Sonhos Distorcidos

10 Capítulo 09 - Tarzan perdido na selva


Notas iniciais
Oi gente, desculpa a demora do capítulo, estava sem tempo para escrever e um terrível bloqueio criativo (grande hora para ter um).
Como vocês vão ver nesse capítulo, eu estou lendo Jogos Vorazes, então já viu nè? kkkkk
Espero que gostem e compense os dias sem capítulo.

Sakura assassinava sua décima barra de chocolate daquela manhã, mas engolia o doce mecanicamente e arrumava o disco redondo com o número 13 gravado nele no bolso da camisa, do lado esquerdo.

Todos estavam em uma das campinas do acampamento e praticamente tinham madrugado ali, pois todos foram jogados da cama, literalmente.

Hoje é o primeiro dia de atividades do acampamento e pela cara de sono e os bochechos ritmados dos adolescentes, todos estão preparados para o que der e vier. O que Sakura acha que dependendo do que vá acontecer, tudo vai se resumir em uma única palavra: massacre.

Ela olhou mais uma vez para todos e voltou sua atenção para as instruções da professora Anko – a professora que adora vestir fantasias, hoje ela esta vestida de policial –, que estava com um sorriso enorme estampado nos lábios com batom vermelho-queimado. Pelo visto só ela estava feliz às seis da manhã.

Ela andou por todas as fileiras que todos foram obrigados a fazer e estava semelhante ao exército. A mulher fez questão de avaliar cada um com seus enormes e sádicos olhos de um castanho-arroxeado incomum. Voltou a ficar de frente para todos, colocando as mãos nos quadris avantajados e disse:

– Muito bem, vermes, agora vamos a nossa primeira prova – o sorriso dela se aumentou ainda mais, quase sendo uma imitação perfeita do sorriso do Coringa. – Para começar, vamos fazer uma competição de corrida e resistência, em duplas, daqui até a praia do outro lado acampamento – ela disse, mostrando com o auxilio de um mapa enorme.

A distância era enorme. Não tinha como alguém conseguir fazer isso. É praticamente uma maratona de Nova Yorque até Los Angelles. Levara dias, anos, décadas, só para conseguirem. Isso é, contando que sobrevivam.

– E a melhor parte. As duplas usaram um acessório cada uma, que gosto de chamar Laços da Eternidade.

O que ela se referia a “Laços da Eternidade” não passava de algemas felpudas com uma corrente um pouco mais alongada que a tradicional. Aquilo é acessório de sexy shop, não para corrida.

Todos estavam chocados com aquilo. Correr tudo aquilo e ainda algemados. Poderia ficar melhor?

– No caminho vocês vão encontrar alguns utensílios que o ajudaram a percorrer todo o caminho, desde garrafas de água até patins especiais, mas tudo isso só vai valer para os primeiros da corrida, por tanto, sejam o mais rápido que puderem vermes.

Disseram a todos para procurar o campista com o número semelhante ao seu. Para a total surpresa de Sakura seu parceiro seria um certo ruivo por quem ela esta loucamente xonada. O que não poderia dar certo. Só os dois. Correndo pela floresta. E ainda por cima algemados. Isso não é coisa que se faça, é muita provocação e tentação para uma pessoa só.

Um instrutor foi dado para cada dupla e eles os ajudam a traçar um plano para correrem na floresta e poder ganhar. Sempre ressaltando os perigos que o mato poderia oferecer a todos e indicando para que não comessem absolutamente nada da floresta, uma frutinha errada e você sai do acampamento em um saco preto para o necrotério. Ótima forma para acabar o acampamento.... e sua vida também.

O instrutor de Sakura e Sasori se chama Gai, um homem muito espirituoso – até demais –, com um corte de cabelo ridículo em forma de tigela e uma roupa verde colante de mais para o gosto da rosada. Aquilo sim é que dava pesadelos só de olhar.

Ele explicou tudo que eles tinham que saber e respondeu suas perguntas. Sempre terminando uma frase com “o poder da juventude” ou “queime essa chama de juventude dentro de vocês”. Tirando alguns movimentos estranhos e constrangedores – o que a roupa colante só ressaltava –, ele é um bom homem e pelo que ouvirá, ótimo professor de dança.

O som de um tiro foi ecoado por toda campina e todos viraram sua atenção para Anko segurando um revólver para o céu. Já eram sete e meia. Hora de começar a corrida.

Gai desejou boa sorte a eles e colocou as algemas no pulso de cada um.

