Sonhos opostos, mundos iguais
1 You look like my next mistake
“Você está indo bem, irmã…”
—Kate, vamos acorde é o seu primeiro dia, não pode se atrasar. – Anne estava em cima da minha barriga me chacoalhando na tentativa de me fazer levantar.
Minha irmã, Anne, tem 7 anos, mas na maioria das vezes ainda parece ter 5. Ela é bem pequena para sua idade mas adora isso. Anne, tem longos cabelos loiros ondulados e olhos azuis que ela puxara de nossa mãe. Eu sou totalmente o oposto de minha irmã; meus lisos cabelos castanho-escuro são curtos, um pouco acima dos seios e meus olhos possuem uma cor dourada como de âmbar, igual aos de meu pai. Tenho 16 anos, sou um pouco maior do que a média das garotas na minha idade porém sou muito magra, sendo o metabolismo a única semelhança entre mim e minha irmã. Se alguém nos visse jamais pensariam que somos irmãs, eu mesma pensava que a Anne podia ter sido adotada, mas que irmã mais velha nunca achou isso de seu irmão ou irmã quando este resolvia irritá-la? Acho que poderia dizer que a Anne é minha melhor amiga, sabíamos todos os segredos uma da outra e sempre nos ajudávamos não importa o que acontecesse. Éramos mais próximas do que qualquer outra pessoa.
—Kate, acorda logo! A Sophia pegou meu pedaço de bolo e não quer me devolver, de novo! —Ela gritava enquanto deitava em mim.
—Está bem, Anne, já vou levantar. Espera só mais uns segundinhos. —Eu disse virando para o outro lado e a derrubando de cima de mim.
— Ai! — Ela reclamou massageando as costas – Uns segundinhos nada você vai se atrasar para o primeiro dia de aula. —Ela abriu as cortinas e aquela luz da manhã bateu em meus olhos como se fossem duas lâminas me fazendo acordar.
Agora ela parecia até como se fosse minha mãe, eu não resisti e pulei da cama num sobressalto e fiz cócegas nela até ela começar a chorar de tanto rir.
—Acho que agora que eu levantei não tenho outra escolha a não ser ir para a aula.
Quando estava pronta para ir para a escola desci rapidamente até o refeitório.
Nós duas moramos em um orfanato, que está sendo ameaçado de ser derrubado se não pagarmos as dívidas com o governo, por isso eu e alguns dos mais velhos resolvemos trabalhar depois da escola para ajudar a pagar os gastos. Sendo assim eu resolvi trabalhar na biblioteca da cidade, deste modo poderia ganhar dinheiro rodeada das coisas que eu mais gosto: livros.
O orfanato é uma casa antiga de três andares, sendo a entrada a sala com os computadores e os sofás e uma televisão bem antiga que está apoiada em alguns tijolos velhos, a sala é dividida com o nosso refeitório. O segundo e terceiro andar são os quartos e os banheiros, um masculino e um feminino, onde cada garoto e garota têm que dividir o quarto com as outras crianças, mas, por sorte, sou a única com quarto próprio devido aos meus terrores noturnos.
O refeitório do orfanato era grande e espaçoso, as longas mesas eram distribuídas por todo o refeitório e cada criança ocupava seus lugares nos bancos, que são divididos por idade, e a comida até que era muito boa… as vezes.
Sentei no meu lugar ao lado de Sophia, minha amiga, assim que cheguei ela abriu um grande sorriso, e vi o bolo de minha irmã embrulhado cuidadosamente ao lado de um sanduíche.
—Sério, você precisa parar de implicar com a Anne logo de manhã, sempre que você faz isso ela começa a me incomodar.
—Bom dia pra você também, rainha ranzinza. Você sabe como eu sou, sua irmã é tão fofinha que eu não resisto, ela irritada e vermelha é uma graça.
