Notas iniciais
Olá amores da minha vida, sei que estou em dívidas de responder os comentários, mas as coisas estão uma loucura por aqui e estou preferindo usar o tempo livre para escrever os capítulos. . . Espero que estejam gostando!! .

Narrado pela autora

O destino era uma coisa realmente engraçada e os mais poéticos poderiam dizer que conspira a favor dos corações mais apaixonados. Entretanto, pergunte aos desafortunados e eles te responderão que o destino é uma grande merda. Uma peça pregada pela lei de Murphy. A verdade é que ninguém consegue entendê-lo.

Um dia, numa tarde quente de um verão como qualquer outro, o destino uniu duas almas improváveis de se conhecerem. Talvez se esbarrassem numa faixa de pedestre no centro da cidade naquele horário de pico e com uma simples olhada suas imagens ficariam gravadas para sempre na memória. Um café fora de hora naquele dia em que tudo conspira contra você e a conexão não iria acontecer.

Mas para Emma e Regina o destino foi bastante lírico. Poema escrito à beira mar. Estavam onde deveriam estar. Viram-se. Reconheceram-se. E contra todas as probabilidades se amaram. É certo que não durou muito, mas há quem passa por essa terra sem nunca vivenciar nada nem efemeramente semelhante.

Regina não teve tempo de assimilar todas as informações obtidas naquele dia. Assim que olhou aquelas fotos precisou se sentar porque as forças das pernas foram perdidas, ao mesmo tempo seu celular apitou com um email. O recado era simples.

Um dia. Aquele dia. Um tempo. E um anexo. Era o email do porteiro.

A morena pegou o celular na mão, porem não chegou a ver o anexo, porque uma chamada irrompeu na tela. Era Mary, e pelo que parecia não era a única pessoa que havia ligado para ela depois que saíra do escritório.

—Mills. – Sua voz era trêmula. Absorta em seus próprios dramas particulares Regina quase esqueceu que Henry corria perigo de vida. A notícia que poderia vir a seguir, a mulher não conseguia nem se quer pensar em receber.

—Regina — a voz da mulher mais velha continha uma emoção que a morena mais nova não sabia reconhecer. Ela chorava e ria ao mesmo tempo provando que os sentimentos jamais poderiam ser explicados pela ciência – ele escolheu você.

Ah, o destino. Quem poderia entendê-lo? Regina teve que se esforçar muito para não irromper em lágrimas que não seriam fáceis de parar. Ela havia entendido o recado, mais uma vez. Durante muito tempo, por várias vezes nos últimos meses ela se perguntou do porquê dessa aproximação com Henry. Qual seria o sentido dessa sintonia tão gostosa que os dois sentiam.

A verdade é que todos os tipos de pensamentos loucos, paradoxos e errantes passaram pela mente da morena mais nova, e muitos dirão que foi única e exclusivamente por causa de Emma que Regina fez o que fez, mas o destino sabia que era algo muito maior que isso. E no fim todos perceberiam também.

Mills olhou par a bagunça na escrivaninha e no chão do escritório, tudo aquilo era uma história muito louca que ia além do que ela podia acreditar no momento, que ela queria acreditar. Ninguém nessa vida gostaria de imaginar que sua própria mãe poderia ser um monstro bem pior que os dos contos de fada. Mas isso poderia esperar.

Juntou todas as fotos dentro do envelope novamente, seu coração ainda batia freneticamente em seu peito porque essas fotos poderiam explicar muitas coisas, mas ela não tinha como elaborar isso agora. Juntou tudo, fechou a gaveta e colocou a chave no lugar no cofre. Ela tinha que deixar tudo no mesmo lugar. Suspirou uma última vez antes de fechar a porta da sala do seu pai. Ela não pretendia entrar nunca mais ali.

Carregando seu computador e as fotos nos braços devolveu a chave à governanta sem dizer nada. Ela não era capaz. Precisava deixar esse material em algum lugar e se surpreendeu que só havia uma pessoa em quem ela poderia confiar.

