Sonhos de Papel

2 1 - Jack Miller?


Notas iniciais
Olá pudins. Não havia me apresentado antes, não tinha muitas oportunidades. Enfim, eu desejo a todos vocês um Feliz Natal atrasado o/ E espero que ano que vem seja um ano cheio de realizações e sonhos. ♥ O cap acabou saindo um tanto grande, mas espero que gostem. Bjus e boa leitura!

Eu deveria escrever um livro com a minha história, mas esse é o problema, toda história tem um final feliz. E na minha história não existe final feliz.– pensou Tayra enquanto batia de leve a caneta sobre o caderno de anotações da biblioteca a qual trabalha.

Como qualquer outra biblioteca, o local era imenso e nele havia várias pratileiras cheios de livros de vários gêneros e autores. Além de ser um local de leitura, é também um lugar perfeito para aqueles que querem silêncio, ou afundar seus problemas em leituras.

É o tipo de lugar que traz consigo aquele breve conforto, o tipo de lugar que Tayra ama estar, pois nele não precisaria se preocupar com a realidade, afinal, em uma leitura quem cria suas realidades é ela.

Para a sua felicidade, após mudar-se de cidade, sua vó conseguiu o emprego na biblioteca com a ajuda do dono da biblioteca, que por coincidência é amigo dela.

A loira trabalhava arrumando os livros em suas devidas pratileiras, arrumava tantos os livros que acabou decorando exatamente onde cada livro estava.

De vez enquando, seu chefe dava umas fugidinhas de seu local de trabalho e deixava a administração da biblioteca com Tayra.

Apesar do trabalho pesado, Tayra adora a biblioteca, pois sempre que dava um certo tempinho, pegava uma pilha de livros e os lia sem pausa e descanso. E não tinha coisa melhor do que ler, deixar sua mente se afundar nas leituras, ser levada para um mundo que só ela entende.

Não tem nada melhor que sair de sua realidade.

E mais uma vez, como quase todos os dias, seu chefe deu mais uma de suas fugidas e deixou o comando administrativo para Tayra. Com tantas fugas, que já até se tornaram frequentes, a loira quase acredita que o homem estaria de caso com alguma mulher por ai. Pois, ele sempre recebe uma ligação de alguém e logo em seguida foge.

A miúda mais uma vez estava sentada de frente ao balcão da biblioteca, recebendo todos aqueles que entravam e se despedindo daqueles que saíam. Apesar disso tudo ser chato e cansativo, ela pode pelo menos ler enquanto vigiava o balcão, e claro, não tem nada melhor que ler.

Ao lado da garota estava sua amiga, Letty, a qual não parava de alisar seus cabelos negros na frente de seu espelho com um pente ponta-fina. Vaidosa até demais, Tayra vive se perguntando como se tornou amiga dessa coisa.

Talvez porque ela ler os mesmos tipos de livros que eu.– pensou a loira enquanto virava a página do livro que pegara a qual roubava sua atenção.

– Será que devo pintar meu cabelo? — perguntava Letty ainda alisando seus cabelos de frente ao espelho. Sua vaidade vai além do limite, a garota nunca deixa de vir ao trabalho sem estar bem arrumada. Seus cabelos não podem estar embaraçados. Tem que sempre passar lapis de olho preto em seus finos olhos castanho mel. Seus lábios sempre tem que estar pintados com o seu famoso baton vermelho que dava uma certa estravagancia na garota. — Acho que vermelho combina mais comigo. — continua ela se livrando, finalmente, de seu espelho o colocando em sua bolsinha rosa pink.

Tayra não deu muita atenção ao que a morena disse, continuava com a atenção totalmente roubada ao livro que lia. Normal, pois quando Tayra começa a ler ela se distância da realidade.

Logo, Letty estala rápido dos seus dedos na cara de Tayra fazendo-a acordar de suas desvandeias leituras dando atenção a vaidosa morena ao seu lado piscando sem entender nada.

– Será que dá para a Senhorita prestar atenção no que eu falo? — Letty a repreende arqueando suas finas sombrancelhas.

– Desculpa, é que eu tava curiosa para saber o que o -

– N-Não conta! — a morena logo põe suas pequenas mãos na boca de sua amiga a impedindo de soltar quaisquer palavras. — Eu comecei a ler esse livro ontem e não sair nem da página cinco — ela dá uma rápida espiada no livro aberto nas mãos da loira. — e você já ta na página noventa e quatro? — rapidamente, a garota solta sua amiga se afastando da mesma surpresa.

Ela começou a ler o livro há dez minutos atrás e já estava naquela página, que tipo de mutante essa garota é?– se perguntava Letty que encarava a sua amiga loira incrédula.

