Sonho De Criança

16 Capítulo 14 - Primaveras


Notas iniciais
um beijo e várias emoções

22 de Abril de 2007

Déco Narrando:


Olhava para minhas mãos, e de repente veio em mim uma enorme vontade de estralar todos os meus dedos, mas para minha decepção somente alguns estralaram, comecei então sentir um cheiro doce, algo que me remetia ao passado, cheiro de mingau de aveia, pude lembrar então de quando era criança, numa noite de frio eu olhava a vidraça embaçada pela água da chuva, me sentia no local, no mesmo momento em que minha mente retornava, escutava então o barulho da chuva caindo na calçada, parecia palmas, eu podia até sentir com o meu paladar cada colherada do mingau, eu olhava para a televisão que na época passava alguma coisa com a Regina Casé, me esquentava com o vapor do ferro de passar sendo usado pela minha mãe que engomava, ela usava um coque no cabelo e me olhava com um olhar de zelo, meu pai já dormia, em um momento de lucidez voltei ao presente, era tão estranho e ao mesmo tempo tão gostoso poder voltar a trás, dava uma certa adrenalina. Foi quando resolvi apagar as luzes do meu quarto,fechar os olhos por alguns minutos e buscar lá no fundo da memória coisas que me trouxessem essa adrenalina, o 1,99 que vendia coisas por 1,99 quando comprei uma caneta de gel com gliter e cheiro de chocolate, febre daquela época de quarta série, todos meus amigos tinham e passando a mão pelo balcão vi as figurinhas que vinham em um saquinho roxo, cada vez que abria um torcia para que não viessem as repetidas que só serviam para trocar ou bater e apostar com os amigos, remetendo em coleções, Taz, bolinhas de gude, insetos que eram aprisionados dentro de vidros, eu cismava em ser biólogo, ficava na rua até tarde de pés descalços correndo e brincando com meus amigos, de me machucar a beça, ralei diversas vezes meus joelhos, quebrei meu braço que foi concertado por um gesso branco cheio de assinaturas, isso me impossibilitou um pouco de me divertir na rua, mais foi compensado por várias fases do super Mário que passava com meu Nintendo, nossa não podia esquecer do meu caderno de perguntas que todo mundo respondia e das horas que eu ficava analisando as respostas das meninas para saber do que gostavam, algumas respostas de caneta rosa e com coraçõezinhos em todos os pingos do i, era letra de Daiana, eu não podia esquecer que ela fez parte do meu passado? Impossível ela sempre estava ali, em todas festas de aniversário e amigos secretos de fim de ano. Coisa besta não? Talvez, me senti maior, grande, aquilo tudo só ficava na memória, se tivesse uma máquina do tempo voltaria ao passado não para mudar nada, mais para curtir mais um pouquinho dessa parte da minha vida.

- Déco, Acorda! (Verônica)

- Mais mãe hoje é Domingo, poxa! (Déco)

- Eu sei, só que hoje é aniversário de seu avô e vamos almoçar lá. (Verônica) # Abrindo o blecaute que deixava meu quarto escurinho.

A claridade bateu no meu rosto, pisquei os olhos e fui ao banheiro escovar meus dentes e ainda conseguia sentir o cheiro de mingau de ontem à noite.

- Mãe esse café ta sem açúcar meu! ( Déco)

- Ninguém está te obrigando a tomar nada!(Verônica) # Era incrível a sua capacidade de me irritar, ela sabia fazer isso como ninguém, acho até que ela devia escrever um livro de como atormentar os filhos, tenho certeza que venderia muitos exemplares, toda mãe que ama o filho gosta de vê-lo estressado, filosofia esse que aprendi com o tempo.

- Porque você ta tomando café? Você sempre diz que odeia café. (Miguel)

- Sim, eu sei, na verdade eu não sei, quer dizer, eu sei que odeio café e só não sei o porquê estou bebendo. (Déco)# Acho que era o sono, meu corpo estava de pé só que minha cabeça dormia naquele travesseiro geladinho.

