Sonhos de uma noite de verão
14 Capitulo 14
Notas iniciais
Capitulo 14
Narrado por Emma
Uma vez Ruby me disse que a primeira vez era algo subestimado, com muito mistério em cima e que nem era tudo isso. Ela havia perdido a sua virgindade com o capitão do time de futebol americano que era desejado por todas as garotas do colégio, inclusive por mim que já tinha consciência da minha sexualidade. Mas o cara era um gato desses que até sapatão baba.
Como eu nunca tinha feito eu simplesmente dei de ombros, mas hoje eu sinto muito pela primeira vez de minha melhor amiga não ter sido tudo isso porque a minha foi e mesmo uma semana depois eu ainda sinto o arrepio em minha pele e um sorriso bobo alarga meus lábios só de me lembrar. Tipo, a minha primeira vez foi tudo isso. Eu queria gritar para que todo mundo pudesse ouvir.
Foi riso bobo, descoberta. Foi chamego bom, foi carinho, foi suspiro. Foi brisa leve a tocar na pele quente a arrepiar. Foi música. Poesia brega declamada ao luar.
_O que foi? – perguntou Regina apertando minha mão enquanto caminhávamos pela praia esperando o amanhecer do sol. Eu devia estar sorrindo bobamente.
_Nada de mais. – ela ergueu a sobrancelha me desafiando e eu rolei os olhos.
_Só estava lembrando-me daquela noite. – ela riu e olhou para baixo. – a nossa noite. – Regina olhou para mim novamente, as bochechas levemente coradas de vergonha faziam-na ficar mais graciosa do que meu coração podia aguentar.
_Haa. – ela disse enfim. – Então é com essa cara de pateta que eu devo ficar também quando me lembro. – ela disse rindo e eu dei uma cotovelada fingindo uma careta bem indignada. – Mas e daí que nossa cara fique parecendo duas abobadas? O que compartilhamos foi especial Emma e se ficar com essa expressão boba é o resultado disso, eu quero ter essa cara para sempre.
Eu peguei Regina pela cintura e a rodopiei pelo ar enquanto ela gargalhava alegremente e eu a acompanhava. Mills não demonstrava os seus sentimentos em palavras facilmente e quando o fazia sempre me deixava sem chão. Quando o fazia eu sabia que era inteiramente de coração.
Enquanto Ruby e o bonitão do time nunca mais se quer se falaram depois que fizeram sexo eu e Regina tínhamos nos aproximado ainda mais. Contávamos os segredos mais profundos de nosso coração, e compartilhávamos as maiores bobeiras que jamais falaríamos perto de qualquer outra pessoa.
Eu estava apavorada? Eu estava apavorada. Mas cada sorriso que Regina me dava era como uma chama de esperança de que tudo ficaria bem pra gente. Era a força que eu precisava para acreditar que enfrentaríamos o que quer que estivesse por vir.
_Quem chegar por último é a mulher do padre. – Regina disse enquanto corria para o deque. Eu simplesmente sorri antes de correr em seu encalço.
Narrado por Regina
Eu nunca pensei que pudesse ser feliz assim. Eu nunca podia imaginar que essa alegria um dia pudesse ser destinada a mim. Eu havia aceitado meu destino, até porque eu sempre pensei que a vida se resumia àquilo que eu sempre vivi. Regras, carreira e postura. Apesar de meu pai ser a criatura mais amorosa da face da terra não havia amor no casamento dos meus pais. Minha mãe sempre o viu como escada para seu sucesso. E ele, como em tudo que fazia, era fiel às suas escolhas e decisões, era fiel a ela.
Eu sempre soube o que estava reservado a mim, principalmente depois que Zelena fugiu no mundo e estava tudo ok. O que poderia ser melhor do que aquilo? Um casamento com alguém importante, o sucesso da empresa da família. E os meus sonhos? Bem, quem nessa vida vive de sonhos?
Mas agora eu não poderia aceitar meu destino. Não quando eu descobri que há um mundo bem melhor e ele não custa um centavo se quer. Enquanto corro em direção ao deque com Emma em meu encalço, mas sempre me deixando ganhar, percebo que um coração transbordando de alegria não pode ser comprado, nem mesmo com todo dinheiro que minha família possuí.
Eu não parei no deque nem para tirar minha roupa de ginástica, que na verdade era de Emma. Pulei direto na água afundando e senti minha loira pulando segundos depois. Ela olhava em minha direção e sorria, e até de baixo d’água esse sorriso arrebatava meu coração. Eu a queria, com todas as minhas forças eu a queria, porque de uma forma ou de outra ela tinha sido a minha salvação.