– Eu to fazendo uma rápida leitura — começa a explicar Tayra apontando para uns três livros em cima do balcão ao seu lado. — porque eu quero ler esses três ainda hoje. — termina com um pequenino sorriso de canto.

– Quem é você e o que fez com Tayra? — a morena encara a garota piscando várias vezes seus pares de olhos castanho mel. Tayra começa a rir com a cena fechando o livro em suas mãos e pondo, por fim, em cima dos outros três livros em que ia ler.

Talvez a vaidade da morena, e sua incapacidade de entender a loira a faz especial para Tayra, a faz uma amiga verdadeira. E amigas de verdades não se encontra todo dia. Ela é diferente, ela é vaidosa, mas ao mesmo tempo aquele tipo de garota idiota que sempre irá fazer a miúda sorrir.

Tayra quase não tem mais motivos para sorrir, ela desde pequena tem problemas com seus pais. Sua mãe pediu divorcio e seu pai não podia recusar, os dois se separaram. Com tantas dividas, ela não pôde mais sustentar Tayra e pediu que a vó materna de Tayra cuidasse da garota até a mulher poder se virar na vida e conseguir pagar tudo o que deve.

Tantos problemas para somente uma garota, a garota que amava seus pais e os queria unidos, mas pelo visto era impossivel, desistiu então de tentar uni-los.

Afinal, não tem como unir aqueles que Deus separa. — pensou Tayra a qual olhava fixamente para o nada, afinal, agora a frase original não lhe faz mais sentido.

– Alô, alô, terra chamando por Tayra. — logo, seus breves pensamentos são novamente interrompidos por Letty a qual, novamente, estalava seus dedos em sua cara fazendo-a acordar.

A atenção das duas, de repente, é roubada após um certo garoto entrar na biblioteca complimentando as duas e seguindo para as pratileiras cheio de livros. Tayra o seguia com os olhos sentindo seu coração se apertar. A loira sabia que o seu coração não se enganava, aquele garoto se parecia muito com alguém. Mas quem? Perguntava-se ela enquanto o olhava se afastar mais e mais.

– Nossa, agora fiquei surpresa. — Letty disse após finalmente deixar de encarar o garoto entre as pratileiras procurando por algum livro. A morena se vira para a sua amiga a qual ainda não desviara seus olhos azulados do moreno que entrara a pouco. — Jack Miller. — logo, a loira se espanta com o que a morena diz acordando de um certo transe. Olhava para sua amiga com uma certa expressão, querendo perguntar, mas não precisava, pois Letty sabia o significado de sua expressão. — Ele se chama Jack Miller. — completou respondendo a pergunta não perguntada de sua amiga. — Antes de você vir trabalhar aqui, ele frequentava essa biblioteca direto. Todo dia ás seis horas da tarde ele já estava aqui. — continuou ainda encarando o moreno a distância. — Por alguma razão, ele parou de vir. Estou surpresa por ele ter voltado. — terminou dando um pequenino suspiro.

A loira continua a encarar o moreno, seus cabelos meio bagunçados dava aquele certo charme. Seu jeito delicado de pegar o livro da pratileira. Sua pele pálida. E seus olhos castanho escuro seguido de finos cilios negros. Aquela boca... nossa, que boca...

Logo, Tayra sente um certo individuo a cutucar em sua barriga fazendo uma irritante cócega na mesma. A garota olha para sua amiga com raiva esperando que a mesma parasse. A morena compreendeu a mensagem de seu olhar e parou com um certo sorriso malicioso a enfeitar seus lábios avermelhados.

– Eu acho que ele está solteiro. — disse ela em meio aos sussurros ainda com um certo sorriso malicioso. Tayra não se aguenta e começa a rir da morena ao seu lado. Está ai, um dos motivos da loira ser amiga dessa morena.

Por fim, as duas voltaram a ficar em silêncio por alguns minutos observando o garoto ainda procurando pelo livro desejado. Mas sem sucesso...

Derrotada, a miúda se levanta em meio aos suspiros.

– Letty, vigia o balcão, por favor. — pede ela sem ao menos esperar uma resposta da morena.

A loira segue em direção ao garoto a qual sua atenção era totalmente roubada a uma pratileira a qual nela só havia livros de fantasia. Seu dedo indicador passava lentamente nos livros sem perceber a aproximação da loira, a qual se assusta após finalmente a garota ter chegado até ele.

– Posso te ajudar em alguma coisa? — pergunta ela esperando uma rápida resposta. Ele volta pra dar mais uma rapida olhada nos livros e em um suspiro derrotado voltando, finalmente, a se virar para a miúda ao seu lado.

– Estou procurando Diarios do Vampiro, o confronto. — respondeu rapidamente e por alguns minutos, a respiração de Jack falhou e o mesmo desvia seus olhos para o chão.


