Sonho E Aventura
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Evans: — Acabou?! O que acontece agora?
Marcelo: — A gente vai embora logo daqui.
Rafael: — Temos que aproveitar essa bagunça, antes que as pessoas percebam o que aconteceu e comecem as perguntas.
Evans: — Entendi, mas e o Wagner?
Wagner: — Eu vou com vocês. – diz enquanto se levanta.
Evans: — Aiii...quer me matar de susto criatura?!
Rafael: — Ótimo. Pelo menos sei que não foi tão grave. Vamos para minha casa, não é muito perto, mas ainda chegaremos antes das de vocês.
Marcelo: — Eu não vou, minha mãe está aqui e estamos de carro. Deixo ela em casa e encontro vocês depois.
Rafael: — Tudo bem, mas tome cuidado. Alguém aí fora sabe que você estava ajudando.
Marcelo: — Eu me viro. Cuidado vocês também. – E saiu em direção a biblioteca para procurar por sua mãe.
Wagner: — Vamos então?
Assim era Wagner, introvertido a primeira vista, sempre de poucas palavras, mas quem o conhece sabe que é uma pessoa amigável e divertida. Seu tom de voz é sempre baixo e sua expressão parece nunca mudar. Possui estatura baixa e um porte mediano. Aparentemente se dá muito bem, com Marcelo e também conversa bastante com Iza e Rafael.
Assim partiram apenas os três, na saída perceberam algumas cadeiras deformadas pelo fogo no pátio e algumas pessoas caídas, mas ninguém parecia muito ferido. Pessoas correndo e outras simplesmente paradas como se não acreditassem ou entendessem o que havia acontecido.
.Estavam então na rua, lá fora nada parecia diferente, exceto por uma certa agitação causada por uns e outros que haviam corrido do prédio.
Evans: — Então, quando é que começam as explicações? Quem era aquele cara, o que ele queria afinal? E por que você parece tão natural a tudo isso Rafael? Sem falar no fato que eu consegui realizar um feitiço, coisa que só tinha visto nos filmes ou livros.
Wagner: — É verdade. Quando bloqueei aquela bola de fogo, você disse algo sobre pra que aquilo servia ou como usa-la. Como você sabe de tudo isso?
Rafael: — Assim que chegarmos em casa eu explico tudo que puder, mas por hora precisamos ir logo.
A casa não ficava muito longe e em menos de 20 minutos já estavam os três na sala. Rafael começa então a lhes explicar o ocorrido, ao menos o que podia ser explicado até então.
Rafael: — Bom, vamos por partes. Alias, eu nem sei por onde começo. Me senti de novo com 14 anos de idade. – Frase está que só tornou mais confusos os rostos dos outros – Enfim, é o seguinte, eu não sei quem era aquele Dominique, mas notei uma marca em seu pulso que me é familiar, embora não consiga me lembrar de onde.
Wagner: — Tá, e quanto aquelas bolas de fogo e feixes de luz?
Evans: — E asas e barreiras e o que eu fiz com a água??
Rafael: — Calma gente, uma coisa por vez. Independente do que ou quem tenha feito, tudo isso pode ser dito como magia. Não magia como truques ou feitiçaria. Magia elemental, é a sua essência, que chamamos de mana, unindo-se com o ambiente a sua volta para realizar algo a sua vontade. Mesmo que inconscientemente como foi o caso do seu escudo de fogo, Wagner.
Evans: — E meu feitiço da perna-presa? Como aquilo deu certo??
Rafael: — É como eu expliquei, a vontade conduz seu elemento a sua ordem. O feitiço foi apenas a maneira como você visualizou o que queria. A intenção era que ele estivesse preso ou parado, certo?! Tanto é, que se bem me lembro, nos livros ninguém precisava destruir um bebedouro pra amarrar alguém, né?!