Isso esta parecendo Jogos Vorazes. Vamos ser sacrificados e só um será o vencedor. Ai-meu-Deus, pensou Sakura histérica mentalmente.

– Isso é loucura – sussurrou Sakura para o ruivo ao seu lado.

Essa foi à primeira palavra que os dois trocaram desde que viraram uma dupla.

– Sempre é. Essa é a graça – replicou ele com um sorriso de derreter geleiras no Pólo Norte e Sul.

A rosada já tinha comido todas as suas vinte e cinco barras de chocolate, mas seu organismo necessitava de mais açúcar. Estava ansiosa demais, quase com as pernas tremendo.

– Calma – disse Sasori pegando no ombro dela. – Tudo vai ficar bem, é só uma corrida, nada mais.

Bem, não parecia, mas ela o agradecia pela tentativa de passar algum conforto, mesmo que ele próprio esteja ansioso e não demonstre.

Todos foram postos atrás de uma linha vermelha pintada na grama e assim que Anko atirou mais uma vez todos começaram a correr.

A princípio todos estavam seguindo em linha reta e o pódio do primeiro lugar estava acirrado, mas depois alguns minutos de corrida as equipes se dissiparam para outros caminhos; executando seus planos.

O plano de Sakura e Sasori é básico; continuar em linha reta até alcançar o primeiro utensílio e depois rezar para ganhar. Foi tudo isso que Gai conseguiu pensar em meia hora.

Em meia hora correndo em linha reta não tinha mais ninguém a vista, todos tinham ido em uma direções diferentes das deles, provavelmente com um plano melhor do que o seu.

– Eu acho que a gente deveria fazer um caminho diferente – sugeriu Sakura meio ofegante.

– Não. Eu acho melhor seguir o plano – respondeu Sasori sem olhar para ela.

– Mas estamos muito expostos correndo em linha reta, além do mais, quem garante que os utensílios estarão em linha reta e não em outro lugar?

O ruivo ficou em silêncio por um tempo, ponderando as dúvidas do colega. Ele tinha razão, e ele sabia disso também, pois já tinha pensado em traçar outro plano.

– Não. Vamos ficar em linha reta, Chay. Esse foi o plano que nos foi dado, vamos segui-lo.

Pela primeira vez na vida Sakura queria sufocar Sasori com a corrente da algema. Que garoto teimoso. Bem, se ele é teimoso ela é dez vezes mais.

Ela parou bruscamente no lugar, ficando como um burro empacado. Sasori foi para trás com um puxão da algema e quase caiu no chão de bunda. Ele parou de frente para ela e ficou encarando sua carranca de brava.

– Vamos continuar Chay, a gente vai perder.

– Pois então que perca, pois não vou sair daqui até trocarmos de caminho – fez um bico enorme e cruzou os braços na frente do peito.

– Para de dar uma de garota logo agora – suplicou Sasori.

Aquilo só fez o sangue da rosada ferver mais e se sentir insultada, mesmo sendo uma garota, ser chamada de garota mimada logo agora era praticamente um xingamento e foi assim que ela interpretou.

Sem dizer uma palavra, ela deu alguns passos para dentro da floresta, para que pudesse ser escondida entre os enormes pinheiros, mas Sasori continuou no lugar.

– Nada disso, a gente não vai entrar, vamos ficar na trilha – ele disse puxando a corrente e fazendo-a recuar.

Antes que Sakura fosse arrastada para trás pelo impulso que as correntes exerciam, ela conseguiu vislumbrar uma coisa de um laranja gritante a mais ou menos três metros deles.

– Espera, acho que achei algo – disse toda feliz.

O ruivo se aproximou da onde ela estava antes e viu a mesma coisa laranja gritante. A felicidade não podia ser contida. Eles estavam com fome e morrendo de sede, aquilo era mais uma doce ilusão de Oasis no deserto do Saara.

– Você sabe que pode não ser, não é? – informou ele se virando para ela.

– Claro que sei, mas não ir conferir é burrice.

– E se for uma armadilha de outros campistas, eles adoram fazer isso para atrasar os outros.

– Isso aqui é os Jogos Vorazes? Meu Deus, que tipo de acampamento eu vim parar? Credo! – ela começou a caminhar por entre as árvores, entrando na floresta. – Bem, se for uma armadilha, sejamos cautelosos então – disse sob os ombros pequenos.