Sophia era minha amiga desde que chegou ao orfanato, ela é muito bonita, ela era baixa e seu corpo era bem desenvolvido e ela era bem alegre, simpática e divertida, o único problema era sua fixação por coisas fofas, as vezes até me assustava. Quando viu a Anne pela primeira vez ela se apaixonara de cara e tentou de todas as formas possíveis pôr a Anne em uma roupa de animal para toma chá com ela o dia todo, é claro que minha irmã ficou traumatizada por isso mas foi uma época bem divertida.
Depois do café, as crianças que já estudavam foram para a escola municipal enquanto eu ia para o meu primeiro dia na S.W. Lótus, a escola particular que havia apenas garotos e garotas ricas, e não aceitava qualquer aluno com uma renda baixa, porém assim que criaram a primeira prova para conseguir uma bolsa integrada, várias pessoas com rendas inferiores se esforçaram ao máximo para entrar a escola, até mesmo eu.
A escola ficava a cerca de 10 km do orfanato de barca e mais 5 km da estação, ela se encontra no antigo castelo do imperador de Brithanya, ao lado do mar. De fora o castelo era em estilo medieval feito de pedras com três estruturas maiores no meio, cinco fortes ao redor das estruturas e ainda quatro torres ao redor do terreno todas interligadas as estruturas principais por pátios abertos. O castelo também dispunha de 4 jardins com lagos artificiais e áreas de pesca e arco e flecha.
A diretoria ficava na segunda estrutura atrás do primeiro forte levando 30 minutos para chegar do portão principal ao prédio, quando entrei um homem jovem e extremamente alto se vestindo com um terno branco e gravata rosa choque estava sentado em cima da mesa de uma das secretárias conversando animadamente sobre algo que a moça atrás do computador não prestava atenção. Quando me viu o homem abriu um imenso sorriso e me abraçou tão forte que poderia morrer. Ele era alto com uma boa estrutura, tinha cabelos ruivos cuidadosamente aparados e a barba por fazer, parecia ser desastrado e bem imaturo para chegar a abraçar uma aluna, e pela expressão das secretárias eu tinha acertado em cheio.
—Diretor, mais dez segundos de abraço e será considerado assédio, sem contar que a esta sufocando. – disse a secretária de antes sem ao menos tirar os olhos do computador.
— Ah! Sinto muito. – ele disse finalmente me soltando. – Kate, minha querida, finalmente te conheci! Estava muito ansioso para conhecer a primeira pessoa a conseguir a bolsa integral na nossa academia, você deve ser uma garota muito especial para conseguir – Ele disse a última frase me olhando com grande curiosidade, o que me deixou um pouco desconfortável – Ah, claro, que indelicadeza a minha. Eu sou o diretor da academia S.W. Lótus. Anthony. Mas me chame de Tio.
(Tio? Que tipo de cara é esse, onde um direto pede aos alunos para chamá-lo de tio?)
— Eu preciso da minha programação senhor Tio – Disse o mais delicada possível enquanto tentava me afastar o máximo possível daquela pessoa.
— Claro, aqui está. – Ele me entregou uma folha meio amassada – A Sabrina vai te mostrar a escola e também suas salas de aula, ela é a presidente do conselho então se você tiver alguma dificuldade ou dúvida, pode ir falar com ela. – Ele olhou ao redor e chegou perto sussurrando: – Cuidado com a Sabrina, ela pode parecer inocente mas essa garota me dá arrepios.
Uma garota com aproximadamente minha idade saiu de uma das portas e se aproximou sorrindo de forma assustadora para o diretor. Seus cabelos eram pretos com algumas mechas roxas e azuis que realçavam seus grandes olhos castanhos.
—Diretor, a sala 2-B está reclamando novamente das porções servidas no almoço e creio que já pedi ao senhor para que cuidasse disso – a garota disse em um tom irritado e amedrontador mas quando me viu sua expressão mudou totalmente se tornando leve e gentil. – Prazer, eu sou a Sabrina, presidente do conselho, você é a Kate certo? Espero que possamos ser amigas. – Ela sorria de forma doce quando me cumprimentou e seus olhos brilharam quando aceitei apertar sua mão de volta. – Venha, vou lhe mostrar a escola.