Um menino lendo aquele livro, super normal. — pensou Tayra. Sua vontade era de rir, mas não dele querer ler esse livro, e sim porque ele ficou todo envergonhado a dizer o nome do livro.


– Vem comigo. — termina ela o chamando. O moreno a segue por alguns segundos chegando até uma outra pratileira com uma placa dizendo "Romance e ação". Seus pequeninos dedos passa entre os livros até finalmente parar no livro desejado. Com bastante cuidado, a loira pega o livro e entrega para o garoto com um leve sorriso. — Aqui está.

– Nossa, que rápido. — responde ele num tom surpreso. Ele dá uma rápida observada na loira, aquele pequeno sorriso que quase contagiou o garoto. — E-Eu — suas buchechas coram repentinamente e ele dá uma rápida tossida se recuperando em seguida. — Eu irei levar. — terminou ele se endireitando, por fim.

O moreno seguiu a loira até o balcão e se assustam com um alto grito da garota que segurava um certo livro em suas mãos a qual é responsável por vigiar o balcão.

– Não acredito, então era verdade! Ele traiu ela com aquela piranha?! — suas falas foram tão altas que chamaram até a atenção daqueles que passavam na rua e pararam para olhar o que acontecia. Os dois seguiram até o balcão e Tayra tirou o livro das mãos de sua amiga o fechando em seguida.

– Pensei que você estava na página cinco. — fala ela enquanto pegava uma pasta avermelhada a qual contém todas as fichas de quem frequenta a biblioteca.

– Mas eu estou na página cinco. — diz a morena encarando sua amiga incrédula. — Mas fiquei curiosa e pulei para noventa e quatro para saber o que você lia e lhe trazia curiosidade. — terminou fazendo careta para a loira.

Logo, a morena se dar conta do vexame que acabou de pagar e se vira rapidamente para o moreno a sua frente com um sorriso meio sem graça.

– O-Oi — diz ela num tom sem graça com um certo sorriso forçado em seus lábios avermelhados. — Não liga para essa aqui nao — aponta para sua amiga ao seu lado. — ela é doidinha mesmo. — termina ela saindo do local com uma risada forçada.

O moreno fica uns minutos vendo-a sumir de seu olhar até finalmente voltar a olhar para a loira a qual abre a pasta vermelha ás pressas.

– Tem uma ficha? — pergunta ela, após finalmente abrir a pasta.

– Sim, meu nome é Jack Miller. — responde ele de uma forma rápida e com um pequenino sorriso de canto em seus lábios.

Tayra começa a procurar pelo seu nome na letra J passando seus rápidos olhos em cada ficha até finalmente chegar a ficha do garoto. A miúda pega sua ficha de uma forma rápida e se surpreende com o tanto de livros que ele já pegou emprestado na biblioteca. Ao total são quarenta e oito, e o que mais a impressionou foi que a metade deles foram lidos em menos de uma semana. Nem Tayra conseguiu ler esse tanto de livro em menos de uma semana.

– Você ler bastante. — diz ela num tom surpresa. Logo, chega sua amiga, com um copo de vidro em uma mão, e uma garrafa d'água na outra, sentando em seguida ao lado de Tayra.

– Só quando eu tenho tempo. — responde em um largo sorriso a encantar. E por um momento, o coração de Tayra novamente dispara, porém mais forte que antes. E como ela sempre diz para si mesma, seu coração nunca se engana, sentia que já viu esse garoto em algum lugar e não reconhecê-lo agora estava deixando-a louca.

– E-Então você tem bastante tempo de sobra. — termina ela dando uma rápida anotação em sua ficha e em seguida entregando o papel ao garoto para que o mesmo assinasse.

– Só quando desejo ir para um mundo sem realidade. — responde pegando, em seguida, a caneta e assinando seu nome de uma forma rápida entregando, por fim, a caneta de volta para Tayra. — Obrigado. — agradece ele dando, novamente, aquele seu pequeno sorriso familiar saindo, em seguida, da biblioteca com o livro em mãos.

Por alguns minutos, Tayra o seguiu com o olhar e o viu se afastando até finalmente não pôder vê-lo. Por alguma razão, sem lógica, conhecia ele. Porém, ela se mudou para aquela cidade a uma semana. Não tinha como conhecê-lo, a não ser que tenha visto ele por ai, mas mesmo assim a loira sente que ele não é familiar há tão pouco tempo, ela o conhecia antes, ela sentia isso, mas não entende e não sabe de onde.

– Parece que o coraçãozinho de Tayra amoleceu. — Letty começa a provocar Tayra fazendo uma fina voz e cutucando-a em sua barriga fazendo cócegas na mesma.

As duas começam a rir em meios ás suas cócegas.

