Acordei assustada, mas não sabia exatamente o por que, ainda sim, grata por não ter tido nenhum pesadelo esta noite. Vasculhei pelo quarto mas nada de Bia. Onde será que ela estava? Foi então que notei o relógio em minha cabeçeira. Já passava das uma e meia da tarde.

– Ah! Ah! Droga, droga, droga, quando foi que eu dormi tanto assim – levantei as pressas peguei minha nessesárie e fui correndo para o banheiro. Escovei os dentes e ao lavar o rosto percebi que estava horrível, parecia mais um zumbí do que uma adolescente de 15 anos. Lavei o rosto e sem nenhuma vontade peguei minha maquiagem, já resolvida a dar um trato em meu rosto. Se eu me apresentasse assim ao meu irmão, ele teria um ataque cardíaco. Não passei muita coisa, pois não queria ficar muito emperequetada, então só usei o pó e um lápis de olho mesmo.

Me troquei o mais rápido que pude sem muito tempo, escolhendo minha inseparável calça jeans e uma camiseta pólo recem ganhada de Peter.

Bia me espereva na cozinha, com o café da manhã colocado.

– Bom dia dorminhoca, pensei que não fosse acordar a tempo de ir buscar seu irmão – disse ela – vem comer alguma coisa. Eu que preparei – seus olhos brilharam de expectativa. Lancei-lhe um sorriso ao me sentar na cadeira.

– Tem certeza que não colocou alvejante ao invés de água no suco? – sorri, apontando para a cadeira à minha frente – Nem acredito que dormi tanto. Mas peraí, como sabe que meu irmão vem pra cá ?

– O bilhete com letras enormes na geladeira quase me assustou – disse ela apontado o queixo para a geladeira.

Suspirei, Peter deve ter se lembrado que eu era tão boa de memória quanto ele.

– Faz quanto tempo que você está acordada ?

– Mais ou menos umas duas horas…não quis te acordar, você parecia cansada – comentou ela.

– E realmente estava, acredita que hoje eu não tive nenhum sonho – disse feliz, ela sorriu – O que me lembra…Bia você teve algum sonho estranho esta noite ?

– Humm…Não que eu me lembre, por quê ?

– É que você falou enquanto dormia.

Ela corou.

– Er, o que eu falei ?

– Ah, nada de mais, só disse alguns “não” e um “eu não faria…”, você também disse meu nome – declarei.

– Hummm…engraçado, não me lembro de ter dito ou sohado com nada disto – ela parecia pensativa – mas tudo bem.

Agora pronta para comer meu, aparentemente, apetitoso café da manhã – Bia podia não ser boa cozinheira, mas ela concerteza tinha muita criatividade – estava mais preocupada com as novidades que meu irmão teria para contar.

– Já comeu ? – perguntei.

– Não, na verdade não estou com o mínimo de fome – respondeu ela. – Mas vou comer um pouco para não ficar com o estômago vazio.

– Bem, vamos comer então – disse feliz.

– Ok.

– O que temos para o café ?

Ela sorriu. Tomamos o café da manhã e fomos direto para o aeroporto buscar meu irmão. O caminho para o aeroporto não muito grande, então fomos conversando sobre o início do ano letivo e as aulas.

– Não sei se teremos a mesma sorte do ano passado – comentou Bia. – Não foi nada fácil conseguir todas as aulas juntas.

– Eu sei – declarei. – Mas quem sabe não conseguimos pelo menos algumas.

– Claro – seus olhos brilharam. – Mas e então… Quantos anos seu irmão tem mesmo? – perguntou ela corando.

Sorri. Bia sempre falava do Bruno, as vezes chego a acreditar que ela teria uma certa queda por ele.

– Vai fazer 19 em março – respondi.

– Humm…

Chegamos no aeroporto por volta das três horas, então ainda tínhamos meia hora até ele chegar. Conversamos mais um pouco, e quando nos demos conta, ele já estava na checagem de passaporte.

– Bruno… – gritei, além de Bia, meu irmão era a única pessoa que sabia dos meus sonhos.

– Lili, ah estava com tanta saudade – disse ele me abraçando. – Como tem andado?

– Eu também, pensei que não fosse mais voltar – adimiti, corando um pouco. – Bem, e você?

– Bem também. Mas que bobagem. Você sabe que eu não posso viver sem você – disse ele sorrindo.

Sorri também.

– Oh, mas olha só quem está aqui. Bia! Quanto tempo – ele foi abraçá-la.

– O-Oi.– Bia gaguejou envergonhada. – Tudo bem ?

– Tudo ótimo. É bom revê-la – declarou. – Você fica mais bonita a cada dia.

Bia ficou tão vermelhinha.

– Er, obrigada – repondeu ela. – Você... também.