Sonhos Escritos
15 Cartas Parte 2
Notas iniciais
Sabe, você já deve ter passado pela situação de ter dormido tarde e mesmo assim acordar muito cedo para sair ou ir ao colégio. Então, essa foi a minha situação na manhã de sábado quando o despertador não tocou, ele simplesmente gritou, esperneou e estremeceu a casa com seu toque irritante.
Com o pouco de coragem que ainda me restava conferi a hora no mesmo. Oito horas em ponto. Já estava no segundo toque da soneca... Deus, que cansaço.
Ergui-me com dificuldade. Parece que estou bêbado...
Meus pés tocaram o chão gelado, um arrepio subiu dos pés a nuca. Baguncei os cabelos como se isso fosse adiantar alguma coisa. E principalmente, meu cabelo é curto demais para fazer qualquer diferença balançar ou não!
Busquei o controle do ar-condicionado sobre o criado-mudo.
Deixaria tudo aberto, eu queria calor, precisava do calor!
Coloquei uma regata e uma camisa preta sobre a cama. Joguei uma bermuda azul e uma cueca cinza... Cinza, seria uma boa cor para impressionar? Espera um pouco... Estou indo tirar a roupar e ficar pelado ao invés de entregar o manuscrito?
Não, então a cor não importa.
Tomei um banho rápido para economizar tempo. Escovei os dentes. Vesti a regata e a bermuda. A cueca e a camisa preta vestiria antes de sair.
Fui até a cozinha, procurei algo para fazer o café da manhã. Não importava o que fosse, comeria sem pestanejar.
Encontrei um prato de praticamente dois dias atrás, um alumínio bem fechado. Abri para verificar exatamente o que se escondia ali e... Meu Deus... Um coração humano!
Mentira, um delicioso prato de lasanha esperava por mim no café.
Coloquei o café para ferver novamente.
Fui ver se havia alguma correspondência enquanto isso.
Encontrei uma carta no correio. Não conseguia entender o motivo de não estar endereçada ou simplesmente estar ali, tão perfeitamente colocada.
Peguei o envelope, abri lentamente. Uma pequena mensagem se estendia.
“Não sei quanto tempo demorará para encontrar. E se levar mais de três dias você realmente é muito desorganizado garoto... Venho através destas poucas palavras agradecer-te. Primeiramente, pelos poucos dias maravilhosos que me proporcionou, desde o primeiro momento que te vi.
Em seguida, pelo fato de você existir, coisa fofa da minha vida.
(TÁ, ISSO FOI UM POUCO DESNECESSÁRIO, MAS QUEM NUNCA FEZ ISSO?!)
E por fim, entrego-te os meus maiores desejos de conquistas e superações. Não estarei ai na manhã de sábado como já sabe, mas, seu sucesso será garantido por você mesmo. Então abra os olhos e não desista!”.
De um certo alguém que se perdeu nos horários de partida...
Parece que não sou o único que leva jeito com as palavras. Abri um largo sorriso ao confirmar que só havia ela naquele pequeno espaço.
Liguei mais uma vez o notebook que estava sobre a mesa e fui procurar pelo pendrive. Levaria para a impressão antes de chegar ao escritório.
Desliguei o fogão. Não tive paciência de fazer um novo café usando a cafeteira. Coloquei em um copo e peguei a lasanha do micro-ondas. Sentei-me na frente do notebook e comecei a passar o arquivo. Assim que passei, decidi dar uma revisada básica.
O despertador tocou novamente, dessa vez do meu próprio celular. Já havia terminado de fazer ambas as coisas. Comer e revisar.
Estava lendo um livro em PDF que encontrei por acaso. Mas precisava me arrumar e sair.
Vesti uma calça jeans. Coloquei a camisa preta. Guardei o pendrive no bolso. Separei o dinheiro da impressão.
Sai de casa tranquilamente. Sem pressa e sem... Celular.
Voltei, nove e quarenta e cinco... Dentro de trinta e cinco minutos estaria atrasado.
A rua estava movimentada. Crianças corriam para cima e para baixo.
– Cuidado menino! – Gritava uma mãe enquanto o filho atravessava a pista com uma bola na mão.
– Olha o feijão-verde! – Passava ao meu lado um vendedor carismático anunciando o seu produto.
Coloquei os fones de ouvido, iria me excluir do mundo.
Depois de alguns minutos cheguei em uma loja que imprimia, e dentro de mais nove minutos que passaram se arrastando, estava saindo da mesma.
Ao chegar na frente do edifício, fiquei parado olhando a fachada .
O tempo pode ser considerado o remédio perfeito, embora ainda tenha as minhas dúvidas se tudo isso realmente mudará na minha “carreira”.
Assim que entrei, a secretaria me fitou com os olhos verdes sempre carinhosos. Abri um sorriso para ela.
– Pode entrar. – Ela disse firmemente.
– Já?
– Sim.
