Sonho Secreto

1 Capítulo 1 - Capítulo Único


Notas iniciais
Capítulo Único pessoas!Beijos!

As cicatrizes pelo corpo simbolizavam os anos de luta que traçara longe de Konoha, quando ninguém, a não ser o próprio Sasuke, cobrava de si determinações cruciais em busca de poder. Seu corpo carregava decisões que, duramente, ele tivera que tomar durante aqueles anos de insanidade. Seu coração, sua vida, até mesmo sua alma, pareciam está entregues a um caminho sem volta. No entanto, algo acontecera em meio à luta do seu verdadeiro fim, e, relutante, a vida insistia em lhe dar uma chance.

–Kakashi-sensei disse que estamos prontos para partir. – A voz branda soara como uma melodia de paz aos ouvidos do ninja. –Sasuke-kun, você já se sente melhor?

Lentamente os belos olhos negros, que permaneceram fechados durante todo processo de cura, fixaram na imagem frágil da ninja. Depois de longos dias, que pareceram eternos, ele pôde observar sua antiga companheira de time sem que tivesse que se preocupar com inimigos à espreita.

–Uh. – Murmurou apoiando as mãos no chão, e se encostou a pedra.

–Não faça movimentos bruscos. – Pediu ajudando-o a se sentar. –Seus órgãos internos estão um pouco debilitados, por isso você ainda sente desconforto. Mas logo eu vou poder curá-lo com meu chacra. Eu só preciso recuperar minhas energias.

Definitivamente aquela garota não era a mesma que ele chegara a julgar como fraca.

–Onde estão Juugo, Suigetsu, e Karin?

Intrigada com a pergunta, Sakura olhou-o em desconforto.

–O que você quer com eles?

–Apenas me diga onde eles estão.

Viu-a estreitar os olhos e calmamente se afastou dele. As mãos sujas de sangue apoiaram-se aos joelhos e os olhos verdes encaram o chão molhado.

–Naruto disse que você vai ficar com a gente. – Com pesar ela o encarou demoradamente. –Por que meu coração não quer acreditar nisso?

Era evidente a nova Sakura que estava ali, embora ainda existissem resquícios daquela menina que ele, facilmente, fazia chorar. Não era irritante ouvir o som do seu choro, era confortável por que ela claramente insinuava que ainda se importava com ele.

–Sakura... – Dedos gélidos tocaram a bochecha molhada por lágrimas. –Eu...

–Acabou. – Sutilmente ela pôs a mão sobre a dele. –Nada mais te impede de ficar aqui e voltar a ser o que você era. – Trêmula, ela hesitou ao tocar o rosto pálido. –Por favor, não fuja mais dos seus amigos.

Aquela altura de sua vida, Sasuke não mais pensava em fugir deles, tão pouco tinha forças para isso. Considerava-se cansado demais para continuar aquela jornada de solidão e os motivos para ser tão radical não mais existiam. Mas, ao encarar seus primórdios desejos de voltar a seu antigo Eu, teria que enfrentar uma nova vida que, no passado, ele impiedosamente tentara matar.

–Preciso organizar minha vida. – Disse recuando a mão.

Sakura respirou fundo, recolhendo a mão que confortava o rosto do amado.

–Sasuke!

Correndo ao lado de dois homens, Sakura reconheceu a voz daquela que um dia ela salvara da morte. Em abrupto virou-se para trás, vendo a urgência da mulher em chagar onde estava Sasuke.

–Eu vou procurar os outros. – Comunicou levantando. –Sasuke... – Se o chamasse carinhosamente, as lágrimas novamente rolaria por seu rosto, e, definitivamente, seu tempo ali com ele estava se esgotando. –Tenha cuidado.

Com o coração partindo-se ao meio, ela caminhou na direção oposta.

–Sakura... – Sasuke a chamou, e presa pelo tom brando de sua voz, ela parou, mas não se virou para trás. –Obrigado.

Aquela palavra atravessara seu peito como uma lança. Fazia muito tempo que ele dissera a ela a mesma palavra, mas daquela vez, era ela que dava as costas.

–Sasuke-kun... Eu volto pra te buscar. – Um sorriso triste brotou em seus lábios róseos e determinada ela seguiu em frente.

–Sasuke! – Gritou Karin ajoelhando-se na frente do ninja. –Você está bem?

Quando seus olhos deixaram de alcançar as costas da ninja médica, a expressão suavizada do ninja se esvaiu.

–Não grite, Karin. – Ordenou deixando-a enraivecida.

–O time Taka está reunido de novo. – Comentou Suigetsu.

–O que faremos agora? – Perguntou Juugo.

–Por hora, vou descansar, e recuperar minhas forças. – Disse Sasuke visivelmente exausto.

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–Sasuke?

Ao longe, uma voz feminina, e altamente reconhecível o despertava.

–Uh. – Ronronou sonolento.

–São sete da manhã. Temos um compromisso muito importante daqui a pouco, esqueceu?