Sem nem pensar, assim que submergimos, colei meu corpo ao de Emma tomando seus lábios nos meus de forma intensa. Queria deixar claro a ela as intenções do meu coração, mas parecia que palavras nunca seriam suficientes.
_Uou. – ela disse quando parou para pegar ar. Seus olhos estavam fechados e sua face estava vermelha — uou. – ela repetiu e rimos juntas.
Emma abriu os olhos e seus verdes encontraram os meus cor de chocolate e ficamos assim por algum tempo. Eu estava praticamente pendurada nela. Meus braços se encontravam por sobre seu ombro e minhas pernas entrelaçavam-se em sua cintura. Seus braços fortes me amparavam pelas costas.
_O quanto é normal o que sinto por você? – Emma perguntou tão baixo que eu mal pude ouvir. Seus lábios encontraram meu nariz, meus olhos e meus lábios. Seu beijo era doce e gentil e meus olhos encheram-se de lágrimas. Era ela. Tinha que ser ela.
_Não sei. – respondi. – Mas eu espero que ultrapasse o normal, porque o que eu sinto ultrapassa. E que juntas possamos formar um montão de anormalidade. – Ela riu e me beijou novamente, mas esse beijo embaralhou todos os meus pensamentos. Eu só queria estar mais perto dela.
_Regina. – Ela reclamou assim que invadi a blusa dela com a mão e toquei seu seio por baixo do top, mas eu ignorei e continuei massageando sua pele. – Regina. – ela disse de novo, mas não era mais uma reclamação. – Nó..nós estamos na praia. – ela tentou de novo olhando nervosamente para a areia. O dia estava realmente começando.
_Não seria a primeira vez. – Respondi e assisti seus olhos escurecerem. Mordi meu lábio inferior e acrescentei – Eu quero você. Aqui e agora. – E eu queria mesmo. Algo dentro de mim gritava que eu precisava sentir Emma de todas as formas que pudesse. Que eu pudesse gravá-la em mim de uma forma que jamais pudesse esquecer. Ela não olhou para a areia novamente para se certificar que ninguém estava olhando.
Emma tomou meus lábios aos seus os reivindicando de forma extremamente sensual. Sua língua passeava por minha boca explorando todos os caminhos. Ela acariciava meu céu da boca como se ele fosse a coisa mais maravilhosa do mundo.
Enquanto sua boca trabalhava na minha eu mal pude conter o grito quando sua mão invadiu minha calcinha. Ela parou o beijo por apenas um segundo para se certificar que ela poderia continuar com aquilo e ela reconheceu a resposta em meus olhos, pois voltou a me beijar enquanto seus dedos começaram a massagear um ponto muito interessante na minha vagina.
Senti aquele músculo enrijecer com seu toque e eu não conseguia pensar em mais nada coerentemente. Eu só queria que ela não parasse. Sua mão deixou aquele ponto e passou a passear por toda extensão da minha vagina brincando com a entradinha, eu só não sabia se era me torturando ou por medo de continuar.
_Em..ma, pelo amor não me torture assim. – consegui dizer em seu ouvido fazendo-a soltar um gemido abafado pelo meu pescoço. Os pés de Emma mal tocavam o chão e ela se movimentou mais para perto do deque para que pudesse ficar de pé com firmeza encostando em uma de suas pilastras e para que o deque nos escondesse um pouco também. Antes que eu pudesse perceber um dedo de Emma deslizou para dentro de mim com suavidade encontrando minha barreira natural, seus olhos encontraram os meus e eu assenti.
O desconforto logo deu espaço ao prazer quando ela começou movimentos de vai e vem. Meus gemidos começaram a ficar mais altos depois de um certo tempo.
_Regina . – Emma sussurrou – eu preciso que toque em mim.
Mesmo sem saber como tentei executar seu comando. Minha mão passou pelo nosso meio e chegou em seus shorts. Sorrateiramente entrei nele por dentro de sua calcinha e achei seu centro. Sua vagina pulsava em minha mão e estava totalmente escorregadia. Emma estava assim por mim e tocar nela dessa forma com ela ainda estocado dentro de mim fez todos os meus músculos se contorcerem me fazendo chegar a um orgasmo alucinante. Mas eu não parei e Emma também não. Enquanto meu corpo dava os espasmos ela voltou a massagear meu clitóris ainda sensível enquanto eu trabalhava em sua vagina.
