Sonhos Reais - Tudo Pode Mudar...
4 Capítulo 4 - A nova Beatriz
Notas iniciais
– Ah, Bia você me assustou – sussurrei – como sabia que eu viria aqui?
– Desculpe, na verdade, eu não sabia, sentei aqui para ver as estrelas – ela sussurrou também. E olhou para mim como se tivesse acabado de lembrar de alguma coisa. – O que você veio fazer aqui?
– Eu, er, eu vim conversar com você Bia. Olhe, eu sinto muito se eu disse alguma coisa que te magoou, eu não sabia e por isso eu vim aqui – comecei a tagarelar, como sempre fazia quando estava nervosa, – e também porquê estou preocupada com sua saúde, você anda muito pálida e por que você não fala mais comigo…
– Senta aqui – Bia me interrompeu.
Andei com cuidado para não fazer nenhum barulho e sentei do lado dela.
– Olhe eu não estou brava com você nem nada assim, na verdade, é bem diferente do que você acha. Acho que não há mais motivo para eu não contar, então vou contar desde o começo. Lembra-se do dia em que eu fui dormir na sua casa? – fiz que sim com a cabeça e ela continuou – Então. assim que eu cheguei em casa, meus pais me esperavam sentados na mesa da cozinha, e…e queriam falar comigo – eu olhei para ela e ví que lágrimas escorriam de seu rosto, ela estava chorando.
– Não precisa falar sobre isso se não quiser Bia – eu disse (apesar de estar morrendo de vontade de acabar logo com tudo isso de esconder as coisas uma da outra) limpando suas lágrimas.
– Não. Eu tenho que falar, não sei como pude esconder isso de você esse tempo todo – ela olhou para mim e deu um sorriso amarelo. – Melhores amigas nunca tem segredos – ela levantou o dedinho– lembra?
– Sim – eu levantei o me também e o enrosquei no dela.
“Sempre amigas, sem segredos, com amor e união. Você será sempre minha amiga, dentro do meu coração”
Cantamos as duas ao mesmo tempo. Sorrindo. Havíamos feito essa promessa aos sete anos. Desde então não esquecemos mais.
– Então, como eu disse, meus pais queriam conversar comigo, e disseram que não seria um assunto muito bom e como eu já estava com 15 anos, eu já podia saber – ela olhou para mim enquanto eu a olhava, ela percebeu o que eu ia falar e antes mesmo de eu começar. – Não, eu vou contar tudo – acenei com a cabeça. – Eles... eles me disseram que eu sou adotada.
Ela começou a chorar e soluçar e eu fiquei boquiaberta. Eu esperava qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, mas isso não. Peguei-a em um enorme abraço e a confortei.
– Ei shii, calma, olha nem é tão ruim assim. Eles ainda são seus pais. Mesmo que não os biológicos mas ainda sim. Foram eles que te criaram até agora.
Percebi que não estava ajudando em nada então calei a boca. Afaguei os seus cabelos até ela parar de chorar. E depois, de soluçar. Ficamos em silêncio por muito tempo. Talvez até uma hora.
– Bia eu…eu…eu não sabia, me desculpe. Oh, Bia. Se eu soubesse, eu teria passado mais tempo com você, teria te ajudado. Desculpe Bia…
– Não se preocupe Lili, eu vou ficar bem, vai passar. Afinal, a culpa não é sua, fui eu que não te contei.
– Mas…
– Mas nada. Chega tá bom, pare de ficar se culpando por algo que você nem tinha noção de que aconteceu. Ok?
– Ok – eu disse. – Mas…esperai. Se você não estava falando comigo por que estava triste, então… Bia, você está doente? Você anda muito pálida ultimamente.
Ela olhou para mim e deu um sorriso mínimo.
– Ai é que está. Eu não estou doente Lili. É outra coisa que eu precisava te falar. Olha, eu não sei como você vai reagir a isto, mas mesmo assim eu vou contar. Por que eu não aguento mais esconder isso de você.
– Eu não estou entendendo Bia... – disse.