Narrado por Emma

Eu não saberia descrever o que senti quando o médico disse que acharam um doador compatível. Não há palavras que expressar corretamente o alívio que passa no coração de uma mãe por ouvir que seu filho tinha esperanças. Ver meu pequeno definhando dia após dia sem ter a chance de aliviar seu sofrimento vinha me matando lentamente.

As poucas horas que eu podia visitá-lo durante a semana eu não podia tocá-lo. Ele está em um quarto esterilizado e qualquer contaminação ou infecção poderia ser mortal. A mais simples das gripes poderia levar meu filho de mim num piscar de olhos. E após três anos de tratamentos, injeções, dores e intermináveis remédios aquele médico estava me dizendo que alguém era um possível doador.

—.... e desde então o hospital está tentando fazer contato com a senhoria Mills, mas a secretária dela disse que ela saiu mais cedo e nem lhe deu ouvidos. Aparentemente ela não está atendendo ninguém. – eu mal conseguia processar as informações que o médico falava, mas toda minha atenção se voltou para ele quando ouvi aquele sobrenome.

—Quem você disse? – Perguntei mais rápido do que gostaria revelando uma ansiedade que até então era só voltada a meu filho, mas estava abrangendo outros assuntos agora. – Desculpe, é que essa informação que meu filho tem chances abalou todo meu mundo.

—Eu compreendo senhorita Swan. O que disse é que a pessoa compatível – ele olhou os papéis – Regina Mills, não atende ao telefone e precisamos contatá-la com o máximo de urgência. Vocês tem como entrar em conato com ela?

—Eu tenho. – Minha mãe respondeu na minha frente e eu sei que estou encarando o médico com uma cara de qualquer coisa tola, mas isso está sendo mais forte do que eu. Como Regina entrou tão abruptamente na minha vida de novo? Como ela era a pessoa que salvaria Henry? Eu sabia que estava ficando vermelha e provavelmente daqui a pouco vou começar a ficar sem ar porque pensar em Regina sempre me causa essa sensação de estar sufocada pelas palavras que eu deveria ter dito e não disse, pela verdade que sempre quis ter arrancado dela e nunca tive coragem, pensar nela é me perder num emaranhado de sentimentos, e no momento, estou precisando me encontrar.

Além do mais entre ela ter sido compatível e realmente estar aqui para fazer a cirurgia era uma diferença muito grande. Antes mesmo que eu esboçasse qualquer outra reação vi minha mãe tirando o celular da bolsa. Percebi que ele não deve ter dado nem dois toques quando ouvi e voz grossa do outro lado da linha. Ela podia não estar atendendo ninguém, mas minha mãe ela atendeu.

Ver Regina entrando no hospital uma hora e meia depois com uma pequena mala na mão vestindo uma calça confortável, tênis e blusa simples fez eu perceber que eu possuía uma série de coisas que aconteceram nas ultimas vinte quatro horas pelas quais eu deveria agradecê-la.

—Oi – ela disse tímida quando chegou perto da gente e foi esmagada pelo abraço da minha mãe que foi seguido pelo meu pai que havia chegado a pouco com minha cunhada. Regina olhou para mim um tanto quanto em desespero e secretamente eu ri da cena.

—Oi. – respondi da mesma forma que ela nos cumprimentou e um clima um tanto quanto estranho surgiu entre nós. Os olhos de Regina não refletiam ódio, desdém ou qualquer coisa do tipo. Tudo que eu via ali era pura ternura e isso me desestruturou por completo.

—O que eu tenho que fazer? – Perguntou depois de alguns segundos que pareceram eternos mirando qualquer coisa no chão. Graças a Deus minha mãe é perfeita para duas ocasiões; colocar-nos em situações constrangedoras e nos tirar das que aparecem sem que ela tenha colocado.

Narrado pela autora

— Então Regina o caso de Henry é de extrema urgência e precisamos fazer a cirurgia da forma tradicional. — a morena assentiu mesmo sem saber o que isso significava — Requer internação de 24 horas. – Assentiu de novo, bem, ela não pretendia fazer qualquer outra coisa mesmo.

—Isso dói? – Perguntou David cortando o medico.

