Sonho Mortal
1 Capítulo único
Notas iniciais
Era uma noite fria. Havia uma fina camada de neve pelo chão. As árvores da pequena cidade eram castigadas pelos fortes ventos vindo do norte. O inverno tinha chegado a pouco mais de uma semana, e o frio estava apenas começando.
John mexeu em seu casaco, pegando seu celular. Passou uma mensagem para sua esposa de que tudo estava bem, e que ele acabara de chegar na cidade. Uma semana depois estaria em casa. Então, suspirou. Olhou pelas janelas, e viu o grande movimento das árvores, e ficou agradecido por estar de janelas fechadas.
—Chegamos, senhor. — disse o motorista do táxi, enquanto parou na frente de uma hospedaria. Logo ele fora pago pelo serviço.
Após pegar suas malas, John olhou para a hospedaria. Não era uma espelunca, mas também não era nenhum hotel de luxo, como os que já havia se hospedado para escrever outras matérias. Entretanto, não poderia esperar muita coisa de uma cidade pequena. E aquele era o único lugar em que poderia ficar durante o tempo para fazer a matéria.
Sentiu um calafrio, e o vento quase fez seu cachecol voar para longe. Entrou no lugar, enquanto tirava a pouca neve que havia caído em seus cabelos castanhos, e analisou o lugar.
—Olá! Você deve ser o repórter que veio fazer a matéria sobre os desaparecimentos. — falou uma jovem moça, enquanto analisava o homem com seus olhos azuis. — Siga-me, e mostrarei o lugar onde você ficará durante sua estadia.
A hospedaria, por dentro, cheirava a flores silvestres. O refeitório ficava perto da entrada. Logo, os dois pararam na frente de uma porta. Nela, estava gravado numa pequena placa de metal o número 101.
—Como você tinha certeza de quem eu era? — perguntou John, enquanto pegava a chave que a moça lhe entregava.
—Ah!- ela soltou um suspiro leve. — O senhor é o único que ficará hospedado aqui. Na verdade, não temos reservas tem algum tempo. — Antes de entrar no quarto, conseguiu ouvir um outro suspiro vindo dela.
Sentiu o calafrio voltar, e sabia que dessa vez não era por causa do frio. Pelo o que pesquisara, todas as pessoas desaparecidas eram de fora da cidade, e tinham ficado hospedadas ali.
Colocou sua mala no chão e pegou seu notebook. Começou a pensar nos fatos até agora. Algo que seria interessante destacar era o fato de as pessoas estarem com medo de se hospedarem ali, graças aos desaparecimentos. Bem, quando dez pessoas desaparecem, sendo que todas ficaram hospedadas no mesmo lugar, era o mínimo para assustar a todos.
Os desaparecidos tinham uma coisa em comum, além de todos terem ficado hospedados ali; todos estavam viajando a trabalho.
Depois de uma pesquisa não muito longa, o sono acabou prevalecendo. Desligou o computador e deitou-se na sua confortável cama. As cobertas fizeram com que o corpo de John não esfriasse durante a fria noite.
E então veio o sonho. Uma jovem, que, para John, não deveria ter mais do que vinte anos, que estava no meio de um campo de flores silvestres olhou para ele. Seus olhos eram azuis como os céus, e seus cabelos dourados como o mais puro ouro. Sua esposa o mataria se soubesse isso, mas de repente o homem sentiu um enorme desejo de ficar com aquela moça.
—Caso queira me ver outra vez, vá até o quarto 205 da hospedaria. — Sua voz era tão doce quanto o mel, e deixaram um tom de mistério para o homem.
Acordou assutado. Percebeu que estava transpirando, e se perguntou se era por causa do sonho. As cobertas não eram quentes o suficiente para o deixar com calor, apenas para amenizar o frio. Antes de sair do quarto, se perguntou se deveria ver o quarto 205. Era um sonho esquisito demais para ser ignorado.
Então percebeu o cheiro que estava sentindo. Flores silvestres. Talvez o fato de ter sonhado com um campo delas não fosse uma coincidência... Precisava ver aquilo.
Se levantou da cama, indo até o refeitório. Como já esperava, estava vazio. Comeu silenciosamente. Quando terminou, passou pelos corredores da hospedaria, até achar uma porta, com uma placa dourada, gravada com o número 205. Percebeu que o cheiro de flores silvestres estava mais forte, e, como a porta estava aberta, entrou. Não chegou a ver o interior do quarto; desmaiou, e depois disso, apenas se lembrou de acordar numa sala grande. Outras cinco pessoas olhavam para ele, com o olhar triste. Então, começou a reconhecer os rostos. As pessoas desaparecidas estavam ali.
—Me desculpem a pergunta, mas como vocês vieram parar aqui?
Todos contaram suas histórias, e elas tinham uma coisa em comum: Todos tiveram um sonho com a bela moça. Em todos eles, ela pedia para que fossem para o quarto 205.
Porém, tinha algo de errado. Segundo os desaparecidos, eles procuraram a hospedaria pelas cidades próximas, e não acharam nada. Então, voltando para a casa, cansados de esperar e mentir sobre uma viagem a trabalho, encontraram a hospedaria, e ficaram alguns dias hospedados lá, até terem o sonho de novo, e ir ver o quarto 205. Então, elas simplesmente acordaram ali.
Confuso, John começou a passar os fatos do que tinha ocorrido com ele, e os contou para os demais na sala. Todos falaram que não havia nenhuma cidade pequena em que a hospedaria ficava. Alguns até achavam que a hospedaria era apenas uma ilusão.
—Mas e o resto das pessoas desaparecidas? Onde elas estão? — Perguntou, ainda confuso.
Os rostos ficaram cobertos por expressões de dor. Um senhor então disse:
—Nós achamos que aquela moça dos sonhos é algum tipo de ser sobrenatural, sabe? E ela estava precisando se alimentar, porém, queria atrair as presas de alguma maneira divertida. Ela está brincando com nossas vidas como se fosse um jogo! — dito isso, todos, até mesmo o repórter, ainda confuso, começaram a chorar. — Ela veio aqui cinco vezes, e nisso, matou todos os outros com um único encostar de lábios no pescoço. Foi aterrorizante!
Então, a porta que tinha ali se abriu. Aquela moça dos sonhos voltou, mas agora ela não parecia tão bela e radiante.
Com cuidado, ela se agachou, e beijou o pescoço de John. Tudo começou a girar. Ainda conseguia escutar o choro de seus acompanhantes antes de ser apagado completamente.
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