Iza ri da cômica situação, ainda não tinha pensado na bagunça que ela mesma causara. Afinal após Dominique desaparecer, a água que o detinha se espalhou por todo lado, fora a água que vinha pelo encanamento na parede arrebentado graças a ela.
Wagner: — OK, mas a principal pergunta aqui eu acho que é essa: Como você sabe de tudo isso??
Rafael: — Bom, isso poderia se tornar uma longa história, mas de forma rápida e prática, posso dizer que já tive que combater pessoas como Dominique. Eu tinha 15 anos, estava numa aula de japonês quando um cara apareceu do nada e sequestrou uma de nossas colegas. Três amigos e eu fomos resgatá-la, o que nos lançou através do tempo ou de dimensões diferentes. Sinceramente ainda não acredito que tenha sido verdade, alias não acreditava, até me ver numa situação dessas de novo.
Ele falava enquanto andava pela casa, reunindo pequenas coisas como alguns remédios e bandagens. Também pegou alguns biscoitos no armário, colocou-os na mochila e logo estava indo para seu guarda-roupas de novo. Voltava então com um estojo pequeno, parecendo conter algumas facas pequenas e uma capsula estranha.
Rafael: — Nunca achei que precisaria usar isso de verdade.
Evans: — O que é isso? Pra que pegou essas coisas? E o que você quer dizer com passar por isso de novo? Você não está pensando em ir atrás dele, não é?!
Wagner: — Sabe, pode parecer loucura, mas eu estou afim de dar o troco naquele cara. Apesar que, eu não sei como, mas meu braço parou de doer.
Rafael: — Ótimo e é assim mesmo. Quando se começa a trabalhar com energia o corpo passa a utilizá-la para curar feridas e diminuir fadiga. Aqui, esta camisa está justa para mim, não deve ficar grande em você. Enfim, peguei essas coisas porque provavelmente iremos “viajar”. E isso – agora mostrando a cápsula – é o nosso transporte.
Wagner troca sua camisa que se estragou no combate. Rafael, não o espera, abre a cápsula e de dentro dela sai esfera negra pulsando de energia. Ela fica flutuando a frente deles. Iza e Wagner se entreolham cheios de dúvidas.
Rafael: — Vamos. Só precisam tocar nela. É seguro, acreditem.
Iza encosta primeiro, desaparecendo em seguida como que engolida pelo pequeno globo. Wagner toca em seguida, depois Rafael. A esfera brilha e desaparece sem deixar rastro de que alguém esteve ali.
Surgem então num belo gramado, uma área descampada imensa se estende além do alcance de seus olhos. Tudo que parece haver ali é uma casa de três andares, algumas árvores próximas e um caminho ladrilhado que começava a poucos passos de distancia do trio e seguia até a entrada da casa.
Evans: — Onde estamos? E você não disse ainda porque aquele cara estava atrás da gente.
Rafael: — Isso eu também não sei. É por isso que estamos aqui. Essa é a casa da Senhora. Ela fica num lugar entre dimensões ou algo assim. O único modo de se chegar aqui é com aquela esfera que usamos. Vamos lá falar com Ela e conseguir algumas explicações.
Ao se aproximarem notaram algum movimento na casa, a porta estava aberta então decidiram entrar. Na sala estavam um casal de meia idade e alguns jovens, ninguém pareceu surpreso com a chegada dos três. Algo estava sendo discutido seriamente. Mais dois minutos se passam e eles parecem terminar. Rafael reconhece alguns deles, Ivan Yukio, Lucas, Thais e Cinthia. Fora com eles que se aventurara a primeira vez. Ivan foi quem apresentou a Senhora e acompanhou-os na jornada afim de resgatar Cinthia que havia sido sequestrada pelo Barão. Ele parece não ter mudado quase nada, alto o cabelo preto liso e traços orientais. Thais tornou-se uma bela mulher, sua estatura não é elevada, mas possui o corpo bem desenvolvido, seus cabelos longos chegam até a cintura e também é oriental. Lucas é quem parece ter mudado mais, não está mais magro como antes, seu corpo agora parece forte, mesmo não sendo muito musculoso sua expressão não é mais a daquele garoto brincalhão de antes. E por fim Cinthia, tem por volta de 20 anos agora, sua estatura ainda é baixa, o corpo menos desenvolvido que o da irmã, mas ainda sim belo, parece se mover com precisão. Deve ter se tornado jogadora de vôlei como queria quando mais nova, pensa Rafael.
