Durante todo o percurso até a casa do casal eles permaneceram em silêncio. Assim que chegaram, com a desculpa que precisava ir à casa da tia, o marido da amiga saiu deixando-as a sós.

— Agora senta ai e abre o jogo.

Sem alternativa ela relatou tudo o eu acontecerá nas últimas semanas. E ao final ela não conteve as lágrimas. Estava confusa, com medo. Amedrontada na verdade.

— Olha você esta ferrada, minha cara amiga, mas já que esta na chuva aproveita e se molha toda. – ela falou tirando um sorriso genuíno da jovem. – E aproveita mesmo, porque o menino é um gato. – elas gargalharam.

— Para quem vivia me falando para desencanar que era coisa da minha cabeça você até esta empolgada demais. – falou ela depois de enxugar as lágrimas vendo a amiga ficar seria de repente.

— Nunca dei nada por esse sentimento por conta de todos os empecilhos que esta cansada de saber. E já se ferrou tanto nesse quesito que não queria te ver sofrer de novo.

— Eu sei...As vezes penso em trancar a porta e não deixar ele entrar mais, ou nunca mais aparecer na comunidade, mas só de pensar em tantos cortes me deixa pra baixo.

— Esse é o meu medo.

— Medo é minha palavra chave, mas decidi viver isso mesmo que seja apenas por alguns momentos. Eu nunca me senti tão viva quando estou com ele, quando estou nos braços dele. – ela falou emocionada. – Vai além...além do que já vivi até hoje. E mesmo que eu me ferre, o que aparentemente é o que o futuro me reserva, quero sentir isso. Quero viver! – afirmou. – Entendi?

— Sim entendo. – a amiga sorriu emocionada. – Então ele tem uma pegada boa? – brincou fazendo-a sorrir.

— A melhor. – elas gargalharam.

Coversaram sobre a viagem, o quanto tinham se divertido e reavivado o casamento, contou que o convencerá a finalmente adotarem uma criança. Tudo correrá como o planejado. E o casal estava feliz novamente. Madrugaram entre lágrimas e gargalhadas. Na manhã seguinte cada um seguiu para seus respectivos trabalhos.

— Não sei se consigo esperar até quarta para lhe ver. – mencionou o jovem ao telefone durante o almoço.

— Pare com isso. E eu pensando que o grude da relação seria eu...- eles gargalharam.

— Você não quer assumir, mas sei que esta sentindo falta dos meus abraços e dos nossas quase...

— Cale a boca e vai trabalhar. – falou ela já sentindo o famoso arrepiar somente ao ouvir a voz dele.

— Passo na sua casa a noite.

— Não. Preciso estudar. – afirmou

— Estudar para que? – perguntou antes dos dois sorrirem novamente.

— Até quarta seu nerd. – falou vendo-o respirar fundo do outro lado.

— Até. E posso te pedir algo?

— Pode. – falou inocente.

— Vá de saia na quarta, ok?

— Para? – perguntou bancando a inocente.

— Sabe muito bem por que. – ele falou malicioso desligando em seguida.

Na terça o dia correu dentro do previsto para os dois, no intervalo que tinham ou do trabalho ou da faculdade eles se comunicavam por meio de telefonemas curtos, mas o suficientes para trocaram conversas maliciosas e promessas para o dia seguinte.

Assim que chegou ao trabalho na quarta pela manhã, a jovem foi recebida por um casal que estava aos prantos devido a um problema de saúde repentino do filho, ao qual era seu paciente. A pedido do casal ela seguiu para o hospital, cancelando todas as consultas posteriores.

Ele ainda tentou se comunicar com a namorada, mas não obtivera sucesso até ligar para o escritório dela e falar com a secretaria que comunicará sobre a emergência. Já passava das sete quando ele abriu o celular depois de ouvir o som de mensagem.

“Desculpe, meu pequeno esta muito mal mesmo e preciso dar apoio aos pais. Assim que tiver alguma novidade no caso entro em contato novamente. Fica bem e até mais.”

