Sonho E Aventura
13 Capítulo 5 - parte 2 -
Parte II – Além do Fim do Mundo
O combate havia acabado. O gigante de perda jazia no chão. Todos estavam cansados, alguns um pouco feridos, mas todos vivos. Um clima pesado pairava sobre os jovens. Tinham lutado em vão já que o inimigo conseguira escapar com a joia. A chegada de Ivan com os outros foi o que os tirou da letargia. Traziam as marcas de seu embate também, algumas escoriações e hematomas os marcavam aqui e ali. Quem primeiro notou a presença de Rafael foi Thais que correu em sua direção prendendo-o num abraço apertado. Além de ter lutado juntos no passado foram também bons amigos na escola. Vê-lo adormecido podendo não mais acordar havia sido um choque para ela. Cinthia e Lucas o cumprimentaram de onde estavam, junto com Ivan eles sorriam.
Lucas: — Pra quem acaba de levantar da cama você parece bem cansado heim?!
Rafael: — Engraçadinho como sempre. Queria ter chegado numa hora mais tranquila, mas não tinha muita escolha, né?!
Um soco forte o acerta no rosto derrubando-o surpreso.
Iza: — Isso é por você quase ter me matado do coração. Dá próxima vez eu mesma acordo você no tapa, entendeu?
Cinthia: — Ela é sempre carinhosa assim? Hahaha!
Acabava o clima sério. Todos sorriam, apesar do ocorrido. Estavam felizes por ver seu amigo de volta. E todos queriam saber o que havia acontecido uns com os outros.
Ivan: — Sabia que conseguiria achar seu caminho de volta. Mas pelo visto teve que sair por outra porta, né?!
Falava sobre a mudança de Rafael. Seus poderes eram completamente diferentes dos anteriores. Sua aura de vento não mais podia ser notada, entorno dele agora pairava uma energia sombria, mas não causava uma sensação ruim. Pelo contrário, apesar de escura era acolhedora. Tão natural como a noite que chega ao fim do dia. Estavam curiosos para saber como e por que havia feito isso, mas aquele não era o melhor lugar para isso. Sem mais nada a ser feito ali, retornaram a casa da Senhora.
Depois de um banho e algum descanso, reuniram-se para que tudo fosse explicado. Rafael contou-lhes sobre seu plano quase perfeito, exceto o fato de não conseguir deter a maldição o suficiente e perder o controle ao fim da luta. A Senhora explicou que já que não podiam retirar a maldição, a selaram para que não crescesse mais, dominando Rafael novamente. Ele conta que despertou sentindo-se estranho, quando tentou expandir sua aura percebeu que não podia fazê-lo. A maldição libertara todo o poder latente dele, mas agora o selo que o impedia de perder o controle também o impedia de manifestar seu poder. Desolado por não poder seguir ao encontro de seus amigos, resolveu então consertar seu arco, mas pensando sobre o caso, decidiu que já não poderia usa-lo como antes sem seus poderes. Com a ajuda da Senhora “forjou” então a espada que mais tarde foi entregue a Marcelo. O presente foi dado a ele por dois motivos. Primeiro como pedido de desculpas por quase terem se matado em combate, segundo porque descobriu outra maneira de usar seus poderes enquanto testava a nova arma. E uma espada dessas não seria a melhor ferramenta agora.
Após a espada ter sido montada, Rafael foi testa-la. Thiago, um dos amigos mais antigos de Ivan chegava a casa com algumas noticias e decidiu ajuda-lo. Simularam um combate corpo-a-corpo apenas, já que Rafael não conseguia usar sua aura e o real objetivo era testar a nova espada. Após alguns minutos os dois já se empenhavam na luta até mais do que o necessário. E foi durante esse teste que Rafael descobriu sua nova maneira de lutar. Quando Thiago recuou para preparar um ataque, Rafael desfere um golpe diagonal com a espada. O ataque vinha de baixo subindo além de seu ombro. O movimento não tinha extensão suficiente para alcançar o adversário, imaginem então a surpresa dos dois quando Thiago é derrubado após bloquear uma lâmina formada pela sombra de Rafael que se alongou além da arma. Dali em diante se empenharam algumas horas a fim de desenvolver algumas técnicas que pudessem ser usadas em combate utilizando esse novo poder.
