Sonho De Criança
7 Capítulo 6 - Bullying
Notas iniciais
Novos Personagens
Flávia Domingues (Flá): 34 anos, Diretora do Tiradentes, está sempre na cola de Déco e seus amigos, solteira, consegue ser chata até quando o clima está dos mais descontraídos.
Alexandre Thomas (Alê): 17 anos, não obedece padrões, principalmente físico e intelectual, é uma pessoa marginalizada, tímida, solitária, educado, inocente, ingênuo, indeciso,inseguro, não tem auto-confiança, é indiferente a tudo que passa a sua volta,tímido, não tem sucesso com mulheres, gosta de música clássica, tem enorme garantia de conseguir sucesso na vida profissional, curte jogos eletrônicos, gosta de ler, estudar, não é aberto para relacionamentos tendo dificuldade de integração social, tem um grande grau de inteligência, sofre chacotas e zuações pelas suas condições.
Déco Narrando:
19 de fevereiro de 2007
Ooo segunda-feira, mas uma semana pela frente, o domingo pra mim foi entediante, não vi a galera, o pai de Julian ficou em casa então ela nem botou o pé pra fora de casa, nem sei oque Guto fez, não entrou no MSN e nem ligou, já Daiana e Todi,assistiram filme aqui em casa, pediram pizza, eu simplesmente comi e fiquei na net até algumas horas, melhor do que ficar olhando pro casal cheio de coraçãozinhos estourando no ar, eu não agüentava mais tanta melação.
Chegando no colégio me deparei com algo que jamais esperaria, um certo tipo de jornal, não era o do colégio e sim um do tipo armador, as pessoas davam risada lendo aquele pedaço de papel, eu estava com Daiana do meu lado, as pessoas nos olhavam de uma forma estranha, o que tinha acontecido, peguei o jornal estava curioso, a manchete: “Alunos vão para cadeia, por posse de droga”, incrivelmente a manchete explicava tudo o que tínhamos passado na noite do ocorrido, o pior é que éramos difamados, tinha também uma montagem com nossa foto por de trás das grades,Daiana chorava de raiva e Guto queria por que queria saber quem era o autor daquilo pra dar uma boa lição, como que essa informação vazou? Quem poderia saber de tudo isso? Eu tinha quase certeza que seria a mesma pessoa que implantou as drogas para nos incrimimar, só podia, pois tínhamos combinado de deixar tudo em off, a não ser que um dos meus amigos tinha andado com a língua nos dentes, mas isso era muito improvável,a curiosidade me matava.
Logo, fomos chamados na diretoria para prestar esclarecimentos, a Diretora Flávia estava sentada na sua cadeira com o tal jornal na mão, a se nossos pais fosse chamados, eu já imaginava o rolo, minha mãe nem sabia, nem os pais de Guto e nem os de Daiana, estava apreensivo.
- Estou diante, desse jornal, o que vocês tem a me dizer, isso é verdade?(Diretora Flávia)
- Infelizmente é diretora, quer dizer não, é que. (Déco)
- Deixa eu explicar, foi assim, estávamos indo pra casa depois de uma festa,e fomos surpreendidos pela polícia,que tinha nos parado mediante á uma denuncia anônima.(Julian)
- Denúncia? Então isso tudo é verdade mesmo. (Diretora Flávia)
- Calma, Flávia, deixa eu terminar de explicar, que coisa!# já estava estressada , quando os policiais nos revistaram tínhamos plena certeza que não tinha motivo nenhum para aquela revista, só que fomos surpreendidos quando o policial encontrou um papelote de maconha, nos dirigimos a delegacia e lá fomos liberados pela quantidade mínima de droga apreendida.(Julian)
- Mas, que escândalo vocês se meteram. (Diretora Flávia)
- Escuta aqui, diretora, eu não entendo, oque fazemos ou deixamos de fazer fora da escola, é problema nosso, não devemos explicações.(Guto)
- Sim Guto, só que os pais dos alunos que aqui estudam, vão ficar incomodados com essa situação, pois estão pondo seus filhos em riscos.(Diretora Flávia)
- Riscos? Que riscos? Já falamos que não fizemos nada, temos convicção que tudo foi armado pra gente, e como você pode ver por esse jornal, que tem alguém que quer acabar com nossa reputação. (Daiana)
- Não tínhamos como prever isso, e jamais impedir, fomos pegos de surpresa, você tem que acreditar em nós, por nos conhecer a anos sabe que jamais faríamos isso. (Déco)
- Sim eu entendo o lado de vocês, mas vejam pelo meu lado, eu não tenho nada a ver com a reputação de vocês, só que a escola esta envolvida nisso agora, vão para suas salas e não me dão mais dor de cabeça por favor.(Diretora Flávia)
Voltamos para sala, quando entramos todos nos olhavam, parecia que tínhamos matado alguém, aquilo ruminava por dentro, Guto estava furioso, eu pressentia que não era o fim de nosso tormento e apenas o começo, quem fez aquilo, estava com certeza disposto a fazer coisas bem piores, eu já me preparava para o pior.
