Sonho Sombrio

4 Capítulo 4 - Conveniente


Notas iniciais
...

Devido o ocorrido Kisha ficou alguns dias sem olhar diretamente nos olhos de Nicolas, sentia vergonha. As investigações continuaram, a cada dia que passava havia mais suspeitos, sendo todos interrogados. Uma brisa passou em seu rosto, fazendo seu cabelo castanho flutuar ao vento. Houve um momento de silêncio total em toda a Soul Society, fazendo Kisha despertar de seu leve sonho acordado. Estranho, há sempre algo fazendo barulhos por aqui. Confusão. Ela olhou por toda a volta, parecia estar em uma nuvem cheia de luzes e cores. Algo atrás dela. Desembainhou sua espada e foi para cima atacando quem quer que esteja lá, sua espada pareceu bater em outra. Fez força. O estranho percebendo a força dela desviou indo para longe. Uma reconhecível voz saiu de dentro da fumaça. -Foi o que eu pensei. -Capitão Aizen, é você?! Perdoe-me! Eu não sabia que era o senhor! Eu juro q... -Não precisa se desculpar – Aizen interrompeu-a tomando a palavra – Eu realmente imaginei que você não fosse a garotinha fútil e indefesa que todos pensam que é, algo em você me dizia que era especial, talvez estivesse certo. -Do que você está falando? -Todos acham que eu sou bobo, pelo menos eu os deixo pensar assim, é mais cômodo para mim surpreender a caça, ao invés de lutar quando ela sabe de mim. Kisha entendeu o recado, também não era boba. Seu olhar mudou o brilho. -Então, o que pretende fazer comigo, “Capitão”? Houve um momento de silêncio...Aizen suspirou e abaixou sua espada fazendo Kisha relaxar também. -Só quero que saiba que estou de olho em você e em seu amiguinho...espero que não me atrapalhem. O sangue da garota ferveu ao escutar aquelas palavras, por um instante pensou em atacá-lo, mas logo desistiu. Causar alvoroço, ainda mais contra um capitão,não seria o ideal. Sua espada brilhando ao sol de final de tarde. Sua mão voltou a guardá-la. Aizen sorriu ironicamente e sumiu fazendo toda a fumaça e brilho sumir junto. Kisha fechou seus olhos pensando que aquilo foi muito estranho. A noite brilhava intensamente com as estrelas no céu, estava deitado na grama do lado de fora, olhando fixamente para a estrela que mais brilhava. Uma lembrança veio em sua mente. Sua mãe chorava diante de um corpo, Nicolas se aproximava, chorando junto com ela. Fogo em volta. O fogo tampou sua visão, impedindo de chegar a sua mãe. -Watanabe Nicolas? Com um susto pulou do chão pondo-se de pé. Várias pessoas estavam em pé a sua volta. Como não havia percebido a presença deles? Será que seu sonho tinha feito ele dormir mesmo? -S-Sim sou eu, algum problema? -Precisamos que você seja interrogado amanhã pelo assassinato do espião, como você já deve saber do ocorrido, peço que compareça a 2° Divisão amanhã ás dez horas. -C-Claro! Não tenho porque temer nada não é mesmo? *(Sei que o melhor era não me expor tanto...mas não tenho outra alternativa...)* Os homens vestidos de preto sumiram como fumaça diante de seus olhos. Nicolas voltou ao seu quarto e deitou-se. Havia uma pequena fila no portão, outros shinigamis também tinham sido convocados para serem interrogados. Menos mal. Ao se aproximar, viu um escândalo sendo feito na fila, todos gritavam feitos louco indignados por alguma coisa. Nicolas foi para o final da fila e viu um homem alto, de cabelos vermelhos e longos porém amarrados, este também gritava bastante. -O-oi...por algum acaso aq... -VAMOS LOGO COM ESSA BOSTA! É O CUMULO TER QUE PEGAR FILA PARA SER INTERROGADO!!! Sem perceber a presença de Nicolas ás suas costas,o homem continuou gritando. Dessa