Sonhos De Natal.

1 Capítulo único.


Notas iniciais
Reviews são bem vindos :) espero que gostem.

― Isso é absolutamente necessário? ― Reyna perguntou enquanto segurava a escada.

― Absolutamente! ― Jason respondeu alguns degraus acima.

Embora Reyna não pudesse ver seu rosto, ela sabia que o garoto estava sorrindo.

A pretora bufou, seus dedos começavam a ficar dormentes.

― Eu não entendo, ― admitiu ela ― se nós adoramos os deuses, porque comemoramos o natal?

Jason terminou de pendurar a última lâmpada. Ele riu, claramente satisfeito com seu trabalho, e desceu a escada.

― Porque é uma tradição. ― disse ele, depois de tanto tempo que Reyna quase havia se esquecido do que estavam falando ― Uma tradição que, me orgulho em dizer, fui eu quem trouxe ao Acampamento Júpiter!

Reyna levantou uma sobrancelha. Aquilo era novidade.

― É mesmo?

Todo ano, Jason insistia em iluminar cada canto do acampamento e de Nova Roma com luzes de Natal. Ele até mesmo colocava lâmpadas na maior árvore da cidade, porém esta era acesa apenas na véspera de natal. Uma tradição, Jason sempre dizia.

Reyna o questionara, mas nunca lhe ocorrera que a ideia era do garoto. Ela pensara que a tradição viera muito antes de Jason.

Ele sorria marotamente toda vez que a pretora o perguntava sobre, e piscava para ela, como se estivesse se deliciando em ver a curiosidade de Reyna.

Portanto, esse ano ela não pensara que Jason fosse realmente explicar.

― Eu nunca fui de assistir filmes de mortais, você sabe. ― Jason comentou, fazendo Reyna levantar as sobrancelhas com o assunto aleatório.

Ela queria ouvir a história sobre a tradição, não sobre os gostos de Jason em filmes. Mas ele levantou a mão, a cortando antes que ela pudesse dizer qualquer coisa.

― Eu nunca fui de ver filmes de mortais, ― começou ele de novo ― mas todo o ano, nessa época, os filmes de natal sempre me conquistam. Até mesmo os clichês sobre Papai Noel. Pode ser cois da minha cabeça, mas... Eu posso jurar que eles me despertam algum tipo de lembrança de... Você sabe, minha vida de antes.

Reyna levou um tempo para entender.

Jason vivia no Acampamento Júpiter desde os 3 anos de idade. Sua vida se resumia àquele lugar. Ele nunca compartilhava nenhuma informação sobre sua vida antes dali porque, de acordo com ele, não havia o que compartilhar. Jason era muito novo para ter qualquer lembrança daquele tempo.

E agora, ali estava ele, confidenciando à Reyna que talvez existisse algo, afinal de contas.

Jason riu da expressão da garota.

― Eu nem mesmo sei se é uma lembrança ou um sonho. Mas eu tenho essa fagulha de memória... Um pequeno Jason, levantando os olhos pra uma árvore gigantesca e completamente iluminada, enquanto alguém segurava sua mão.

Seus olhos se voltaram para as lâmpadas que ele havia acabado de pendurar.

― Eu me lembro... Não, eu acho que me lembro... ― ele fez uma careta ― Alguém me dizendo que as luzes de natal na verdade eram pequenas fadas. Elas aparecem nessa época porque seus objetivos são coletar sonhos, e o natal é a época em as pessoas mais sonham... Eu posso estar enganado, mas acho que era um conto de algum livro. Alguém costumava ler pra mim.

Reyna estava muito quieta, perdida em suas próprias lembranças.

Jason olhou pra ela e a garota percebeu que ele esperava alguma reação.

― É por isso que você ilumina o acampamento. ― fora tudo o que ela conseguira dizer. Não era uma pergunta.

Jason assentiu.

― Acho que faço isso desde que consigo carregar uma escada. Me dá... Esperança. ― ele se virou rapidamente pra ela ― Isso tudo é muita besteira?

Reyna balançou a cabeça negativamente.

― É melhor você pegar essa escada. ― ela disse.

― Por quê?

― Ainda temos muitas fadas para pendurar.

(...)

Não fora difícil localizar Jason.

Ele era um ponto verde no meio de roxos. Reyna franziu a testa ao se aproximar e contemplar a roupa do pretor.

― Agora, você não acha que isso é um pouco demais? ― ela apontou para a camiseta verde, estampada com o Papai Noel e o Rudolph.

Jason baixou os olhos para a vestimenta, como se tivesse se esquecido do que estava usando. Ele riu.

― Foi um “presente” de Octavian. ― ele fez aspas no ar ― Acho que ele me deu como deboche, mas fiz questão de usar.

Reyna revirou os olhos.

― Ah! ― Jason se abaixou para sua mochila, repousada no chão. Esta estava lotada de presentes. Jason era um dos únicos campistas que realmente gastavam seus denários em presentes de natal. ― Feliz Natal! Aqui está seu presente, embora você não mereça. Perdeu a árvore se acendendo!

Reyna estava tão concentrada em encontrar Jason que nem mesmo notara as luzes acesas da grande árvore.

― Desculpe, ― disse ela com sinceridade, aceitando o pacote que Jason lhe oferecia ― me atrasei procurando uma coisa.

― Procurando o que?

Ela o ignorou, abrindo seu presente. A garota riu ao contemplar o jarro de jujubas.

― Bem, você realmente me conhece. Obrigada.

Jason sorriu abertamente, como se tivesse acabado de ouvir a melhor notícia do dia.

― E, respondendo à sua pergunta sobre o que eu estava procurando... ― Ela puxou algo de seu casaco ― Seu presente. Não está embrulhado, e não é exatamente novo.

Jason pegou o livro que a garota lhe oferecia. Ele encarou a capa com uma expressão atônita, e Reyna percebeu que ele sabia o que era.

― Reconheci a história no momento em que você a contou. Hylla costumava lê-la pra mim nessa época.

O pretor a encarou como se Reyna tivesse caído do espaço. Pela primeira vez, Jason Grace parecia sem palavras.

― Reyna, eu... Não posso aceitar isso!

Reyna recusou o livro que Jason tentava devolver.

― Pare com isso. ― disse ela, tentando parecer séria, mas incapaz de conter o sorriso ― Todos devemos ter algo significativo do passado. E esse livro, sobre as fadas coletoras de sonho, é claramente algo sobre o seu. Significa muito pra mim saber que você o tem.

Jason deu um passo à frente e a abraçou. O gesto a surpreendeu tanto que Reyna levou um tempo para retribuir.

― Reyna, isso... é demais! Meus deuses, me sinto tão idiota por ter lhe dado jujubas!

A garota riu, e depois forçou uma expressão séria.

― O que quer dizer? Jujubas são muito importantes pra mim.

Os dois riram, e Jason baixou os olhos para o livro novamente.

― Você é incrível. ― disse ele suavemente. Por um momento, Reyna pensara que ele falava com o livro, mas então os olhos azuis do garoto encontraram os seus ― Você realmente é. Obrigado.

O elogio a aqueceu, e Reyna nunca se sentira tão feliz em presentear alguém.

Juntos, eles ergueram os olhos para a árvore iluminada. Reyna imaginou pequenas fadas pousadas ali, prontas para coletar os sonhos de natal.



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