Notas iniciais
Ae, demorou mas tá ai, e quentinho ainda por cima :3

E foi assim que cheguei a casa, lembrando-me das conversas, parando para pensar no que poderia ocorrer se não houvesse compromissos agora pela manhã. Tentar dormir foi o maior problema, parecia que todos os meus pensamentos eram jogados para ele.

Mas embora eu quisesse ficar apenas nisso, eu tinha que reorganizar os papéis e continuar de onde parei. Por isso dormi cedo e agora só tenho até amanhã para essa entrega. Coloquei ontem cada rascunho em sua pasta, mas não segui por ordem de história ou de páginas, era por isso que eu deveria acordar cedo. Para ter tempo de reescrever algumas coisas daquele prólogo.

Estava frio, desliguei o ar condicionado. Abri as janelas, deixei o vento invadir o lugar, a brisa era suave, morna. Queria poder ficar ali por mais alguns minutos, mas era preciso me fortalecer antes de começar um dia corrido. Abri a porta para o quintal.

Tirei a camisa e a joguei sobre a cadeira, abri a geladeira, ninguém é obrigado a começar o dia de barriga vazia. E se começou, pode até não ter um bom rendimento, mas isso não importava, muitas vezes comecei o meu dia apenas com um copo de suco, quando eu posso fazer um desjejum apropriado, eu faço.

Não iria fazer tanta coisa, já marcava nove horas da manhã, estava totalmente acordado, só precisava de um bom café. Vejamos, temos pão, queijo, presunto... Não tenho motivo nenhum pra ficar falando todas as coisas. Mas o importante é que eu preparei algo delicioso.

Terminei de comer, coloquei os pratos na pia, voltei pro quarto, peguei todas as pastas e um livro. Na verdade não era nem um livro e sim um manuscrito de alguns capítulos do livro de um amigo meu. Pareceu interessante pelo titulo e se mostrou ser e muito.

Coloquei todas as coisas no chão do quintal, na área da rede, lá tem cerâmica, o que facilita. Peguei um copo de café na cozinha e deite-me, não totalmente para não derramar o café. Comecei a separar algumas páginas em pastas vazias, continuações de histórias. Era necessário fazer isso em qualquer momento. Era o meu tempo de descanso. Era o tempo de separar.

Quando terminei as duas primeiras pastas, só restavam três. Resolvi parar um pouco e ler o manuscrito. Estava no terceiro capítulo, chamava-se “No Coração Do Tigre”, seria uma boa leitura.

A campainha tocou, não estava a fim de me levantar naquele momento. Ela tocou novamente. Desejei que o mesmo fosse embora. Queria apenas descansar um pouco, já estava com as pastas a minha volta, já tinha começado a arrumar tudo.

Recebi uma mensagem assim que peguei de novo no livro.

“Estou na sua porta, mas você ainda deve estar dormindo, passarei mais tarde. By: Will”.

Minha reação foi até mesmo instantânea, corri na direção da porta, ele já estava quase saindo. Sorte? Talvez.

Soltei um sorriso na maior cara de pau antes de falar.

– Desculpa, pensei que fosse outra pessoa. No caso eu nem iria abrir a porta.

Ele olhou meio de lado.

– Quer que eu vá embora?

– Não.

– Pois está parecendo.

Um sorriso sarcástico apareceu no rosto dele. Brincalhão, não importava o momento.

– Idiota! Aproximei-me dele, segurei em sua mão e o puxei para dentro.

Paramos para conversar na sala por alguns momentos, eu não tinha preocupação com as folhas do lado de fora, se chovesse não molharia e se ventasse elas não seriam levadas.

Levantei-me para buscar algo no birô do escritório, tinha muito tempo que eu não mexia nele. Encontrei papéis antigos jogados em uma gaveta, eu deveria ter escritos os mesmos entre os oito e treze anos de idade, a caligrafia borrada, as histórias loucas, os pensamentos longe de casa.

Lembrava-me de um tempo quente ao lado da minha família, de um tempo briguento que o seguiu. Via-me viajando por tantos lugares, em tantos momentos, épocas diferentes, pessoas diferentes, costumes, até mesmo ideologias. Em um texto eu era um renomado escritor, em outro um caçador de dinossauros.

