Sonic: Sentimentos de Maria
1 Capitulo Único: A Caderneta
Notas iniciais
A colônia estava silenciosa, exceto pelo barulho repentino de fita crepe, usada para colar um desenho no vidro de um dos quartos. Simples e simbólico.
— Um dia, iremos por nosso pé lá. Eu garanto! — Sussurrou em tom determinado.
Ansiosa, queria se recuperar logo para conversar com seu amigo, lhe transmitir um novo conhecimento e responder todas as suas dúvidas. Mas os médicos perceberam uma piora na saúde e a deixaram em quarentena no seu quarto, sem ninguém para conversar.
Com uma tristeza leve, Maria desviou o olhar da janela e afundou as costas no travesseiro. Shadow já havia pensado em visitá-la, mas a criação causava estranheza nos cientistas que o achavam perigoso. Andar por lá sem evitar maus-olhados era quase impossível.
Seu avô também estava preocupado. Todas as tentativas de concertar a situação falharam. Parte dela compreendia que a cura viria com o tempo, já outro pedaço — quase pequeno e insignificante — se sentia pesado com algo. O que no mundo eles poderiam estar fazendo se ela estivesse bem?
Esses sentimentos estavam emaranhados em sua cabeça de uma maneira que ela não conseguia descrever. Procurando uma maneira de se acalmar, seu olhar preocupado pousou em um caderno ao lado da cama. Seu rosto pareceu se iluminar quando um sorriso caloroso apareceu.
Sem ninguém, escrever seria uma boa ideia.
Com vontade, levou o peso de seus pensamentos para a caneta. A caneta escreveu palavras significativas. Em cada parágrafo, sentimentos por cada um.
Pena. Gratidão.
"Ainda me lembro do dia que me garantiu um tempo feliz, longe das preocupações da Ark. Ainda devo muito à ele. De tudo fez para o meu bem e para a minha saúde, seria bom se descansasse, porque estou feliz. Por ele meu pé estará na Terra. Ele, que é meu pai no coração. "
Carinho. Amizade eterna.
"Passei vários anos olhando para as estrelas. Um dia, estudei uma por uma enquanto acompanhava alguém desorientado e curioso, com suas perguntas me dando um motivo para ser sua guia. Os questionamentos nos aproximaram e logo as respostas puxavam respostas. Por nós, nossos pés estarão na terra. Ele, que é meu irmão no coração."
Ensinamentos. Coincidência divertida.
"Uma admiradora de estrelas que veio do acaso, porém, enfermeira. Ela sempre gostou de me contar histórias da Terra e me ensinou tudo sobre corpos celestes. Fico lisonjeada quando sou sua paciente, pois cuida bem de mim e tem assuntos engraçados. Por ela meu pé estará na Terra. Ela, que é minha mãe no coração."
...
Maria arrancou a folha da caderneta e fez a mesma coisa com seu desenho, colando-a no vidro do quarto. Toda vez que precisou justificar seu sonho, foi somente olhar para sua anotação simplista, que se alegrou.
Não demorou muito para Maria adormecer. Ela sonhou com o que sempre gostou de sonhar. O que era? Só ela sabia.
"Porei meu pé na Terra, para a honra daqueles que me fizeram feliz."
Esperança. Felicidade.
Simples e simbólico.
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