Notas iniciais
Eu dei uma desanimada, por isso a demora, desculpe quem acompanha a história, sério mesmo. O capítulo estava 95% pronto há semanas eu só não CONSEGUIA sentar e digitar. Dizem que quando as coisas não vão bem em sua cabeça elas não vão bem em lugar nenhum. Prometo não demorar assim nunca mais. Sacudi a poeira e estou voltando aos poucos. As coisas estão começando a se acertar.

Narrado pela autora

Dizem que o universo colabora com os casais que estão apaixonados e aparentemente essa é a mais pura verdade já que a tempestade que estava se armando para vir parecia ter dado uma pequena trégua para aqueles dois corpos unidos na areia da praia que não tinham intenção alguma de soltarem-se.

Emma explorava a boca de Regina com a língua como se quisesse desbravar cada canto dela e a morena estava entorpecida demais para tomar qualquer atitude que não fosse deixar ser levada pela sensação de plenitude que a loira estava lhe entregando de tão boa vontade.

_Emma. – Ela sussurrou tão baixinho quando a loura finalizou o beijo com vários selinhos em seus lábios inchados encostando sua testa na da outra enquanto seus cachos loiros formavam uma cortina em volta do rosto de Regina. Um momento lindo entre suspiros, olhares e corações acelerados interrompido por Regina que começou a rir desesperadamente.

_Hey, o que foi? – Perguntou Emma aturdida, mas a morena só sabia rir. – O que é tão engraçado? – Perguntou olhando para a morena que se contorcia em baixo de si.

_Eu... Você... Beijo. – A morena tentava colocar as palavras para fora, mas não conseguia e toda vez voltava a rir de novo. Emma fechou seu semblante achando que a morena estava brincando com ela ou debochando de seu beijo e já se movimentava para sair de cima da morena quando sentiu o aperto da mesma aumentar em sua cintura. – Fica.

_Não. – Tentava sair a todo custo. – Me solta Regina. Você está brincando comigo, me fazendo de boba de novo.

_Não Emma. – O aperto de Regina aumentou em volta da cintura de Emma e a loira sabia que deixaria uma marca. – Você entendeu errado. – Regina colocou a mão na nuca da loira a fazendo olhar para baixo em seus olhos novamente. O riso havia morrido, mas os olhos de amêndoas bem mais claras da morena brilhavam com as lágrimas que escorriam livremente pelas laterais de seu rosto. – Eu lembrei. – Seu peito tremeu novamente anunciando que uma nova onda de risos estava a caminho.

_Lembrou-se do que? – Com um fio de voz Emma conseguiu colocar essa frase para fora. Apesar de tudo dentro dela gritar que Regina estava brincando com ela seus olhos diziam outra coisa totalmente diferente para a menina que estava presa em cima da morena.

_Que eu praticamente te ataquei na festa. – Regina explodiu em outra gargalhada, mas dessa vez foi acompanhada por Emma que finalmente entendeu o motivo do riso da garota. – Céus Emma, eu te puxei no meio de todo mundo e literalmente te coloquei contra a parede.

_Sim você fez isso. – Emma sorria abertamente se lembrando daquela noite.

_E você não queria me beijar. – Regina fez um bico adorável e recebeu um selinho de Emma. – Você não queria me beijar. – Repetiu indignada.

_Você estava bêbada Regina. – Explicou a loira como que explica a lição de casa a uma criança.

_Você é muito certinha. – A morena implicou cutucando seu lado. – Quem olha nem desconfia que por trás dessa pose de menina rebelde há uma santa seguidora das regras. – Emma fez sua melhor cara de indignada e começou a fazer cócegas em Regina que se contorcia abaixo dela.

_Vou ter que renovar meus conceitos sobre adolescentes de classe. – Emma sorriu para a morena que se recuperava do repentino ataque.

_A é? E Por quê? – Provocou arqueando sua sobrancelha com teimosia.

_Porque adolescentes de classe não sequestram pessoas e imprensam na parede as atacando sem piedade. – Emma sorriu zombeteira para a morena.

_Só quando as adolescentes de classe estão com ciúmes. – mordeu o lábio inferior em claro sinal de vergonha e os olhos de Emma emitiram um novo brilho ainda desconhecido por Regina, era algo comparado a devoção. – E só para constar – ajeitou a gola da camisa de Emma disfarçando seu desconcerto — Eu só disse que deveríamos beijar as garotas que queremos beijar. – Sorriu – Você que me beijou.

Emma gargalhou da petulância de Regina antes de tomar seus lábios novamente contra os seus e invadir sua boca com a língua. Girou seus corpos com maestria assustando a morena que se agarrou mais ainda a ela não deixando nenhum mínimo espaço entre os corpos.

