Sonhos De Luna
8 O despertar
Gabriel acordou, o despertar vem acompanhado de uma forte aspiração de ar, sua respiração está ofegante, ele se sente como se houvesse voltado a superfície depois de um longo tempo submerso, trata-se da volta de sua consciência ao corpo físico. Ele olha ao seu redor assustado, mas logo percebe, que tudo está em ordem no seu quarto, o telhado está intacto, a janela está ali e a estante no lugar de sempre. Ele olha para o relógio, que marca exatamente uma da madruga, só havia se passado pouco mais de uma hora desde que adormecera, esse fato o causou alguma estranheza, parecia que havia sonhado por horas. As lembranças do sonho ainda estavam vivas em sua memória, as últimas palavras de Clarisse ainda entravam pelos seus ouvidos. “Se tudo aquilo não foi só um sonho, então o que a Clarisse disse é verdade? Então Luna está em coma em um hospital, e eu nunca conversei realmente com ela, todo esse tempo, quem estava do outro lado do computador era sua irmã mais velha, mas por que ela me enganou? Se precisava de minha ajuda, por que não foi honesta comigo desde o início, o que afinal ela quer de mim, e como eu poderia ajudar a sua irmã?” se perguntava Gabriel mais confuso do que nunca. O celular de Gabriel tocou, avisando a chegando de uma nova mensagem de texto, no visor o remetente conhecido, era de Luna. O jovem leu a mensagem que dizia “Gabriel, agora que você já sabe um pouco da minha história, creio que não preciso mais fingir ser a minha irmã Luna” Essa mensagem confirmou o que Gabriel temia, toda aquela loucura que acabara de sonhar de certa forma era real... E pior ainda era descobrir a verdade sobre Luna, com quem ele jamais trocou mensagens, por quem ele acreditava estar amando... Os sentimentos de Gabriel estavam um caos, ele sentia medo pelo que estava acontecendo ao mesmo tempo em que sentia uma enorme frustação pela revelação de Clarisse, afinal por quem ele se apaixonou, por Luna, por Clarisse ou por uma ilusão criada por ele mesmo? Uma nova mensagem chegou, (lembrem-se de que a história se passa no ano de 2002, havia um limite para o número de caracteres de uma mensagem), “A porta para o mundo do sonho abre sempre a meia noite”. Uma nova mensagem e outra chegaram, em seguida “O número de viagens é limitada, pois o tempo não é sincronizado com o nosso mundo” “Por favor, ajude-me a salvar Luna!” Após ler essas mensagens, Gabriel tentou responde-las, fazendo perguntas a Clarisse, mas ele não as respondia, o que lhe causava uma grande indignação, e como de costume, ele começou a escrever o seu diário no computador. Gabriel escreveu tudo que lhe ocorrera desde a última noite, todas a cenas estavam lá, assim o dia foi passando, o rapaz se perguntava o que iria acontecer naquela noite, será que seria como na noite anterior, e o que Clarisse havia falado sobre a porta que abria a meia noite, e se ele ficasse acordado, não dormisse a noite inteira, conseguiria chegar ao tal mundo do sonho? Gabriel se consumia com essas dúvidas. Eram onze e meia da noite, Gabriel estava deitado em sua cama, estava muito impaciente, não havia sinal de sono, com certeza ele não adormeceria, estava muito tenso. O celular do jovem tocou, era uma mensagem de Luna, ou melhor, de Clarisse “Você não precisa adormecer, basta fechar os olhos e relaxar o corpo”. Gabriel já não mais ousava tentar responder as mensagens de Clarisse, tampouco contestá-las, então resolveu se limitar a seguir o que ela dizia. Ele se ajustou na cama, fechou os olhos, e tentou relaxar ao máximo o corpo, mas ainda havia muita tensão naquele momento, não sabia ao certo o que estava fazendo, sentia-se estranho “O que eu estou fazendo, será que estou louco?” Gabriel se perguntou, mas mantinha os olhos fechados, começou então a pensar em Luna e no encontro no parque, sabia que fora enganado por Clarisse, porém aqueles sonhos com Luna eram tão reais quanto ao último com Clarisse “Será que é por isso que Clarisse quer minha ajuda?” O rapaz dizia para si mesmo. Pensar em Luna fez com que o rapaz relaxasse um pouco, o encontro no parque era um sonho que causava muita tranquilidade para o seu espírito, a imagem da garota em sua mente o perturbava, mas também foi uma fonte de alegria e esperança durante os meses recentes. O relógio marcava onze e cinquenta e nove, Gabriel estava mais calmo, seus olhos estavam pesados, porém, ele não dormia...
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