O quê? — exclamou o palhacinho flagrando a tentativa do ouriço azul de salvar a prisioneira.

— Como disse? — questionou Tails prestes a pressionar o gatilho evidentemente ofendido.

— Baixinho esquentado! — repetiu Dee audaciosamente enquanto apertava um dos botões de seu controle fazendo o robô sacudir a cápsula.

Cream abraçou Cheese com força para protegê-lo enquanto gritava assustada com as sacudidas violentas.

Sonic foi arremessado para longe na quinta sacudida.

— Deem um jeito neles — ordenou Dee antes de apertar em mais um botão fazendo o robô parar de sacudir a cápsula.

Um dos badniks, que se encontrava segurando Vanilla, que estava ainda mais desesperada do que antes, deu uma pisoteada violenta no peito do azulado, que estava caído por perto.

Tails, revoltado, mirou em Dee e apertou o gatilho lançando um pequeno míssil.

Dee nem se deu ao trabalho de se virar para poder se desviar do projétil, como se não fosse nada.

— Ah... — Dee bocejou entediado. — Já coloquei foguinho na aldeia, já peguei a criatura... — Dee contou com os dedos. — Só falta eu...

— Só falta você apanhar! — gritou outra voz.

Dee ergueu os olhos e viu uma garota rosada saltando na direção dele com um martelo enorme.

— Opa! — Dee esquivou-se com uma pirueta veloz. Pela sua expressão, desta vez foi pego de surpresa.

— Seu pirralho insolente! Eu vou te mostrar como se comportar! — Amy tentou dar outra martelada, mas Dee voou alto o suficiente para não ser pego novamente. — Desça já aqui!

— Acho que terminei o que tinha que fazer aqui. — Dee, completamente indiferente saiu voando ao lado do robô que mantinha Cream e Cheese presos.

— Volte aqui! — Amy não pensou duas vezes e foi atrás do sequestrador.

— Amy! Espera! É perigoso ir sozinha! — Sonic usou do que restava de seu fôlego para gritar.

Tails atirou nos badniks, fazendo com que se virassem para ele.

— Venham! Venham tentar me pegar! — Tails girou suas caudas levando voo.

Os badniks correram atrás de Tails, mas não conseguiam alcançá-lo, mesmo que suas tentativas fossem inúteis, eles continuavam tentando.

— Está tudo bem? — perguntou Vanilla ajudando Sonic a se levantar.

— Sim... — respondeu Sonic embora sentisse dores por toda parte. Felizmente ainda tinha forças para lutar.

Começou com um giro sônico se atirando contra os badniks e os destruindo.

De cada um dos robôs, saiu um animalzinho silvestre, que fugiu rapidamente para a floresta.

— Rápido, temos que ir atrás da Amy para ajudá-la! — Sonic limpou a testa ofegante.

— Ok! — Tails entrou imediatamente no biplano. Em seguida olhou preocupado em volta, ainda havia fogo por toda parte, por fim, olhou para Vanilla. — Consegue dar conta disso?

— Eu vou chamar os bombeiros! — Vanilla saiu correndo por entre os destroços com Chocola nos braços, mas antes de desaparecer da vista deles, se voltou para trás mais uma vez. — Se cuidem, por favor.

— Pode deixar — Sonic anuiu antes de voltar o olhar para a direção onde Dee foi junto de Cream e Cheese, a mesma direção onde Amy foi numa tentativa de salvar os amigos. — Rápido, Tails!

Tails deu partida no Tornado levantando voo enquanto Sonic saiu em disparada.

Enquanto isso, mais a frente...

— Solta a gente, por favor — pediu a pequena coelha abraçando Cheese para consolar o Chao assustado.

— E por que eu deveria fazer isso? — questionou Dee realmente parecendo espantado com o pedido da menina.

— Porque é o certo a se fazer — respondeu Cream perplexa com o espanto do palhacinho.

— Eu não acho — respondeu Dee diretamente. — Acho isso errado, muito errado!

— M-mas por quê? — perguntou Cream sem conseguir compreender o ponto de vista de Dee.

— Ora, não é óbvio? Se eu te soltar, eu não vou conseguir completar a minha missão! — Dee sacudiu os braços impacientemente, como se aquela fosse uma resposta realmente óbvia.

— Para quem está trabalhando? — atreveu-se Cream a continuar questionando.

— Eu não estou trabalhando para ninguém! — respondeu com uma expressão extremamente ofendida. — E mesmo que eu estivesse, por que eu te contaria? — retorquiu cruzando os braços virando o rosto para o outro lado.

— O que você vai ganhar em troca do que está fazendo? — continuou Cream com duas indagações.

— Eu não tenho que responder as suas perguntas! Isso é impertinente! Muito impertinente! —gritou Dee zangado.

Finalmente eles chegaram a uma floresta. Acima dela, havia uma enorme nave.

— Já chega, Dee, foque na sua tarefa — disse uma voz com autoridade.

Cream reconheceu a voz imediatamente.

— Eggman! — Cream ergueu os olhos se deparando com a figura em forma de ovo. — Eu deveria ter imaginado.

— Você gosta de bancar a espertinha, não é mesmo? — indagou Eggman sorrindo de orelha a orelha, exibindo seus dentes perfeitamente alinhados.

— O que o doutor quer desta vez? Não lhe bastou o cascudo que levou de minha amiga?

— Aquilo foi proposital, tudo para eu...

— Dr. Egmman — interrompeu Dee. — O que falamos sobre contar sobre seus planos antes da execução?