Com as pernas bambas me soltei dela para ter mais acesso deslizando meu dedo para dentro dela. Acho que não fui tão delicada quanto ela, já que sua careta de dor demorou a passar, mas momentos depois nossas mãos trabalhavam em conjunto e tudo que restavam eram nossos gemidos. Eu estava muito excitada e sabia que Emma também estava. Deveria haver uma lei que proibisse duas pessoas estarem tão excitadas assim. Chegamos juntas ao orgasmo e pude sentir quando Emma derramou em mim seu liquido, da mesma forma que sei que derramei também em suas mãos.
Nossas respirações estavam muito aceleradas e nos recuperávamos abraçada uma a outra e tudo que eu queria era fazer isso de novo e de novo sem que nada nos impedisse, mas meus planos foram frustrados pela sirene que tocava chamando para o café da manhã.
Narrado pela Autora
A última semana de férias estava começando. Os finais de semana que não tinham festa pelo acampamento mesmo, as meninas continuavam com suas saídas sorrateiras pelo meio da mata.
Se houvesse uma maneira, Emma e Regina queriam parar o tempo, congelar as horas para que as férias não acabassem nunca. Desciam pela mata de mãos dadas rindo de alguma bobeira que Belle disse a respeito das duas não se desgrudarem mais. Em resposta, Emma puxou Regina para um abraço apertado e um beijo casto e seus lábios.
Sorriram uma para a outra em plena alegria enquanto ouviam a sequencia de “own” das amigas. Mal sabiam que os ventos haviam mudado.
_Regina Mills. – O auto falante do acampamento soou o nome com certa irritação. – Regina Mills, favor comparecer ao escritório localizado no pátio central. Regina Mills. Escritório. Pátio central.
_O que você aprontou menina? – Perguntou Elsa. – A diretora só soa irritada assim quando alguém apronta alguma coisa.
_Regina? – Emma perguntou, mas a morena nada respondeu somente soltou de sua mão desejando ardentemente que aquela mulher lá de cima com seu vestido Channel preto e Louboutin de mesma cor não tivesse visto aquela cena lá em baixo. – Regina? – Emma repetiu.
_É minha mãe. – ela disse quase sem voz. – Ela me achou.
Regina caminhou com as pernas bambas sem nem olhar para trás. Lá em cima, olhando para o outro lado estava Cora Mills, imponente com seu ar irritado, nem precisava estar muito perto pra ver. Ao se aproximar viu um motorista desconhecido encostado em um SUV preto com placa da Califórnia, sua mãe jamais andaria de taxi.
_Senhorita Mills. – A diretora do acampamento disse antes mesmo de Regina chegar perto delas e sua mãe virou para encará-la o desgosto estampado em sua cara – Poderia me explicar por que sua mãe está me dizendo que você não tinha autorização para estar aqui e que vai processar meu acampamento? – a veia em seu pescoço saltava e Regina até sentiu pena da senhora Jones, sua mãe era muito boa e fazer ameaças.
_Ela assinou os papéis sem ver realmente de onde era. – respondi com calma mesmo sabendo que era uma mentira deslavada. Cora olhava a filha e seu olhar escancarava que ela não tinha acreditado naquilo, afinal a mulher lia até os cartões de felicitação natalina que a empresa mandava e que demandava de sua assinatura digital, mas a Mills mais velha nada disse.
_Senhora Mills, — a senhora Jones encarou a mulher a sua frente – nós realmente não sabíamos, jamais aceitamos jovens sem a autorização dos pais, e a sua assinatura no formulário batia com a cópia de seu documento. Eu lamento muito.
_Eu também lamento. – Cora disse após um longo silêncio, fitando Regina – Você se perguntou em algum momento Regina o que eu passaria quando a Senhora McAllister me ligasse me dizendo que você não havia chegado ao colégio? O primeiro a ser mandado embora foi Pedro – a morena arregalou os olhos, Pedro era motorista da família desde que ela era bebê – ele me garantiu que te deixou nos portões, mas você não chegou lá. Ele sofre um processo por negligência por sua culpa. – suas palavras eram lentas, mas mortais. A mulher sabia como desestruturar Regina. Seu ponto fraco sempre fora a criadagem da família Mills a qual a garota era muito apegada. – Mas claro que você não pensou em nada disso porque você é egoísta e só pensa em você mesma. A menina abaixou sua cabeça. – Você tem dez minutos para aparecer aqui com suas coisas, para irmos embora de uma vez desta espelunca. – disse por fim se virando em direção ao carro sem ao menos se despedir da Senhora Jones que sinceramente queria voar no pescoço daquela senhora tão elegantemente desagradável.
