Sonhos completam Almas.
4 Apenas um game over temporário.
Notas iniciais
Ontem, o reitor me pediu que voltasse à universidade para encontrá-lo e lá estava, sentado no banco esperando ser chamado pela secretária que de minuto a minuto encarava-me com desagrado. Eu já estou ferrado senhora, não adianta agourar-me pensamentos podres. Pensei expressando cara de tédio em resposta. Ao entrar aqui novamente, ignorei a beleza e a construção moderna no intuito de não lembrar, no caso de sair de bolsos vazios como entrei.
Depois de alguns minutos, alguém saiu do escritório da reitoria e passou por mim sorrindo, não dei importância para quem quer que fosse e me levantei assim que fui chamado pelo senhor Dubreet Charl. Entrei na sala sem muitas delongas. Estava mais a fim de acabar logo com aquele maldito mistério.
Então, meu jovem esfriou a cabeça como conselhei?
Sim, e muito... Também não só a cabeça como o corpo inteiro. Ironizei a frase encarando o homem que entendeu apenas no primeiro sentido.
Acabei de conversa com o Secretário da O.B. Inclusive acabou de sair... Lembrei-me da pessoa passando por mim, mas o porquê estava rindo?
Não prestei atenção, mas o que ele disse?
Eh, deu uma nova chance de direito a você.
Qual?
Você, assim como outros jovens com o mesmo problema, farão uma prova com fases. Esse tipo de prova é comum quando alguma pessoa deixou de cursar o fundamental ou colegial e quer voltar, porém sua idade não corresponde ao ano. Mas diferente dessa prova que tem apenas uma fase, a que você fará terá seis. Cada uma testará conhecimentos básicos e superiores, aplicados no primeiro e segundo grau escolar. As primeiras três fases serão essencias e as outras avançadas. No máximo você terminará de fazê-las em um ano. Aqui nesta pasta está as datas para cada etapa, as informações necessárias e a agenda de assuntos que precisara estudar. E tem mais, todas as áreas da universidade estão abertas para o que você precisar, há um cartão visitante, no caso de querer presenciar alguma aula ou participar de eventos realizados. Agora meu caro companheiro faça o que sabe fazer de melhor. Estude. Reli mentalmente as palavras do homem algumas cinco vezes até compreender o recado.
Não importava o quanto eu gritasse, não iria conseguir expressar minha felicidade nem abraçando o presidente ou a Angelina Jolie. Não estava nada perdido, era apenas um jogo da vida, e que vida! Eu posso continuar meu caminho sem frustação! Darei tudo a minha família. Tudo!
Olhei para o reitor que sorria provavelmente entendendo que eu estava analisando tudo. Levantei-me e segurei a pasta sobre a mesa, peguei fôlego e comecei.
Sim! Diga ao secretário que o agradeço do fundo da alma... Obrigado pela oportunidade. Obrigado por ela... Obrigado... Saí dali sem virar as costas e repetindo aquilo diversas vezes, era um manto. Depois que me distanciei, pude escultar o senhor Charl grita algo como Viva la juventude. De fato ele estava feliz, mas não mais que eu.
Andei por aquela grande extenção passando a mão em todas as paredes abençoadas e quando cheguei no portão que estava, por coincidência ou não do destino, escancarado, ajoelhei-me e depositei um beijo naquele asfalto que mesmo sabendo que diversos tênis com fezes de cachorro ou chicletes de salivas de outros passaram, seria o chão que eu pisei para o futuro. O meu chão.
Caminhei refletindo para quem contar aquilo, minha família não podia ser, não mais. Eles certamente acharão que menti em tudo. Após muito tempo restou-me apenas o velho Wizes. Seria entusiasmante voltar, e ainda por cima voltar com boas notícias. Corri feito um moleque em direção a sua casa. Queria ser elogiado e abraçado por um estranho, não? Mas um estranho bom. Afinal, ele era o único que sabia de minhas condições naquele lugar.
Avistei o beco logo à frente e parei na entrada do mesmo assustando o homem que dormia ao lado de suas coisas.
O que é isso rapaz? Perguntou ele se levantando e vindo para perto de mim.
Ganhei uma nova chance! Acredita? Demorou um pouco para talvez entender o que eu estava falando, e quando isso aconteceu um imenso sorriso se fez aparecer.
Que coisa boa moleque. Parabéns! E me saudou com um abraço. Por segundos vi nele o meu pai, com quem de certo devia estar a comemorar, o homem que largou o emprego dos seus sonhos para me dar um lar decente para morar.
Meus pais moravam em um apartamento na Califórnia, ele era um professor recém formado e ela sua aluna. Depois de terem um mero caso se separaram, pois meu pai poderia ser afastado do cargo e preso. Os anos se passaram e eles se reencontraram, se casaram e foram morar na casa dos meus avós paternos, largando sua antiga e insustentável vida que futuramente seria a minha.
Bem, que bom que você voltou Eric. Tinha se esquecido de uma coisa... Ele se virou e pegou um objeto de trás do saco e me amostrou. Diversas lembranças surgiram ao ver aquelas lentes. Coloquei minha mochila no chão e me sentei examinando os óculos, pensando em o que podia fazer para consertá-los.
As lentes estavam perfeitas, nem um arranhão, então não teria como trocar os meu óculos com os dela, logo perceberia. Pensei também em colocar uma fita, mas seria ante-profissional.Continuei a olhar e olhar até notar que podia mudar o fio de ligação da armação, aquele que fica no meio do nariz quando se põem, pois era o único dano, então foi isso que fiz.
Quando terminei já era quase 12h, tive que desmontar todos os óculos para ajeitar, por um milagre não perdi nem uma peça. Para entregar o objeto de forma mais respeitosa, o coloquei na minha capinha. Era engraçado, durante todo o tempo que consertava-o perguntei-me o porquê eu estar fazendo aquilo. Poderia ter ficado calado quando ela lamentou o acontecido, mas me propus a ajudá-la. Talvez por querer algum conhecido na cidade ou por estar planejando inconscientemente tirar vantagem de alguma forma, não sei ao certo. Guardei tudo e me despedi de Wizes dizendo que voltaria dentro de poucos minutos, não ia estalar-me no apartamento de Emi. Não isso, mas poderia ser meu objetivo.
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