— Olha lá como fala comigo, arlequim impertinente! — repreendeu Eggman, sentindo seu orgulho ferido.

— Ainda vai me agradecer por corrigi-lo agora! — replicou Dee nem um pouco preocupado com as consequências.

— Quando é que eles vão se acostumar um com o outro? — perguntou Orbot apenas assistindo a discussão entre os dois.

— Pode demorar muito ainda — respondeu Cubot, que estava ao lado do colega fazendo o mesmo.

Cream suspirou desanimada Assistindo a discussão entre o palhaço e o doutor. Não conseguia sair daquela cápsula apertada, nem conseguiu persuadir Dee a mudar de ideia. Se perguntava se seus amigos estavam bem.

— Psiu! — chamou baixinho uma voz atrás de Cream na tentativa de atrair a atenção da pequena coelha. — Cream!

Cream voltou o olhar para a direção de onde vinha a voz de deparando com um rosto amigo.

— Am- — Cream tapou a própria boca para não chamar a atenção.

— Shhh, relaxa, eu vou te tirar daí — cochichou Amy examinando rapidamente a tampa.

— Não adianta tentar abrir a tampa, o Sonic também não conseguiu — informou Cream sussurrando de volta.

— Me dê alguns segundos pra pensar.

Enquanto isso...

— Sonic! Olha pra cima! — alertou Tails apontando para o céu.

— Esta nave... É claro, Eggman está por trás disso! — afirmou Sonic notando o logo estampado nas laterais do enorme veículo aéreo.

— Apenas me pergunto o que Eggman estaria fazendo sobrevoando Mystic Ruins numa hora dessas — comentou Tails.

— Será que o incidente do Eggman mais cedo em Emerald Town tem alguma coisa ver com isso? — questionou-se Sonic antes de sacudir sua cabeça de um lado para o outro. — Não, não posso pensar nisso agora.

— Sonic, detectei sensores ao redor de toda a nave — disse Tails fazendo um mapeamento da nave inimiga. — Não tem como entrarmos sem sermos vistos.

— Algum plano?

De repente um longo e assustado grito ressoou ao longe.

— É a Amy! — Sonic reconheceu a voz imediatamente.

— O que vamos fazer? — Tails pousou o Tornado para evitar que fossem vistos.

Mais a frente, Sonic e Tails avistaram uma plataforma subindo. Mesmo com o forte brilho da lua contrastando contra as pessoas que estavam sobre a plataforma, eles puderam reconhecer todas: Eggman, Orbot, Cubot, o robô que mantinha Cream, Cheese e Amy, presas na cápsula, e Dee.

De repente Sonic sentiu um violento empurrão que o jogou contra o chão com força.

— Você! — gritou a voz em tom de acusação.

— Ei! — queixou-se Sonic reconhecendo a voz. — Knuckles, sou eu!

— Knuckles? — Tails olhou espantado para a figura rubra sentada em cima de seu amigo. — O que está fazendo aqui?

— Pensei que o larápio que roubou a Esmeralda Mestre pudesse estar aqui — respondeu o guardião em tom desconfiado.

— Peraí, o quê? Você deixou que roubassem a Esmeralda Mestre de novo? — Sonic debateu-se para sair debaixo de Knuckles, que saiu em resposta aos protestos de Sonic. — Que tipo de guardião você é?

— Vo-você tem culpa nisso também! Se tivesse me ouvido antes, que aquela morcega era uma ladra, eu poderia ter chegado antes! — argumentou Knuckles um pouco constrangido por sua falha.

— Do que tá falando?

— Quando voltei para Angel Island, havia um palhaço maluco lá! Ele ficou me enchendo o saco enquanto aquele ovo bigodudo roubava a Esmeralda Mestre!

— Dee — mencionou Sonic franzindo o cenho. — Eu o ouvi dizer que precisava de um refém para me trazer até uma armadilha — acrescentou.

— Pode ter a ver com o roubo da Emeralda Mestre — Tails ponderou. — Será que ir agora seria uma boa ideia?

— Não me importa se é uma boa ideia ou não! Eu quero a Esmeralda Mestre de volta! — protestou Knuckles.

— Se irmos agora, talvez tenhamos tempo de impedi-los de criar a armadilha e resgatar nosso amigos e a Emeralda. — Sonic saltou para cima das asas do biplano. — O que será que aquele desgraçado está planejando?

— Não faço a mínima ideia, só sei que vou quebrar as fuças daquele cientista idiota e seu palhaço estúpido quando encontrá-los! — Knuckles subiu no banco de passageiro do biplano.

— Parece que Eggman tem um aliado a mais agora — lembrou Tails lembrando do quão frustrante havia sido lidar com Dee. — Aquele carinha é esperto — admitiu enquanto dava partida no Tornado.

— Nunca o vi antes — disse Sonic se lembrando de todos seus encontros com Eggman. Nunca havia visto outros acompanhantes que não fossem Orbot e Cubot.

— Ele ajudou Eggman a pegar a Esmeralda Mestre. Vocês acham que eles pegaram as Esmeraldas do Caos também? — indagou Tails preocupado enquanto buscava por uma entrada conveniente.

— Se for isso mesmo... — Sonic engoliu em seco. — Isso pode ser perigoso...

Os alarmes da nave dispararam assim que o biplano se aproximou da nave.

— Hum... Pelo visto temos visitantes! — exclamou Eggman assistindo o trio fazer uma tentativa de invadir sua fortaleza voadora. — Bem, acho que você terá de cuidar das nossas visitas!

— É claro, com muito prazer! — respondeu uma voz feminina atrás de Eggman em tom animado.

