Capítulo V

Iza desperta, havia retornado com os outros à casa da Senhora havia algumas horas e assim como Wagner precisava de descanso. Desceu as escadas chegando a sala de estar, Wagner já estava lá. Comia um pedaço de bolo, também havia na mesa sucos e pães. Ele se levanta ao notar a chegada da amiga.
Wagner: — Então, como está? O ombro melhorou?
Ela se senta tomando para si um copo e um dos pães. Acena com a cabeça dizendo que está bem. Sua cabeça está longe, seus pensamentos no momento são em relação a seus amigos.
Wagner: — Sei o que lhe preocupa, mas pode relaxar. Eles vão ficar bem, nós os trouxemos a tempo. – sorri.
Os dois estavam apreensivos, quando retornaram Marcelo e Rafael estavam muito mal. Marcelo tinha alguns ossos quebrados devido a luta, o ultimo ataque recebido lhe havia partido algumas costelas e deslocado seu ombro. Rafael também estava péssimo, além de pequenos ferimentos havia aquele grande corte que recebeu ao desviar-se do ataque. A espada chegou a perfurar seu pulmão. Quando chegaram ele estava quase morto devido a perda de sangue.
– Hey, que cara é essa pessoal?
Era Marcelo que entrava na sala. Caminhava normalmente, era impossível dizer que havia se ferido tanto a pouco tempo atrás. Sentou-se a mesa e começou a comer rapidamente.
Iza: — Mas como assim que cara é essa? Você quase morreu, criatura.
Wagner: — Cara, como se recuperou tão rápido? Você estava muito mal quando chegamos, sabia?!
Marcelo: — É já me contaram. Mas os poderes da Senhora são surpreendentes. Além disso, Ivan também estava aqui, lembram?! Ele também conhece algumas habilidades de cura. Enfim, é ótimo estar de volta, é como acordar de um pesadelo. Eu sabia que eram vocês, mas não conseguia fazer nada. Foi como estar preso num corpo que não era meu, eu queria parar, mas não conseguia. Até o que eu dizia estava fora da minha vontade.
Iza: — Sim, nós sabemos. Você estava sendo manipulado por eles. Mas e o Rafael onde está?
O rosto de Marcelo ficou sombrio por um instante.
Wagner: — Ei, o que foi? Não me diga que ele não está bem. Ele sofreu um belo estrago também, mas sei que voltamos a tempo. Onde ele está? Diga logo!
Marcelo: — Droga! Tudo por minha culpa! – ele tinha lágrimas nos olhos
Iza: — Marcelo, para com isso! Cadê ele?
– Acalmem-se todos. Rafael está bem. Ao menos está vivo.
Ivan entrava na sala acompanhado da Senhora. Ambos pareciam cansados. Gastaram uma grande quantidade de tempo e energia na recuperação de todos.
Iza: — Como assim ao menos está vivo? O que quer dizer com isso? Vocês podem, por favor, parar com essa enrolação e nos dizer o que houve?
Senhora: — Desculpe por isso, minha criança. Não tivemos a intenção de preocupa-los tanto. Rafael está bem, fisicamente. Foi isso que Ivan quis dizer. Ele está em repouso ainda, o problema agora é sua mente. Mesmo depois de tudo que fizemos, ele ainda não retornou.
Wagner: — E por que não? Não aconteceu com ele o mesmo que com Marcelo?
Ivan: — Sim, e não! No caso do Marcelo ele foi capturado e “transformado” a força. Desde o principio ele esteve lutando contra a maldição lançada contra ele. Quando removemos o feitiço sobre ele, sua mente retornou ao normal. Com Rafael foi diferente. Para conseguir não ser controlado totalmente ele não lutou contra a maldição. Pelo contrario Rafael fez da maldição parte dele, assim conseguiu manter-se dono de si até aquele momento.
