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- Eu aposto que voce nao tem coragem de fazer isso. – O homem ruivo sussurrou para a jovem mulher, que andava de maneira regia. Quando ela virou a cabeça, ele sorriu inocente.

- Ryuuji, quantos anos você tem? Vinte e dois, doze ou dois? — ela o olhou de maneira desdenhosa

- Com certeza apenas um a menos que você. – ele colou sua boca na orelha dela, para sussurrar. – Um mil anos a menos, obaachan.

- Como um homem pode ser tão forte e audacioso em batalha... E tão estúpido e infantil fora dela? – a hime questionou, continuando a caminhar, sem prestar muita atenção nele.

- É muito simples. É só BRINCAR usando camisinha, que não fico com responsabilidades, nem levo broncas do tipo que você está se encaminhando para levar.

- Quem disse que eu estou indo levar uma bronca? Estou indo fazer uma pipa com os meus filhos, isso sim.

- Hime-sama? — um homem com cerca de quarenta e cinco anos, cabelos levemente grisalhos colocou-se a sua frente, fazendo uma mesura.

- General Fujioka. – a hime curvou-se levemente. – o que o senhor deseja? – ela perguntou com um doce sorriso.

- Seu bisavô deseja falar-lhe por alguns momentos.

- O que o meu filho fez dessa vez? – A mulher perguntou em um suspiro. Se fosse uma pessoa impaciente, ela já estaria gritando o nome do filho caçula. Mas, conhecendo o homem ao seu lado, a muitos anos, ela sabia que primeiro teria que bater no ruivo, antes de por-se a caminho de encontrar o menino.

- Hime-sama... Seu bisavô deseja falar-lhe por alguns momentos. – o general repetiu o pedido do imperador... Ou melhor, a ordem do mesmo. Ninguém, a muitos anos, contrariava o imperador... Mas, desde que a mãe da jovem a sua frente, pusera-se em seu caminho, o imperador aprendera o significado da palavra “insubordinação”.

- Onde ele se encontra? – a hime pediu, já resignada. Odiava quando Ryuuji tinha razão.

Ryuuji Nagatsu teria resmungado um palavrão, algum dos inúmeros que aprendera com seu pai de criação, se o olhar do general Fujioka não estivesse fixo nele... E os ouvidos muito alertas.

- No salão de conferencias.

- Qual deles? – A hime pediu, fazendo uma breve lista mental das enormes salas que seu bisavô utilizava para conferencias.

- O de paredes azuis.

- Daqui a pouco irei até lá. – ela falou com doçura.

- Perdoe-me, hime-sama, mas o seu bisavô disse imediatamente.

A hime tinha em suas mãos varias tiras de papel de seda, que passou para o chefe de sua guarda. Pelo visto, a pipa que se propusera a construir com os filhos teria que esperar.

- Có, có, có... – Ryuuji falou, muito baixo.

- Ryuuji!

Ryuuji piscou os olhos, de maneira que, quem não o conhecia, sabia que era perfeitamente inocente. Agora, para ela...

- O que? Aposto que se você tiver coragem, eu pago uma tigela extra grande de lamem para você. Caso contrario, é você que vai fazer isso.

- Considerando que você TRABALHA para mim e que eu pago o seu trabalho... Eu vou pagar de qualquer jeito! – ela terminou, começando a se irritar.

- Có, có, có... – ele repetiu.

Ela o olhou zangada, antes de virar para frente, observando o general Fujioka, que, antes de entrar em uma sala, a encarou por momentos. Uma expressão de aborrecimento, estava claramente ali. Quando o general desapareceu de sua vista, ela, num impulso absolutamente infantil, mostrou-lhe a língua.

- É esse o espírito da coisa! – Ryuuji bateu levemente no ombro direito dela. – E agora, vamos lá enfrentar o bode velho e fedorento!

- Vamos lá nada. Você vai ir ver onde estão os meus...

A hime parou de falar, quando uma mulher passou correndo por ela, gritando, toda coberta de tinta verde. Ryuuji deu espaço para ela passar, tanto a hime quanto ele ficaram olhando a mulher desaparecer na curva do corredor, sem dizer uma palavra.

- Quem era essa mulher?

- Se eu não me engano... Era a nova babá dos seus filhos.

A hime então suspirou.

- Ryuuji, você pode ir pegar as crianças no jardim... Leva-las até o quarto e faça-os arrumar as malas? Dentro delas, apenas escova de dentes, pasta, pente... dois pares de sandália... umas três cuecas, dois calções e duas camisetas.

- Isso quer dizer que finalmente você vai envia-los para um orfanato, sem passagem de volta?

- Ryuuji, não me dê idéias. Eu sou capaz de aceita-las...