Os alarmes soavam cada vez mais alto conforme o trio se aproximava da fortaleza voadora.

Uma série de mísseis foram disparados contra eles.

Sonic saltou do biplano e pousou num dos mísseis, o redirecionando para o lado oposto.

— Mais rápido! — exigiu o equidna impaciente.

— Eu tô tentando! — retrucou Tails focado em pilotar o biplano e se manter perto de Sonic ao mesmo tempo em que se esquivava dos mísseis. — O Tornado não foi está preparado para esse tipo de combate!

Sonic direcionou o míssil contra um outro que estava vindo em sua direção e saltou a tempo de se salvar da explosão, pousando logo em seguida em outro míssil com tamanho equilíbrio e expressão calma, que o ouriço aparentava ter experiência com aquele tipo de combate.

Apesar de realmente não ter experiência e tampouco possuir qualquer habilidade que o permitisse voar, ele não se deixava intimidar pela altura, nem pelo perigo que corria fazendo aquilo.

— YUUUHOOOOOOO! — Sonic exclamou sentindo toda a adrenalina lhe proporcionar ainda mais força e velocidade para pular de um míssil para o outro avançando com tudo.

— Você se acha muito espertinho, não é? Hora de dar o próximo passo! — Eggman puxou uma alavanca abrindo um portão, de lá saíram muito badniks voadores. — Tratem de trazê-lo vivo! — ordenou Eggman.

— Ora, não foi para capturá-los, que você a enviou? — questionou Dee, em seu típico tom audacioso. — Além disso, que ideia é essa de disparar mísseis se você quer ele vivo?

— Esse mísseis não eram para matá-los! — corrigiu Eggman rispidamente.

— Ah, não? Era para quê? Fazer carinho neles? — retorquiu Dee.

— Vale essa boca e me deixe trabalhar! — retrucou Eggman.

— E não me mande calar a boca! — replicou o palhacinho ficando com as bochechas mais vermelhas do que já eram.

Eggman sentiu seu sangue ferver de tanta raiva. Parecia que Dee gostava de testar sua paciência, mas ele não poderia permitir, não permitiria que um palhacinho com o linguajar afiado tirasse aquele brilhante cientista do sério.

Orbot e Cubot se encararam céticos. Mesmo sendo robôs, eles demonstravam ter sentimentos bastante humanos no geral, coisa que Eggman se orgulhava muito, pois demonstrava o quão genial ele era.

Do lado de fora da fortaleza, os badniks voadores estavam avançado contra o trio de jovens heróis na missão de capturá-los.

Sonic olhou em volta, já não havia mais nenhum míssil a vista. O cientista parecia ter parado de dispará-los de propósito. O herói não poderia usar o míssil que estava conduzindo contra os badniks, arriscando que os animais silvestres que estavam presos dentro explodissem no processo ou mesmo que a carcaça resistisse, que os animaizinhos não sobrevivessem a queda.

Ele teria que pensar rápido.

Num movimento arriscado, Sonic usou o míssil em que estava em pé para driblar todos os badniks, torcendo para que Tails percebesse o que ele tinha em mente.

Tails, vendo como a situação estava crítica, inclinou o biplano para trás e começou a disparar pequenas bombas.

Mas não eram bombas de qualquer tipo... Assim que bombas se aproximaram do conflito, elas explodiram soltando uma grande quantidade de fumaça formando uma densa névoa.

— O que está fazendo? — Knuckles quis saber se segurando com firmeza no banco, como se temesse que o sinto não resistisse.

— Ajudando o Sonic! — respondeu Tails em um tom tão determinado, que Knuckles não tornou a questioná-lo.

Em seguida Tails equipou uma espécie de óculos cuja tecnologia permitia visualizar a intensidade de calor a uma distância considerável e avançou para dentro da névoa, torcendo para que os badniks não tivessem o mesmo tipo de tecnologia instalada neles.

Sonic atravessou a névoa não avistando mais nenhum badnik, apenas a poderosa carcaça da fortaleza a sua frete.

Agora eles teriam que contar com a sorte.

Já do lado de dentro, nenhum dos três reféns podia fazer algo para ajudar naquele momento, o que era extremamente frustrante para eles.

— Por que sequestrou a gente? — Amy quis saber na tentativa de tirar qualquer tipo de informação que fosse útil de Eggman da forma mais disfarçada possível.

— Eu tenho grande planos! — Eggman fez questão de mencionar uma vez que Dee não se encontrava lá naquele momento para impedi-lo de se vangloriar e acabar contando todos seus planos. — Mas para que eu possa dar início a eles, eu preciso que aquele ouriço idiota esteja por perto! — acrescentou apenas.

Amy olhou para Cream silenciosamente. Parecia querer questionar para a amiga o motivo do doutor querer algo assim.

Geralmente ele sequestrava animais para servir de bateria para seus badniks, já os civis... Bem ninguém tinha certeza, mas o que se especulava, era que civis seriam cobaias de experimentos, contudo, Sonic nunca permitira que o cientista fosse tão longe para poder confirmar e nunca ouvira algum relato sobre.

Cream a olhou de volta muda. Parecia querer responder que tinha um mau pressentimento sobre tudo aquilo.

Ninguém tinha certeza sobre Eggman, seus experimentos e ambições principalmente porque eram todos muito jovens se comparados ao doutor. Não sabiam o que Eggman passou a vida fazendo antes da vinda deles para este mundo. Tudo que sabiam, segundo o próprio doutor, era que ele tinha planos de “mudar o mundo”, mas imaginaram que certamente não seria para melhor julgando os métodos que ele usava para realizar seus planos.