Senhora: — Ele arriscou muito ao fazer isso. Como vocês mesmos puderam ver, ao fim da luta ele já não reconhecia mais nenhum dos dois. Só pensava em acabar com o adversário. Ali ele já havia sido dominado pelo feitiço. Assim fizemos por ele tudo o que podíamos. O feitiço criou raízes nele que não podem ser banidas por ninguém além dele agora.
Iza: — E quanto tempo vai demorar até ele voltar? Quando acham que ele vai acordar?
Ivan: — Não sabemos. Não quero nem pensar nessa hipótese, mas pode ser que ele nunca mais acorde...
Marcelo mantem os olhos baixos, agora é Iza quem está com lagrimas nos olhos e Wagner ainda incrédulo olha de Ivan para Senhora esperando que digam algo mais que possa mudar aquela situação.
Senhora: — Não quero parecer insensível, mas temos que falar sobre nossa missão. Ivan estava aqui, pois trazia informações sobre o inimigo. Eles já conseguiram chegar à Pedra de Gaia e a estão guardando numa de suas fortalezas. Temos um plano de ataque e precisamos que vocês ajudem.
Todos se prontificaram a ajudar. Aquela jornada já estava custando mais caro do que esperavam e desejavam por um fim nisso tudo o quanto antes. Enquanto comiam ouviram o que havia sido planejado, era um plano simples e cheio de falhas, mas não tinham tempo para discutir qualquer outra coisa. Estava então decidido, invadirão o local da maneira mais rápida possível e tomarão a pedra. Lutas devem ser evitadas ao máximo, já que não há certeza de quantos inimigos estarão lá dentro.
Tudo acertado, logo estavam se preparando para sair. Foram até o leito de Rafael para se despedirem. Desejaram-lhe sorte e pediram que voltasse logo. Saíram da casa, a Senhora os aguardava junto dos guerreiros que acompanhavam Ivan. Eram aqueles que já lutaram tendo Rafael como parceiro também, Lucas, Thais e Cinthia. Havia preparado o transporte deles. Pediu para que tomassem cuidado. Então partiram para mais um desafio.
O portal que utilizaram lançou-os as margens de uma floresta, esta era densa e com arvores muito estranhas, nunca vistas por nenhum deles. O céu era rubro e as nuvens escuras, com certeza não estavam mais no seu mundo. A sua frente havia um descampado que avançava até os muros de uma grande fortaleza. As paredes alcançavam quase dez metros, tornando impossível saber o que gradavam. O lugar era enorme e pelo que puderam observar tinha forma circular, ficando ao centro do descampado nisso que seria como uma imensa clareira. Não restando alternativas avançaram em direção a fortaleza.
Ao aproximarem-se do local perceberam alguma movimentação à borda dos muros. Antes que a maioria pensasse em algo Ivan já dava o alerta.
– Arqueiros!
Espalharam-se na tentativa de tronarem-se alvos menores. De nada serviu a estratégia. Os arqueiros eram muitos e logo uma chuva de flechas caia sobre todos eles, não deixando espaço vazio em lugar qualquer. Momentos antes de serem atingidos todos pararam encarando a chuva mortal. Ninguém notou o sorriso que surgia no rosto de Marcelo.
Marcelo: — Sifão!
A técnica formava um ciclone que girava em direção ao solo. As flechas ao se aproximarem dele era rapidamente desviadas ao chão, num circulo perfeito ao redor dele que se mantinha de pé numa área livre de perigo.
Wagner usou seu Punho Explosivo contra o chão. A onde de choque e fragmentos do solo formaram uma barreira desviando e bloqueando as flechas que vinham em sua direção. Em volta dele, cada um dos guerreiros usava seus poderes a seu modo para se protegerem do ataque.
Iza: — Repelir!
Essa técnica que havia sido criada durante sua viagem no Salão do Tempo e não tivera a chance de usa-la na luta contra Marcelo, formava uma defesa eficiente. Ao mesmo tempo em que se punha atrás do escudo, uma esfera de agua a cercava como uma bolha. Quando as flechas a alcançaram ela estourou lançando-as em diversas direções.