Sonhos de uma ruiva sonhos de uma ruiva

Pelo visto, a lendária paciência da hime do Pais das Aguas, chegara ao fim... E a fúria da mesma, não pouparia ninguém. Depois da reunião com seu bisavo, ela fora ate o quarto dos filhos... E perceber que, ao inves de estarem arrumando suas pequenas malas, conforme sua ordem, os três estavam mais interessados em continuar a baderna, ela estourara...

O resultado era três criancas que ficaram aterrorizadas, com os traseiros quentes, após uma boa sova, aplicada com a sandália de borracha que a mãe havia tirado dos pés e um silencio absurdo, quando ela caminhando com passos firmes, puxava os filhos para longe do palácio imperial.

O fato da mulher estar vestida conforme as plebéias, deveria ter sido um indicio que ela planejava algo. Seu fiel escudeiro, Ryuuji, geralmente seria o primeiro a saber dos seus planos. Porém dessa vez, ela apenas lhe dissera, com os olhos chispando de raiva, que o copo finalmente enchera.

Quando as crianças reconheceram o caminho pelo qual a mãe os incitava a ir, não deixaram de ficar contentes, embora se mantivessem em silencio. Afinal, provocar a ira da mãe, logo depois de terem levado uma surra, não era exatamente uma atitude que eles considerariam inteligente...

Embora fizessem varias pequenas pausas, para descanso e alimentacao, quando o dia anoiteceu, eles estavam exaustos. Por quatro dias, essa rotina se seguiu, mesmo assim, eles chegando no seu destino apenas quando a noite estava fechada.

A hime carregava Nika, enquanto Ryuuji tinha os meninos sobre os ombros. A hime sorriu, na entrada da vila, que era o seu destino.

Estava em casa. Esse era o único pensamento que ela conseguia nutrir. Sorrindo um para o outro, eles se aproximaram de uma casa, cujas luzes estavam acesas.

Aconchegando a filha, que dormia a sono alto, a hime bateu, esperando ser atendida, coisa que não demorou muito.

A adolescente a sua frente, franziu o cenho, encarando a hime.

- o que vocês estão fazendo aqui? Não deviam estar no palácio?

- A gente veio verificar se vocês ainda tem um resto do segredo da fonte do seu poder. – Ryuuji falou, ajeitando Fu, que esperneava para ir ao chão.

- Desde quando que se é recusado uma tigela de lamem, para os meus pestinhas favoritos? – uma mulher ruiva, de aproximadamente cinqüenta anos aproximou-se.

Fu e Touya sorriram, ante a aparição da mulher.

- Madrinha! – eles falaram juntos, ambos agora tentando se libertar.

- Mãe, será que a senhora tem algumas camas sobrando? – Ryuuji pediu, com um sorriso.

- Depende do quanto esses pestinhas comerem. Se limparem a tigela de comida e mais toda a louça, podem dormir na minha casa, hoje. Senão...

- Vamos ter que dormir na casa do padrinho? Quero dizer oi para a Amor! — Fu falou empolgado.

- Vão dormir com as cabras isso sim! – a mulher falou, fazendo cara zangada. – E vão ter que dar beijinho nos bodes que não conseguem dormir sem isso!

Sonhos de uma ruiva sonhos de uma ruiva

- Entao, o que foi que aconteceu? – Moka Nagatsu Uzumaki, mãe de Ryuuji pediu, vendo as filhas do meio andarem enquanto arrumavam as camas para as visitas inesperadas.

- O copo encheu. – a jovem falou simplesmente, examinando a sola de seus pés, que estavam cheias de bolhas. – Só isso.

- Só isso? Eu já vi você aturar muitas coisas com relação ao seu bisavo. O que foi que ele disse, dessa vez, para o copo encher?

A hime tinha os olhos fixos nos pés, quando de supetão encarou a madrinha. Confiava nela como confiaria em sua mãe. Moka, teve por um instante, uma sensação de já ter vivido aquela cena...

- ele quer tirar meus filhos. Quer meus meninos em escolas militares... E separados. Só quer segurar Nikka, por ela ser a mais velha.

- Bastardo. – o xingamento de Moka saiu mais rápido,que ela conseguisse refrear a língua. – Desculpe.

- Não se preocupe, madrinha. Eu o chamei, para começar de bode velho arrogante e fedorento. – a hime fez uma cara assustada, verificando se alguma das jovenzinhas haviam escutado o seu desabafo... ou pior, algum dos seus filhos. Ela sempre exigira que os três respeitassem o trisavo.

- E o que você pretende fazer? – Moka meio que sorriu com os elogios dados pela jovem de olhos azuis a sua frente.

- Basicamente? Hoje, quero botar a cabeça na minha velha cama, dormir abraçando meu travesseiro... Amanha, ir para a casa que o marido mais doce do mundo construiu para mim, limpar ela... Mandar um aviso para ele, que estou aqui...

- E?

- Vocês estão precisando de gente na lavoura, não é? Eu ainda sei segurar um arado! Posso muito bem tirar leite, também e...

