Sonhos Escritos

11 Certeza de si mesma


Notas iniciais
Nada a declarar... ~.~

Um mês depois


Agora eu posso dizer por experiência própria: vida de artista é muito difícil!

Eu e minha mãe estamos morando há um mês em L.A. e, sinceramente, mudou completamente minha vida. Já comecei a fazer shows, e tenho músicas em português e em inglês. Também ja tenho meus fãs, que aliás, eu fico impressionada com a atenção que eles dedicam com as pessoas que eles admiram, é realmente cativante, me faz querer agradá-los o tempo todo por isso. À um tempo atrás, Naten me falara que as coisas se acalmariam e entrariam nos eixos, e tudo entrou mesmo. No começo foi bem difícil, porque a imprensa ficava em cima querendo saber tudo da minha vida e especulando várias coisas sem sentido, como por exemplo eu ser uma atriz contratada para iludir o Naten e depois dar um golpe nele. Cadê o cabimento nisso!? Realmente eles inventam de tudo. Isso me fez ficar um pouco arrependida da época em que eu falava do Naten sem conhecê-lo. É, viver na pele e aprender filhinha...

A imprensa do Brasil também chegou até a procurar minhas amigas para falarem de mim, e acharam parentes meus que eu nunca tinha ouvido falar... Você fica conhecido e todo mundo é seu parente ...

As fãs do Naten também se acalmaram. Ainda tinham algumas que não gostavam de mim, mas a maioria me apoiou. Muitos dos fã-clubes que aparecem são de fãs do Naten que passaram a ser minhas fãs também, o que sempre me deixa feliz! Minha mãe, a Amanda, o Naten e até o Tom estão sempre comigo, me ajudando em tudo, e hoje é o primeiro show que eu farei em que o Naten irá participar, em Chicago. Estamos em uma casa de show de nome difícil que eu nunca consigo lembrar, e há tanta gente em cima de mim que eu nem sei mais o que é meu braço ou de outra pessoa... Quase não consegui me levantar quando ele chamou meu nome.

_Ali? — Nate falou.

_Ah oi meu amor! Licença gente calma, já já vocês terminam a pintura facial ok? — Falei me desvencilhando da maquiadora e do cabeleireiro. Não sei porque contrataram... Eu gosto de arrumar meu cabelo e maquiagem sozinha... Se fica bom já não sei ...

_É seu primeiro show realmente grande, e eu quero que você comece com isso. — Naten me passou uma gargantilha.

Era prateada e extremamente fina e no pingente havia palavras que eu quase não consegui ler de tão pequenas e delicadas: "Com você e pra você, enquanto eu viver" . Era o último trecho da primeira música que fizemos, quando ele me deu o primeiro beijo. Meus olhos se encheram de lágrimas.

_Mandei fazer pra você hoje. Queria que entrasse no palco segura de si mesma, e de que eu sempre vou estar com você, não só hoje. — Falou Naten com uma voz branda.

_É lindo. — Sussurrei. — Incrível Nate. Eu amei. — Não sabia mais o que falar.

O abracei forte e deixei que o abraço falasse por mim.

_Eu te amo. Não esquece. — Sussurrou ele em português.

Sorri sem pensar. Naten falava em português poucas vezes e só em momentos especiais, o que me fazia enxergar a importância que isso tinha pra ele.

_Eu te amo também. Não esqueça. — Sussurrei de volta no mesmo idioma. Ele me apertou mais.

_Hora de entrar no palco, Lua! — Gritou Amanda da porta do camarim.

Me despedi do Naten e depois falei com minha mãe, que sempre me da um beijo de boa sorte toda vez que vou me apresentar em algum lugar, desde quando viemos morar aqui. Impressão minha ou parecia que eu me quebraria toda de tanto nervosismo? Minha mãe apertou minha mão e depois soltou para que eu entrasse no palco. Na hora em que ela me soltou pareceu que eu iria me soltar toda também, mas outra coisa me segurou: a gargantilha. Estava no meu pescoço junto com a que as meninas me deram. Eu sabia que ele estava comigo, assim como meu pai também estava e minhas amigas também. Recuperei o folêgo e entrei com tudo no palco.

É uma energia tão contagiante, tão envolvente que não há como você não se entregar. O medo estava la, mas era mínimo comparado a sensação de nostalgia que eu estava sentindo. A casa estava cheia, o que me impressionou de imediato assim que subi, mas me fez ter certeza de que eu estava no lugar certo e fazendo a coisa certa. No fim do show, Naten subiu ao palco para cantar a música comigo, e vários cartazes com frases do tipo " Lua e Naten sempre" subiram no meio da multidão , junto com euforia. Todo mundo cantava a música. Não conseguia deixar de ficar impressionada. No final do show Naten desceu comigo do palco.