Sasori não conteve um sorriso, nunca tinha visto Chay em seu estilo Indiana Jones, e era até engraçado, como se ele tivesse há muito tempo frequentado florestas.

– Muito bem Tarzan, se algo acontecer à culpa é sua por ser tão teimoso e mudar o plano.

– Pode deixar, Jane – disse sarcástica.

Sakura se viu em uma situação muito estranha, nunca tinha agido assim com ninguém, bem, exceto o próprio irmão gêmeo e Mio, e agir assim com Mozart é estranho. Ela sempre foi o amigo engraçado, mas nunca se mostrou demais, agora, mesmo vestido de Chay, ela se sentia mais Sakura do que o papel que tinha que atuar.

Os pinheiros faziam uma ótima camuflagem e impedia a visualização de qualquer outro campista, infelizmente, para eles não era diferente. Se tivesse alguém se escondendo eles também não conseguiriam notar, mas Sakura já passou muito tempo na floresta com seu irmão e os outros amigos brincando de Mundo Perdido e Tarzan, aquilo era como voltar na infância.

Aquilo que ela viu da trilha na cor laranja gritante era uma mochila de acampamento e parecia bem recheada. Seu primeiro utensílio. Isso a deixava muito feliz consigo mesma.

A uma distância razoável da mochila os dois se esconderam atrás de um grosso tronco de pinheiro e observaram a mochila em cima de uma pedra lisa. Aquilo estava muito estranho, cheirava a armadilha de longe, mas os estômagos dos dois roncaram alto como uma sinfonia e a sede era tanta que não tinha mais nem cuspi para engolir, a língua de Sakura estava parecendo que tinha bebido areia, o que significava insolação e falta de água no corpo.

Se pelo menos esse sol não estivesse tão alto, ela pensou olhando para cima, mesmo com os enormes pinheiros da floresta eles não impediam que os raios de sol se esgueirasse pelos cantos e deixasse o clima parecendo o de uma sauna ligada.

– Tem alguma coisa errada aqui – disse Sasori.

– Também senti isso, mas precisamos daquela mochila, pode ter comida e água.

– É muito arriscado Chay.

– Você não esta com fome e sede? – ele nada respondeu. – Foi o que eu pensei. Vamos.

Dizendo isso ela saiu de trás da proteção do tronco e começou a correr como uma louca, com Sasori há seguindo um pouco mais atrás. Sakura conseguiu alcançar a mochila sem que nenhuma rede ou qualquer outra armadilha fosse acionada, mas assim que agarrou a mochila como seu bem mais precioso ela continuou correndo em linha reto, o que foi seu maior erro. Depois da pedra onde a mochila se encontrava o terreno começava a cair drasticamente e Sakura foi com tudo, levando o ruivo com ela.

Eles começaram a rolar morro abaixo em uma velocidade muito grande, batendo em plantas, arbustos e galhos tão afiados como um estilete. Eles não sabem por quantos minutos caíram aquele despenhadeiro, mas quando se viram em um terreno plano outra vez os dois estavam quase enroscados um no outro por causa das correntes.

Os dois se viram a margem de um rio de água de um verde cristalino e límpida. Tinham se afastado de mais da trilha e agora estavam em uma clareira repleta de salgueiros chorões.

Sasori desenrolou as correntes e sentou-se no chão, ao lado de Sakura, que ainda abraçava a mochila como se fosse parte de seu corpo.

– Toma, eu consegui proteger a mochila com meu corpo – ela inclinou a mochila para ele que pegou.

– Não precisava fazer isso. Olha como você está machucado – ele estava se referindo ao rosto todo arranhado e a roupa que estava rasgada m alguns pontos.

– Nada disso. Foi por causa dela que rolamos e estamos aqui, nada mais justo que proteger a mochila.

– Eu disse, Tarzan, aquilo não estava cheirando bem.

– Bem, agora já foi. Temos que continuar.

Ela passou a mão nas roupas espalmando a poeira, a terra e as folhas alojadas, depois tentou ficar em pé, mas uma dor aguda em seu tornozelo esquerdo a fez cair de bunda de volta ao chão.

– O que foi? – perguntou Sasori se agachando para ficar na mesma altura que ela.

– Acho que temos um grande problema – informou ela, massageando o tornozelo.

– Qual?

– Torci o tornozelo.

Notas finais
Então gostaram?
O acampamento vai ficar bem mais confuso agora - já era - e só quero ver o que vai acontecer agora, você não?
Por favor, deixem um comentario se valer a pena
Beijinhos *-*