_Você é uma petulante. – Emma sorriu para a morena que espelhou o sorriso da loira em sua face. – Uma petulante linda e ciumenta.

_Sou ciumenta mesmo. – Mordeu o lábio inferior – Principalmente com pernudas ruivas que atacam as pessoas. Ou morenas oferecidas que compram roupas menores do que ela. – Emma gargalhou.

_Quer dizer que ruivas não podem atacar as pessoas? Só adolescentes de classe que podem?

_Exatamente. – ficaram se olhando pelo que parecia uma eternidade. – Mas eu sou a única adolescente de classe que pode TE atacar.

_Ciumenta. – A morena só afirmou com a cabeça rindo. – Nem no meu sonho mais otimista eu achei que você pudesse – Emma parou buscando a palavra certa – que você pudesse ... isso. – Emma acariciou as bochechas de Regina sujando ela toda de areia, mas a morena se quer ligou e movimentou a cabeça para que seu rosto tivesse mais contato ainda com a mão de Emma.

Movimentando lentamente seu corpo para baixo sem desgrudar suas amêndoas dos verdes de Emma, Regina queria dizer, sem palavras, que sim, ela correspondia ao que fosse que Emma tinha por ela, se não até mais. Entretanto a natureza não deixaria isso acontecer nesse momento. Uma rajada de vento mais forte atingiu a orla levantando uma nuvem de areia que atacou as garotas que foram obrigadas a se levantar rapidamente cuspindo areia e tentando limpar os olhos. Rindo, Emma agarrou a mão de Regina e saiu correndo a puxando em direção à mata. As sirenes do acampamento soavam por todos os lados enquanto os auto falantes ecoavam a voz estridente da diretora mandando todos se abrigarem em seus chalés.

_Vem Regina. Corre. – Emma ria – A tempestade está chegando.

_Calma Emma. Eu sou péssima na corrida esqueceu. – Regina tentava acompanhar a loira, mas estava praticamente sendo arrastada floresta acima.

_Você parecia correr muito bem antes de me jogar contra a areia. – Responde a loira fazendo Regina cair na gargalhada e atrapalhar ainda mais seu desempenho na corrida.

A chuva chegou impiedosa. A floresta uivava ao som dos ventos que chacoalhavam as folhas das arvores. Em menos de cinco minuto as duas estavam à porta do chalé encharcadas até os ossos. Regina tremia, mas não conseguia parar de sorrir. Sua mão presa a de Emma era como calmaria em meio as trovoadas e aos raios que agora riscavam o céu.

Narrado por Regina

Emma abriu a porta do chalé ainda rindo da nossa correria e provavelmente do nosso estado. Eu não esperava encontrar nosso quarto do modo que encontramos. Eu estava me preparando para encontrar uma Belle a procura de respostas pelo jeito que saí, o que por si só já me assustava em demasia, mas o que encontrei não deixou eu definir bem os meus sentimentos com a situação.

Assim que entramos no nosso chalé todas as cabeças ali presentes se viraram para nós. Ana, Elsa e Dot estavam com seus colchões jogados no cão do nosso quarto e já vestidas em seus pijamas, fazendo o que parecia uma guerra de travesseiros com Belle, mas que cessou assim que nos fizemos presente no recinto.

Minha primeira reação foi soltar minha mão da mão de Emma, porém a loira segurou meus dedos mais forte olhando para trás e sorrindo. Não pude deixar de sorrir de volta. Depois olhamos para frente, para as quatro garotas paradas olhando para nós, estáticas. Não tem aquelas coisas de filme quando tudo fica e silêncio por alguns segundos antes do pandemônio começar? Foi assim que aconteceu.

_Até que enfim vocês chegaram.

_Eu já estava preocupada.

_A Belle não sabe contar as coisas direito.

_Vocês pegaram chuva?

_Claro que pegaram chuva, estão molhadas.

_Por que estavam lá fora?

_Vocês são doidas?

_Meu Deus vocês estão de mãos dadas! – Dot foi a única que conseguiu cessar o falatório de todas as outras que precisavam sobressair à tempestade. O silencio se apoderou novamente do local e Emma apertou mais ainda seus dedos nos meus.

_É algum crime federal estar segurando a mão dela? – Emma perguntou dando de ombros não dando tanta importância ao fato, como se fizéssemos isso desde o primeiro dia – Vai tomar banho se não você pegará um resfriado. – sorriu para mim e soltou minha mão me empurrando gentilmente em direção a minha cama.

Caminhei entre o emaranhado de colchões sem mirar ninguém em específico agradecendo mentalmente a Emma por me tirar de lá. Guardei uma nota mental para enchê-la de beijos em uma oportunidade posterior. Enquanto pegava minhas coisas e ia para o banheiro eu não ouvia nada além da tempestade, mas assim que eu fechei a porta pesada de madeira eu pude escutar os burburinhos animados das garotas que provavelmente estavam bombardeando minha loira com perguntas. Coitada.