—Ela estará anestesiada, não sentirá o procedimento. E Henry também. A medula é retirada do interior de ossos da bacia, por meio de punções. Sabem o que são punções? – Somente Regina negou. Todos ali sabiam muito bem que procedimento era esse. – Colocaremos uma agulha em seu osso basicamente. – a morena assentiu mais pálida que segundos atrás — O procedimento levará algo entre uma hora ou uma hora e meia. Nos primeiros três dias pode haver desconforto localizado, de leve a moderado, que pode ser amenizado com o uso de analgésicos. Normalmente, os doadores retornam às suas atividades habituais depois da primeira semana após a doação.

—Há alguma contra indicação ou efeito colateral para ela? – Novamente David interrompeu o monologo do médico parecendo mais ansioso que a própria Regina.

— A medula óssea do doador se recompõe em apenas 15 dias. Tem as dores normais, afinal estamos falando de uma agulha de grosso calibre. Fora isso não há qualquer contra indicação. O que eu preciso saber é se a Regina tem alguma alergia ao medicamento da anestesia.

—Não que eu saiba doutor. Quando pode começar a internação?

—E eu que iria perguntar se ela tinha certeza. – todos os presentes soltaram uma pequena risada — Bom, podemos começar agora.

—-**--

As vinte e quatro horas passaram como um borrão para Regina. Pequenos testes de sangue o jejum e ela nem viu as horas passar. Surpreendentemente Mary havia passado a noite no quarto com ela mesmo sob todos os protestos da morena.

—Você vai ficar gastando seu latim à toa. – Mary disse depois de um tempo quando Regina falava para ela ir embora pela milésima vez – Não há outra pessoa para te acompanhar e um hospital é sempre um ambiente solitário. Você doará a medula que pode salvar a vida do meu neto. Passar a noite aqui não é nada.

—Vocês não precisam me recompensar, você sabe, por isso. – Regina disse com a voz baixa. – Eu adoro Henry e está sendo muito emocionante pode ajudá-lo.

—Eu sei. Mas ainda assim quero ficar aqui. Se não quiser a minha presença mesmo, se te incomodar ao extremo vou embora, é só me dizer. Se não quiser conversar comigo fico num cantinho ali, mas do contrario não arredarei meu pé daqui. – Regina assentiu silenciosamente para a pequena mulher sentada na ‘cadeira do papai’ à sua frente, quando o sono veio ela deitou a cabeça no travesseiro com um sorriso leve e pela primeira vez em muito tempo ela não se sentiu sozinha.

—_**__

Quando Regina acordou, ela só não estava sozinha como Emma também se encontrava no quarto. Sua aparência estava um pouco melhor e as olheiras marcantes que ela vira naquele rosto alvo estavam bem menores. Os cabelos presos em um grande rabo de cavalo caíam por cima de um ombro e ela lia um exemplar de “A leste do Éden” de John Steinbeck que jazia meio em seu colo meio em suas mãos. O coração de Regina saltou em seu peito e por um momento imaginou essa cena em outras circunstâncias, em outro sofá, em outra vida.

Uma frase famosa do autor veio a sua mente “... um homem tem de ter qualquer coisa a que se ligue, qualquer coisa que ele possa estar certo de encontrar lá de manhã.” E por todos os deuses, era muita coincidência do destino e nesse momento era como se nada mais existisse, nem doença, nem os últimos seis anos.

Mary foi a primeira a levantar a cabeça lhe direcionando um sorriso afável e levantando, para o maior susto de Regina, dando-lhe um beijo na testa com um simples bom dia. A morena teve que se controlar muito para não levar a mão na testa e sorrir bobamente para esse gesto. A atenção de Emma havia saído do livro.

—Bom dia. – Respondeu coçando os olhos e bocejando de leve sentindo seu rosto esquentar logo em seguida.

—Bom dia Regina. – a morena acenou para a loira com um sorriso apertado. – E...eu – Emma tentou falar, mas foi interrompida pela porta que abriu abruptamente revelando uma ruiva com um aspecto bem cansado porém assustado.