Os alarmes internos soaram alto ao mesmo tempo que luzes vermelhas piscavam sem parar sinalizando urgência.

— Eles entraram! Onde é que está a defesa que não capturou eles até agora? — Eggman digitou algo no painel ansiosamente. — Andem logo, seus molengas! Não deixem eles entrarem nesta sala! E não se esqueçam, eu quero o ouriço vivo!

— Acho que eles conseguiram entrar — comentou Cream ainda preocupada com o objetivo do cientista.

— Não entendo, por que raios Eggman quer ele vivo agora? — observou Amy.

— Com certeza não é para um bom propósito...

Em outra parte da fortaleza...

— Ainda bem que você conseguiu romper a carcaça... — suspirou Tails aliviado com o biplano desajeitadamente pousado. — Isso foi muito arriscado — acrescentou ainda surpreso com o fato de estarem vivos.

— Relaxa, amigo, o pior já passou... — disse Sonic caído de costas com as pernas apoiadas na parede bastante ofegante por conta da adrenalina. — Acho que... Ai... Acho que agora só temos que ver onde é que fica a sala de comando desse lugar. — Sonic enfim se colocou de pé.

— Eu mapeei a maior parte desse lugar enquanto estávamos do lado de fora, então acho que não vamos ter muita dificuldade. — Tails retirou seu óculos, colocou-o de volta no biplano e tirou de lá um aparelho muito semelhante a um relógio de pulso.

— O que é isso? — perguntou Sonic olhando para o pequeno monitor.

— É o nosso mapa — disse Tails clicando no botão lateral ativando o aparelho.

Era a fortaleza de Eggman mapeada.

— Ótimo, podemos ir, isso não é ótimo, Knu- — Sonic olhou para os lados.

Mas o equidna guardião não estava com eles.

— Knuckles! Cadê você? — gritou Sonic. — Ficou louco?

— Este corredor só tem um caminho — disse Tails apontando para frente —, ele não deve ter ido muito longe.

— Rápido, vamos! — Sonic se pôs a correr apressadamente seguido por Tails.

Ambos percorreram rapidamente o corredor, mas como era esperado por eles, não estavam sozinhos, um grupo de 12 badniks se pôs no caminho deles.

— É claro que o Eggman faria isso — comentou Tails.

— Me pergunto como o Knuckles passou por aqui — disse Sonic antes de sacudir a cabeça. — Isso não importa agora. — Sonic inflou os pulmões esticando os braços para cima. — Não é como se não tivéssemos passado por coisas assim antes. — Girou com rapidez no chão e atirou-se como uma bola contra os badniks executando seu movimento de ataque mais básico.

— Na verdade são oponentes até fáceis, o que é estranho — observou Tails.

Algo espreitou-se atrás de Tails.

Mas Tails notou a presença e observando no reflexo do pequeno monitor onde estava sendo exibido o mapa, Tails viu dois badniks.

Antes que pudessem fazer algum movimento para capturar Tails, o pequeno garoto virou-se rapidamente acertando ambos os robôs em cheio com seu par de potentes caudas.

De dentro dos badniks quebrados, saíram mais animais.

— Não se preocupem, bichinhos, vamos voltar para salvar vocês — disse Sonic fazendo carinho em um pequeno esquilo que parecia bastante atormentado. — Todos vocês, escondam-se em um lugar seguro agora.

Os bichinhos saíram correndo para o outro lado do corredor enquanto Sonic e Tails seguiam em frente.

Para a sorte dos dois, escutaram a voz de Knuckles, o que significava que o guardião se encontrava por perto.

— Eu sabia, então você realmente estava trabalhando para ele! — gritou Knuckles em tom irado.

— Não estou trabalhando para ele! — retrucou uma voz um bocado familiar para Sonic e Tails. — Eu não obedeço ordens, é apenas um favorzinho que estou fazendo em troca de outro favor — justificou.

— Tem alguma noção do que está fazendo? — replicou Knuckles ainda mais furioso.

— Eu sei muito bem o que estou fazendo!

— Se soubesse não estaria fazendo isso!

— Ora, fofinho, entenda uma coisa: para mim o prazer vem antes dos negócios.

— Em outras palavras, você é uma egoísta.

Sonic e Tails chegaram ao local se deparando com Knuckles e Rouge discutindo no meio de uma luta.

Por um momento Sonic ficou boquiaberto, realmente parecia que Rouge tinha más intenções, piores do que imaginaria visto que ela era aliada de Eggman.

— Rápido, Sonic! Vamos ajudar o Knuckles! — Tails passou correndo por Sonic.

— Ah, sim! — Sonic voltou a realidade e avançou logo atrás de Tails.

Os dois se colocaram ao lado de Knuckles.

— Eu não pedi ajuda — falou o guardião, teimoso.

— Não interessa — replicou Sonic. — Se quer mesmo recuperar a Esmeralda Mestre, terá de aceitar qualquer meio para fazer isso.

Knuckles olhou por um momento para Sonic. Era uma forma bastante interessante de pensar para Knuckles, mas ele não diria isso para o azulado por conta de seu caráter orgulhoso.

Knuckles então, deixou seu orgulho de lado ao menos naquela ocasião e avançou junto dos companheiros em direção a Rouge.

Rouge se esquivou dos três levantando voo.

Mas Tails também tinha a habilidade de voar, fazendo este movimento não ser útil para ela assim que a raposa fez uma tentativa de golpeá-la com um chute.