vez ele foi cutucado. -Ei! Aqui é a fila para... -EU NÃO ACREDITO QUE ALÉM DE TUDO VOCÊS ESTÃO DEMORANDO!!! -EI! Nesse momento Renji virou-se com um olhar flamejante, parecia mais irritado por ser interrompido. -O que você quer? -Er...essa é a fila para ser interrogado? -Sim...eu ainda não to acreditando que eles tiveram que montar uma fila para entrar lá. -É, as coisas parecem estar bem complicadas. Após ficar um pouco mais calmo o homem se apresentou. -Prazer, me chamo Renji. Abarai Renji. -A sim. Me chamo Watanabe Nicolas. Após a apresentação, ficaram conversando sobre diversos assuntos e, com isso, nem perceberam que a fila estava diminuindo conforme o atendimento sendo concluído. Até o momento em que chegou a vez de Renji. -Bom, nos vemos por ai. -Certo, foi um prazer conhece-lo. Renji sorriu e entrou. Após alguns minutos foi a vez de Nicolas. Foi direcionado a uma sala pequena e escura logo que entrou. Dentro dela haviam duas cadeiras sendo uma delas ocupadas por um senhor já de idade, ao seu lado, Soifon com seu olhar penetrante e de pouco caso. Ao entrar na sala o velhinho disse: -Sente-se por favor. Nicolas se sentou e a porta fechou fazendo um alto barulho. Seu olhar parecia calmo e determinado. -Nós só temos uma pergunta a lhe fazer, mas antes vamos ligar um aparelho, que vai detectar se o que você diz é verdade ou mentira. Essa maquina funciona da seguinte forma: Ela entra em sua mente e vai ver o que você fez na noite do incidente nos revelando quem foi o assassino. *(Isso é possível? Entrar na minha mente e ver o que eu fiz? Isso pode estragar tudo merda!)* -Não se preocupe, para que tenhamos a privacidade das pessoas ela não nos mostra o que você fez, ela apenas vê e reconhece se o que você fez foi matar o homem conforme minha pergunta, qualquer outra coisa vivenciada que não seja a morte do espião continua sendo exclusivo de seu conhecimento. Porém devo fazer a pergunta correta. Nicolas acenou. Uma maquina apareceu das sombras junto de três homens carregando-a, dois deles posicionavam a maquina enquanto o outro colocava uma espécie de coroa ligada por fios na cabeça de Nicolas. Não podia negar o nervosismo. A máquina ascendeu duas luzes, uma verde e outra vermelha, e em seguida ambas apagaram mostrando que a maquina estava pronta para ser usada. -Watanabe Nicolas... Seu coração batia com mais intensidade apesar de sua tentativa de controle. -...você... Não podia evitar a mentira, era isso ou ser capturado. -... foi o assassino do espião naquela noite? Houve um momento de silencio e depois Nicolas disse com frieza: -Não. A máquina fez um barulho de funcionamento. Uma das luzes acendeu. Verde. -Certo, o que você diz é a verdade, está liberado. O olhar de Soifon parecia querer desintegrar Nicolas. Havia escapado, afinal realmente não tinha sido ele a matar o espião, e sim Kisha, talvez fosse pego se a pergunta fosse “Você conhece o assassino?”. Por hora estava livre, porém, se Kisha fosse interrogada, não teria a mesma sorte. Passando pelo grande portão, percebeu que a fila continuava grande e que pelo menos uns 200 Shinigamis ainda seriam interrogados no dia, também viu Renji, o cara que conheceu mais cedo, estava lhe esperanado. -Oh! Pelo menos não foi você quem saiu matando por ai. Após a piada, os dois riram. Mais alguns minutos de conversa, e Nicolas disse: -Bom, eu sei que você me esperou aqui e esperava conversar mais, porém eu tenho que resolver um assunto muito importante, se importa se eu for? =/ -Oh claro, pode ir. Qualquer dia nós conversamos melhor – disse Renji com um sorriso. -Então