—O que é isso Regina? O que está fazendo aqui? – A mulher perguntou sem se preocupar se havia outras pessoas no quarto, Cora havia ligado informando que Regina poderia estar no hospital e a ameaçou se não fosse dissuadir a morena da ideia de doação.

—Bom dia Ariel. – a morena respondeu rispidamente à amiga, ela havia cortado a fala de Emma e a morena queria muito saber o que a mulher iria falar. – Isso é jeito de entrar e de falar comigo? Além do mais estou conversando com outras pessoas. – sua voz era seca e denotava seu claro desgosto pela interrupção. Emma nem precisava ouvir o nome para saber quem era, aquela voz ainda estava nítida em sua mente e de repente a cena daquele dia passou diante de seus olhos fechando seu semblante. Ela não podia esquecer quem era Regina.

—Não se preocupe, só iria dizer que vim pegar minha mãe para um café e agora que você tem companhia nós podemos ir. – colocou a mão no antebraço de Mary puxando discretamente. A mulher mais velha resistiu por um instante notando a face de Regina, mas por fim cedeu a puxada insistente da filha.

—Com licença Regina. – Disse antes de sair acompanhada de Emma.

—O que deu em você? – perguntou Regina assim que ouviu o clique da porta.

—Eu que te pergunto, o que deu em você? – a ruiva estava indignada – aquela ali era Emma Swan a mulher que te enganou.

—Eu sei bem quem ela é não preciso que me diga e além do mais – a voz de Regina baixou. Ela sabia que a amiga só estava protegendo-a e iria contar suas descobertas, mas algo a impediu. Por um segundo aquela sensação de que não deveria contar nada veio e se foi quase como um flash e a morena ficou olhando para a cara da outra...

—Além do mais? – Instigou Ariel.

—Além do mais estou aqui por Henry. – Respondeu resoluta como se encerrasse o assunto. E de fato encerrava. Ariel sabia que havia perdido essa discussão, quando Regina colocava algo na cabeça ela não tirava não importa quem tentasse dissuadir. Era impressionante como Cora conhecia tão pouco a filha para não saber disso. Mas a visita não tinha sido de todo ruim, a ruiva vira a cara que Emma fizera como se estivesse acabado de lembrar quem era Regina. A mulher se sentia mal por fazer isso com sua melhor amiga, mas as ameaças de Cora não lhe afetavam em mais nada agora e sim em sua mãe e seu noivo. Ela já estava nisso até os cabelos, não havia mais como fugir.

—_**__

Narrado por Regina

(duas semanas depois)

Sentada na mesma banqueta que sentei há alguns dias, que parecem meses aliás, depois de jurar que eu estava ótima e que não iria quebrar, olhava para a ruiva que estava sentada na minha frente dessa vez. Era o meio do dia e a luz do sol deixava o verde dos vitrais mais berrantes ofuscando minha vista

_Suas coisas. – Zelena disse me entregando minha caixa com as coisas de Emma dentro, bem como meu computador e o envelope com as fotos. Não foi difícil saber com eu quem deixaria isso, a ideia surgiu e ela não se recusou.

_Eu queria te mostrar algo. – disse quase sem voz a ela – Eu achei no escritório de papai. – revirei meu celular e achei os papeis que havia fotografado entregando o telefone a ela em seguida.

_Haa... – Zelena disse a minha frente – Eu já tinha visto esses papeis. Cora fez questão de me mostrar. – Ela me respondeu com desdém me deixando um pouco chocada. Era sua última tentativa e controlar a filha rebelde. – Riu sem humor.

—Eu não entendo você sempre foi tão condizente com as ordens de mamãe. Parecia tão perfeita que eu achava até que te ofendia minhas propostas de fuga, apesar de você sempre concordar com elas. – Disse puxando da memória lembranças de nossa infância.