Sonic transformou-se numa bola e tentou atingir Rouge pelas costas, mas a audição da ladra era boa o bastante para alertá-la com antecedência, fazendo com que ela se desviasse a tempo.

— Droga — praguejou Sonic em resmungos quicando contra a parede.

Knuckles aproveitou aquela oportunidade para agarrar a morcega pela perna e arremessá-la contra o chão impiedosamente.

Foi um golpe bastante violento, mas não foi o suficiente para impedi-la de levantar.

Apesar de Rouge estar se saindo melhor do que imaginava contra três oponentes ao mesmo, sabia que não conseguiria combatê-los tempo suficiente sozinha.

— Qual é, Eggman? — Rouge gritou pelo comunicador. — Não dá para mandar reforços? São três contra uma!

— Você não é boa nessas coisas? Então, se vira! — retrucou Eggman parecendo concentrado demais para levar a sério o que a morcega dizia.

— Eu disse que daria conta se fossem combatidos individualmente!

Knuckles quis aproveitar a distração da morcega para atacá-la por trás, mas antes que pudesse dar um passo sequer, sentiu seu braço ser segurando.

— O foco não é sair dando porrada em todo mundo — sussurrou Sonic para o guardião.

— Sim! Vamos aproveitar! — concordou Tails apressando o passo.

— Oh, não! Estão fugindo! — gritou Rouge assim que se deu conta e saiu em disparada perseguindo o trio.

— Já estou terminando! — gritou Eggman de volta. — O sinal esta ficando mais forte!

Enquanto Eggman festejava entusiasmado com o progresso do plano, Dee apenas vigiava entediado a cápsula onde estavam os reféns.

— Agora, eu só preciso instalar esta última Esmeralda do Caos e estará feito! — Eggman admirou a bela gema azul por alguns instantes antes de instalá-la no aparelho enorme que estava no meio da sala de controle.

— É sério! Não vou segurá-los neste corredor por muito tempo! — insistiu Rouge no comunicador se colocando no caminho dos três novamente.

— Argh! — Eggman levou as mãos até a cabeça irritado. — Dee! Vai ajudar a Rouge!

— Já vi que as coisas não funcionam por aqui se eu não fizer algo, não é? — comentou Dee desencostando da parede com o olhar entediado. — Sejam crianças comportadas e não saiam daí, ok? — advertiu Dee para o trio de prisioneiros antes de sair da sala.

Amy, principalmente, ficou completamente revoltada com aquela frase.

De volta ao corredor onde estavam o trio Sonic, Tails e Knuckles contra Rouge...

— Essa ladra não desiste — comentou Knuckles.

— Olha, não faço a mínima ideia do motivo de estar do lado desse maluco, mas eu te garanto que não vale a pena — argumentou Sonic para Rouge. — Seja lá o que for que ele te ofereceu em troca, é só para te passar perna.

— Obrigada pela preocupação, mas não precisa me alertar, não é como se eu fosse ingênua o bastante para deixá-lo fazer isso.

— Já está fazendo isso — corrigiu Sonic. — O que acha de nos ajudar a concertar as coisas?

Knuckles abriu a boca para repreender Sonic por tal atitude, mas levou uma cotovelada de Tails antes que o fizesse.

— Você é muito fofo por se dispor a tentar me convencer — Rouge soltou uma risadinha admirada com a intenção de Sonic. — Talvez em outra circunstância eu aceitaria, mas infelizmente você me pegou em um mau momento.

— Então você não nos deixa outra escolha! — Knuckles avançou para cima de Rouge sem pensar duas vezes. Antes do soco de Knuckles acertar Rouge, o equidna sentiu a pulso ser agarrado.

Sem que tivesse tempo de reagir, seu agressor o arremessou contra Sonic e Tails com uma considerável força.

— Obrigada, mas eu não precisava ser protegida daquele golpe — disse Rouge com certo desdém.

— De nada — respondeu Dee simplesmente.

De volta a sala de controle...

— Acho que isso é o suficiente... — comentou Eggman antes de clicar no botão de confirmar.

De repente, toda a fortaleza sacudiu violentamente ao mesmo tempo que seu dispositivo onde estavam instaladas as Esmeraldas do Caos e a Esmeralda Mestre começou a brilhar e uma enorme onda de energia emergiu da fortaleza.

O tremor fez com que vários objetos, máquinas e até aqueles presentes na nave caíssem.

Sonic Tails, Knuckles, Rouge e Dee, que estavam no meio da luta deles, também foram vítimas da sacudida.

— Ora, ora, parece que o doutor está conseguindo! — comentou Dee retomando a sua posição.

— O que ele pretende fazer? — Sonic quis saber se levantando.

— Você já vai descobrir — respondeu Dee expressando confiança em seu olhar.

A sacudida foi tão violenta, que a cápsula onde estavam Amy, Cream e Cheese deslocou-se, se chocando contra a parede, o que resultou em uma ruptura no vidro.

— Perfeito! — pensou Amy sorrindo esperançosa quando notou o dano causado pelo impacto.

Eggman não parecia estar prestando atenção.

— Está funcionando! — exclamou Eggmam em tom de vitória fascinado com seu progresso. — Eu serei capaz de obter o poder necessário. Nada mais será como antes!

— Doutor... — chamou Orbot quando viu Amy dar pontapés contra o vidro.

— Agora não — interrompeu Eggman.

— Doutor, acho melhor que... — Cubot tentou alertar ao ver Cream ajudando a causar mais dano a cápsula.

— Agora não! — gritou Eggman. — Este é o meu momento!

— Eu não teria tanta certeza se fosse você! — Amy ergueu seu Piko Piko Hammer assim que conseguiu romper a cápsula.