- Cadê o Todi ele não vai conosco? (Déco)

- Ele foi mais cedo, pra ajudar seu avô assar a carne. (Miguel)

- Af Pai, uma coisa que eu não gosto de almoçar no vô é que sempre tem um horário a ser seguido, se chegarmos atrasado ele já comeu, a vô já lavou a louça e os dois já estão no cochilo rotineiro. ( Déco)

- Eu sei, Italiano é uma raça difícil. (Miguel)

Meio dia em ponto as preces já tinham sido feitas e o almoço já estava na mesa, o riso rolava solto com as piadas de meu avô e meu pai já não suportava mais ficar ali, eu via pela cara dele e eu ficava puxando papo com meu avô, só pra deixá-lo nervoso. Meu irmão pegou sua moto e sumiu sem dar tchau, logo após fomos embora, quando cheguei em casa meus pais correram pra usar o banheiro e eu fui para o quarto liguei o som e comecei a cantar, até que fui interrompido pelos berros de minha mãe dizendo que queria dormir, é incrível como eu torço a semana inteira pra chegar domingo,e quando chega passo o dia inteiro no tédio, fui salvo por Alana que começou desesperadamente bater palmas e gritar na frente de minha casa.

- Aim, Déco que bom que você ta em Casa, eu não sei mais o que fazer. (Alana)

- Calma, Alana o que foi que aconteceu? (Déco)

- Meu pai saiu de casa pra buscar meu irmão na escola desde ontem e ainda não voltou, eu to muito preocupada com meu irmãozinho. (Alana)

- Você já os procurou? (Déco)

- Já, por tudo quanto é canto, meu pai sempre sai e demora pra voltar pra casa, mais o duro é que ele estava com meu irmão. (Alana)

- Pensa melhor aonde você não procurou ainda, aonde seu pai costuma ir? (Déco)

- Quando ele não está em casa, está em algum bar enchendo a cara. (Alana)

- Então, vamos procurar no bar que ele costuma ir, eu vou com você. (Déco)

- Vamos sim, é algumas quadras daqui. (Alana)

Alana estava mesmo desesperada, também depois de tudo que ela me contou do Pai dela, era de se esperar por tal desespero, eu via em seus olhos o nervosismo e ao mesmo tempo a ansiedade em encontrar o seu irmão.

-Meu Deus, Déco ele pode estar ferido, ou até...( Alana)

- Vira essa boca pra lá, tenha esperanças que você vai encontrar ele são e salvo sem nenhum arranhão. (Déco)

- Tomare, Déco, tomare. (Alana)

Quando nos aproximávamos do bar escutamos o menino gritando o nome de Alana e correndo pela rua, ao chegar a seus braços, Alana respirou fundo e soltou o ar como se um fardo saísse de cima dela, chorava de emoção em reencontrar seu irmão. Logo após os esclarecimentos o menino disse que seu pai estava no bar dormindo, Alana não hesitou e foi ao encontro, da porta eu via o estado do sujeito debruçado sobre o balcão, a discussão começou, o menino segurava forte em minha mão, os gritos só findaram quando um tapa foi estralado na cara de Alana que chorava desesperadamente, entrei no bar segurei em seu braço e enquanto seu pai continuava a gritar a puxei para fora. Ela chorava inconsoladamente, caminhamos até minha casa entramos e ela começou a contar sobre seu pai.

- Isso tem que parar Alana, você tem que ir a policia. (Déco)

- Eu temo que o pior aconteça mais eu não posso prender meu pai na cadeia e ir pra um abrigo com meu irmão. (Alana)

- O que você não pode é ficar sofrendo desse jeito. (Déco)

- Déco, entenda, ele é meu Pai, é tudo que tenho, o problema está na bebida e não na pessoa que ele é, já tentei convencê-lo de se internar em uma clinica mais ele sempre diz que está bem. (Alana)

Eu sofria junto com ela, seu irmãzinho ainda estava assustado, minha vontade era trazer ela pra morar comigo mais eu não podia e ela me fez jurar que eu não contaria nada para a polícia. Na tentativa de fazer ela se sentir melhor liguei para Guto e Julian e os chamei para tomar um tererê em casa, as lagrimas pararam de escorrer pelo seu rosto, veio logo um sorriso quando derrubei no chão os limões que estavam na sacola, Alana se levantou do sofá e veio em minha direção me ajudar com os limões que rolaram pelo chão da cozinha, no ultimo limão que estava no chão nossas mãos se tocaram e no entrelaçar de olhares não pude negar um beijo, no meio do tocar dos lábios ouvi um sincero Obrigado.