Terminada a discussão, todos se levantam. Os citados acima cumprimentam rapidamente Rafael e saem para o gramado. Algo parece exigir urgência. Lá fora algumas esferas como aquela usada por Rafael estão prontas para serem usadas. Os jovens apenas se desviam do caminho para pegar algumas mochilas e armas diversas num pedestal e logo desaparecem nas esferas.
Rafael: — Senhora, o que está acontecendo? Viemos aqui porque fomos atacados, mas esperava um incidente fechado como foi com o Barão. Por que estavam aqui todos eles. – dizia sem ao menos ter entrado de volta a casa.
Senhora: — Acalme-se meu rapaz tudo será explicado, agora sentem-se e comam algo.
Todos concordam. Já acomodados olham ansiosamente, aguardando as explicações que logo se seguem.
Senhora: — É isso meus jovens, coisas estranhas ocorreram nesses últimos dias. Alguém invadiu o Tempo de vocês e está procurando algo. Um ataque aconteceu num museu em São Paulo e não sabemos ainda o que foi levado. E alguns colecionadores de artefatos também foram mortos sem nenhum motivo aparente além do obvio, estão procurando por algo.
Evans: — O cara que nos atacou disse algo sobre ter encontrado o que procurava, mas não entendi direito.
Senhora: — Isso pode ser importante, o que ele queria?
Evans: — Não tenho certeza, mas parecia ser a minha varinha do Harry Potter. Uma replica do filme. Um amigo me deu de presente.
Senhora: — E onde ele a conseguiu? Ela está aí com você?
Evans: — Está sim. Não, espera, acho que esqueci na casa do Rafael quando viemos pra cá.
Senhora: — Isso pode ser importante. Como ela é?
Evans: — Ah, é de madeira, tem uns 30 cm com uma empunhadura para dar mais firmeza ao segurá-la. Só isso...ah, e tem uma pedra azul no fundo.
Senhora: — Não pode ser!! Pelo que me descreveu isso não é uma replica qualquer. Essa varinha é uma das Três Relíquias da Ordem. Aconteceu algo de estranho enquanto estava com ela?
Rafael: — Senhora, eu mais do que eles posso dizer que sim. Ambos nunca tinham utilizado magia. Wagner que foi atingido não deve ter visto, mas conseguimos vencer graças a um movimento da Iza, que imobilizou Dominique. Esse é o nome de quem nos atacou. Mas o que me chamou atenção é que foi fora do comum a força com que o ataque o atingiu, nunca vi alguém na primeira tentativa realizar algo daquele nível.
Senhora: — Isso é prova mais que suficiente para as minhas suspeitas. Essa varinha, como você chamou, detém o poder de controlar as águas e os ventos. Alias o que exatamente faz isso é a joia. É a Pedra da Lua. Uma das relíquias que falei antes. Juntamente com a Pedra do Sol, capaz de controlar o fogo, e a Pedra de Gaia, capaz de controlar a terra.
Wagner: — Mas como essa joia, foi parar num brinquedo? Isso não deveria estar guardado e sendo vigiado ou algo do gênero?