– Lembra de quando nós éramos pequenas e saíamos na rua da sua casa para brincar de contos de fadas. Lembra? – fiz que sim com a cabeça, e sorri, sempre lembrei daqueles momentos como um dos melhores de minha vida – Eu era a vampira , só que do bem, e você era uma espécie da fada e bruxa ao mesmo tempo – nós rimos juntas, uma risada bem baixinho, e então ela ficou séria novamente – Liss eu… eu acho que não eram só contos de fadas, eu acho que é de verdade. Eu…Eu sou uma vampira Liss. Ou, ou pelo menos estou virando uma.
– Tá legal Bia, pode parar com a brincadeira e me contar a verdade, o que você realmente tem? – disse sorrindo.
Ela me olhou fixamente.
– Não é brincadeira, eu estou falando a verdade Lili. Eu...não sei como aconteceu isso mas só sei que posso sentir.
– Bia...
– Eu me sinto como se estivesse doente, precisando de alguma coisa. – ela ergueu a cabeça em minha direção, me olhando nos olhos. De repente eu sentia medo, ela parecia exatamente o tipo de onça que espreita para caçar – E sinto que... se eu não beber sangue, não vou sobreviver a isso.
Lembrei-me da vez em que a janela se abriu sozinha, e da vez em que o pincel estourou na mão da senhora Linda. Levantei num pulo enquanto a Bia se assustava. Não pode ser. Se ela está, então eu…Não! Eu nem estou com sede de sangue. Não que eu tenha percebido isso. Eu agora estava andando de um lado para o outro. Sem parar. Bia apenas me seguia com os olhos, a expressão indecifrável. Milhões de pensamentos perambulavam por minha cabeça. Se ela estava mesmo dizendo a verdade, o que diabos eu iria fazer a partir de agora?
– Olhe para mim. – disse ela apontando para o seu rosto – Não vê como pode ser verdade? Estou ficando mais branca do que a neve, meu olhos não são mais castanhos, estão variando um pouco para o violeta – ela disse, e era verdade, seus olhos estavam estranhamente roxos, de um violeta purpura – Não que todos os vampiros tenham olhos violetas, os de ver... os dos livros são vermelhos, mas isso não vem ao caso. – Lili, eu tenho sede de sangue. Posso ouvir o sangue pulsando em suas veias agora. Eu consigo ouvir seu coração batendo rápido, mais que o normal. – ela se levantou e segurou a minha mão, pensei em recuar mas isso a magoaria ainda mais – Não tenha medo, eu, eu não vou te machucar. Não poderia nem se quisesse.
– Nã-não estou com medo – eu disse – só estou confusa.
– Entendo… — ela retirou a mão de leve e se afastou.
– Não Bia…
– Não se preocupe, só vou lhe mostrar uma coisa. Veja.
Apertei os olhos para ver melhor na escuridão. Bia estava sorrindo gentilmente. Esperando. Acenei com a cabeça, um sinal para ela ir em frente, e algo inacreditável aconteceu. Bia sumiu. Não, na verdade ela não sumiu, apertei mais os olhos para enxergar. Droga por que eu não vim de óculos. Bia estava correndo. Não correndo como normalmente eu corro, por exemplo. Ela estava correndo em uma velocidade inumana. Só era visível um pequeno borrão por onde ela passava. Ela estava correndo em círculos.
– Incrível – sussurrei.
Em dois segundos eu já havia perdido as contas de quantas voltas ela havia dado. Ela parou e sorriu delicadamente para mim.
– Não é só isso, também sou forte – ela pegou com facilidade uma árvore que devia no mínimo ter uns 2 metros de altura, e a colocou de volta. – Viu?
Fiquei boquiaberta.
– Co…como? Legal!
– Você nunca mais terá que brigar por mim outra vez. – ela deu um sorriso seco, parecia infeliz – Mas como tudo tem seu preço... minha garganta está ardendo, talvez por causa da se... enfim, parece que tem algo rasgando dentro de mim.
– Uau, isso é demais Bia. – ela me olhou e percebi o que eu tinha dito – Quer dizer, tirando a parte da sede sangue e tudo o mais, isso não é bom.
– Tudo bem – Bia foi se sentar de novo. Admito que estava ficando meio difícil de acompanhá-la.
Fiquei pensando em tudo o que acontecera. Realmente, parecia impossível, um sonho. Mais um. Mas não era. Eu sabia que era real, o que dificultava um pouco as coisas. Bia, minha melhor amiga e quase irmã estava se tornando uma vampira sedenta de sangue. E não havia nada que eu pudesse fazer por ela.