Saímos da sala e nos adentramos no castelo enquanto Sabrina me contava sobre cada cômodo um acontecimento impressionante que acontecera ali.
O interior do castelo era ainda mais impressionante que o exterior, nos corredores e cômodos haviam várias janelas enormes com a maioria do interior original preservado sendo que o castelo fora apenas modificado o suficiente para receber os alunos. O refeitório da escola ficava na sala de estar, as salas de aula eram nos vários quartos que o castelo dispunha, um maior que o outro, a biblioteca era mais afastada e poucas pessoas iam pra lá, a sala da diretória ficava no quarto principal do castelo.
Enquanto ia me mostrando a escola, Sabrina também explicava, entre um fato e outro, como funcionavam cada sala, os nomes de alunos e professores, onde seriam minhas aulas, etc.:
— E aqui é a sala da sua primeira aula – disse ela apontando para uma das portas. – Você parece ser muito inteligente e aplicada, para conseguir a bolsa, e eu estava pensando, sei que é meio precipitado mas: Você gostaria de participar do conselho, Kate?
— Claro, ficaria muito feliz em ajudar – Respondi automaticamente, estava muito ocupada tentando lembrar de cada informação para conseguir pensar antes de responder. – Não, pera! Não foi isso que eu…
— Que ótimo, vai ser muito divertido e de grande ajuda também já que estamos com falta de membros. Passe na sala do conselho depois das aulas. – E depois disso ela se foi, saltitando pelo corredor sem eu ao menos ter chance de me desculpar e negar o pedido ou mesmo de pedir para que ela entrasse comigo. O que eu estava dizendo, nunca fiz parte de um conselho, ainda mais de uma escola tão grande e cheia de alunos.
Fiquei encarando a porta de madeira desgastada pelo tempo por alguns segundos mas pra mim pareciam anos, comecei a ficar mais ansiosa e com medo (Agora não é hora para nervosismo). A classe era enorme com o papel de parede de veludo avermelhado, o professor ainda não tinha chegado e só alguns alunos estavam na sala onde a maioria já estava conversando com seus próprios amigos. Passei por um grupo de meninas que, assim que me viram, pararam de rir e começaram a cochichar enquanto me encaravam, me sentei na última cadeira encostada na janela e me afundei no assento desejando desaparecer, fiquei olhando pela janela os pássaros tomando banho no chafariz do pátio. Conforme os alunos chegavam fui me tornando objeto para conversas e sussurros curiosos.
A primeira aula foi de história moderna, onde fui convidada a me apresentar para a sala toda como um bônus enquanto o professor dizia aos demais alunos que eu passara na prova para a bolsa integrada e que todos deveriam seguir meu exemplo, não eram apenas as meninas mas como todos agora olhavam para mim como se eu fosse um sapo no curso de dissecação. Não consegui conversar com ninguém em meu primeiro dia.
Depois que as aulas acabaram fui para a sala do conselho tentar relaxar um pouco e tirar o péssimo primeiro dia da minha cabeça. O conselho era bem diferente do que eu imaginava, nele haviam camas, sofás, uma mesa com bolos, chá e (NÃO CREIO!) sorvete… a sobremesa mais perfeita que existe.
— Kate, gostou da sala? – eu ouvia a voz da Sabrina mas só conseguia pensar em sorvete e em como seria bom se eu pudesse comer um pouco para esquecer de toda a ansiedade, frustração e nervosismo.
— O que? Ah, sim, a sala é bem bonita.
— Se você quiser comer um pouco fique à vontade – Ela segurava o riso.
— Certeza?
— Claro, você é um membro do conselho agora.
Não precisou nem dizer mais uma vez, apenas ataquei o primeiro sorvete de creme que eu achei.
—Conseguiu fazer alguma amizade? Além de mim claro.
—Não, acho que as pessoas da minha sala não gostam muito do fato de eu ser pobre e ainda assim ter conseguido a bolsa. – respondi com sorvete na boca e a presidente estendeu um guardanapo enfeitado e de seda enquanto sorria. Realmente era a única pessoa decente da escola.