Senhora: — Durante algum tempo isso foi feito, mas algumas pessoas ainda tentavam conquistar esse poder. Ataques começaram a ser cada vez mais constantes e era quase impossível guardá-las em segurança. Assim, foram escolhidos 3 guardiões para escondê-las sem que os outros soubessem onde, para que nenhum deles ficasse tentado a possuir esse imenso poder. E com o passar do tempo, perceberam que era mais fácil, esconde-las entre as coisas comuns do que num lugar próprio para isso. E tinha funcionado bem, até agora. Seja lá quem for que as quer, descobriu um meio de rastreá-las e agora temos de agir.
Rafael: — Está bem, mas o que podemos fazer de imediato? Sem ofensa gente, mas eles ainda não estão prontos pra lutar. E mesmo eu, não combato a muito tempo, também estou muito aquém do que seria necessário.
Senhora: — Sim, de certo modo concordo com você, mas o que precisamos agora é simples. Voltem para sua casa e tragam a relíquia. Com ela em segurança, talvez tenhamos algum tempo para organizar outra investida. Mas primeiro subam até os quartos e peguem algumas armas. Não temos como saber o que nos espera.
Evans: — Obrigado Senhora, mas sinceramente eu preferia não ter que lutar ou machucar ninguém.
Wagner: — Você diz isso, porque não foi você que quase morreu nas mãos daquele maldito.
Todos se surpreendem com o comentário, mas parece ter feito a diferença, pois todos sobem logo em seguida para se equipar.
Senhora: — Peguem aquilo que lhes parecer melhor, precisarão sentir-se a vontade com suas armas. E Rafael seu arco ainda está aqui. – Apontando uma pequena estante onde repousava um arco prateado e uma aljava carregada de flechas.
Rafael: — Ótimo, mas...esse não é o meu arco. O meu é de madeira e não tem essas lâminas no corpo.
Senhora: — Sim é ele. Seu arco Trigger Foi emprestado a uma garota que acabou por quebrá-lo em batalha. Larissa, não aceitou a ideia de devolvê-lo assim e com sua magia o consertou revestindo-o de prata e acrescentando as lâminas caso não houvesse espaço para sacar uma flecha ou até mesmo se elas já tiverem sido usadas todas. Seu nome agora é Silver Trigger.
Rafael pega o arco para examiná-lo. Ao tocá-lo percebe mesmo que esta é sua antiga arma, mesmo por baixo da camada metálica. Como foi modificado magicamente, parece ter ficado mais resistente ao mesmo tempo que seu peso em nada fora alterado. As lâminas parecem muito afiadas, realmente podem ser muito úteis em espaços fechados.
Assim, cada um escolhe uma arma. Rafael segue com seu arco e flechas, Wagner fica com uma lança média, entalhes em laranja dão a impressão que está em chamas, exceto pela ponta feita de uma jóia vermelha talvez um rubi, e por fim, Iza escolhe um conjunto espada-escudo. É um escudo médio, nele há dois espaços onde se encaixa a espada, dispensando assim o uso de uma bainha. A espada é do estilo medieval, retangular não muito longa. Feitos em aço, possuem um reflexo azulado ondulante, causam a impressão de que se encara um espelho d’água.
Seguem de volta para o gramado. A Senhora lhes entrega outra esfera de retorno desejando-lhes sorte. Espera que retornem logo e em segurança. Aponta uma das esferas num canto, aquela que os levará para casa e se despede, enquanto eles desaparecem ao tocá-la.
Ao retornarem estão em frente a casa de Rafael. Algo parece ter acontecido. A porta da frente destruída por algum tipo de explosão. Entram rápido, tudo está revirado e algumas coisas chamuscadas ou ainda em brasa. Surge então de um dos cômodos uma figura que já lhes era familiar, Dominique. Suas roupas eram diferentes agora, usa uma armadura leve, pequenas peças que protegem pontos vitais apenas, permitindo que se movimente sem incomodo.
Dominique: — Enfim, chegaram. Eu esperava por vocês, aquele seu amigo japonês não sabe fazer muita coisa sozinho, sabem?! Agora será a vez de vocês.