-Déeeeeeeeeecooooooooo.(Guto)

Sai correndo pra fora.

- Não grita, caramba, minha mãe está dormindo. (Déco)

- Foi mal, cara mais como que eu ia te chamar? (Guto)

- Ixi, é mesmo, eim, faz os seguinte vão no banquinho ali debaixo das arvores que eu já apareço lá. (Déco)

- Tá, mais não demora. (Julian)

Eu via a felicidade estampada no olhar dos Dois, eu me sentia como um cupido, tão maduro para relacionamentos e tão leigo em amar quem me ame, mesmo assim estava feliz.

- Nossa não dá mais pra descuidar um minuto que vocês já começam a agarração. (Déco) # Interrompendo os beijos e passares de mãos de Julian e Guto.

- Déco, deixa eles, quando uma pessoa tá apaixonada o que ela mais quer é não desperdiçar nenhum segundo se quer com coisas vans. (Alana)

- Isso mesmo, gostei do que você disse, nós temos mesmo é aproveitar a vida antes que ela acabe. ( Guto) # Mordendo os lábios e olhando para Julian.

- Para com isso Guto, você sabe que eu não resisto. (Julian) # Toda envergonhada falando no ouvido de Guto, porém todos escutaram.

- E é bom resistir mesmo, porque vocês vieram aqui pra tomar tererê ou ficar se agarrando? (Déco)

- Mas você não precisa ficar acanhado, a Alana está no seu lado. (Guto)

- Acontece que meu irmão esta aqui do meu lado, se você ainda não percebeu. (Alana)

Guto fez cara de pasmo, enquanto Julian chamou o irmãozinho de Alana para sentar no seu colo.

- O meu nome é Julian e o seu? (Julian)

- É Kauê. (Kauê) #Todo envergonhado.

- E quantos anos você tem? (Julian)

- Seis. (Kauê) # Mostrando nos dedinhos.

- Pronto, agora fui trocado por um piralho! (Guto)

- Piralho esse bem mais fofinho e apesar da idade aparenta mais homem que você. (Julian)

- Uh, poderia ter ido dormir sem essa em Guto. (Déco)

- Não ligo, esse garoto pode ter ela por um instante, mais jamais vai conseguir me tirar do coração e da mente dela. (Guto)

Julian abriu um sorriso leve e deu um selinho em Guto.

- Quanta melação! (Déco)

- Já que meu Amor ta ocupada no momento, e eu não vou embora agora, me dá logo uma cuia ai. (Guto)

- Até que em fim, pensei que não ia pedir. (Déco)

- Fico tão feliz por vocês estarem tão bem. (Alana)

- Obrigada. (Julian)

- Não são só elogios não, vocês parecem que foram feitos um para o outro, tão diferentes e tão semelhantes. Igual a mim e o Déco, né Amor? (Alana)

- É.(Déco) # Sorte a minha que fui interrompido por Guto cuspindo todo o tererê no chão.

- Que treco amargo meu! (Guto)

- Homem que é homem, toma a primeira cuia rapaz. (Déco)

- Então deixa que eu tomo. (Kauê) # Tomando a cuia da mão de Guto, rimos enquanto Guto fez careta para kauê, que depois de tomar tudo fez um barulhinho na bomba, sinal de satisfação.