Wagner: — Ei, ei! Cuidado com isso ai!
Duas das setas desviadas por Iza caíram bem ao lado dele quase a seus pés. Marcelo do lado esquerdo da garota segurava uma flecha que viera em direção a seu peito.
Iza: — Opa, desculpa!
Ivan: — Não é hora para isso gente. Todos aqui comigo!
Era verdade, não havia tempo para brincadeiras. O inimigo preparava outra bateria de flechas. Todos sabia que suas forças se esgotariam antes das flechas se ficassem apenas se protegendo. Estava na hora de atacar.
Reuniram num circulo, Thais estava ao centro. Já concentrava sua aura.
Thais: — Segurem-se! Empalar!
A técnica que servia para criar lanças que surgiam abaixo do inimigo, fora adaptada formando um pequeno patamar que se elevava em direção à murada. As flechas foram lançadas, Lucas foi a frente a de todos.
Lucas: — Barreira de Água!
Uma onda formou-se a seus pés, bloqueando as setas. Estavam a beira do muro quando Cinthia avança de trás.
Cinthia: — Ivan, preciso de uma ajuda aqui!
Ivan: — Pode ir! Asas Brilhantes!
As asas surgem as costas da garota enquanto ela salta através da defesa de Lucas. Seu corpo leve ganha grande altitude com o auxilio da magia de Ivan. Estava sobre o inimigo agora.
Cinthia: — Phoenix Breath!
O brilho de sua aura era intenso. Lançou sobre os arqueiros um rajada de fogo poderosa abrindo espaço entre eles ao mesmo tempo em que chegavam os outros. Era espetacular a sintonia que havia entre eles, o resultado do trabalho em equipe de muitos anos e muitas batalhas.
Vendo que alcançavam a muralha os guardas já deixavam de lado os arcos e preparavam espadas, machados e outras armas para combate fechado. Não seria uma tarefa fácil derrubar a todos.
Ivan: — Iza, Wagner e Marcelo vocês descem e procuram a pedra. Nós cuidamos deles.
Wagner: — Você está louco?! Tem mais de cinquenta caras aqui em cima!
Lucas: — Vão logo! Peguem a pedra e a gente vai embora, nós só precisamos ganhar tempo pra vocês e eles não parecem ser muito fortes.
Concordaram meio a contra gosto, pois não havia tempo a perder e alguns soldados já chegavam. Pularam lá de cima, chegando ao chão sem problemas, Marcelo criara asas para aparar a queda dos três. Correram em direção a única construção lá dentro. Parecia com um grande galpão. A metade do caminho pararam, o chão estava tremendo. Recuaram em posição, esperavam uma investida, mas não aquilo. Sob a fina camada de areia que havia no pátio algo se movia. Duas grandes portas afastaram-se revelando que havia uma construção no subsolo. De lá emergia uma plataforma, sobre ela um grande ser de pedra repousava. Media quase cinco metros, em seu ombro uma figura já conhecida: Cibele.
Cibele: — Bem vindos ao seu tumulo! Deveriam ter corrido quando tiveram a chance. E você Marcelo, estou muito triste por ter negado meu presente – disse fingindo falsos sentimentos. – E onde está aquele farsante? Como ele pode me usar daquele jeito?! – sua fala agora era uma mistura de desdém e raiva.
Iza: — Não é da sua conta onde está o Rafael. E dessa vez nós acertaremos as contas com você, sua bruxa!
Marcelo e Wagner observavam ainda em prontidão. Não disseram nada, mas um olhar cumplice bastava. Havia notado de imediato que as duas se detestavam mutuamente
Cibele: — Quanta ousadia. Veremos se faz jus a estas palavras, garota. Emeth, desperte e acabe com esses invasores!
Ao proferir as palavras, o golem acorda. Seus olhos brilham, ele ergue a cabeça e se levanta ao mesmo tempo em que Cibele desce por suas costas. Ele tem a forma de um homem, seu corpo todo feito de pedra, ele urra. É o inicio da batalha.