Sonho por satisfação
1 Capítulo 1
Por baixo das pupilas de Eric os olhos se mexiam rapidamente, estava sonhando… As belas fantasias que lhe agradavam diariamente, mesmo que pouco restasse ao acordar, e ainda mesmo que esse pouco esfarelasse conforme o tempo caminhasse em direção à noite seguinte, ainda era uma flor bem cuidada para sua existência. O suor escorria por sua testa e seu coração de repente pulou levando seu corpo junto para a frente. Sentado na cama e ainda assustado sem nem mais saber direito o porquê, exalou profundamente o ar de seus pulmões pela boca. Aquilo lhe devolveu um pouco da calma.
Pouca luz passava pela janela, deixando tudo com um ar melancólico que Eric muito conhecia. Procurou o relógio: ainda eram quatro horas da manhã. Por mais que precisasse, seu sono foi arremessado longe para não mais voltar após o salto que deu na cama. Seu notebook preto estava próximo. Motivado pelo sentimento lúgubre que sentia, digitou algumas poucas palavras e virou-se. Exalou e reclinou-se na cadeira. Não é que ele não gostasse de sua vida, só tinha mais incertezas que respostas para tudo; o mundo humano era muito estranho e talvez várias pessoas sentissem isso como uma idiossincrasia. Seria bom sacar alguns pensamentos e repousá-los na mente de outra pessoa para ser fielmente compreendido.
Tudo estava tão sem sabor. As histórias que adorava, por outro lado, lhe convenciam de que a beleza existia em algum lugar e o amor era encantador. Tudo isso para que depois sua lucidez munida de pensamentos desassossegados lhe roubasse a esperança e a calidez da alma. A satisfatória euforia escondida por uma expressão reta logo era trocada por um descontentamento com o mundo. De repente tudo era sujo e pesado, e o transcorrer do dia não passava de uma condição laboriosa até que ele pudesse mais uma vez mergulhar em novas histórias.
Eric abaixou sua cabeça e fitou os cabos embaraçados de seus aparelhos. De repente, um arrepio prazeroso percorreu seu corpo. Ao seu lado a mulher mais bela que já vira. Seus cabelos eram encantadoramente longos e da cor que mais o agradava. Ela estendeu uma de suas mãos e a pousou no rosto de Eric e a outra encontrou sua perna. A bela dama reclinou-se até alcançar os ouvidos do rapaz.
– Meu cavaleiro — sussurrou ela em seu ouvido com uma voz doce que desarmaria a mente mais amargurada.
Seu cheiro, seu toque… A sensualidade da bela jovem derrubou Eric e partiu ao meio todo seu pessimismo. Era impossível resistir àquela altura: ele a beijou como jamais beijou alguém.
Durante aquele beijo surgiam memórias. Ele já havia jurado amor a outra alma que lhe retribuiu a jura. Era errado o que estava sendo feito naquela hora, acobertado pela penumbra e pelo silêncio? A busca pelo amor e contentamento eram máximas do mundo que o cercava, então o que poderia existir de errado em um momento índole tão pura?
A camisola de seda deslizou pelos ombros da forma viva de Afrodite e parou nas pernas que delicadamente apertavam o corpo do rapaz. Inebriado pelo prazer, ele percorreu com suas mãos o mais lindo corpo que já havia admirado em sua vida. A bela mulher abraçou-o forte. Suas unhas arranhavam as costas de Eric, mas e daí? Tudo era lindo e o mundo passou a fazer sentido novamente quando ela o encarou com seus olhos de cor ideal e encostou sua cabeça à dele. Uma nova sensação surgiu ali naquele momento. O peso do mundo desaparecia rapidamente e seu coração estava leve.
– Vamos ficar juntos, meu cavaleiro? Por favor, diga que sim. Diga que sim… — sussurrou novamente.
Aquelas palavras ecoaram. Cada letra da sentença fez Eric tremer e um raio gélido atravessou sua espinha. Ajoelhado e em prantos, questionava-se o porquê de tudo aquilo. O que fez ele para merecer tamanha dor? As lágrimas escorriam cada vez mais conforme tudo apagava-se a seu redor. Suas frustrações vinham como imagens flutuantes a sua frente e a dor aguda desacentuava-se. Um som agudo era o pano de fundo. Para onde ir? Ele nada tinha de fato e em nada acreditava por mais que já tivesse tentado. Aquela mulher… Aonde ela está, para onde foi? Eric sentiu-se mais leve do que nunca e caiu sem sentir o impacto.
O couro de vozes aturdidas e desesperadas era a música da vez. O rosto pálido de Eric caiu para o lado e junto levou toda uma vida, como uma pessoa que junta todos as suas experiências e segredos em uma caixa e a joga ao mar para nunca mais. Sua mãe chorava aos pés da cama clamando por Deus, sua tia com as mãos juntas oferecia todas as lágrimas que tinha para dar, e todas que poderia fazer. Os médicos ao fundo… Era o fim.
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