— O quê?! — Eggman virou-se para a direção da voz.

— Vai nos pagar por ter nos feito de prisioneiros! — disse Amy em tom ameaçador fuzilando o doutor com o olhar.

— Seja o que for que estiver planejando, não permitiremos que continue! — acrescentou Cream.

— Chao, chao! — concordou Cheese.

O rosto espantado do doutor de repente assumiu uma expressão confiante com sorriso maléfico que se abriu de orelha a orelha.

— Acho que já é meio tarde para fazer qualquer coisa — disse antes de dar uma gargalhada satisfeita.
De repente, a parede ao lado da porta quebrou com um enorme estrondo.

De lá, saiu Rouge sendo golpeada por Knuckles. Logo atrás veio Dee, que parecia chocado por ter levado uma surra de Sonic.

— Pare tudo que estiver fazendo! — exigiu Sonic se atirando para dentro da sala de controle em forma de bola. Assim que aterrissou no chão e se desenrolou, avistou Amy, Cream e Cheese. — Demoramos muito?

— Não! Que isso? Chegaram bem na hora! — disse Amy sorrindo. — estávamos prestes a dar uma lição no Eggman!

— AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! Tarde demais! Nenhum de vocês será capaz de desativar a máquina! — Eggman apoiou-se sobre o painel.

— Eu vou me encarregar disso! — avisou Tails avançando para cima de Eggman.

Repentinamente, Sonic sentiu algo vibrar... Teve uma sensação muito estranha. Quando olhou para o relógio de bolso que estava consigo, notou um estranho ruído que o objeto estava emitindo.

— Nem pense em tocar em alguma coisa! — Eggman se pôs na frente do dispositivo afim de protegê-lo.

Mas para o desgosto do doutor, a máquina começou a emitir um ruído de forma muito incomum.

— O que está havendo? — perguntou Dee enquanto mantinha Knuckles ocupado.

— Acho que a máquina vai explodir! — gritou Amy.

O relógio vibrou novamente e quando Sonic deu uma olhada nos ponteiros, eles estavam girando loucamente no sentido anti-horário.

Algo parecia muito errado.

— Faça isso parar! — berrou Sonic.

Eggman realmente parecia tentar reparar o problema, mas nenhum comando respondia. Era tarde demais...

Algo deu errado...

Foi possível enxergar a luz da explosão que houve na fortaleza de muito longe, junto do som que irrompeu alcançando quilômetros de distância.

— Oh, não! — gritou Vanilla ao ver, junto dos outros habitantes, a explosão de Emerald Town.

De dentro dessa explosão, um ponto de luz surgiu consumindo tudo que estava a sua volta se estendendo cada vez mais com uma rapidez absurda até alcançar onde nenhuma vista alcançaria.

***

— Olá? — chamou uma fina voz curiosa. — Olá? Tem alguém aí?

Uma flash em vários tons de azul ofuscou sua visão...

— Uau! É tão lindo aqui! E olhe para mim! — disse a mesma voz em tom entusiasmado. — Agora posso correr!

Após a névoa ter desaparecido de seus olhos, como se fizesse muito tempo que não visse a luz, avançou por alguns metros, chegando em um belíssimo jardim.

E as flores desse jardim estavam cantando.

— Uau! São as senhoritas que estão a cantar? — se agachou para poder ver as flores mais de perto.

De repente, o ruído de passos velozes e claramente apressados, chamou por sua atenção.

— Tem alguém aí? — indagou.

Não houve resposta.

Mas sua curiosidade era tanta, que rapidamente seguiu o som dos passos chegando perto de uma grande árvore.

A vista era divina.

— Olá?

Um vulto, em um movimento ímpeto, passou diante de seus olhos em uma velocidade absurda.

— Espere, por favor! Eu não vou lhe machucar! — clamou correndo de forma um pouco desajeitada atrás desse vulto.

Mas rapidamente, acabou perdendo o fôlego, recostou-se na árvore para poder se recuperar e então olhou em volta.

Encontrou alguém. Estava em pé não muito longe... Parecia um ouriço sua pelagem em belíssima cor cobalto. Estava vestindo um traje elegante branco cheio de adornos dourados. Engrenagens estampadas em algumas partes desse traje, botas altas e mais engrenagens, substituindo as fivelas.

Espreitou-se um pouco para poder alcançá-lo sem que o espantasse para longe.

Mas antes de poder fazê-lo, esse indivíduo olhou com seu par de olhos cor de esmeraldas em sua direção, lhe deu um sorriso convidativo e por fim correu para fora de sua vista, do outro lado daquela árvore.

Como se quisesse ser seguido...

— Não, espere! Diga-me quem é! — correu desesperadamente em torno da árvore, mas antes que que se desse conta que havia um enorme buraco ali, acabou por meter o pé lá e cair.

— Faz tanto tempo, não é? — disse outra voz, profunda e potente.

***

— Ah! — Sonic levantou-se num sobressalto.

Todo seu corpo estava dolorido, especialmente a cabeça e sua visão ainda estava um pouco turva. Quando sua vista normalizou, olhou em volta.

Mas não reconheceu onde estava.

— Onde eu estou? — perguntou-se olhando o breu infinito a sua volta. — Quem... Quem apagou as luzes? — Sonic esfregou duas têmporas afim de aliviar a dor de cabeça. — Como eu vim parar aqui mesmo?

Sonic não se lembrava.

O ouriço notou algo em sua mão direita. Era o relógio de bolso misterioso.

