Sonhos Escritos
7 O lugar onde pode me encontrar.
O tempo passou e eu poderia dizer que a noite estava caindo depressa. Chegamos exatamente as três, e já estava marcando aproximadamente cinco e dezenove. Tínhamos acabado de começar a conversar quando me veio uma fome ao qual eu não poderia evitar.
Prossegui com um novo rumo naquela conversa, querendo mais ser convidativo do que qualquer outra coisa.
– Bom, antes de tudo eu me esqueci de perguntar onde você mora. Se a perguntar incomodar não precisa responder.
Ele me olhou com uma expressão calma.
– Não tem nenhum incomodo. Por enquanto moro no outro lado da cidade, e embora esteja ótima a conversa aqui acho que parece que já terei que voltar para o hotel que estou antes que fique tarde demais para mim. A minha casa está reformando e vou fazer uma pequena visita a minha família que resolveu se mudar recentemente. Então, o hotel foi a melhor opção para que eu pudesse resolver os meus assuntos por aqui.
– Bom você pode ficar se quiser, jantar e depois ir.
– Agradeço a hospitalidade, mas hoje não dá. Amanhã será um dia puxado tanto para mim quanto para você eu acho. – Ele olhou para o notebook e entendi o que ele estava se referindo, no outro dia eu teria que começar a minha história e sabia que o meu esforço seria totalmente requerido para conseguir criar uma que demonstrasse realmente o que eu estava sentindo. – E além do mais, haverá outros dias, dias aos quais eu poderei vir até aqui e você ir até lá.
Realmente teríamos outros dias. A presença dele ali foi mais do que o suficiente para me dar ânimo para que eu conseguisse pensar em algo para começar um prólogo já no inicio da manhã.
– Tudo bem. Mas pelo menos jante antes de ir. Pode ser? – Sorri meio sem jeito para ele.
– Sim, esse tempo eu posso ficar. – Ele sorriu de volta.
Fingi que não vi a elevação sobre a regata que ele tinha colocado sobre o colo determinado tempo antes. Eu fingi que eu não vi e ele fingiu que nada tinha acontecido.
Ele olhou para mim sem jeito e disse meio que tímido.
– Você... Como posso dizer... Poderia pegar uma bermuda pra mim? Meio que não acho muito confortável andar apenas de regata pela sua casa...
Quando ele disse isso comecei a rir, eu não tive como evitar.
– Você não disse que se sentia livre assim?
– Disse... Mas agora a situação é diferente! Então...
– Acho que não viu, vai ter que ficar assim até a hora que já estiver pra ir...
Ele me olhou como se estivesse achando graça dessa brincadeira manhosa antes de realmente se envolver.
– Se você realmente quer assim...
Ele começou a levantar a camisa do colo, e instintivamente me levantei e puxei a primeira bermuda que tinha por perto e arremessei para ele.
– Não queremos que ninguém ande pelado antes de nem sabermos o que pode ocorrer.
Ele começou a rir, é claro que ele sabia o que podia acontecer e já estava pronto para isso! Bem pronto!
– Tem certeza que não? Logo agora que estou animado?
Corei, mais por vergonha do que ele perguntou do que por estar envergonhado pela aquela situação.
– Tenho certeza absoluta!
Rimos e sai do quarto para que ele pudesse se vestir.
A noite se prolongava, já começava a fazer frio, deixei um casaco separado para que ele levasse quando estivesse indo para casa para não se preocupar com o frio que seria causado do lado de fora.
Enquanto jantávamos, começamos uma conversa calma e ele me deu o número dele e eu o meu. E a conversa continuou por mais alguns momentos depois disso mais logo foi cortada pela hora. E sabíamos que não poderia demorar mais que aquilo...
Ele se levantou e pegou um bloco de notas. Eu me levantei para lhe entregar o casaco, estendi para ele e ele falou:
– O lugar onde pode me encontrar é esse aqui. – Ele começou a anotar alguns endereços de diferentes locais, o primeiro era a faculdade, o segundo um trabalho de meio período, o terceiro era a casa dele. Ele circulou o último para que eu pudesse entender que era aquele lugar ao qual ele se referiu logo no inicio.
– Entendo. Vou te encontrar lá qualquer dia desses.
– Sim, espero por isso.
Eu o acompanhei até a porta, conversamos por mais alguns minutos, ele me beijou e logo após ele se afastou. Já marcava às 19h25min, eu deveria repassar algumas coisas e logo mais descansar, a vida não para e o mundo não nos espera. Então vamos avançar conforme o nosso coração deseja.
Certo tempo decorreu depois disso e a noite se aprofundou cada vez mais, eu poderia dizer que quase fiquei imerso em pensamentos que não saberia para onde me levariam, entretanto gostei de seguir sinuosamente por eles. Foi uma sensação única de perder o rumo e cair em um barco desgovernado, sim, posso comparar meus pensamentos com isso. Embora já tenha se passado da hora, continuo a pensar em tudo o que ocorreu. E aos poucos me lembro da elevação que vi mais cedo.
Bom, ninguém é de ferro né?
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