A resposta fora um bocejo. Ainda sonolento, o ninja coçou os olhos preguiçosos, espreguiçou-se na cama, e gemeu satisfatoriamente. Fazia um bom tempo que ele não levantava tão relaxado, sentindo o cheiro de comida recém-preparada. E era estranho sentir a flagrância do perfume de cerejeira impregnado no seu cobertor, no entanto, era a sensação mais deliciosa que provava ao acordar.

–Fiz seu café da manhã favorito.

Novamente aquela voz familiar se pronunciou, cada vez mais perto. Algo lhe pareceu estranho. E, quando finalmente abrira os olhos de vez, a maciez de lábios desconhecidos inundou seus sentidos.

–Bom dia.

Delicadamente seus lábios foram tocados novamente, levando-o a uma confusão de perguntas.

–Sakura? – Perguntou apoiando os cotovelos na cama. –O que você faz aqui?

Estranhando a pergunta, a médica sorriu serenamente.

–Eu sei que eu deveria ter ido embora cedo, mas acho que não tem problema se alguém nos vê juntos, não é? – Indagou saindo da cama. Ao levantar o lençol escorregou pelo corpo desnudo. –Vamos nos casar em breve, então...

Sasuke ligeiramente respirou, tentando assimilar a presença da ninja ali, dentre tantos outros detalhes que, ridiculamente, seriam capazes de ruboriza-lo.

–Onde estou? – Perguntou olhando o teto, em seguida, todo o quarto, e logo reconheceu seu antigo lar. –Minha casa?

–É. Sua casa. – Respondeu confusa. –Sasuke, você está bem?

Desnorteado, ele a olhou, em busca de resposta.

–Tem algo de muito errado nisso. – Disse afastando o cobertor do corpo, mas ao se descobrir, recuou a ideia de livrar-se do tecido grosso.

–Como assim algo errado? – Indagou Sakura aproximando-se da cama.

–Não se aproxime mais. – Advertiu cessando a intenção da rosada. –Eu estava com Juugo, Suigetsu, e Karin. Não é possível...

–Como assim você estava com eles? Passamos a noite juntos. Eu teria percebido se você tivesse saído da cama.

–Isso não é real.

Estupefata pela acusação do noivo, Sakura catou as roupas no chão, e apressada começou a vesti-las.

–Eu vou para casa. – Ligeiramente lançou um olhar indignado a Sasuke. –Então, o que vivemos juntos não é real para você? – Perguntou indignada. –Desde quando, Sasuke? – Enraivecida ela se aproximou dele, jogando as roupas no chão. –Todas as noites que eu estive na sua cama não foram reais para você?

–Não se aproxime.

–E as declarações de amor também não foram reais? – Indagou ignorando o pedido do ninja.

–Do que você está falando?

A pergunta conturbada soara como uma piada aos ouvidos de Sakura.

–Quer saber? Nada! – Deu de ombros deixando as malditas lágrimas derramarem. –Esquece tudo o que vivemos, já que nada disso foi, ou é real para você.

Sempre atento, Sasuke escutou passos cautelosos no telhado.

–Shiii. – Em um abrir e fechar de olhos chegou a Sakura e cobriu-lhe a boca com uma das mãos. –Tem alguém no telhado.

–Sasuke! – Furiosa Sakura empurrou a mão que a impedia de falar. –Claro que tem alguém no telhado! Esse alguém, por acaso, é Naruto, e caso você esteja esquecido, ele vem aqui sempre que vocês marcam de treinarem juntos.

–Eu não treino com Naruto desde...

Sakura ficou à espera do que poderia ser uma explicação em meio à conturbação de Sasuke. Ela estava prestes a ir embora quando algo ocorreu em sua mente.

–Você teve febre ontem, durante o dia, mas logo se recuperou. Será que a febre voltou?

Preocupada ela pôs a mão na testa do ninja, checando a temperatura do mesmo.

–Parece que você está um pouco febril. – Constatou. –A culpa foi sua por se esforçar tanto. – Repreensiva, ela o agasalhou com o cobertor. –Volte para a cama, eu vou falar com Naruto.

Depois de algum tempo – tempo suficiente para Sasuke acreditar que estava louco –, Sakura retornou ao quarto. Carregava uma badeja com o café da manhã reforçado para o ninja que, na noite passada, surpreendentemente enlaçou o seu fino, e delicado dedo com um anel de noivado.

–Seu café. – Olhou-o de relance e estranhou por ter o flagrado já vestido. Normalmente ambos acordavam, e permaneciam na cama por muito tempo, vez ou outra discordando, ou compartilhando os mesmos planos. –Naruto foi embora, mas disse que vai voltar aqui amanhã, no mesmo horário.

Enquanto Sakura tagarelava algo, Sasuke encarava a bandeja a poucos centímetros de si.

–Pode comer, está muito bom. – Incentivou chamando a atenção do noivo. –Eu vou para casa e de lá eu vou para o hospital. Ah! Pode trancar a porta, eu não vou dormir aqui hoje. Corrigindo. Acho que não vou dormir aqui nunca mais.

Disparou dando as costas ao homem que, um dia atrás, parecia amá-la perdidamente.