Época linda para uma criança sonhadora. Um grande sonhador era assim que eu podia me considerar. Só existia uma coisa contra isso tudo, os tempos passam. E eles passam depressa. Tão depressa que logo percebi que não estava conseguindo voltar a ter os pensamentos em quem estava do meu lado. Era apenas o passado. Era apenas eu. Sozinho neste mundo. Ao lado da minha família, não era a melhor coisa do mundo, não sinto falta dessa época, sinto falta da inocência que eu tinha.

Lágrimas começaram a se formar em meus olhos, eu as sentia escorrer pela minha face, lembranças, apenas isso percorria a minha mente.

Ele segurou em meu ombro, amigavelmente, não como um colega que conhecemos agora, mas como um amigo íntimo em quem podemos confiar.

– O que você tem? Se não quiser dizer, sinta-se a vontade para isso...

– Tenho saudades.

– De que?

– Saudades de escrever dessa maneira, descontraído, onde podia deixar o vento levar palavras simples e fáceis. Hoje as palavras tomam sentidos menos doces, tornam-se duras e subjetivas, é a nova escrita, é o novo tempo. Desafios, algo que não faz meu estilo. É a alma viva dos meus sonhos.

– Tão fofo, mesmo sendo um ano mais novo que eu. Parece até que já viveu bem mais. – Um sorriso meigo, algo que o deixava sempre irresistível.

Aquele ruivo me tirava do sério, embora não chegassem a ser tantos dias que eu o conhecia, muito pouco tempo pra falar a verdade. Parecia que estava ali para transformar tudo.

Existem pessoas que vem nas nossas vidas apenas de passagem, outras para ficar, e algumas vem parar marcar eternamente cada segundo em que estamos com elas.

Ele com o dedo enxugou uma das últimas lágrimas que descia. Logo após isso ele se aproximou e me tirou o primeiro beijo do dia. Acariciando-me lentamente e fazendo com que o tempo passasse vagarosamente estávamos ali.

Ao seu toque meu corpo parecia que estava para explodir, que estava para morrer sem não o tivesse. Ao seu beijo a necessidade de sempre estar com ele, sempre sentir os seus lábios nos meus. Sempre sentir aquela boca mordiscando levemente em meu pescoço.

Comentei uma coisa simples que parece que o animou.

– Sabe, seu beijo parece nicotina. – Ri meio sem jeito, tentando evitar que ele tivesse ficado constrangido, mas ele apenas voltou com uma pergunta.

– Está me chamando de droga? – Ele fez um rosto de preocupado.

– Não, não estou dizendo isso! – Tentei consertar o que havia acabado de dizer, mas parecia que me faltava tais palavras.

– Pois pareceu... – Ele começou a se afastar lentamente. Segurei em sua mão e o segurei ali. Naquele momento tentei explicar as minhas palavras.

– Eu disse que parecia nicotina, pois estou viciado nele. Só foi um pequeno trocadilho.

Eu percebi que ele estava rindo e não rindo de um mal entendido, ele estava rindo de mim. Virou-se e falou para mim com sua voz suave:

– Eu sei. Só estava brincando com você.

– Seu idiota!

– Somente seu.

Ele me puxou novamente para os seus braços, apertava-me contra o seu peito. O toque suave da sua mão em meus cabelos, os beijos tímidos em meu pescoço. Não sabia muito de como isso teria continuidade. Na verdade sabia sim...

Não era tão fácil de saber, ao toque deixava fluir o sentimento, naquele momento meu coração não mais me pertencia, nem mesmo o dele. Os dois se tornaram um único coração, batendo juntos, sentindo juntos.

Então ele deitou-me lentamente sobre o sofá, seus lábios colados aos meus me faziam perder a noção do que estava para acontecer. Minha mão colada ao seu peito, a sua em minha nuca, recostou-me lentamente. Ele se afastou um pouco, olhou em meus olhos. Um sorriso, uma sensação de alivio, os meus lábios procuraram os dele novamente...

Notas finais
No Coração Do Tigre, é o meu livro que estou escrevendo para lançar. Capítulo alegre e sentimental, gostei :3