Entrei na sala onde o editor se encontrava, quantas vezes já repeti essa mesma cena, verdadeiramente e ilusoriamente? Estava nervoso pelo fato de ter entrado assim que cheguei.
Ele me olhava como se estivesse esperando por algo elaborado. Disse-lhe um bom dia. E contentou-se em apenas retribuir o cumprimento.
Antes que eu pudesse sentar. Estendeu a mão.
Senti meu corpo tremer.
Não demonstre medo.
Entreguei o prólogo que se encontrava dentro do envelope. Sentei-me, e aguardei. Nenhuma outra palavra foi citada, infelizmente, a tensão aumentava.
As primeiras linhas eram confusas. O que com certeza, deixava muito a desejar...
De maneira rápida e curta, elas começavam assim:
“Ao reter parte de mim, dentro do seu próprio seio.
Ao sacrificar todo o seu passado e luz pelo meu futuro.
Ao herói dos tempos antigos.
E destruidor dos tempos presentes.
A vida em armadilhas destrutivas.
Sinto-me livre enquanto a sua glória de fogo queima todas as árvores e os seus anjos assassinos proclamam a sua “justiça” incontestavelmente. Oh, aquele que clamam por Deus, vinde até mim e mostrai-vos suas mãos.
Pois, em meio a tantos pecados carnais, o maior, é a ignorância.”
A expressão vazia que o Oscar sempre mantinha se desfez como se atingido por um raio. Os olhos prosseguindo rapidamente pelas palavras que considerava importante, em poucos segundos, a primeira página havia sido jogada para o lado oposto da mesa.
– Então, podemos realmente ir sério nessa história? – Perguntou-me após findar a longa leitura.
– Claro, até o dia em que ela se tornar totalmente desinteressante.
– Se algum dia isso ocorrer, não permitirei que a publique...
Meus olhos procuraram o chão.
Está preocupado? Escutei meu próprio coração perguntar.
Toquei o bolso do casaco suavemente. Senti como se houvesse um celular ali. Mas parecia mais frágil.
Lembrei-me então dá última vez que havia usado esse casaco. As pequenas estratégias e o que havia guardado ali. Cartas. Meu último jogo familiar.
No bolso esquerdo, pelo que podia lembrar bem, estava o ás. Naqueles dias pensei que ele seria a carta chave para a abertura de cada naipe. Começaria desembaralhando e cortando as lindas cartas. Embora não imagina-se que ele não faria tanta diferença naquele jogo.
O naipe de copas, seriam a representação perfeita dos meus sentimentos naquela noite fria de inverno, que aquela noite, deveriam estar dormindo tão tranquilamente quanto qualquer criança de seis anos Hoje, eles estão pulando como crianças depois de tomar uma dose excessiva de chocolate no café da manhã.
Talvez fosse por isso que um dos capítulos que tinha guardado naquela pasta se chamasse: o pesadelo das espadas.
Parece meio fraco, contudo tinha que levar em conta todos os fatos por qual já passei antes.
Quando joguei estava com um baralho tradicional, logo os seus naipes eram: ouros, paus, espadas e copas. Também possuía os coringas,não em possessão demoníaca, ai fica pra outro livro, mas não pensarei nesses últimos detalhes.
Se esse fosse um baralho espanhol e correspondesse a quarenta cartas, seus naipes seriam divididos em oros, copas, espadas e bastos. Entretanto aqui não encontramos apenas quarenta, e sim cinquenta e duas cartas, logo se chamariam diamantes, corazones, pique e treboles.
Separei cada um de acordo com o seu nome, depois coloquei a segunda forma sobre a primeira. Parei para observar as linhas finas que se estendiam pelo chão.
Agora, se fosse jogar algo com o baralho ítalo-espanhol, como seria mesmo? Não sou viciado em cartas. Essa é a impressão que passo ao ficar pensando muito em tentativas de inspiração. É a busca pela visão perfeita ou uma nova visão. Acredito que nesse estilo são apenas quarenta cartas com dez valores de cada um dos quatro naipes, supostamente numeradas de 1 a 7, e de 10 a 12, excluindo-se as cartas 8 e 9. Agora, parando para pensar, eu poderia jogar truco, bisca ou até mesmo escopa. E voltando a minha realidade, não sou de jogos assim.
Ri comigo mesmo.
Ele ainda estava lá, parado, me observando, e por um minuto inteiro, havia esquecido desse detalhe. Olhei novamente dentro dos seus olhos.
– O que não é bom para você, pode ser bom para outras pessoas. Se a história for interessante o suficiente para prender cada leitor até o final, com partes chatas ou sem. Um livro é feito dessas duas partes e assim se completam.
Ele abriu um largo sorriso.
– Volte aqui dentro de alguns dias. Quinze, no mínimo. E traga o próximo capítulo. Até lá, não quero ver a sua cara na minha frente novamente. Retire-se e obrigado.
Sai lentamente pela porta, virei-me para trás e dei de cara com a porta fechada.
O que realmente acabou de acontecer aqui?!
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