–Sakura, espere. – Pediu fazendo-a parar e virar-se para ele. –Não vá embora, eu...

–Eu não quero ir, mas você está me obrigando a fazer isso. – Confessou visivelmente irritada. –Poxa, Sasuke! Nós tivemos uma noite mais que perfeita! – Confessou emotiva. –Você me pediu em casamento. Fizemos centenas de planos e...

–Eu acordei e a encontrei no meu quarto, na minha cama, e completamente... – Interrompeu-se a olhando de cima abaixo. –Isso é...

–Eu pensei que você já tivesse se adaptado a essa nova vida. – Interrompeu-o e mais calma se sentou de frente a ele. –Eu pensei que você quisesse construir uma família comigo e... E seu sonho de restaurar o clã... – Vagarosamente Sakura pôs a mão na barriga e sorriu ruborizada. –Eu não queria que fosse assim. Estou me sentindo uma idiota.

Ele estava para ignorar cada palavra dita por ela, quando distraidamente seus olhos confusos fixaram a mão da jovem ainda pressionada no ventre.

–Você está...

–Esperando um filho seu. – Completou a frase salientando cada palavra. –Eu ia te contar quando você me pediu em casamento, mas...

Ter um filho, e dá continuidade a existência do clã Uchiha era um sonho antigo, e ambicioso. Entretanto, aquele sonho não mais era cobiçado por ele; talvez fosse pela própria ambição e orgulho de continuar a linhagem do seu sangue. Mas Sakura estava ali, esperando um filho dele, e acreditando que ele a amava. Em qual parte de sua vida, ele deixara de sonhar com algo tão fora de sua realidade?

–Você não parece está bem. – Novamente ela examinou a temperatura do ninja. –Eu vou cuidar de você, mas... Você vai ter que se alimentar um pouco.

Intrigado, ele obedeceu. Ao terminar a refeição matinal, deitou-se confortavelmente na cama, sentindo parte do corpo reclamar. Sozinho, distraiu-se com a vista da janela. O céu estava nublado e chovia forte.

–A água estava ótima. Você deveria experimentar. – Vestida em uma fina camisola, Sakura adentrou o quarto, secando o longo cabelo róseo com uma toalha. –Vou tirar esse dia de folga e cuidarei de você. – Anunciou deixando a toalha para trás e olhando Sasuke fixamente ela cruzou o quarto. –O que está sentindo agora?

–Um pouco de dor.

–Uh. – Murmurou afastando o cobertor, e enfiou-se debaixo dele. –É a coxa esquerda, certo? – Perguntou escorregando a mão sobre o tecido da calça. –Se você quiser, eu posso parar.

Ele podia usar um por cento de sua frieza, e afastá-la de si, definitivamente, no entanto, sua mente prontamente afastou tal ideia.
O cheiro de cerejeira era embriagante e facilmente o atraía. A pele molhada dela, que levemente roçava a sua, provocava-lhe excitação. Os lábios rosados e delicados, o hipnotizava, fazendo-o imaginar como seria a sensação de tocá-los novamente.

–Por que tanta relutância? – Questionou Sakura acariciando o rosto jovem. –Eu sei que você deseja isso tanto quanto eu.

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Acordou sobressaltado. Respirara fundo, olhando em volta, e tudo o que vira fora a janela do quarto, entreaberta. O céu estava repleto de nuvens cinzentas, a chuva caía torrencialmente, e o silêncio serviu-lhe de alívio.

–Finalmente você acordou.

Surpreso Sasuke olhou a porta e observou Sakura andar até ele, com um sorriso animado em destaque.

–Estive aqui agora a pouco e examinei sua coxa esquerda rapidamente. – Explicou ficando ao lado da cama.

O jovem Uchiha pareceu está desconfortável com a revelação da jovem médica.

–Naruto também acordou e não para de dizer que vai devorar uma tigela enorme de rámen. Pode isso? – Riu olhando o companheiro de time fixamente, mas ao perceber que havia certo incômodo nele, Sakura pigarreou retomando a postura. –Bem, você já pode ir para casa. Ah! Se sentir muita dor, comunique-me imediatamente.

–Uh. – Murmurou olhando de esguelha.

–Sasuke-kun... – Toda a sua motivação quase desaparecera por completo ao ter o olhar atento dele sobre si. –Err... Amanhã é meu aniversário e eu vou reunir o pessoal lá em casa. Se você quiser ir...

–Que horas?

–Ah! Sete horas. Da noite.

–Uh. – Pensou calmamente no convite e nada o impedia de está na casa dela àquela hora. –Eu vou.

–Sério? – Indagou abobalhada. Desde quando ele fora tão rápido em aceitar um convite seu? Então... Nos veremos amanhã à noite.

Sasuke viu-a abrir a porta e deixar o quarto em seguida. Sakura achara que sua comemoração não seria ouvida do outro lado da parede. Engano da rosada. Sasuke sorriu e balançou a cabeça ao ouvir um sonoro ‘Yes!’

–Está mais que na hora de você agir, Sasuke. Não dá para passar o resto da vida apenas sonhando com sua companheira de time.

ᵜFimᵜ

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