Sonho Desfeito

1 Capítulo Único


Sonhadora era uma menina linda, doce e ingênua,

Acreditava na sinceridade das pessoas.

Para ela, o mundo era colorido e perfeito,

A família protetora e influente não lhe permitia ver seus defeitos.

Pensava que o mundo era sempre bom,

Acreditava no amor, tinha muitos amigos e uma adolescência feliz.

Mal sabia ela, os muros do seu mundo perfeito estavam por um triz.

Um dia Sonhadora se apaixonou pela primeira vez,

Quando diante dos seus olhos a perfeição se fez.

Coração aos pulos!

Tão lindo ele era, mas não carregava consigo a ingenuidade,

Nem tampouco a sensatez.

Do mundo conhecia a maldade, dos caminhos, atalhos perigosos.

Mas seu coração não era só escuridão,

Também era capaz de sentimentos virtuosos.

Quando seus olhos nela pousaram, esses sentimentos em seu peito brotaram.

Seus olhos já verdes, mais iluminados ficaram...

Jeito doce e sorriso fácil, muitos amigos e uma vida livre,

Apaixonou-se por ela da mesma maneira, não há até hoje quem duvide.

Muitas estradas os separavam, estradas de chão, de sonhos e de família.

O tempo que passavam juntos era mágico, não dava a imaginar seu fim trágico.

Dos olhos verdes Sonhadora ainda se lembra, do brilho intenso, e do ar protetor.

Ainda assim, não puderam protegê-la da dor...

Abraços, beijos, carinhos inocentes e a certeza de que seria para sempre.

Um encontro de almas.

Uma lágrima na despedida e a promessa do reencontro no próximo ano.

A saudade que surge logo no dobrar da esquina,

Aquilo não poderia ser um engano.

Os dias seguem lentos, arrastados.

A ansiedade cresce ao passo que a saudade aperta, até quase faltar o ar.

Na véspera do retorno, o sono lhe vem em etapas delirantes,

Tem medo de dormir e acordar um dia mais distante...

Na estrada, o tempo parece parado,

Pousando os olhos no relógio a todo instante,

A angústia domina seu pensamento errante.

Após horas intermináveis, míseros quilômetros a separam de sua grande paixão

E quando o ver qual será sua reação?

Na entrada da cidade, de olhos fechados, aspira o ar tão familiar,

Agora sabia que ali era o seu lugar,

Era onde precisava estar!

Passou pela casa grande numa correria louca,

Atravessou o terreno com o coração a sair pela boca.

Chegando ao pomar, sentiu que havia algo errado

E aquele dia, antes ensolarado, de repente se tornava nublado.

O coração nas mãos, de volta à casa grande partiu.

Quando perto ia chegando ouviu seu avô falando.

Sua mãe atenta escutava, a história que ele contava:

- Sabe o filho do vizinho? Aquele jovem rapaz?

Deste mundo ele partiu, e certamente não seguiu em paz!

Foi então que Sonhadora descobriu um sentimento que a feriu.

Seu mundo, que antes era perfeito, agora estava desfeito.

Sob seus pés, um imenso buraco se abriu e de imediato a engoliu.

Seu corpo flutuava dormente em algum outro plano latente.

Estava sonhando, era o que queria crer.

Um pesadelo daqueles que não se quer ter.

Mas ele nunca acabava, dele ela não acordava.

Como podia ser que sua vida ele próprio tirara?

Pelo menos era o que se falava.

Com as mesmas mãos que antes a acariciavam...

As mãos, o rosto... coisas que nunca mais veria.

Aquele sorriso largo e contagiante, aqueles olhos que podiam vê-la por dentro...

Estar ali ela já não queria.

Sonhadora nunca pôde entender,

A verdade, às claras, nunca veio a conhecer.

Os amigos lhe garantiram que, na vida,

Ela era tudo o que ele queria ter.

Uma carta de Sonhadora ainda estava no local,

No último instante pensara nela, esse era o sinal.

Sem muros, via enfim, as verdades do lado de fora.

Vez ou outra ouvia sussurros, coisas que não entendia.

Olhares temerosos ela percebia em direção ao tio poderoso.

Mas não poderia crer que tinha em sua família alguém tão horroroso.

Não havia percebido afinal que vivia em meio ao mal.

A família poderosa fizera de seu amor um grande rival.

Mas naquelas bandas por onde a justiça dos homens não anda.

Que poderia ela fazer?

Ao levantar tal suspeita, poderia um mal ainda maior trazer.

A partir de então o sol nunca mais brilhou.

Nos caminhos que ela traçou, sempre a ausência...

Sempre a ausência...

Hoje se encontram em sonhos

É o que lhes resta, afinal.

E eu? Não sou ninguém... não mais...

Apenas escrevo este poema triste

Para contar uma história real.

Notas finais
"Eu não como, eu não durmo.
Eu não sei o que é adormecer!
Me desculpe se eu fechar os olhos, desaparecer...
Agora, pra sempre, foi embora mais eu nunca disse adeus."

Eu nunca disse adeus - Capital Inicial
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!