Sonhos Em Série
2 Capítulo 2 - O Pesadelo Começou
Então Marine caiu num sono bem profundo, estava tão cansada que nem a TV conseguiu mantê-la acordada. Logo ela se deparou com um sonho, numa sala escura e onde podia se ouvir vozes ecoando por todo lado. Depois de alguns segundos surgiu uma sala com portas espalhadas por ela, mas não eram portas comuns, algumas amarelas, verdes e azuis. Não demorou até Marine se aproximar de uma das portas e notar que ela possuía um nome cravado nela: “Ira”, e não só nesta porta, mas em todas as outras também, mas antes de conferir o resto ela despertou rapidamente, como se tivesse tido um susto:
- O que foi isso agora? Que pesadelo tosco, Ah! Não faz diferença mesmo...
Como ela estava conformada com o pesadelo, se dirigiu até o banheiro, lavou o rosto e decidiu comer um pouco. Não queria nem sair de casa com medo de que tudo acontecesse de novo, então passou seu dia vendo os programas da TV até a hora de se preparar para dormir. Escreveu sobre seu sonho no diário e o recolocou no criado-mudo e logo pegou no sono, mas o inacreditável é que ela conseguiu voltar ao mesmo sonho, no mesmo lugar e na frente da mesma porta. Ela hesitou um pouco, mas depois abriu a porta de nome “Ira” e dentro ela viu todos os momentos de ira e raiva vivenciados por ela, como das pessoas próximas a ela e até de quem ela não conhecia. Era um tormento este local. Marine podia ouvir os gritos das pessoas furiosas sentindo como se os berros de ódio se dirigissem completamente para si mesma, e podia ver também a cena que se passou há alguns dias atrás, onde foi estuprada pelo homem de antes e a ira que emanava dela por não se defender naquele momento. Aquele pesadelo era real demais para se julgar uma simples fantasia, não suportando a gritaria colocou as mãos tapando os ouvidos e correu por aquela sala sem direção, já que estava tudo escuro e em sua correria tropeçou em um objeto. Então sem razão nenhuma os gritos e berros pararam, Marine ficou sem saber por que. Pasma com o que estava acontecendo se levantou e viu o tal objeto que provocou sua queda, uma rocha ali no meio do nada daquela sala, a moça aproximou-se da rocha e notou uma inscrição nela, a qual começou a ler:
- “Procuramos lugares perfeitos...”, só isso? O que raios significam essas inscrições aqui, no meio do nada? Será isso a resposta para esse pesadelo, há alguma resposta para me libertar desta prisão? Talvez o segredo esteja aqui mesmo, na minha mente e nos meus sonhos! Isso!
Chegando a uma possível conclusão Marine acorda daquele sonho com uma possível esperança de ser livre novamente. Assim que se levantou tomou seu diário em seus braços e escreveu tudo o que aconteceu, porém ela não esboçava um sorriso sequer, não estava feliz, não tinha certeza do que ia fazer mesmo, e a confusão estava tomando ela:
- É tão fácil quando temos que escolher uma dentre tantas opções! Mas porque quando temos que escolher entre apenas duas é tão difícil! – exclamou Marine já irritada.
A moça não sabia o que fazer, então passou o dia inteiro nessa indecisão do que fazer com os sonhos e encobrindo as lágrimas ela decidiu que não podia sair dali e a solução era mesmo continuar com os pesadelos para poder encontrar respostas com tudo o que estava passando ali. Então fez questão de comer um pouco antes de dormir e foi para a cama, mas não conseguiu adormecer, levantou da cama sem sono e foi para a varanda lentamente. Já ali de pé na varanda do apartamento viu todas as luzes da cidade ofuscando, mas como em toda a cidade grande não pôde ver o brilho das estrelas. Fechou os olhos e chorou, provavelmente com a lembrança de algum momento bom de sua vida que carregava no coração, porém não custou muito até que a arruaça dos bêbados e vadios de Anzol Vermelho começasse a aumentar. Com tanto barulho Marine se assustou e correu de volta para o quarto, mas se machucou com a porta da varanda, bateu o joelho com muita força e acabou por caindo na sala. O joelho machucado sangrando espantou a moça, que correu até a cozinha onde ela guardava numa caixa gases e esparadrapos, pomadas, comprimidos, entre outros materiais.
Ela sentou em sua cama então exclamou em prantos:
- Por que esta acontecendo tudo isso? Por que comigo droga! Já basta o que eu passei e tudo o que perdi na minha vida que esta a mercê de uma sorte medíocre onde o pior pode acontecer!
Deitou-se ali e virou para a parede, não conseguiu pregar o olho nem um segundo sequer. Acendeu as luzes do quarto e ligou a TV. Já era ali a quarta hora da madrugada, e continuou os seus lamentos, porém ela sabia que tinha uma tarefa a fazer e que dali não sairia com mágica, sabia também que estava sozinha no mundo e que ninguém poderia ajudá-la naquele momento.
Como não conseguia mais dormir se levantou enxugando as lágrimas na gola de sua blusa. Foi ao banheiro lavar seu rosto e voltou até a varanda com uma maçã que havia pegado na cozinha. Sentou ali no chão mesmo, onde ninguém podia vê-la, mas ela podia ver todo mundo que passava pela esquina da rua. Comia a maçã e observava, até que ela notou uma briga se formando e focou sua atenção nela. Em poucos minutos uma multidão se reuniu ali gritando ou comentando cochichando um nos ouvidos dos outros, então Marine voltou para seu quarto:
- Bando de animais — Disse a moça — Parece que não tem mais o que fazer de suas vidas desgastando-as nessas idiotices.
Então voltou, enquanto terminava sua frase.
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