—Eu seguia tudo a risca para que você também seguisse. Eu não queria que a ira de nossa mãe caísse sobre você. – devo ter feito uma careta porque Zelena riu – Cora sempre me odiou. Eu era sua lembrança de uma traição, de quase fazer ela perder o marido. Mas ela só via o dinheiro em papai, em Henry, ela não via o homem maravilhoso que ele era. Eu tinha medo que se você não se comportasse bem a ira dela se voltasse para você também. Você era minha bonequinha e eu queria te proteger a qualquer custo. Na minha fantasia de infância eu era a heroína que tinha que te salvar da bruxa malvada.

—Isso me parece muita loucura. Você sempre soube que não era filha do nosso pai?

—Não, na infância não. Mas o que não significa que não me sentia diferente. No fundo, quando fomos crescendo eu tinha inveja de você. – arqueei minha sobrancelha – Veja, você é morena, seus cabelos castanhos são a cópia de Cora e seus olhos são os olhos de papai. Olha pra mim. Eu pareço com quem Regina? Você sempre foi mais graciosa e ao contrario do que eu pensava nossa mãe foi muito melhor com você ela sempre te amou mais e só depois eu descobri o porquê.

—Isso é brincadeira não é? – Ri sem humor algum.

—Você acha que foi ruim pra você é porque não viveu na minha pele. Eu fui para o internato bebê. Você foi aos quatro anos. Quando você nasceu e até entender um pouco as coisas eu não podia brincar onde você estava, eu não podia comer o que você comia. Eu era estrangeira em minha própria casa. Então toda noite ia escondido ao seu quarto e ficava lá observando você dormir para me sentir mais perto de você. Isso até Nane contar a Henry porque eu não estava no jardim junto com você e a babá e as ordens de Cora serem definitivamente suspensas. A partir daí ela começou a piorar com você e me ignorar com maestria. – Os olhos de minha irmã estavam tão claros e brilhantes e eu podia sentir a dor estampada em cada uma de suas palavras. – Eu fiz as malas um dia. – ela riu – Uma maleta rosa, lembra dela? – eu assenti, uma coisa horrorosa que ambas brigávamos para ver quem ia usar — Enchi de brinquedos porque aos oito anos roupas eram completamente desnecessárias numa fuga – rimos juntas – peguei a espoleta minha boneca preferida...

—Aquela de pano que tinha cabelo laranja? – forcei minha memória. – Aquela boneca era medonha. – Pernas longas, muito branca com os cabelos em uma confusão de cachos de lã laranja.

—Ela era parecida comigo. No reino das bonecas ela era diferente de todas. – Ela sorriu terna para mim e meu rosto foi tomado pela vergonha. Eu não conhecia em nada a minha irmã.

—Desculpe. – Ela balançou a cabeça dispensando as desculpas.

—A peguei e desci as escadas numa tarde que eu não sabia que papai estava em casa. Era fim de férias e minha chance de fugir.

—E o que aconteceu?

—Resolvi pular o muro de trás da casa subindo em uma das árvores, mas papai estava no escritório e me viu passando furtivamente com a mala em um braço e a boneca no outro. – ela riu e eu acompanhei – ele saiu pela frente de carro com o jardineiro e estacionou bem aonde eu iria descer. Quando eu estava em cima do muro decidindo se jogava a mala ou não ele saiu do carro e se apoiou no capô enquanto o jardineiro colocava a escada na minha frente.

Flashback (Narrado por Rebbeca/Zelena)

—Quer conversar? – ele perguntou sereno e sorrindo e eu me lembro de acenar morrendo de vergonha de ter sido pega no ato do meu maior crime. Passeamos de carro por um longo tempo em silêncio até ele falar de novo. Eu me contorcia porque achava que iria levar a maior bronca da história das broncas. – Por que ia fugir? – ele perguntou pra mim que olhava pra frente agarrada a espoleta. – Não precisa ter medo, converse com seu pai. – Eu não disse nada de imediato e ele perguntou de novo porque eu queria fugir.

—Às vezes eu acho que eu não faço parte dessa família. – disse bem baixinho, mas ele ouviu muito bem.

—Mesmo? E por quê?

—Eu sou diferente.

—Sabe, amar e pertencer não tem nada a vê com ser igual aos outros. Tem que vir do coração. E nesse coração velho aqui você pertence e é muito amada.