Tentei esquecer, e relaxar, o professor de história aplicou um trabalho em dupla, era algo relacionado a ditadura militar,fui chamado por Daiana, sempre fizemos o nosso trabalho junto, de certa forma ela tirava vantagem sobre isso, Julian não fez o trabalho com Guto, e sim com um nerd da sala o Alexandre, ele era meio estranho e dificilmente conversa com alguém digamos que era excluído pior que isso rejeitado, todos da sala o zoavam, eu me sentia culpado de certa forma por não ajudá-lo, mas não queria ser motivo de chacota.
No intervalo, nos reunimos debaixo da mangueira, tipo todos tem um certo lugarzinho no colégio e o nosso já era figurinha carimbada, além de que ninguém ficava por lá, podíamos conversar a vontade, era uma forma de nos afastar um pouco da humilhação a qual estávamos sofrendo.
- Ué, Juju resolveu fazer o trabalho com o bobonerd, cuidado viu? (Guto)
- Melhor, fazer o trabalho com um nerd do que com um panaca como você. (Julian)
- Gente, não querendo falar mal nem nada, mas ele é muito estranho, muito quieto, eu queria saber o que se passa pela cabeça dele. (Daiana)
- É realmente, acho que ele sofre calado, todo mundo zoa, xinga, inventam apelidos e ele nem ao menos tenta se defender, ah se fosse comigo, Julian como foi fazer trabalho com ele?(Déco)
- Ele não é do tipo de pessoa que conversa nos dedicamos somente ao trabalho, não nos comunicamos para outra coisa, ele é bem fechado. ( Julian)
- Os meninos e eu, esses dias tacamos um monte de bolinha de papel nele, e ele nem tchum com tudo aquilo.(Guto)
- Ai, gente que dó, o povo tinha que parar um pouco de pegar no pé dele. (Daiana)
- Ah,nem vem que você já zoou a beça com ele também, lembra que você desenhou a caricatura dele no quadro negro, bem feinho e todo mundo deu risada.(Déco)
- Eu já tinha me esquecido, é muito difícil ter alguém que ainda não zoou ele que seja ao menos uma vez, não queria estar na pele dele, receber tantas ofensas. (Daiana)
- Galera, ele deve sofrer por dentro, o pior é que os professores não tomam posição nenhuma, já se tornou modinha, fazê-lo sofrer, isso é uma violência mais do que moral. (Julian)
O intervalo, já estava acabando, já estava cansado de falar do Alexandre, devia estar com a orelha queimando já, só deu tempo de ir ao banheiro que o sinal tocou, voltando pra sala o professor de matemática estava demorando já fazia uns 20 minutos e ele ainda não tinha aparecido, resolvemos então matar aula, tive que ir, porque se fosse o único a ficar na sala o negócio ia ficar feio pro meu lado, então fui também, compramos uma coca-cola e ficamos a umas duas quadras da escola tomando e conversando, alguns estavam jogando truco e outros dançando com o som ligado no ultimo.
Julian Narrando:
- A Galera, tinha matado aula, eu precisava descobrir se Guto realmente tinha feito aquela aposta que estava no bilhete, eu como sou esperta, procurei por Edu, que tinha brigado com Guto na festa, já tinha sido seu amigo, e com certeza não teria motivo nenhum para guardar os segredos de Guto, apostava minhas fichas, ele deveria saber de algo, fui atrás dele que entrava na biblioteca para devolver uns livros, puxei papo.