- Quanto tempo menina, você acha que vai agüentar trabalhar no campo?

- Se meus filhos estiverem junto comigo... O resto da minha vida, se necessário.

Sonhos de uma ruiva sonhos de uma ruiva

O imperador, homem velho, cheio de manias, olhou de maneira arrogante para o quarteto a sua frente. Torceu a boca, antes de falar, cheio de desdém.

- Konoha, não é? Eu pensei que vocês produzissem ninjas mais fortes e inteligentes!

- Eu nasci e me tornei gennin de Konoha, porem não sou ninja dessa vila a muito tempo.

O garoto, na opinião do imperador, falou de maneira arrogante. Ele parecia-se muito com o outro... O imperador, sentado na cadeira olhava para ele. Ele não devia ter muito mais que a idade do seu outro bisneto, aquele que havia morrido poucas horas depois de konoha ser invadida.

- Muito bem. Vocês tem uma missão muito simples. Ir até a vila, pegar meus bisnetos e, leva-los até as academias que eu escolhi. Me interesso em ter perto de mim apenas a menina.

- Vamos ter que fazer algo alem disso?

- Podem matar todos os cabeça de fósforo que encontrarem na vila. Não me interessa nenhum pouco que eles...

O homem idoso começou a tossir, parando apenas vários minutos depois.

- Não me interessa que eles venham atrás de mim, querendo vingança.

- Assim será feito.

Sonhos de uma ruiva sonhos de uma ruiva

a hime sentou-se ao lado da jovem que atendera a porta, sorrindo quando a ruiva deu um pequeno pulo de susto.

- Pensando no Makoto? – pediu com um sorriso, que a outra demorou alguns instantes para responder.

- Não. Por que deveria?

- Ele não é seu namorado?

A jovem ficou estranhamente quieta, fazendo que a hime a encarasse com firmeza.

- Bem... longe do meu pai ele é.

- O seu pai ainda implica com ele?

-- Nem fala. – A menina espichou as pernas, encarando algo mais a frente. – Sussurre Makoto e o gênio Uzumaki resplandece no meu traseiro.

- O que aconteceu? – a hime ficou curiosa. Aquela jovem, a sua frente, não era muito dada a divagações.

- Você não vai rir se eu contar.

— Quero que o seu irmão apareça sendo perseguido por abelhas se isso acontecer. – a hime falou seria. E menina, hesitou por vários minutos, antes de começar a falar.

Alguns dias antes de você voltar... nós fomos até o pais das águas, entregar uma parte do feijão. Estavamos na feira, Makoto e eu havíamos combinado de nos encontrarmos... – ela parou para puxar fôlego. – então eu escapei do papai, para... você entende.

E como entendo. – A hime sorriu. – então? O que foi que aconteceu?

Eu esbarrei em um baka. Quando eu me virei para pedir desculpas, ele fez a maior cara de...

Se for cara de pervertido, tomara que você tenha quebrado ele em dois! – a hime sorriu. O gênio esquentado do pai era partilhado por ela e aparentemente, pela segunda irmã dela.

Não! – a jovem saltou de pé. – ele fez a maior cara de ofendido e me mandou cuidar por onde andava. Daí eu disse o mesmo... Chamei ele de rato anêmico e...

A hime, para não faltar com a sua palavra, comecou a tossir. O olhar mais que zangado, da menina fez que a outra parasse.

E o que?

Bem, eu acabei enfiando um soco no estomago dele.

Ele deve ter merecido, não se preocupe. – a hime tinha que sair logo dali, antes que começasse a rir.

Isso não foi o pior. – a menina acabou deixando escapar.

Não? O que foi o pior?

Quando percebeu que tinha dito, a adolescente balançou a cabeça.

- Esquece.

Depois que você me contar... ou prefere que eu chame o Ryuuji? Nós fazemos uma dupla imbatível para interrogar as pessoas, sabia?

A adolescente sabia perfeitamente. Lançou um olhar zangado para a hime, antes de sentar-se.

Eu não consigo deixar de pensar nele.

Que coisa meiga... – a hime falou, os olhos brilhando.

- O Ryuuji não pode saber disso, entendeu? E nem o papai!

- Eu não sou linguaruda. – a jovem que escutou a confissão exibiu um largo sorriso, antes de passar a uma expressão pensativa. – mas isso agora me deixou com uma duvida.

- Qual? – a outra se interessou em saber.

- Alem de K.U., que são as iniciais de Kushina Uzumaki, que é o seu nome... quais as outras letras que eu tenho que bordar nos lençóis do seu casamento?

- AH, NÃO! PODE PARAR AÍ! EU NÃO VOU ME CASAR COM NINGUEM! – A jovem Kushina levantou-se exaltada. – E MUITO MENOS COM UM RATO ANEMICO!

Ignorando totalmente a expressão assassina da outra, a hime riu.