tá, até mais. Nicolas se despediu e se retirou. O sol estava descendo, do contrário das estrelas, que lentamente nasciam no céu. Pensou em ir falar com Kisha, mas resolveu que não era a hora certa. Foi dormir. O sol batia nos olhos de Kisha, incomodando e fazendo-a acordar. Após despertar, penteou seus longos cabelos castanhos com sua escova, se arrumou e foi para o refeitório. Ao chegar lá viu Aizen sentado tomando chá. Seus olhos fechados abriram lentamente, olhando para a garota, seus olhos eram irônicos e maldosos, algo de ruim estava para acontecer a Kisha, seu olha dizia isso. Ao sentar-se perto de seus amigos perguntou se haviam novidades, tudo o que se falava era um único assunto. -Sim, sim é mesmo! Ontem eu fui! Era sombrio e dava medo. Ainda bem que minha vez já foi. -É, hoje sou eu. Eu não queria ir mas, parece que quem não for, pode ser considerado cúmplice ou até mesmo o assassino. -Oi garotos, sobre o que estão falando? – perguntou Kisha. -Sobre o interrogatório de hoje, houveram alguns chamados ontem e os outros vão ser mais tarde. Eles ainda não vieram avisar mais é certeza de que vai haver. Seu coração disparou, seu olhar foi direto ao de Aizen, que após outro gole de chá deu um leve sorriso. Interrogatório? Isso com certeza vai resultar em (desculpem a palavra) MERDA! Kisha se levantou, voltou pro seu quarto. Deitou sua cabeça no travesseiro, indignada, como algo tão bobo como uma morte de um desconhecido pôde trazer tantos problemas? Sua mente estava a mil. Um envelope de carta em cima de sua mesa, não estava lá antes dela sair. Caminhou até a mesa de madeira e pegou o papel, era uma carta. Ao abrir o envelope e desdobrar o papel começou a ler o conteúdo. “Kisha, não se preocupe, essa carta foi feita especialmente para ser lida apenas se sua reiatsu estiver em contato com o papel. Como já deve saber, hoje haverá uma espécie de interrogatório. Ontem foi minha vez. Quero que você fique calma e tente não fazer nenhuma besteira. Sua presença é necessária, pois vão realmente pensar coisas se você não for. Haja o que houver não abra a boca.” Nicolas. Kisha rasgou o papel, colocando-o dentro de sua blusa. Sua reação foi esperada. Colocou a cabeça contra o travesseiro novamente e chorou, pensando no problema que aquilo tudo estava tendo. Enxugar as lágrimas e sair era o que devia fazer, mais não conseguia, não tinha forças. A lembrança de seu beijo, vindo, e lhe tirando mais lágrimas. Outra imagem em sua mente, Nicolas sendo preso. Levantou. Ao chegar viu que o portão estava fechado, haviam apenas dois guardas na entrada, ao se aproximar a garota perguntou: -Olá! Por algum acaso hoje não teria a interrogação dos restantes? -Deveria ser...porém houve um incidente que tomou a atenção de todos, e por isso foi cancelado no momento. *(Perfeito! Mas o que poderia ser tão importante?)* -E o que aconteceu? -Não sei ao certo, mas ouvi dizer que uma Shinigami que estava desaparecida no mundo real foi capturada e trazida de volta, agora ela vai esperar sua sentença de morte. -Nossa! Bom... obrigado. Kisha virou e logo um sorriso ficou estampado em seu rosto. Óbvio que aquilo ia ser uma oportunidade de abafar o caso do assassinato do espião. Precisava contar para Nicolas. Ao perceber a agitação, levantou colocando somente a cabeça para fora do corredor, e viu vários de sua divisão correndo pra lá e para cá. Perguntou a um deles o que estava acontecendo, e após a explicação, um momento de espanto. Aquilo era pura sorte ou aconteceu por algum motivo?

Notas finais
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