Sonic, ainda intrigado com toda aquela situação, abriu o relógio revelando os ponteiros, que ainda estavam girando no sentido contrário loucamente. Apesar desse aparente defeito a melodia tocava normalmente.

Como se levasse uma intensa descarga elétrica, as imagens da última coisa que ocorreu lhe veio a mente: Estavam ele e seus amigos confrontando Dr. Eggman e seus aliados na sala de controle da fortaleza, na tentativa de recuperarem as Esmeraldas do Caos e a Esmeralda Mestre... Um intenso clarão era exatamente a última coisa que Sonic se recordava de ter visto, bem como as vozes de todos presentes lá naquele momento foram as últimas que Sonic ouviu.

Num ímpeto movimento Sonic se levantou irreflexivamente e saiu em disparada.

— Tails! — Sonic atreveu-se a gritar em meio àquele lugar totalmente escuro e desconhecido. — Amy! Cream! Cheese! Knuckles! — Sonic continuou chamando.

Mas não obteve nenhuma resposta.

Por onde corria, não encontrava de maneira alguma um ponto de luz sequer. A maioria das coisas ali aparentavam ser detritos de construções, todas parecendo bastante antigas e estragadas.

— Que... Que lugar é esse? — Sonic indagou ofegando. — Parece que houve um terremoto aqui!

De fato parecia. Além das construções destruídas, havia algo particularmente estranho: Os objetos não pareciam possuir peso, estavam alguns suspensos no ar, enquanto outros, encostados no solo apenas por uma quina.

— Eggman! O que você fez?! — Sonic gritou parando de correr. Não parecia que estava chegando a algum lugar correndo...

Segundo o que se lembrava, Eggman havia deixado sua máquina sair do controle, o que causou todo aquele caos. Eggman não parecia ter noção das consequências de seu plano para deixar as coisas chegarem naquele ponto.

Por um momento, lhe passou pela mente que esse lugar onde se encontrava, era exatamente o mesmo em que estivera antes de ocorrer o clarão.

— Será que ainda estou em Mystic Ruins? — se perguntou o azulado erguendo os olhos para cima, onde supostamente deveria estar o céu...

Mas em vez de um céu noturno, estrelas e a lua, havia apenas puro negro e uma nevoa bastante densa pairando por cima de Sonic.

Pensou na possibilidade dos danos terem sido tão grande, que provavelmente não encontraria vida alguma nos próximos quilômetros que corresse, que não encontraria seu amigos novamente, que estaria completamente sozinho...

Sonic sacudiu a cabeça com força repreendendo a si mesmo pela fertilidade de sua imaginação.

Não poderia pensar negativo.

Por outro lado, tinha que ser realista.

Sonic soltou um suspiro entristecido. Pela primeira vez, o ouriço não tinha a menor ideia do que fazer. Permaneceu então algum tempo de pé ali, ponderando no que faria.

— Bem... Acho que a primeira coisa que tenho que descobrir é onde eu estou exatamente — concluiu Sonic olhando ao seu redor. Todos os caminhos pareciam iguais... — Numa hora dessas, tanto faz qual caminho é o certo — disse por fim se pondo a caminhar.

Pensou que correr poderia não ser uma boa ideia, visto que ele tinha que se localizar e cada detalhe seria importante para essa tarefa. Não havia sol, nem estrelas, tampouco a lua para que pudesse se nortear. Observando o solo, ele não parecia natural, era difícil de saber do que era feito, uma vez que havia uma fina camada de água cobrindo a superfície.

Sonic passou a mão pelo solo. Parte dele parecia feito de concreto e outra com grama morta. Chegando mais perto, contorceu o nariz ao sentir o cheiro podre daquela água. Por um momento, se perguntou o que avisa feito aquilo.

Repentinamente, o silêncio foi quebrado por um breve som de chocalhos ecoando ao longe. Sonic virou-se rapidamente para a direção do estranho barulho.

Não viu nada.

Sonic seguiu com a exploração. Parecia que quanto mais avançava, mais estranho e sem sentido era o cenário.

Portas flutuantes, que faziam Sonic se perguntar o que havia do outro lado, escadas e paredes em vários ângulos que pareciam brincar com a gravidades. Vasos de flores com plantas mortas, mesas de cabeceira voadoras e penteadeiras. Também havia molas vermelhas com estrelas estampadas na superfície de cada mola, anéis, corrimões, bolas giratórias... Aquelas eram coisas bastante familiares para ele.

— Oh... Não me diga que fui parar naquela dimensão... — Sonic disse para si mesmo. — A Dimensão Especial... — Era assim que Sonic chamava aquele lugar.

Sonic engoliu em seco. Já havia estado na Dimensão Especial algumas vezes, achou diversas vezes Esmeraldas do Caos naquele lugar. A entrada costumava ser um anel gigante. Mas não havia entrado por nenhum anel gigante e o lugar onde se encontrava não era muito semelhante aos lugares onde encontrou as Esmeraldas no passado... Como sairia dali?

Sonic então ouviu ruídos de passos. Por alguns instantes pensou que fossem seus próprios passos ecoando, mas depois de alguns instantes, bastante incomodado com a sensação de que estava sendo seguido, Sonic parou de andar.

O som parou.

Sonic olhou para trás, um pouco aflito. Não havia nada além de névoa.

Seguiu com a caminhada ainda com aquela sensação. Como se houvesse algum tipo de presença naquele local.

A medida que Sonic continuava, mais a sincronia entre seus passos e os supostos ecos diminuía, o que lhe deixava ainda mais aflito, queria muito achar um lugar seguro para ficar, mas a possibilidade de encontrar algum lugar decente em meio de toda aquela estranheza era quase nula.