Rafael: — Marcelo?! O que você fez com ele, maldito. Onde ele está?
Dominique: — Hahaha. Ele já foi levado, faremos com que se junte a nós, aquele garoto parece ter algum potencial. Agora que encontrei a Relíquia da Lua, apenas esperava por vocês para me vingar da humilhação passada.
Agora notavam, a varinha que era de Iza presa no cinto do adversário. Teriam de lutar se a quisessem de volta.
Evans: — O Marcelo jamais ajudaria vocês. Você não passa de um mentiroso.
Dominique: — Ele disse o mesmo, mas acreditem, podemos ser bem persuasivos. Agora chega de conversa, tenho de retornar ao meu Mestre. Mas não antes de acabar com vocês. Bola de Fogo.
A esfera voa na direção dos três, Rafael se põe a frente.
Rafael: — Barreira de Ar! – Novamente a parede se forma, mas dessa vez o impacto era esperado, logo não foi atirado para trás como anteriormente. – Esse truque não funcionará de novo. Asas Brancas!
O cômodo não é muito grande, as flechas aqui não são de grande ajuda, por isso Rafael avança novamente para o combate corpo-a-corpo. Dominique saca uma espada de suas costas e se prepara para a investida. Esperava cortar Rafael ao meio com um golpe vindo de cima, quando é surpreendido ao ver seu ataque bloqueado pelo arco. Um soco forte o atinge no meio do rosto, abrindo um pequeno corte em seu lábio.
Dominique: — Verme insolente. Aqui será sua sepultura. Aquecer!
Copiando a técnica de Rafael, ele também ganhar mais agilidade e ambos começam a se atacar, veloz e impiedosamente. Dominique parece começar a ganhar vantagem, pois Rafael começa a se defender cada vez mais com dificuldade.
Evans: — Droga, a gente precisa fazer alguma coisa! Isso não está indo bem.
Wagner: — Falar é fácil. Mas eu nunca lutei antes. Mal sei segurar essa coisa.
Evans: — Eu também não, mas ele precisa de ajuda. Ele disse que a magia serve a nossa vontade não é?! Podemos usar isso.
Wagner: — É, eu posso tentar isso.
Wagner fecha os olhos por um instante. Lembra-se de quando foi atingido por Dominique. Uma raiva incontida cresce dentro dele, seu olhos se abrem. Parecem em chamas. Sua aura brilha num tom avermelhado.
Wagner: — Ei, idiota. Minha vez, Bola de fogo!
Sua mão apontava Dominique, que estava de costas apenas tendo tempo de virar a cabeça antes de ser atingido. Isso dá tempo a Rafael de levantar de um golpe que havia recebido.
Dominique: — Hunf, vejo que aprende truques novos, garoto. Mas o fogo é também meu elemento. Ataques de alguém do seu nível apenas me fazem cócegas.
Evans: — É mesmo?! E isso aqui? Jato de Água!
Por um instante é difícil respirar, toda a umidade do ambiente se concentra na palma de Iza. Um jato violento se segue, mas parece não surtir efeito, para a surpresa de todos. A sala se enche de vapor, então notam. Em torno de Dominique uma parede de chamas se forma, impedindo que seja atingido.
Dominique: — Com essa Barreira de Fogo seu ataque se torna inútil. Eu já disse. O nível de vocês é muito baixo para me enfrentar. Agora me deixem acabar com esse seu amiguinho e logo será a vez de vocês.
Dominique avança novamente sobre Rafael. Este se defende como pode, mas os ataques estão se tornando cada vez mais violentos.
Rafael: — Vocês precisam pensar em algo melhor. Eu não vou conseguir segurá-lo muito tempo sozinho.
Ao dizer isso um golpe segue-se vindo de cima. Ele bloqueia e tenta girar por baixo para atingir Dominique no estomago, mas o inimigo é mais rápido. Um ataque o atinge, um corte transversal em suas costas o atira pra frente, fazendo com que caia próximo de seus amigos. Iza grita e corre em direção a ele. Wagner empunha a lança e se põe entre Dominique e eles.