– Bia…me diga uma coisa, você pensa em... beber? Digo, eu sei que é uma pergunta idiota a se fazer mas, bem…
– Sim – ela respondeu. – Olhe, eu nunca senti nada assim antes, o cheiro, ah o cheiro – disse ela aspirando o ar, eu encolhi automaticamente, fiquei em pânico – Mas, é estranho, eu sinto sede, minha garganta queima quando está muito forte, mas e não quero beber sangue de ninguém, eu não quero ser um monstro Liss. Acho que é por isso que…que eu não estou te matando agora mesmo. – ela baixou os olhos – Desculpe se eu estiver sendo muito rude. Mas eu não quero te matar, e o pior é que, eu mesmo eu não querendo meus instintos me mandam fazer isso. É… é principalmente doloroso. Desculpa Liss – lágrimas escorriam pelo seu rosto como enxurradas, meus olhos também estavam húmidos – Desculpe por tudo, por te fazer sofrer, por ter escondido de você. Desculpa. Por favor, você pode me perdoar Lili? Você acha que pode conviver comigo desse jeito? Uma vampira. Pode?
Fez-se silêncio por alguns segundos. Tanta coisa passava por minha cabeça.
– Bia, o que está dizendo? Eu seria sua amiga mesmo se você fosse a maior aranha do mundo – dei um meio sorriso, e foi bom, ela me acompanhou, ela sabia que eu morria de medo de aranhas – Eu nunca vou te abandonar. Nunca. Você sempre será a minha amiga, a minha irmã. Vampira, monstro, ou até sapo. Nada vai nos separar…
Parei num ímpeto.
– OhMeuDeus!
Olhei para o céu, merda, por que eu não trouxe o celular.
– Ah inferno! Desculpe Bia, mas eu tenho que ir pra casa.
– O quê? Por quê?
– Bia, que horas são? – perguntei a ela.
Ela se virou para olhar o rádio-relógio na mesinha.
– São quinze para as trê-Oh!
– Exatamente.
– Oh Lili, desculpe-me. Eu esqueci completamente. Quer que eu peça para a mamãe te levar?
– Não! Não seria uma boa ideia. Eu pego um táxi, ok?
– Tá, mas tome cuidado – ela me abraçou.
– Vou tomar – eu disse. – Tchau Bia.
Fui correndo para casa, mal dando tchau para Roberto – o porteiro – e tomando o primeiro taxi que eu ví. Ao chegar em casa fui de fininho pela garagem até a porta dos fundos, abaixei-me cuidadosamente para pegar a chave extra debaixo do tapete e ao levantar reprimi um grito.
Droga, por que eu tinha que tomar susto toda vez que alguém aparecesse.
Meu irmão estava parado de braços cruzados na porta me observando. Provavelmente esperando eu me explicar. Bom, vendo pelo lado bom…a mamãe não estava lá, portanto ela ainda não sabia, mas… meu irmão era mil vezes pior, porque ele fazia eu contar tudo aos meus pais. E contar tudo para eles iria me colocar numa baita enrascada.
– Bruno eu, ah por favor, não fala nada pra mamãe e nem pro papai. Por favor, eu precisava ver a Bia…
Ele continuava a me encarar, de um jeito estranho até. Parecia que ele estava reprimindo algo, algo que não estava fazendo bem para ele. Esperei ele responder, mas nada.
– Bruno…
– Você sabe que horas são, não sabe? – ele finalmente falou, mas sua voz soava estranha, fria.
– Sim – respondi a meia voz.
– Olhe, primeiro vo…
– Espere! – interrompi, ele odiava quando eu o interrompia, mas mesmo assim… – Antes de tudo eu quero que você saiba que eu não fiz nada de mais, ok? Eu só fui até a casa da Bia e… – respirei fundo e comecei a contar toda a história de Bia, desde a parte em que eu me assustei, e é claro que eu não contei que a minha melhor estava virando vampira, isso ele não precisava saber.
– Adotada?! A Bia é adotada?
– É, foi isso que ela me disse. Coitada, ela está arrasada! Imagine, eu nem sei como reagiria se fosse comigo. Ela é uma garota muito forte.