—Não se preocupa, logo você vai se enturmar com todo mundo.
Quando já estava satisfeita, a Sabrina me explicou que os outros membros já haviam ido embora e assim ela me apresentaria a todos antes das aulas de amanhã, e enquanto isso minhas funções no conselho seria organizar as fichas dos estudantes e depois supervisionar a entrega dos novos livros à biblioteca, mas minha tarefa diária seria ajudar os alunos e fazer com que todos seguissem as regras da escola, como vestimentas, materiais, etc., o que ambas considerávamos não ser muito difícil.
Como Sabrina me pediu para começar imediatamente com as tarefas do conselho passei parte da minha tarde arrumando fichas escolares e listando todos os livros descarregados no depósito externo da escola.
Depois de terminar com as tarefas do conselho e me relatar a Sabrina peguei o ônibus para a pequena biblioteca trabalhar como repositora. Sempre amei ler, muitas vezes os livros me faziam companhia e ficar no meio de vários livros, antigos ou novos, me acalmava e sentia que poderia ser o que quisesse sem ter de me preocupar com minhas responsabilidades. A biblioteca da cidade era relativamente pequena mas aconcheante eu conseguiria morar naquele lugar pelo resto da minha vida.
No dia seguinte cheguei o mais cedo possível assim como a Sabrina havia pedido. Dentro da sala, tomando chá estavam dois irmãos gêmeos, alunos um ano mais novos do que eu e Sabrina, uma garota e um garoto, os secretários do conselho: eles eram idênticos fisicamente, tinham cabelos loiros claros quase brancos, seus olhos eram verdes com um ar brincalhão de criança, mas suas personalidades eram totalmente opostas. A garota, Tayla, era brincalhona e expressiva, adorava falar e ser o centro de tudo, enquanto o garoto, Henry, era introvertido e adorava ficar sozinho com seus jogos longe de todos, mas os dois estavam sempre juntos.
O próximo membro era o vice-presidente e braço direito de Sabrina, Ethan: ele era do último ano, era baixo e um pouco acima do peso, tinha feições fortes e sérias, seus cabelos eram cortados em estilo tigela e possuía um óculos fundo de garrafa que desconfigurava seu rosto, tive a impressão de que ele ficaria muito mais bonito sem aqueles óculos, sua personalidade era reservada e ele não fala mais do que o estritamente necessário e estava sempre estudando. O último membro do conselho era o Adam, o diretor cultural, ele era o extremo oposto de Ethan: ele era alto e forte com um cabelo avermelhado bagunçado e olhos castanhos, ele era barulhento e animado, estava sempre pronto para tudo e era também o presidente do clube de artes, além de ser da mesma sala de Sabrina.
Decidimos que eu seria a tesoureira mas a presidente insistiu que somente me explicaria o que é um tesoureiro na hora certa então apenas concordamos em me deixar com as minhas tarefas originais.
Os dias seguintes se passaram do mesmo modo, parece que ter alguém desprovido de todas as luxurias que os alunos tiveram não era aceito muito bem e sendo assim a única pessoa que falava comigo na escola além do diretor era a Sabina e os membros do conselho enquanto as outras meninas apenas tentavam me afetar com insultos sobre minha condição financeira e sobre eu ser órfã. Todos os dias foram a mesma coisa: ia para a escola cedo para estudar, antes das aulas me certificava de que os alunos estavam cumprindo com as regras, ouvia algumas provocações de meus colegas, assistia as aulas, entregava o relatório ao Ethan, almoçava na sala de reuniões com meus colegas do conselho estudantil, assistia a mais aulas, ia trabalhar e depois ajudava Rose a cuidar das crianças pequenas do orfanato.
Quando a segunda semana acabou recebemos uma mensagem da escola de que um novo aluno entraria na escola e que as provas começariam em breve portanto deveríamos ajudá-lo com as matérias.
Assim, na segunda-feira, a confusão e histeria eram geral de tal modo que todos esqueceram das provas chegando (ou apenas não ligavam pra isso). Cada aluno tinha uma teoria diferente de como nosso novo colega se parecia: alguns diziam que ele era muito alto e magro, outros diziam que ele era gordo e estranho, e ainda haviam as pessoas que diziam ser uma garota de outro país. Até o conselho estava animado com o novo aluno.
