Sonho De Criança
18 Capítulo 16 - Explosivo (parte 1)
Notas iniciais
Déco narrando:
A escola parecia um campo de guerra, ninguém se falava, ninguém se olhava, e muito menos sorriam. Todo mundo apenas se matava com os olhos, ou se encarava, o que não era tão normal assim.
Guto e Daiana estavam tão grudados, que pareciam amigos de infância, e ela o olhava sorridente, não parecia apenas uma amizade normal.
Na hora do intervalo, vi que Julian e Alana estavam caladas, pareciam anciosas, nervosas. Peguei um lanche e fui em direção delas, cuidadosamente. Julian me olhou e pareceu tentar dizer um oi, mas ficou calada.
– Gente, o que aconteceu com vocês? — Perguntei as olhando.
– Nossa Déco, hoje você decidiu se fazer de retardado e fingir que não sabe de nada? — Julianriu.
– Só quero saber o que aconteceu com você e o Guto!
– Aaah, bem simples... — Ela se virou, me olhando nos olhos — Eu estava conversando com ele ontem, sobre esse negócio de AIDS, e ele simplesmente falou um monte pra mim, e disse que daquele jeito não dava, e que ele não queria ficar com alguém que traiu sua confiança!
– E foi só isso? — Perguntei me sentando ao lado dela
– E o que mais seria, quer explicações detalhadas? — Senti que Alana estava sobrando naquela conversa.
– Ei, ei. Eu não sou invisível tá bom — Alana me cutucou — Aliás,Déco querido, preciso falar com você sobre uma coisinha! — Eu me virei, e a olhei, sem imaginar o que podia ser.
– Fala!
– Então... ontem eu fui numa festa com minha prima, e acabei ficando com um garoto. — Fiquei perplexo, e Julian deu altas risadas.
– C-c-como assim?
– Você tá muito bravo comigo agora né?
– Não, eu entendO. Eu só queria entender isso direito, mas... tudo bem.
– Tá bom, agora, que os pombinhos já não são mais pombinhos, vocês sabem o que aconteceu com o Guto e a Pipa? — Julian perguntou, e eum vi os dois vindo em direção da nossa mesa.
– Talvez você possa perguntar pra eles.
Guto e Daiana estavam estranhos, eu nunca imaginei eles juntos, mas parecia que a fila tinha andado.
– E ai gente, alguma coisa boa rolando? — Daiana perguntou.
– Além de muita gente falsa no pedaço, nada! — Julian disse. Guto começou a me encarar, e eu também o encarei.
– E ai casal 10, como vocês estão? — Guto, perguntou, e eu me levantei.
– Na verdade Guto, eu não namoro mais a Alana.
– Nossa, tá solteiro agora?
– Não, eu já estou em outra, a fila andou!
– E quem é a idiota? — Julian se levantou, puxou meu braço, e me tascou um beijo daqueles. Ficamos mais ou menos uns 15 segundos nos beijando.
– Nossa, que rapidez! — Ele disse, me encarando.
– Guto, você não vai conseguir nos abalar. — Disse Julian
– E quem disse que eu quero abalar vocês? Quer dizer, eu até quero, mas não agora. Vocês vão pagar muito caro por ter contado meu segredo pra todos dessa escola!
– Aaah é, isso eu quero ver! — Eu disse
– Déco, saiba de uma coisa, agora, é tudo ou nada! — Ele disse, e eles sairam de lá.
Daiana narrando:
Sai da sala de mãos dadas com Guto, e fui em direção do corredor aonde ficava meu armário, ele me olhou, e saiu, indo para outro corredor.
Meu armário era o número 239, ao lado do ármario de Alana, que era o número 241, e o de Julian que vinha depois, o número 243.
Logo vi Julian chegando para guardas seus livros, e me apressei para não ter que falar com ela, mas na pressa, acabei derrubando todos meus livros no chão, e ela chegou, abrindo seu armário.
– Talvez seja melhor tomar mais cuidado. — Ela disse se abaixando para me ajudar.
– Hmm, é, também acho. é o nervoso, que me faz ficar assim!
– Nossa, você está nervosa, por que?
– Nada não.
– Daiana, eu sou sua amiga, eu quero saber o que aconteceu pra você e o Guto estarem juntos.
– Não posso te contar, não agora. Talvez depois. — Fechei meu armário e sai.
Logo encontrei Guto ao final do corredor, e fomos em direção da Kombi. Mas logo me deparei com Bia sentada num banquinho, e fui em direção dela.
– O que você faz aqui? — Perguntei assustada.
– Surpresa com a minha visita? Agora e moro aqui queridinha, meu pai semudou, e eu vim com ele e minha madrasta. Gostou?
– Você disse que ia nos deixar em paz!
– Decidi observar suas atitudes mais de perto, pra ver se você vai se comportar direitinho.
– Eu já to tendo que fingir ser uma pessoa que eu não sou, ainda tenho que te aturar? — Falei, a olhando nos olhos;
– Não fica assim querida, isso tudo vai acabar, e ai você vai poder se virar contra mim, por que não vai ser o fim. Isso aqui, é só o começo! — Ela disse, se virou, e saiu.
Fui em direção de Guto, que olhava a Kombi que não queria ligar. Ele girou a chave, e desceu, e foi olhar o motor. Senti um cheiro estranho, como se fosse de gasolina, e logo, a Kombi explodiu, nos jogando pra trás.
Bia narrando:
Ouvi a Kombi velha explodir, e fui em direção do menino com cabelo de Emo, e o chamei.
– EEEEEI!! Para , eu quero falar com você. — Ele parou.
– Meu nome é Alê, pra sua informação.
– Tá, tá. Mas, eu tenho que te agradecer por ter feito aquele favor, você me ajudou muito! — Sorri
– Hmm, de nada!
– Mas... eu quero saber, se posso contar com você pra continuar com meu plano, se você quer se juntar á mim!
– Olha Bia, eu não sei se...
– Se decide logo! — O interrompi
– E o que eu ganho com isso?
– Não sei, mas você com certeza vai se vingar deles por tudo que você já passou.
– Pode ser!
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