—Mas Regina parece com vocês.

—Sim, ela parece. – ele respondeu parando o carro na nossa garagem e eu nem tinha percebido. – Sabe uma das coisas que me deixam muito feliz? – eu neguei com a cabeça – observar o pôr do sol por trás do mar. Aquela água azul e aquele céu que não é nem vermelho, nem laranja e nem rosa, uma bagunça só. — ele bagunçou meus cabelos carinhosamente – você é como esse por do sol, o meu por do sol preferido. Seus olhos azuis como o mar e esses cabelos como o céu na minha hora favorita. Olhar para você me deixa muito feliz e você não quer deixar seu pai triste não é?

(Fim do flash back)

Minha irmã chorava livremente ao terminar seu relato e é claro que eu também não consegui segurar minhas próprias lágrimas.

—Isso parece muito uma coisa que papai diria. – Eu disse secando minha bochecha.

—Sim, ele era muito especial e ali mesmo já havia me dito que seu coração me escolheu. – eu acenei para ela – Me desculpe por fugir, por te deixar pra trás, eu não queria, mas se não o fizesse Cora ia me obrigar a tantas coisas e em uma de nossas brigas feias quando chorei falando que papai jamais aceitaria suas imposições, quando chorei lamentando sua morte ela segurou forte em meu queixo e me carregou até o escritório, eu tinha acabado de formar no High School, e me mostrou esses papéis. Me mandou parar de chorar porque Henry nunca foi meu pai, que ela iria reverter esses documentos, ia retirar meu sobrenome Mills e isso eu não poderia suportar. Eu não consegui ouvir mais nenhuma atrocidade que ela tenha dito. Minha fuga já estava preparada na minha mente.

—Mas você acabou retirando o Mills, trocou de nome.

—Oh não, posso ter modificado, mas eu não retirei o sobrenome do meu pai. Jamais deixaria ela roubar ele de mim. – retirou uma carteira de sua bolsa me mostrando seu cartão social Rebbeca Madder M. Hood.

—Esse M é de Mills?

—Sim. Mas Mils com um L só, caso Cora decidisse procurar. – ela sorriu treteira.

—E esse Hood?

—Bom, essa é uma história muito longa, mas era de um namorado que acabou me ajudando na época, mal elemento é verdade, mas dentre muitas coisas me deixou usar seu nome. É também o pai da Robin.

—De fato temos muito a conversar Zel... quer dizer Rebbeca. Desculpe ainda não acostumei.

—Bex. – Ela disse. – Todos me chamam de Bex.

—Tudo bem, Bex. Eu não vou dizer que ainda não estou chateada com você, porque foram muitos anos de raiva acumulada, mas eu sei que vou conseguir me livrar disso, eu prometo tentar ao menos.

—Tudo bem Regina, deixar as pessoas com raiva é uma das minhas especialidades. — ela disse brincando e acabamos caindo na gargalhada. E percebi o quanto eu sentia falta dela. Queria mostrar a Zelena o email com o vídeo que o porteiro enviou e que ainda não tive coragem de abrir, queria que ela olhasse a comparação das fotos, mas algo me diz que é algo que tenho que fazer sozinha.

—Certas coisas não poderiam mudar não é mesmo? – rimos juntas – eu tenho que ir.

—Irá ver Henry?

—Não sei ainda. Emma não se sente muito confortável com minha presença sempre, ela é extremamente educada e me tolera, mas sei que não se sente bem.

—Ela virá me ajudar no bar hoje, pode ir quando ela estiver aqui.

—Vou pensar.

Eu e Zelena nos despedimos ainda meio desajeitadas e fui para o quarto de hotel que reservei desde que saí do hospital. Depois do banho liguei o computador e baixei o vídeo que era imenso. Enquanto pedia um vinho no serviço de quarto analisava aquelas fotos espalhadas na minha cama. Nelas Emma ainda estava com Ruby na mesma lanchonete, mas ao invés de estar beijando a garota, ela estava em prantos.

Notas finais
Beijo beijo da Maria. desconsiderem essa desformatada que eu não sei porque aconteceu!