Ele desviou o olhar. Bruno estava sério, quieto demais.
– Tá legal, – comecei a me levantar – eu vou contar tudo para a mamãe… e para o papai também, quando ele chegar.
– Não – ele segurou a minha mão, ainda sério, ainda sem me olhar nos olhos, e disse. – Você não precisa contar para o papai, e nem para a mamãe. Deixa que eu conto a parte da Bia ser adotada, e não se preocupe que eu não vou contar a eles sobre a sua fuga. Mas não pense que vai ficar por isso, o que você fez foi muito errado, se nossos pais descobrissem, iam perder a confiança em você. Não faça mais isso, ok? Senão, eu conto tudo para eles. Ouviu?
– Sim – eu estava tão aliviada, não ia ter que contar pra mamãe e nem pro meu pai. – Bruno eu, bem acho que eu já presenciei muita coisa hoje, vou tomar um banho e ir para a cama. Obrigada por não contar nada.
– Por nada. Descanse bem Lilo – esse era o meu apelido de quando eu era pequena, por causa do meu nome e sobrenome juntos: Alice Lyon – Li+Lo.
– Boa noite, maninho – dei um beijo em seu rosto e já exausta, subi lentamente para o meu quarto, peguei minha necessáire e toalha e fui para o banheiro. Tomei banho sem pressa deixando a água esquentar todo o meu corpo, desliguei o chuveiro e tremi. Estava um pouco frio para o fim de Fevereiro. Geralmente em Stratford, só fazia frio no meio do ano. Enrolei a toalha nos cabelos molhados, troquei-me e fui para o meu quarto. Ao chegar lá, eu estava sem o mínimo de sono. Sequei lentamente meus cabelos, e resolvi mexer um pouco no meu antigo computador. Fui até ele, liguei e esperei até ele iniciar. Eu não sabia bem no que eu ia mexer, mas entrei na página da Internet e coloquei meu endereço de e-mail, mas assim que a página carregou, fechei ele de novo. Nunca havia nada de especial em meu e-mail mesmo. Resolvi que eu ia reler Romeu e Julieta. Era o um dos meus livros favoritos, e eu já o lera umas três vezes. Desliguei o computador, fui à minha escrivaninha e peguei o livro, que por coincidência eu havia deixado lá para caso de eu querer ler. Sentei na cadeira comecei a ler. Eu sempre adorei Romeu e Julieta. Ela era uma moça linda, e ele, um lindo cavalheiro. O romance de época me chamou a atenção desde a primeira vez que o li. O amor incondicional, a rendição e a vida que Romeu deixa de lado para lutar por sua amada... sempre imaginei se algum garoto faria isso tudo por mim algum dia. Acho que estava na parte em que a Julieta vai até sua sacada e encontra com Romeu quando adormeci. No meu sonho, pela primeira vez, eu estava feliz. Não pelo que acontecia, mas sim pelo fato de eu estar sonhando novamente. Poderia até parecer loucura, mas mesmo assim, isso significava que eu o veria de novo. E isso era tudo o que eu mais queria. Eu ainda não sabia o nome dele, mas, eu não sei o porque, eu tinha a intuição de que seu nome seria Derek. Loucura não é?