_Você foi incrível! Nasceu pra isso. — Disse ele extremamente empolgado, segurando minha cintura o tempo todo.

_Fala devegar que eu ainda estou em estado de choque... — Estava pensando se meu coração voltaria a bater normal ou ficaria acelerado até eu morrer. Naten começou a rir.

_Você vai se acostumar, vai ver.

_Tomara.

_Perfeito Lua! Perfeito! — Aplaudiu Amanda, junto com todos os outros que montam o show. — Sucesso imediato! Vocês dois vão ficar pra história!

Estavam todos felizes, mas eu estava mais satisfeita. Pensei que nunca conseguiria, e provar uma coisa pra si mesmo acima de tudo te renova.

_Então, sair amanhã pra comemorar? Você sabe que semana que vem voltaremos pro Brasil e se não for amanhã não teremos outro dia ... — Lembrou-me Naten. Era mesmo! Como é final de ano, eu tinha prometido as meninas que voltaria para visitá-las, além disso os fãs do Brasil estavam reclamando que a cantora brasileira não pisava lá, então definitivamente eu iria e faria alguns shows.

_Claro, amanhã sem falta. — Falei pra ele explodindo de alegria. Naten me inundou com seu sorriso e seus olhos verdes hipnotizantes.


No dia seguinte, alguém estava puxando meu pé da cama. Que legal. Quem é esse demônio?

_Ali, acorda dorminhoca. Temos o que fazer hoje. — Escutei a voz de Naten falar. Ta bom, quase demônio ...

_Saaai. Fui dormir tarde tenho direito de acordar tarde. EI! Quem te deixou entrar no quarto?! — Falei cobrindo a cabeça com o cobertor.

_Sua mãe me deixou entrar, e você foi dormir a mesma hora que eu. LEVANTA! — Falou ele me levantando da cama com cobertor e tudo e me jogando no chão.

_Fala sério vey. — Falei em português.

_Nem vem com seus xingamentos em português. Vou descer e em 10 minutos subo e se você não tiver pronta, vou te jogar um balde de água fria. — Falou ele enquanto abria a porta do quarto pra sair.

_Quem se arruma em 10 minutos são mendigos. — Resmunguei, me levantando.

Vesti um short de cintura alta, uma camiseta preta, blusa dourada transparente por cima, sapatilha preta e desci do meu quarto com a sensação de cara inchada mas nem liguei. Naten sempre fazia isso comigo ...

Compramos uma casa bem maneira, com móveis bem diferentes. A casa é bem grande, e fiz questão de deixar meu quarto aqui bastante parecido com o meu quarto do Brasil. Me faz sentir mais em casa.

Cheguei na cozinha e Naten estava lá, devorando o brigadeirão que minha mãe fez.

_Isso é muito bom, na moral. — Naten adora as comidas que minha mãe faz, principalmente as sobremesas. E pegou totalmente o 'na moral' que eu costumo falar...

_E isso não é hora de comer isso. — Disse pegando a bandeja e levando de volta pra geladeira. — Cadê minha mãe?

_Está la fora, e são quase 11 horas Ali!

_E?

_Chata... E linda. — Disse ele enquanto eu tirava o suco da geladeira.

_Nem vem bajular. Você me acordou. — Falei em tom falso de deboche. Naten se aproximou de mim e me deu um abraço por trás.

_Seria bajulação se fosse mentira. — Ele puxou meu rosto pra o lado e deu um beijo na minha bochecha.

_Uhum. — Disse eu bebendo o suco. E de repente Naten tirou o copo da minha mãe e soltou na bancada. Nem me deu tempo de falar nada. Ele me virou e me sentou na bancada, de frente pra ele. Depois puxou meu rosto e me deu um beijo daqueles que não te da tempo de respirar, que te deixa totalmente ofegante.- Minha mãe ta la fora. — Falei com dificuldade depois do beijo ofegante. Naten nem me ouviu , continuou a beijar minha orelha. — Golpe baixo. Vai deixar eu descer se não, não saímos daqui hoje ... — Ele balançou a cabeça em positivo e me colocou no chão outra vez. — Pra onde vamos hoje?

_Surpresa. — Disse ele com aquele sorriso torto que sempre me deixa sem ação. Medo.