Evans: — Rafa! Rafa levanta! A gente precisa da sua ajuda.
Rafael: — Frio...
Evans: — O que? Não, não está frio...levanta, por favor!
Rafael: — Dom...cair...frio... – E desmaia.
Wagner: — Ele está bem? O que ele disse?
Evans: — Não, acho que ele desmaiou, falou que estava com frio eu acho.
Wagner: — Então é com a gente mesmo.
Ele avança sobre Dominique tentando um ataque direto, que é facilmente desviado. Dominique ri da tentativa.
Wagner: — Não, subestime as pessoas...você pode se machucar.
Por um segundo, o ar se torna mais frio quando sua aura brilha. O calor do ambiente é roubado, enquanto seu corpo se prepara para combater.
Wagner: — Aquecer!
O corpo de Wagner brilha um instante e absorve a aura de volta. Seus movimentos se tornam mais ágeis. Ataca novamente com três estocas rápidas. Dominique surpreso tenta se defender, mas o último golpe o atinge, perfurando seu ombro esquerdo, embora não muito profundamente.
Dominique: — Vejo que ganhei uma sombra. Até quando pretende copiar meus movimentos, garoto? Vejamos então se é rápido o suficiente.
Wagner se prepara para defender-se, mas Dominique não vai em sua direção e sim na de Iza, que ainda estava no chão agachada ao lado de Rafael. A espada desce. Ouve-se o som do metal se chocando. Em seguida o sorriso de Dominique se desfaz, ao notar que sua espada não atingira a garota, mas sim seu escudo.
Dominique: — Como pode ter sido tão rápida?! – grita.
Evans: — Fluir! – ele ouve enquanto a aura da garota ainda brilhava azulada.
Iza tira a espada do escudo, seus movimentos são leves como um rio caudaloso. Ela gira ainda com o escudo acima do ombro, a espada em punho atinge a perna de Dominique atravessando sua panturrilha. Ele grita e pragueja enquanto recua alguns passos. Wagner se posiciona ao lado dela. O olhar de ambos é sério, ambos estão prontos para lutar até o fim.
Wagner avança, Dominique com a perna agora ferida, não é mais tão rápido, mas ainda consegue se defender desviando a lança e acertando o rosto de Wagner com o cabo da espada. Ele cai, apenas por um instante. Mas percebe algo que lhe faz entender o que Rafael queria dizer. Wagner se levanta e recua na direção de Iza.
Wagner: — Você consegue fazer aquele negócio com a água de novo?
Evans: — Acho que sim, mas você viu que não funciona! Esse cara consegue se proteger dela.
Talvez não. Ele diz, indicando com o olhar um lugar no chão próximo a eles. Iza olha rapidamente, logo compreende o que ele queria dizer. Devolve a espada no escudo e começa a concentrar sua aura.
Dominique: — Garota tola, o que acha que vai fazer? Desistam e eu prometo que acabo com isso rapidamente.
Evans: — Quem está acabado aqui é você! – Estende sua mão enquanto um jato d’agua vai em direção ao inimigo.
Dominique: — Barreira de Fogo! – A parede se forma, mas ele percebe tarde demais que algo está errado.
Wagner, Evans: — Lança de Gelo!
A aura dos dois se mistura, chamas azuis aparecem em torno deles. O jato de água se cristaliza no meio do caminho, tornando-se um arpão. A Barreira de Fogo é incapaz de detê-lo, enquanto atravessa tanto o bloqueio quanto o peito de Dominique. Seu corpo é atirado contra a parede, ele cai de joelhos. Seus olhos já estão quase se apagando.
Dominique: — Heh, muito bom. – diz sarcástico – Mas ainda não acabou... – E cai sem vida.
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