- Fico olhando pro kauê, e me dá uma saudade de quando era criança, tão inocente, vivia o hoje e não pensava em conseqüências, era tão frágil e também tão forte pelo fato de levantar de todo tombo que levava, vejo que perdi essa essência. (Julian)

- Nossa é mesmo, eu me divertia muito, toda vez que apertava a campainha e saia correndo. (Déco)

- A parte que eu mais gostava era que com apenas um real eu comprava um saco de doces e hoje preciso de dois reais pra comprar somente um chocolate. (Alana)

- Eu amava suspiro, Maria mole, canudo frito, aquelas geléias vermelha e branca. (Julian)

- E daqueles celulares, arminhas e outras coisas de plástico que vinham com suco dentro. (Déco)

- Oque eu gostava mesmo era de quebrar vidraças, pichar os muros, roubar frutas dos vizinhos. (Guto)

- Coisa que eu fiz muito, era subir em arvores, uma vez até fiquei pendurado pela camiseta em uma, gritei para meu pai me socorrer, apanhei tanto, foi um sarro. (Déco)

- Eu tenho guardadas até hoje algumas barbies na caixa, ainda com a fita dúrex. (Julian)

- Amiga, eu também tenho duas guardadas, dadas pela minha mãe, jamais vou jogar elas fora, elas me remetem a face de minha mãe entrando no meu quarto escondendo por dentre os braços os presentes de natal. (Alana)

- Deve ser muito difícil pra você, lembrar dessas coisas e nós aqui nos divertindo, desculpa viu. (Julian)

- Imagina lembrar do passado é a única coisa que me faz feliz, porque o presente pra mim é um tormento. Ela me ensinou acreditar em fadas, princesas e super heroínas. Nas histórias, ela sempre fazia o papel delas.(Alana) # Deixando escorrer pelo seu rosto uma frágil lágrima, olhando a cena admirei sua força por tudo que tava passando.

- Chega de tristeza pelo Amor de Deus, uma coisa é fato, quem nunca tentou chamar a Loira do Banheiro na escola não sabe o que é aventura. (Guto)

- Com certeza, eu me divertia muito com isso, só dava menino saindo correndo e gritando do banheiro. (Déco)

- Era cada coisa que meus pais inventavam pra eu obedecer, Homem do Saco, Bicho Papão. (Julian)

- Eu chamava a bloody Mary, mais ela nunca me apareceu, que chato né. (Alana)

- É tão estranho, vocês não acham? Eu sempre achei que o tempo demoraria tanto pra passar, e agora me pego pensando o passado. (Déco)

- O tempo passa, mesmo que isso parece impossível, ele passa. (Alana)

- Eu acredito que o valor das coisas não está no tempo em que elas duram mais sim na intensidade com que acontecem. (Julian)

- Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis assim como você. (Guto)

- Aim, só você mesmo amor.(Julian)

- Profundo, muito profundo. (Déco)

- Gente, eu vou lá na Daiana ver se ela ta em casa, já volto. (Julian)

- Tá, mais não demora amor, não vou ficar feliz sem você por perto. (Guto)

- Aff, Guto. (Déco)

- Aff, nada Déco, você que devia ser mais romântico comigo. (Alana)

Guto fez uma cara, que deu vontade de voar no pescoço dele, vontade não maior do que falar pra Alana que eu não tinha nada com ela, mais eu não queria causar constrangimentos ainda mais na situação dela.

- Eu sou tão romântico que as vezes penso em casar comigo mesmo. (Déco)

- Se for, eu ainda não pude perceber esse seu lado. (Alana)

- Não pode, porque está guardado para pessoas especiais , não é mesmo Déco? (Guto)

- É. (Déco) # Incrivelmente ele tirou as palavras da minha boca, que queriam sair mais não saiam por pena, mais como foi ele que falou não me senti mal por isso.

22 de Abril de 2007 — 17:00

Daiana Narrando:

- Daianaaaa! (Julian)

Era Julian no portão me chamando, pedi pra ela esperar enquanto eu procurava a chave do cadeado, ouvia os risos de Déco e quando me aproximei do portão vi Alana fazendo massagem nas costas de Déco, aquilo me deixou com raiva, não gosto daquela garota nenhum um pouco. ChameiJuju para entrar.

