Ouço a voz de Filomena reclamando do tempo.

As cortinas, como se tivessem vida própria,

Agitam-se com a força do vento.

Encontro-me na minha cama quentinha, aconchegante

enquanto o mundo desaba lá fora.

Será só mais um temporal?

Ou algum anjo que chora?

Queria eu perguntar ao anjo o motivo de tanta tristeza...

afinal o mundo não é feito só de alegrias,

Um dia todo mundo vai se decepcionar,

e uma forma de aliviar essa dor

É chorar, apenas chorar.

Meus sentidos não sinto mais,

Até mesmo a voz de Filomena (que é irritante) sumiu, desapareceu.

Acho que estou perto do meu anjo,

Da sua áurea magnífica,

Que ilumina até mesmo a escuridão mais sombria.

Não mais ouvia seu choro, ao contrário disso,

Iluminava-se em seu rosto a sombra de um lindo sorriso

Um sorriso que nem nos meus sonhos mais delirantes imaginei um dia ver...