No momento em que o sinal tocou meus colegas se sentaram aguardando agitados e barulhentos pelo fim do mistério.
— Ok, ok, pessoal silêncio por favor. Obrigada. – Nossa professora de física disse assim que entrou na sala. Ela era alta e jovem com longos cabelos loiros e um copo de dar inveja, mas seus modos e senso de humor eram bem ruins – Antes de começar nossa aula hoje, eu sou obrigada pelo diretor a dizer que temos um novo aluno transferido e que todos devem fazer com que ele se sinta aceito. Jean? Entre e se sente. – depois disso nossa professora falava que a próxima semana começavam os preparativos para as provas, mas as pessoas já não estavam mais escutando.
Quando ele entrou todos olharam:
Ele era alto com ombros largos e relaxados como se estivesse satisfeito com toda atenção. Era magro com alguns músculos proeminentes, a blusa preta e justa se agarrava aos músculos dos braços parecendo que rasgariam a camisa a qualquer momento. Tinha um cabelo castanho bagunçado um pouco grande de mais que caiam em seus olhos, sua orelha era furada e possuía duas pequenas argolas de metal no lóbulo direito e possuía lábios finos e vermelhos. O único problema nele era que ele não estava com seu uniforme, além da blusa preta justa ele usava um fino casaco por cima e uma calça jeans escura rasgada.
Eu certamente admito que o nível de beleza dos garotos da S.W. Lótus não é tão baixa, tinham alguns que eram até bonitinhos, mas ninguém se comparava ao Jean, ele era simplesmente incrível. E, acredite em mim, não ligo para garotos então não me importo se são lindos ou feios. Mas era difícil simplesmente ignorar aquele garoto e não sabia se era por conta da falta de uniforme ou pelo olhar malicioso que ele dirigia a sala.
Eu estava pensando em como ele era perfeito e em como ele ficaria mais lindo ainda com o uniforme da escola enquanto me perdia olhando aquele corpo durante seu percurso até o lugar vago atrás de mim, quando meus olhos encontraram com aqueles globos intensos e brilhantes de cor de âmbar ele me deu um sorriso de lado, e eu soltei todo o ar que havia nos meus pulmões até quase morrer. E ele sentou no fundo da sala ao lado da janela e atrás de mim, e então, só depois, notei o sorriso de delinquente que ele mantinha.
Depois da aula, como uma boa integrante do conselho, me virei para alertar o novo aluno sobre as regras da academia. Expliquei que todos deveriam vestir o uniforme sem exceções já que este era distribuído gratuitamente para alunos matriculados.
— E se eu não me importar com isso? – ele disse rindo se inclinando sobre a mesa.
(Certo, é em momentos como esse que sua imagem de príncipe encantado é jogada no lixo).
— Não me interessa se você se importa ou não, mas é meu dever fazer os alunos seguirem as regras e isso inclui se eles vestem ou não o uniforme corretamente. – odeio pessoas arrogantes, ninguém fala assim comigo.
Conforme falava ele se levantava lentamente, assim que terminei de falar ele estava em pé na minha frente se inclinando enquanto apoiava um braço na mesa. Ele me examinava como se eu fosse seu cachorrinho e tivesse acabado de fazer algo bobo e engraçado.
— Então você vai me vestir contra minha vontade? – ele perguntou com um sorriso de lado. Sua voz baixa e meio rouca, saindo lentamente como se estivesse provando cada palavra, faziam estragos em meu cérebro.
— Se for necessário, sim. –(resposta errada) Minha resposta fez apenas seu sorriso aumentar assim como o calor em minhas bochechas – E também ficaria muito feliz se você me deixasse sair daqui.
Quando saiu da minha frente fez uma reverência rindo enquanto passava desajeitada por ele.
(Ótimo, a escola apenas ficou mais interessante Kate, não precisa pirar.)
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