- Eae amiga me conta como você está, o João ainda está te enchendo o saco? (Julian)

- Por incrível que pareça ele parou, ah é mesmo não te contei do meu encontro com ele. (Pipa)

- Não acredito que você saiu com ele, meu Deus, conta logo antes que eu enfarte de curiosidade! (Julian)

- Calma, foi assim, tipo eu ia ter que sair com ele, não agüentava mais ouvir o telefone tocar todos os dias.(Pipa)

Contei, tudo que aconteceu pra Julian, TIM TIM por TIM TIM.

- Que bom, me sinto orgulhosa por você, já tava na hora de dar a volta por cima viu.(Julian)

- Obrigada. (Pipa)

- Eu vim te convidar pra tomar tererê ali no banquinho, topa? (Julian)

- Eu amo tererê, mais acho melhor não. (Pipa)

- Por quê? (Julian)

- Até parece que você não sabe o porquê? (Pipa)

- Por causa da Alana? (Julian)

- É, eu não suporto olhar pra cara dela e não meter a mão. (Pipa)

- Se fosse só isso, eu poderia te amarrar no banco, tenho certeza que não é por causa dela. (Julian)

- Aim, ta muito na cara? (Pipa)

- Tá sim, mais vamos é uma ótima oportunidade de você voltar a conversar com ele. (Julian)

- Você acha mesmo? (Pipa)

- Claro que sim, uma amizade de tantos anos não pode acabar assim por besteiras como essas. (Julian)

- Então tá, eu vou trocar de roupa porque sair de pijama não dá mesmo. (Pipa)

- Vai lá, Gata que eu te espero aqui. (Julian)

Olhei pro Guarda Roupa e incrivelmente não sabia oque vestir, não ia em nenhuma festa e não precisava ficar indecisa era só colocar uma roupa casual, mesmo assim estava ficando louca de indecisão. Peguei uma regatinha branca um shortinho jeans e um colete preto sobrepondo, peguei meu óculos de sol, coloquei meu all star e desci as escadas.

- Nossa, tudo isso? (Julian)

- Isso oque, você acha que eu exagerei? (Pipa)

- Não, que isso tá gata, Bem Paty. (Julian)

- Paty eu, to super normal e bem casual. (Pipa)

- Tá esquece vamos logo. (Julian) # Me puxando pelos braços.

Quando me aproximava do portão, o nervosismo tomava conta, não sei o porquê conhecia todos ali, entretanto não me via preparada.

Déco Narrando:

Aí meu Deus, eu não acreditava no que eu estava vendo, fiquei sem reação quando ela se aproximou, tomei fortes goles do tererê,aquilo descia pela minha garganta trincando, estava pensando no que iria falar, como me comportar, não obtive sucesso.

-Oi Gente! ( Pipa) # Cumprimentando sem entusiasmos.

Respondi educadamente, enquanto Alana desdenhava.

Alana Narrando:

Que merda! Colei chiclete na cruz, só pode, pensei que ia arejar minha mente e essa guria aparece aqui do nada. Percebia a tensão de Déco, naquele momento peguei na mão dele e vi que ela me acompanhou com os olhos. Tira os olhos galega ele é meu,Rum.

- Me enche uma cuia ai Déco, por favor. (Pipa)

- Pode deixar, que eu mesma encho querida, como ato de desculpas pela nossa briga.(Alana) # Pipa esticou os olhos de imediato. Pegou a cuia de minha mão e agradeceu.

- Obrigada Alana, desculpas aceitas. (Pipa)

Daiana Narrando:

Eu queria morrer, ou melhor jogar a garrafa térmica na cabeça daquela nocega, me contive e entrei naquele joguinho educadamente.

- Nossa Déco que delicia, tinha esquecido do sabor inconfundível de seu tererê.(Pipa) #Droga, forcei o papo, agora já foi.