Eu estava em uma floresta, não uma floresta qualquer, era uma linda floresta. Mas estava frio, o que estragava um pouco a linda visão. – eu sempre imaginei esse tipo de visão, em uma floresta linda como essa, só que com calor, e o sol brilhando no topo das árvores – Tudo que alí havia era verde, até os troncos, que eram para serem marrons, estavam cobertos de musgo. Tudo era verde. Era uma visão fascinante, e completamente linda. Continuei a olhar, o que?; o lugar era lindo mesmo, porém o frio aumentava, e eu tinha que encontrar um abrigo, do contrário eu ia acabar tendo hipotermia (meu irmão me chamaria de nerd por usar este tipo de palavra ao invés de simplesmente dizer que ia congelar no frio). Comecei então a andar em busca de um lugar para ficar. Mas estava começando a ficar escuro, eu logo percebi que estava andando em círculos também. Comecei a correr desesperadamente, eu não conseguia encontrar nada, só o vazio da floresta. Foi então que eu senti. Não foi um sentimento comum de: ah eu acho que tem alguém atrás de mim. Foi algo mais, eu tinha absoluta certeza de que havia alguém atrás de mim. E podia jurar que era um homem. Eu parei. “Um homem”- pensei. Sem pensar, virei-me para ver se minhas suspeitas eram verdadeiras. Fiquei maravilhada com o que ví. Era ele, o meu anjo particular, a pessoa que eu mais amava estava parada alí, bem na minha frente. “O que está fazendo aqui parada – pensei – vá até ele!” Meu sorriso devia ser contagiante, porque seu rosto, antes preocupado, agora portava um lindo e de arrasar sorriso torto, que deixaria qualquer uma sem fôlego. Dei um passo para frente e não aguentei, corri até ele. Não pude me conter, eu estava tão feliz, estava com tanta saudade. Eu estava chorando nos braços dele, eu não queria que aquele sonho acabasse nunca, nunca. Mas algo mudou, de repente, seu corpo ficou rígido, e o meu, como se respondesse ao dele fez o mesmo. Eu comecei a sentir medo. Alguém estava vindo, era a mesma sensação de antes, porém agora meu instinto me dizia para correr. Fiquei parada ao lado dele, olhando o espaço a frente. Tão rápido que eu nem ví, ele me virou para sí, e começou a falar. Sua voz, linda como sempre, aparentava desespero, angústia. Eu não gostava de quando ele usava este tom, não gostava de vê-lo angustiado, isso me deixava irritada. Eu era capaz de acabar com o que quer que o estivesse preocupando.
– Liss, escute. Fuja, corra o quanto puder, fuja. Prometa para mim. Não importa o que acontecer, não importa o que você ouvir, prometa que vai fugir, e não pare – Neguei com a cabeça. Eu não estava entendendo. Ele apertava os meus braços com força. Eu não queria ir, eu queria ficar com ele e ajudá-lo.
– Ma-mas e você, eu, eu não quero ir, quero ficar com você – Choraminguei, minha voz rouca. Podia pressentir o perigo. Eu não queria deixá-lo, tinha medo. Ele deu um sorriso que não chegou ao seus olhos.
– Não se preocupe, logo nos veremos denovo. Eu prometo. Em breve nós vamos nos ver. Vai dar tudo certo. Mas você realmente precisa ir.
– Não – murmurei, eu sabia que não tinha como. Mas mesmo assim eu tinha que tentar. – Vem comigo. Por favor, não me deixe sozinha, por favor, não… — implorei.
– Desculpe meu amor, – seus olhos estavam tristes, ele parecia querer chorar, mas não saia água de seus olhos – eu não posso ir, mas agora vá. Por favor, por mim – e ele me beijou. Foi incrível. Mas apavorante. O beijo foi ansioso, e rápido. Rápido demais. Depois ele me empurrou para que eu começasse a correr – corra, agora!
– Eu te amo – foi só o que eu consegui dizer por entre as lágrimas.
– Eu também – sua voz já ficava distante.
Eu estava correndo, correndo com toda a força que eu podia, mas não foi o suficiente. Eu pude ouvir. Eram gritos, mas não gritos de medo, mas gritos de guerra. Aqueles sons que as pessoas fazem quando estão brigando. O outro que estava vindo era um homem. E eles – oh meu Deus – eles estavam lutando. Parei, não pude me conter e olhei para trás. O homem que estava lutando com ele era, era o Bruno, e bem na hora em que eu olhei, eles pararam e olharam para mim. O Bruno não estava muito machucado, porém, o Derek, ele estava…
– Não! – gritei no meu quarto, quase caindo da cadeira ( eu havia dormido na escrivaninha ) – Não, não, não, não, não. – eu estava chorando, quando meu irmão e minha mãe entraram no meu quarto perguntando o que havia acontecido – Por que – eu disse olhando nos olhos de Bruno – por que?
O restante da noite se passou assim; minha mãe me acalmou enquanto eu chorava desesperadamente, dizendo que era só um sonho, um sonho muito ruim, ma apenas um sonho, Bruno estava parado na porta ainda com a mesma expressão de intrigação de quando eu falei com ele, e depois eu dormi.**
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