- OI Edu, tudo bom? (Julian)
- Pode dizer o que você quer comigo, já vou logo avisando não estou afim de confusão viu. (Edu)
- Calma, Edu, eu só gostaria de saber algumas coisinhas. (Julian)
- Que coisinhas? (Edu)
- Sobre o Guto, já que vocês eram amigos, você deve saber muita coisa dele. (Julian)
- É eu sei, mas o que especialmente você quer saber? (Edu)
- Bom, eu fiquei sabendo ou melhor um passarinho verde me contou que Guto havia feito uma aposta com seus amigos que me pegaria a qualquer custo, você sabe me dizer se isso é verdade? (Julian)
- Bom, Julian eu não quero ferrar com ele, nem te magoar, mas infelizmente isso é verdade,e quase toda a sala estava sabendo disso.( Edu)
- Eu sabia, que ódio, que cachorro, mas se ele está pensando que vai ficar assim, ah ele esta muito enganado, eu me vingarei bonito. (Julian)
- Hum, que garota determinada. (Edu)
- Mas tenho ainda uma coisa pra te perguntar, mas você tem que prometer que vai ser sincero. (Julian)
- Pode perguntar, eu não tenho nada a esconder. (Edu)
- Foi você quem escreveu um bilhete, e colocou debaixo da porta do banheiro da casa da Maiara na festa?
- Foi, como você descobriu? É que tipo, como não conversava com você, eu sabia que jamais me daria ouvidos,então resolvi fazer isso, pra você abrir os olhos e não se iludir, não era favor com que Guto estava fazendo com você, e ao mesmo tempo não queria traí-lo, você me entende? (Edu)
- Sim entendo, não sei o que faria no seu lugar, mais valeu mesmo pelo toque, se não fosse você com certeza estaria com fama de fácil e o Guto de pegador. ( Julian)
- Mas esse será nosso segredinho viu? ( Edu)
- Pode deixa, mas uma vez obrigada. ( Julian)
Dei um beijinho no rosto de Edu, saí da biblioteca indo de encontro aos meus amigos, estava aliviada por saber a verdade, mas tinha que pensar em alguma forma de me vingar da situação, não sou uma garota qualquer pra ele me fazer de otária, ele estava lá escorado na Kombi, com aquele olhar que penetrava, minha vontade mesmo era de voar pra cima dele, fala umas boas, mas me controlei, o que é dele tava guardado, não podia me precipitar e acabar com tudo antes do prazo, estava com medo de mim mesma. A venda que estava sobre os olhos caiu no exato momento.
Déco Narrando:
- Fui almoçar, prometi que iria passar na quadra de esportes às duas horas pra treinar vôlei, os jogos abertos estavam chegando eu precisava treinar, estava meio sedentário, e queria pegar uma vaga de titular no time,mesmo não sendo alto eu defendia bem, a Daiana também treinava, o treino saiu nos conformes voltei pra casa quebrado, dormi com tudo doendo, e quando eu falo tudo era tudo mesmo.
Na manhã seguinte, vi Alexandre no cantinho da sala,
estava com uma falha no cabelo horrível, não sei o que tinha ocorrido, mas a galera toda ria da cara dele, eu não podia fazer nada, não sabia como agir, mas me sentia corroído por dentro, não aceitava aquilo, perguntei para Guto que chorava de tanto rir, se ele sabia de algo, fiquei mais de cara quando ele me disse que foi ele e algumas pessoas da sala que fizeram aquilo, simplesmente porque ele ontem, quando todo mundo matou aula, ele ficou na sala e o professor deu trabalho só pra ele, valendo muitos pontos, logo na matéria que todo mundo precisava de nota, fiquei aterrorizado, entretanto admirado com a coragem daquele garoto, em desafiar os moleques da sala, o ruim foi que ele se deu mal, as coisas ficaram piores isso já tinha se tornado bullying, que hoje em dia é um problema mundial de violência que mais crescemascaradamente na forma de brincadeira, que afeta a dignidade humana, tinha medo de me tornar alvo, por isso continuava calado.
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