- Obrigado. (Déco)

Só isso? Não precisava ser tão direto, ele falava comigo olhando para baixo, tinha medo de me encarar. Que decepção, já estava querendo voltar pra minha casa.

- Gente, já que nós estamos falando de antigamente eu gostaria de saber com quem, com quantos anos e como foi o primeiro beijo. (Guto)

- Aí, o meu foi com 9 anos, com um menino da minha rua ele tinha seus 17 anos acho, tá que ele me agarrou, mais eu gostei e muito. (Alana)

- Jesus, com 9 anos eu ainda não tinha dado nem um selinho ainda. (Julian)

- Mais espera ai, vocês tão falando de selinho ou de beijo de língua, porque meu Celinho foi bem mais cedo. (Alana)

- Tanto faz, primeiro beijo é primeiro beijo. Amor e o seu foi como? (Guto)

- Eu não lembro muito bem, acho que foi com um menino, o nome dele era Bruno, eu devia ter meus 11 anos e ele também, foi inesperado mais bom, eu fiquei lembrando durante semanas. (Julian)

- Ah o meu Celinho foi com uns 5 anos, e o de verdade mesmo foi aos 11 anos com uma menina bem mais velha que eu, não lembro o nome nem a idade dela, só sei que foi bom. E o seu Pipa? (Guto)

- Acho que a primeira vez que eu fiquei de verdade mesmo foi com 13 anos, com um menino lá de Porto Alegre, eu tava muito nervosa mais ele já era experiente e me conduziu. (Pipa)

- E o seu Déco? (Guto)

- Ah cara, o meu também foi com 13 anos, meio que fiquei obrigado com a menina por causa do meu irmão que ficava me chamando de viadinho. (Déco)

- Ah sim, mais o selinho? Com quantos anos foi? (Julian)

Déco Narrando:

Eu queria fugir daquele lugar, do que responder essa pergunta, eu não sabia se mentia ou falava a verdade.

- Eu tinha 7 anos, não me lembro a que circunstância isso aconteceu, mais foi bom. (Déco)

- E com que foi Amor? (Alana)

- Ai meu Deus, vocês querem mesmo saber né, foi com a Daiana pronto falei. (Déco)

-Mentira! Que revelação eim. (Julian)

- É nada que vocês já foram namoradinhos na infância. (Guto)

- Não, foi só um beijo, só isso, nada de mais. (Déco)

- E você Daiana não fala nada? (Guto)

- Falar oque? É exatamente isso que aconteceu. (Daiana)

Daiana Narrando:

Eu nem lembrava mais disso, sério mesmo, fiquei espantada com a resposta que me pegou de surpresa. Que engraçado lembrar disso.

Alana Narrando:

Eu tinha Que perguntar com quem? Uhuuu Que ódio!

Déco Narrando.

Não deve ter sido importante pra ela como foi pra mim, ela nem lembrava, eu pude ver na sua reação, eu lembro de tudo como se fosse hoje. Era primavera eu escolhi a flor mais linda que achei no jardim de minha vizinha, e levei na escola, a entreguei, como forma de agradecimento ela pegou nas minhas mãos e me deu um selinho, sorriu e saiu correndo, fiquei ali no chão do pátio calado e sem reação, meu coraçãozinho foi a mil, acho que foi nesse momento que me apaixonei realmente por ela, depois disso isso nunca mais se repetiu.

Papo vai, Papo vem já era seis de tarde, fomos embora cada um pra sua casa, eu e Daiana não nos referimos a palavra se quer mais uma vez, Alana se ofereceu para posar na casa de Julian explicando toda a situação que tinha ocorrido anteriormente e Julian não pode dizer não, afinal Alana estava mesmo necessitada.

Julian Narrando:

Chegando no portão da minha casa.