Encostei-me ao Box do chuveiro comum sorriso bobo nos lábios. Ainda não estou acreditando no desenrolar dos fatos desse dia. É obvio que ainda não conversamos nada, nem tivemos tempo para isso porque beijar parecia mais importante no momento. Mas nem as possibilidades que essa conversa poderia trazer conseguia retirar a felicidade do meu rosto. Toquei meus lábios alargando ainda mais o sorriso ainda sentindo o gosto de Swan em minha boca. Céus, eu poderia sentir esse gosto pelo resto dos meus dias.

Quando senti um vento gelado entrando pela báscula e queimando meu corpo molhado eu finalmente abri o chuveiro no mais quente possível e deixei a água massagear minhas costas em uma carícia lenta e reconfortante como os lábios de Emma Swan.

Narrado por Emma

_É sério gente. – as meninas ainda olhavam para mim céticas – Ela simplesmente chegou correndo pulando em cima de mim me pedindo para eu lembrá-la do beijo. – Ana e Elsa soltaram suspiros e gritinhos abafados enquanto Dot batia palmas controladamente, mas com um enorme sorriso.

_Eu só acredito em você porque eu mesma tive minha cota de estranheza vindo de Regina nessa tarde e contei para as meninas. – A garota balançou a cabeça como se ainda não acreditasse no que estava dizendo ou no que ia dizer depois. – E o pior é que eu acredito que ela não se lembrava de ter beijado você. – disse como se essas palavras tivessem um gosto amargo em seus lábios. E para Belle admitir que Regina não era tão ruim assim devia estar mesmo sentindo um gosto ruim na boca, afinal falar mal de Mills era como comer doce para Belle, algo equivalente ao prazeroso.

_A gente ainda não conversou nem nada, mas eu acho que ela quer isso tanto quanto eu. – Disse meio nervosa.

_E o que é isso exatamente? – Belle perguntou e eu não sabia responder.

_Sinceramente eu não sei. – Respondi honestamente suspirando logo em seguida – Mas seja o que for ou seja o que vá se tornar eu quero só aproveitar o momento. – Disse enquanto abria os braços pronta para deitar nos colchões no chão quando minha alma quase saiu do corpo pelo grito dessas malucas desvairadas que quase me mataram só porque eu estava um pouquinho molhada.

Narrado pela Autora

Regina não foi bombardeada de perguntas assim que saiu do banho o que ela mentalmente agradeceu, mas ela agradeceria mais ainda se não recebesse tantos olhares com sorrisinhos enquanto alisava o lençol em seu colchão minuciosamente só para não olhar mais cedo do que gostaria para as garotas.

_Podem perguntar o que querem perguntar. – Disse derrotada antes de se sentar em seu colchão em meio aos demais.

_Você não me parece o tipo de pessoa que gostaria de garotas. – Ana disse.

_Isso não é uma pergunta. – rolou os olhos – e eu não sabia que existia um “tipo” para promover sua orientação sexual. – Fez aspas com os dedos.

_Não há. É verdade – Disse Dot – É que você é tão diferente.

_Sempre tão certinha. – Completou Elsa e Regina queria revirar os olhos para elas, mas se conteve, ela queria dizer o quanto aquilo era errado, todo esse julgamento. O quanto esses estereótipos são sem noção. Não é o seu estilo, como corta seu cabelo, ou se gosta de tatuagem ou não que vai influenciar em quem você gosta ou nçao. Estar sempre alinhada, com roupas caras e sapatos de boneca nunca impediram Regina de saber sua orientação sexual.

_Nem tudo na vida cabe no “é assim”. Emma não é gay porque gosta de se vestir da maneira que se veste. Não é assim. Às vezes somos um “talvez”, um “quem sabe” e até um “não sei”. Nós somos diferentes, cada um em sua essência. Os seres humanos são inesgotáveis, por isso não me parece justa essa clausura de definições. – Regina disse para quatro garotas que a ouviam chocadas, porém atentamente.

O silêncio das vozes se instalou pelo quarto e ninguém parecia ter coragem de quebrá-lo. A tempestade fazia muito barulho lá fora e parece até ter se acentuado pela repentina mudez das garotas. Emma abriu a porta do banheiro temendo o que suas amigas poderiam estar fazendo com Regina, mas tudo que encontrou foi o silencio total. Já ia protestar quando um clarão rasgou o céu iluminando até o quarto seguido pelo barulho do trovão. Em um amontoado de braços e pernas todas se encolheram nos colchões antes que o breu total as engolisse.

Notas finais
Se der, deixem seus comentários.