Assim que leu ele, soube o quanto ela deveria está cansada e triste, sua profissão era um pedaço da sua vida. E ciente desse fato não pensou duas vezes.

“Chegarei a alguns minutos.”

Pouco tempo depois ela o esperava na porta do hospital, onde foi abraçada com carinho por longos minutos. Emocionada ela somente pensou que não existia outro lugar onde se sentia mais protegida e amada.

— Obrigado por está aqui. – falou voltando-se para ele que sorrindo enxugou as lágrimas dela antes de beija-la.

— No dia que você perceber que eu realmente a amo eu serei o cara mais feliz do universo. – ele falou serio vendo-a encara-lo ainda emocionada.

— Você percebeu o que acabou de falar? – ela o questionou.

— É a realidade. Somente você não percebe isso, mas agora não é o momento nem a hora para esse assunto ser a pauta. – beijou com carinho na face dela. – Comeu alguma coisa?

— Não quero.

— Qual é o quadro?

— Coma induzido devido a um pequeno inchaço na cabeça. Eles estão esperando o quadro reverter.

— Ok. Quero levar você para casa. Que horas isso pode acontecer?

— Quando ocorrer algumas melhora no quadro. – ela sorriu com carinho para ele. – Vamos à capela?

— Claro.

Diante do Santíssimo eles pediram juntos pela saúde do pequeno e depois de alguns minutos seguiram para a sala de espera. Meia hora depois dois médicos chegaram avisando que eles já haviam desligado os aparelhos e o paciente já respirava sem o auxilio dos mesmos. Notícia essa que animou a todos na sala.

— Vai para casa, descansa e te manteremos informada. – pediu a jovem mãe.

— Promete que qualquer alteração no quadro vocês me manterão informada?

— Claro que sim. Vai.

— Ok. Fiquem bem e qualquer coisa que precisarem estou a disposição.

— Eu sei. – falou a mãe.- Agradeço de coração por tudo que já fez e faz por nosso pequeno homenzinho.

— Eu o amo. – falou emocionada.

— Também o amamos muito. – falou a mulher a abraçando. – Descanse e te ligaremos diante de qualquer alteração.

— Ok.

— Boa noite. – ele se despediu seguindo-a.

Assim que estacionou o carro percebeu que já passava da meia noite.

— Não faz essa cara de gato de botas. – eles sorriram.

— Posso ou não?

— Dormir claro que pode.

— Não no sofá.

— Não. – falou já saindo e sendo seguida por ele.

Assim que entrou no apartamento ela seguiu para o banheiro onde tomou um banho retornando assim para a cama onde ele a esperava em silêncio e já coberto.

— Precisa de alguma roupa? Um blusa talvez.

— Estou bem assim. – falou erguendo o lençol fazendo-a perceber que estava somente de sunga.

— Vou pegar uma blusa. – falou ela ruborizada.

— Vem dormir. Precisa descansar. Nada vai acontecer, a menos que você não resista ao meu charme. – ele sorriu de lado fazendo-a jogar o travesseiro.

— Você não presta. – falou enquanto tirava o roupão sob o atento olhar dele. — Amanhã cedo tem compromisso?

— Não. A tarde vou entrevistar uns possíveis promissores repórteres.

— Cancelei minhas consultas na parte da manhã, vou voltar ao hospital e quero dormir mais tarde um pouquinho. – falou se acomodando de conchinha nele.

— Vou dormir até tarde com você. – falou sentindo-a guiar a mão que ele colocara na cintura, para sua barriga.

Em poucos minutos eles acabaram adormecendo. Já passava das oito da manhã quando ela despertou sentindo-se relaxada e amada. A mão dele ainda repousava tranquila na sua barriga enquanto as pernas deles se misturam debaixo da coberta. Devagar ela virou-se para encara-lo.

— Se é possível eu não sei, mas acabo de me apaixonar mais por você. – ela sussurrou retirando dele um sorriso preguiçoso.

— É possível. – afirmou ele a encarando fazendo o coração da jovem acelerar. – Por que acontece o mesmo comigo. – se aproximou com o intuito de beija-la, mas ela se esquivou levantando rápido.