Regina caminhou o mais rápido que pode até o dormitório as lágrimas queimando seus olhos. Ela sabia que isso poderia acontecer, mas suas férias foram tão boas que ela se quer cogitava a ideia de sua mãe lhe encontrar. E ainda tinha Pedro, seu amigo. Ele havia sido despedido por sua causa. Ela devia ter deixado ele ver ela entrar na escola. Ela devia ter pensado que isso poderia recair sobre ele.
Entrou correndo pela porta, mal reparando que todas as garotas estavam no quarto. Só notou Emma e correu para seus braços soluçando desesperadamente balbuciando coisas sem sentido aos ouvidos das outras.
_Se você não falar mais devagar nós não vamos te entender. – Emma acariciava suas costas carinhosamente.
_Mi..minha mãe.... ela..ela..Pedro. – e começou a chorar novamente. Emma a apertou contra si, mas de repente a menina se soltou – eu só tenho dez minutos.
_Nós vamos deixar vocês a sós. – Dot disse já chamando as meninas para sair quando Regina segurou seu antebraço.
_Obrigada. – disse sinceramente – todas vocês, por me aceitar. Por me dar um voto de confiança, por me proporcionarem o melhor verão da minha vida. Espero ver vocês novamente um dia. – disse emocionada abraçando Dot que mesmo surpresa correspondeu ao abraço e logo em seguida uma por uma abraçou a morena, até mesmo Belle antes de saírem do quarto e deixarem as namoradas a sós.
_Eu realmente tenho pouco tempo. – Regina começou a falar desembestadamente enquanto jogava as coisas de volta nas malas – obrigada a você também, por tudo. Você tem o meu celular, assim que eu chegar em Nova York eu vou ligá-lo quando estiver em um lugar seguro. Eu... – mas ela não terminou de falar porque Emma a puxou para si colando seus lábios em um beijo apaixonado, sôfrego e urgente. Regina voltou a chorar.
_Não chore. – Emma a abraçava, mas segurava as próprias lágrimas.
_Pegue minhas coisas no banheiro? – pediu Regina. Assim que Emma entrou no outro cômodo a morena pegou a blusa grande e cinza do Mickey da loira que ela amava e escondeu em sua mala. O livro de Harry Potter estava bem acomodado. A foto Polaroid das duas tirada por Elsa estava dentro de sua carteira na qual sua pulseira também foi guardada para Cora não mandá-la retirar. Assim que a loira votou com seus pertences em mãos a morena fechou suas duas malas, mas ela sabia que faltava um item que estava no banheiro e viu que Emma mantinha uma mão para trás.
_Eu sei que é um item caro e está cheio, mas eu queria ter uma lembrança sua aqui comigo. Prometo devolver assim que nos vermos novamente. – disse timidamente mostrando o frasco do perfume importado que Regina usava e que Emma amava.
_Fique. – a morena sorriu – eu vou amar saber que há um pedacinho meu aqui com você.
_Há mais que um pequeno pedaço. – Emma respondeu e seus olhos brilhavam. Seus lábios se encontraram de novo, mas foram interrompidas pelos auto falantes.
_Regina Mills. – A senhora Jones falou aborrecida.
_Eu tenho que ir. – a voz da morena era um sussurro.
_Eu sei. – Emma a soltou relutante.
_Eu te amo. – Disseram em uníssono e sorriram antes de colarem seus lábios novamente.
_Até nos encontrarmos novamente. – Emma disse e Regina assentiu.
_Até. – Regina pegou suas malas e já ia sair quando Emma as tomou de sua mão.
_Eu as levo. Afinal esse seu sapatinho não lhe permitirá caminhar pela mata e carregar suas duas malas. – Emma disse o que já havia dito a garota na primeira vez que se viram, mas dessa vez, ao invés de se ofender Regina riu. Gargalhou na verdade e Emma queria guardar esse som para sempre. Antes de subirem ao pátio onde sua mãe podia ver as duas se separaram. Regina puxava relutante suas malas para cima enquanto Emma assistia com um aperto no peito o amor da sua vida desaparecer de sua vista no pôr do sol de Santa Monica.
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