_*_

Tayra volta para a casa de sua vó, que no caso é agora o seu novo lar. A loira mantém contato com sua mãe e com seu pai, mas aquele clima tenso nunca irá deixar de existir entre eles. Por mais que odeie que eles estejam separados, Tayra sente-se aliviada por ir morar com sua vó, pois assim iria se afastar dos problemas de seus pais e não iria ser envolvida. Pois o que ela mais odeia é ser alvo de algum problema.

Mas, mesmo se mudando para a casa de sua vó, a loira sente ser parte do problema e ao mesmo tempo sente culpa pela separação de seus pais.

Nunca irei me livrar dos problemas.– responde ela em meio aos seus pensamentos e suspiros pesados abrindo delicadamente a porta da casa de sua vó.

A sala a qual passa não é aquela coisa grande, nela possui uma televisão não muito moderna. Os sofás são todos rasgados, mas em compensação é gostoso de sentar nele. Há varios quadros espalhados pela sala de alguns pintores não muito famosos que a vó de Tayra comprou no camelô.

Seguindo por um fino corredor podia-se encontrar a cozinha a qual sua vó estava lavando a loça. A cozinha, diferente da sala, era enorme. Havia várias pratileiras espalhadas pela mesma com várias panelas e pratos em cima. A pia ocupava bastante espaço da cozinha, pois ela é enorme e nela estava algumas panelas e um pote cheio de talheres. O fogão fica ao lado da pia e a geladeira em um canto da cozinha.

Tayra chegou cumplimentando sua vó que logo perguntou como ela foi na biblioteca. A garota seguiu em direção ao seu quarto. Passava pelo mesmo corredor que levava para cozinha, porém agora para a sala e subiu as escadas entrando em seguida em seu quarto jogando-se na cama olhando fixamente ao teto.

Como pode existir um garoto tão perfeito assim?– pensou Tayra ainda com sua atenção roubada pelo teto. – Quer dizer, além de lindo ele é um leitor e nossa que leitor.– ela cora violentamente e espanta de um jeito rápido seus pensamentos.

Seu coração se disparou novamente e por um segundo ela sentiu que ele ia pular por sua boca. Como pode existir alguém assim? Quer dizer, alguém que mexe comigo com apenas um sorriso? Suspirou pesado e seus pensamentos foram, novamente, interrompidos com rápidos bater na porta de seu quarto.

– Entra. — pediu ela levantando de sua cama e sentando, em seguida, na beirada.

Sua vó abre a porta de seu quarto delicadamente dando um pequeno sorriso a sua netinha. Ela entra sentando-se ao lado da loira.

– Consegui lhe pôr no mesmo colégio que a sua amiga, a Letty. — começou ela com um leve sorriso em seu rosto. Ótima notícia, isso conseguiu animar Tayra a qual a mesma se virou para a vó dando um largo sorriso como um agradecimento. — A aulas começam amanhã de manhã, não se atrase. — terminou ela voltando a se levantar e sair do quarto.

Apesar de estudar não ser a melhor coisa do mundo, ainda mais num colégio novo com gente estranha, pelo menos estará ao lado de Letty e poderá andar com ela. Ou seja, não estará sozinha.

Letty era a sua amiga de infância, estudou com Tayra na sua antiga cidade até os doze anos de idade. Letty se mudou, então, para essa cidade após seu pai receber uma oportunidade de emprego. Tayra agradece a Deus e o mundo por sua vó morar aqui, assim não ficaria sozinha, ainda mais com o esse clima tenso que a loira sente ao lembrar do quanto sente falta de sua família.

Afinal, aquilo é pra chamar de família?– se perguntou ela ainda infiltrada em seus breves pensamentos.

Em um suspiro pesado, a loira se levantou da cama seguindo direto para o banheiro a qual tomou um banho demorado e relaxante. Enquanto deixava a água cair sobre sua nuca num completo conforto, Tayra tentava se esquecer de tudo isso. Fechar os olhos para o mundo, afinal, o mundo... o seu mundo está uma completa bagunça.

E aquela sensação de confusão no estômago parece aumentar a cada momento em que se lembra dos momentos em que comemorava o natal com sua família. Via os seus pais sentados a mesa, sorrindo como nunca, sim... sorrindo.

Balançou a cabeça repentinamente, afim de espantar essa lembraça falsa. O natal havia passado há alguns meses, três meses para ser mais exata. Porém, aquele natal foi diferente, ele foi frio, sem sentido, foi um natal sem luz e sem sorrisos. Foi o pior natal que Tayra nunca imaginaria ter. Afinal, natal sem família não é natal.

Saiu do banheiro enrolada na toalha branca seguindo para o seu guarda-roupa onde pegou, rapidamente, seu pijama de corações. Vestiu-se rápido se jogando na cama para, finalmene, dormir tranquilamente.

Afinal, qual o significado da palavra tranquilidade?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.