Wagner: — Isso explica muita coisa, mas “peraí”. Você falou algumas horas?
Como deu tempo de fazer tudo isso e ainda alcançar a gente. Da forma que fala parece até que nós lutamos uma semana até você chegar.
Senhora: — Quatro dias na verdade!
Iza: — O que?? Tudo bem que no calor da luta a gente não presta atenção no tempo, mas isso já é meio demais, né?!
Senhora: — Deixe-me explicar. Depois que partiram Rafael ainda ficou desacordado por um dia inteiro. A espada demorou outro dia para ficar pronta, no terceiro ele treinou e no quarto alcançava vocês. Isso porque aqui o tempo também não corre regularmente. Nesse lugar onde estamos ele passa mais rápido e para a sorte de todos, no lugar onde estavam, ele passava mais devagar que o normal.
Marcelo: — É aquele lugar era estranho mesmo. Aquele céu vermelho e árvores esquisitas. Nada que me disser sobre um lugar como aquele me surpreende. Hahaha.
Rafael: — É muito estranho, no ultimo dia antes de partir pude ver o que acontecia com vocês. Assistir daqui era como ver um filme em câmera lenta. Sai logo após a espada de Marcelo se quebrar. Por isso levei a nova para o caso de precisarem e rezei para chegar antes que alguma coisa pior acontecesse.
Wagner: — E chegou na hora exata. Mas para uma chegada tão dramática, você tinha era que detonar aquela coisa sozinho. Estilo herói de quadrinhos. Hahaha
Rafael: — Nem me fala. Já foi uma sorte tremenda o Thiago me ensinar aquela técnica. Ele tinha lutado contra um cara que a usava e me passou o fundamento dela. Era o Punho Sombrio, um ataque equivalente ao seu Punho Explosivo. Durante o treino conseguimos leva-lo ao segundo nível, que foi aquele que usei junto com você.
Iza: — São muito parecidas mesmo, mas o seu ataque não explode?
Rafael: — Não. É uma técnica adaptada. A original só os que controlam fogo, como o Wagner, conseguem mesmo usar. Eu só consegui aprender ela rápido, porque já conhecia uma versão parecida, só que com o uso do vento.
Marcelo: — Hehe, tinha que ser o Wagner mesmo pra usar isso. Com o sobrenome de homem-bomba que tem, uma técnica assim é a cara dele.
Iza: — Mas e vocês? – Falava com Ivan, Lucas e as irmãs – Chegaram logo que a luta acabou. Bem poderiam ter vindo um pouquinho antes, né?!
Cinthia: — Ah, eu explico. Vocês não puderam ver, pois já tinham saído na frente. Não bastasse a gente ter ficado pra enfrentar um batalhão, eles não eram humanos. Eram apenas bonecos de barro animados. Não eram fortes, conseguíamos derruba-los aos montes, mas pro nosso desespero eles se regeneravam e voltavam a nos atacar. Até que de repente, todos caíram de uma única vez. Então fomos até vocês.
Wagner: — Eram como o Golem. Ou algo parecido com ele, devem ter “morrido” quando o gigante caiu.
Senhora: — Está certo. Todos eles eram controlados pela Pedra que foi levada. Quando destruíram o gigante e a pedra se foi, o poder que os dava vida também acabou.
Thais: — Realmente é um poder surpreendente. Agora entendo porque o querem tanto. Precisamos ir atrás deles tanto antes.
Senhora: — Sim, é o que será feito. Mas não por vocês. Ivan, Thiago trouxe noticias sobre a revolta. Precisam de você de volta para auxilia-los no comando. Thais, Lucas e Cinthia vocês seguirão para outro lugar. O Mal age de muitas formas e uma outra ameaça esta surgindo, precisarão de vocês para combatê-la. No momento terei de deixar apenas que vocês quatro, Rafael, Marcelo, Iza e Wagner cuidem de recuperar os artefatos roubados.
Assim terminava aquela reunião. Despediram-se rápido e logo pegavam suas coisas e partiam novamente. Ivan voltava a outro campo de batalha como capitão. Lucas e as irmãs seguiam para outra jornada, receberiam mais detalhes por alguém que os aguardava. E por fim partiam os quatro agora para seu destino. Em seus corações uma única certeza: Venceriam ainda que lhes custasse à vida.
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