O som dos passos atrás de Sonic se apressaram e Sonic, em um movimento irreflexivo, correu para trás de uma parede destruída em silêncio na esperança de despistar seu perseguidor.

Ficou lá algum tempo. Nada aconteceu.

— Será que estou ouvindo coisas? — ponderou Sonic por um instante.

Sonic não tinha mais tanta certeza se poderia confiar em seus próprios ouvidos.

Suspirou aliviado antes de voltar-se para o outro lado para seguir com sua exploração e acabou dando de cara com uma das bonecas que viu naquele quarto onde encontrou o relógio e teve aquela estranha visão.

— AAAAAAA-!!! — Sonic tampou a própria boca para não chamar atenção de qualquer outra entidade que pudesse estar lá. Por um momento pensou que fosse cair duro no chão de tamanho susto que levou.

Porém, para seu grande alívio, a boneca deformada se encontrava totalmente inanimada posta sobre uma das muitas mesas de cabeceira que haviam por lá.

Apenas para ter certeza, Sonic foi se afastando dela sem deixar de fixar seus olhos na mesma, pois sua última experiência com bonecas de porcelana fora péssima.

Continuou a caminhar até que encontrou uma enorme fenda no chão, olhando para baixo, não viu nada além de escuridão. Não queria nem imaginar o que aconteceria se caísse lá.

Vasculhando ambos os lados, viu que não havia como passar.

Até que viu várias... Peças de dominó? Sim eram peças de dominó gigantes que estavam voando em sua direção, fazendo Sonic se afastar receoso. Contudo, as peças não fizeram nada além de se alinharem uma atrás da outra em formas um pouco irregulares formando uma ponte que levaria Sonic até o outro lado.

Sonic chegou mais perto apenas para ver se não estava vendo coisas e se não significava algo perigoso. Seu medo de que estava tendo uma espécie de alucinação e que não pudesse sair daquele estado nunca mais, era bastante perturbador.

— O que será que está acontecendo aqui...? — comentou Sonic após sair de sua êxtase.

Pensou um pouco tentando se decidir se era uma boa ideia passar pela ponte ou não. Mas vendo que não conseguia avistar de jeito nenhum o final daquela fenda e por sua pressa, decidiu passar pela ponte de peças pretas e pontinhos brancos.

Passou com pressa, saltando de peça em peça. Para a sua felicidade, nenhuma havia lhe pregado alguma peça.

Do outro lado avistou um caminho que levava até uma enorme construção... Ou menos era o que parecia.

O intimidador ruído de chocalhos tornou a atormentar Sonic. Lhe soava algo bastante ameaçador e não queria ficar lá para descobrir de onde vinha o barulho.

Avançou rapidamente e confirmou que de fato havia uma construção ali. Era um bocado familiar...

— Finalmente alguma coisa inteira nesse lugar — comentou Sonic antes de continuar.

Empurrou a porta pesada com cuidado. A mesma rangeu bastante até Sonic finalmente parar, deixando-a entreaberta.

Pensou mais um pouco, a última vez que entrou em uma construção de aparência antiga e desconhecida, havia sido muito assustador, mas tudo por lá parecia assustador, então no final das contas, não fazia muita diferença, pensou ele consigo mesmo. Por fim, respirou fundo antes de continuar.

As coisas dentro, até aquele momento, pareciam menos estranhas do que estavam lá fora. Entrando em um certo salão, se deparou com uma mesa. Tinha somente a mesa e um papel sobre ela.

Aquilo tinha muito a aparência de uma armadilha, como se quisessem que o papel fosse pêgo.

Sonic, muito curioso, não pensou muito naquilo e aproximou na esperança de que encontraria finalmente alguma pista para sair dali. Tomou o papel de aspecto envelhecido nas mãos com cuidado e olhou para as letras. Era uma caligrafia muito bonita, embora parecesse que tivesse sido escrita com certa pressa, o que dificultou um pouco a leitura.

“Caro Sonic,

Se você está lendo isso, é porque eu falhei. Falhei com todos, falhei para impedi-los, falhei com aquela promessa que havia feito... E muito provavelmente Alice nasceu.

Você provavelmente está em um lugar bastante estranho se comparado com o que você deve estar acostumado, não é? Sinto muito por isso. Infelizmente não há muito que eu possa fazer para ajudar, por mais que eu queira. A tarefa agora está em suas mãos.

A propósito, você muito provavelmente deve ter encontrado um relógio de bolso musical, certo? Tome conta dele, poderá lhe ser muito útil futuramente. Há certas coisas sobre o relógio que gostaria de lhe contar, mas infelizmente não caberá neste pedaço de papel.

No mais, preciso te avisar que você precisa atravessar a “Dimensão Especial” o mais rápido possível, você corre sério perigo onde está. Farão de tudo para tentar te parar, para te impedir de descobrir toda a verdade, até aquelas que nem eu mesmo sei. Perdoe-me, acho que estou me prolongando demais. Seja rápido!

Com toda sinceridade,

Você mesmo.”

Sonic sentiu seu sangue gelar, com o coração disparado e o cérebro a mil, não sabia o que era mais assombroso, o fato do remetente ter conhecimento de seu nome, logo, o conhecendo de algum lugar, ou o remetente ser, supostamente, ele próprio.

Notas finais
No próximo capítulo: Perdido numa dimensão esquecida, numa dimensão temida, Sonic precisa enfrentar os horrores de sua própria mente e um passado obscuro. Ela quer brincar. "Jogo de Sobrevivência"