- Tem certeza que eu e meu irmão não vamos incomodar? (Alana)

- Vão nada, seu irmão é um amorzinho. (Julian)

- E os seus pais, não vão brigar? (Alana)

- Dá nada, eu invento uma desculpa, fica tranqüila, agora entra que eu vou conversar com minha mãe.(Julian)

- Mãezinha, do meu coração. (Julian)

- I, oque é, não tenho dinheiro não minha filha. (Dona Márcia)

- Credo mãe, até parece que eu fico sugando a senhora. (Julian)

- E não fica, fala logo o que você quer. (Dona Márcia)

- Então Mãe, é o seguinte, minha amiga e o irmão dela estão precisando e um lugar pra passar a noite, porque seus pais foram viajar e ela perdeu a chave de casa, deixa eles posar aqui em casa? (Julian)

- Mais, ela não tem nenhum parente não minha filha? (Dona Márcia)

- Tem sim, mais ela não consegue localizar a vó dela, e é perigoso eles ficarem andando na rua sozinhos já está anoitecendo. Por favor, por favor. (Julian) # Fazendo biquinho de pidoncha.

-Ta bom, mais só por hoje em, e só porque seu Pai não vem hoje pra casa. (Dona Márcia)

- Eba, mas porque o Pai não vem hoje?(Julian)

- Porque ele foi fazer um julgamento em outra cidade. (Dona Márcia)

Eu amava, quando meu Pai não vinha dormir em casa, pois só assim eu podia ficar na net ouvindo musica até tarde. Com o sim de minha mãe, chamei Alana que estava lá fora com seu irmão na varanda, ela sorriu ao saber da resposta. Pedimos pizza comemos não deu muito tempo para que Kauê dormisse no colchonete no chão de meu quarto.

- Olha só, ele está todo sujo. (Alana)

- Deixa ele tadinho, devia estar exausto depois do que aconteceu com ele. (Julian)

- Nem me fale, eu fiquei muito preocupada. Amanhã eu acordo cedo vou pra casa dar banho nele e o levo pra escola. (Alana)

- Ta bom, melhor deixar ele dormindo mesmo, mas se você quiser tomar banho eu empresto uma roupa depois você me devolve. (Julian)

- Eu vou aceitar mesmo, preciso de um banho. (Alana)

Depois do banho, Sentamos no colchão e Alana me contava sobre seu Pai, do que enfrentava dentro de casa, que sempre apanhava quando ele estava bêbado, eu para desligá-la um pouco do assunto perguntei sobre Déco, que segundo ela tinha um bom relacionamento, mais que de um tempo pra cá ele não demonstrava tanto interesse, muitas vezes ela o sentia frio.

- Eu o amo muito sabe, ele me ajuda com palavras e conselhos a superar esses obstáculos. (Alana)

Conversamos muito, sobre diversos assuntos, conheci um lado de Alana que jamais imaginava que existia, se revelou um doce de pessoa ainda mais pela atitude admirável de pedir desculpas a Pipa.Dormimos por volta das 23h00min.

Alana Narrando:

Não, é engraçado mesmo, quando as pessoas a sua volta te olham e dizem como você é forte. Como forte Jesus? Mal confio em mim mesma, no que eu falo e sinto, pra mim forte mesmo é quem consegue dominar a si mesmo antes de qualquer que seja a dor, seus desejos e vontades. Eu sou um Fracasso!

Déco Narrando:

Incrível, nossos desafetos podiam ser colecionados, sentenciou enfaticamente com sua habitual cara depois da minha resposta, parecia que eu tinha a obrigação de avisá-la com a devida antecedência , não posso ser culpado, como não lembrar daqueles longínquos tempos.

23 de Abril de 2007 – 00h00min

Ventos funestos que me aguçaram a memória daquelas doces primaveras, da aurora da minha vida, da minha infância querida, sonhos, flores, borboletas, naquelas tardes fagueiras, nas sombras das mangueiras, com camiseta aberta ao peito, o céu azul era risonho e feito de nuvens essas de algodão doce, que causavam indefinições de formas e desenhos, ditosamente buscava o colher das acerolas vermelhas que coloriam o quintal, naqueles tempos de delicias dormia sorrindo como registro do esquema afetivo. Distancia nostálgica causada a partir da sensação de não poder mais reviver a aparente liberdade.



Notas finais
e ai, gostaram?