Notas iniciais
-Olá, venha comigo senhorita.
Como se eu já não estivesse assustada o suficiente enviaram uma “parede” para levar-me para a sala de jantar. Respiro fundo para acalmar-me, nada hoje iria estragar o meu dia.
Como todos os anos ele está lá sentado calmamente olhando-me com aqueles horríveis e calculistas olhos violetas.
-Que bom que decidiu juntar-se a mim no jantar Hana.
-Não é como se eu tivesse escolha. – falo baixo, mas não o suficiente para ele não me ouvir.
-Tens escolha. Coma comigo uma vez por ano ou volte para onde estava antes. Onde era mesmo, querida?
-Prestes a ser enforcada.
— Onde mesmo? Não lhe ouvi.
-Prestes a ser enforcada. –falo um pouco mais alto, o suficiente para a mais nova “parede” ouvir e segurar um riso disfarçadamente.
Olho para ele com meu melhor olhar “matando você com os olhos” e ele logo se cala reassumindo seu olhar de mosca tonta. Mostro a língua para ele. Eu já tinha 15 anos, mas isso era minha segunda pior mania, a primeira era roer unhas.
O jantar procedeu sem mais nenhuma ocorrência incomum. Como sempre ele me perguntou como estou e como está minha gata, Pandora.
Fiz o mesmo teatro de sempre, ri das piadas sem graça. Inventei histórias extraordinárias de aventura pelo palácio. O que sempre fiz.
Tudo decorreu como deveria exceto por uma pequena conversa enquanto me dirigia para meu quarto.
-Lembra-se de quem eu sou?- pergunta ele calmamente.
-Sim é o senhor desse palácio.
-Não isso Hana, lembra-se de quem eu era antes disso?
-Sim.
-Quem eu era?
-Meu irmão.
-Correto, então por que não me chama pelo nome de batismo como fazia quando éramos crianças?
-Sinto muito, Yuki.
-Assim está melhor, vejo você novamente ano que vem Hana.
Volto para o quarto exausta, querendo morrer. Espero que não tenha o mesmo sonho que todos os dias em que o vejo. O sonho daquele horrível dia.
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