Sonho
1 Capítulo único
Notas iniciais
Um sonho transformado em conto, com todos os detalhes que consegui lembrar.
Acabei de acordar de um pesadelo. A primeira parte fui tranquila eu estava meio que de férias com um grupo de pessoas da escola e o lugar era bem grande, tinha uma parte que era meio que uma reserva florestal bem ampla e partes com recriação com direito a alas de jogos e refeição, tudo muito bem organizado e bem estruturado um dos melhores lugares que já vi.
Muito provável que eu tenha sonhado com alguma coisa antes dessa parte do sonho que vou contar agora, pra ser sincero já faz um tempo que eu tive esse sonho e só resolvi editar e postar ele agora, pois eu estou em um bom momento pra isso. Eu consigo lembrar vagamente de ter chegado nesse lugar de férias de verão pela noite, mas por alguma razão apenas largamos nossas malas na casa e fomos dormir no meio da mata, com direito a saco de dormir e fogueira — detalhe, pois eu nunca dormir desse jeito em nenhum momento de minha humilde vida, até aí tudo bem, tudo tranquilo. Pela manhã acordei com o clarão do sol ainda estava com neblina e eu não estava nem um pouco disposto a começar meu dia, mas não tive muita escolha. Levantei arrumei o saco e fui em busca da casa para pegar minha escova de dentes e guardar o saco, fiquei desesperado porque eu não conseguia encontrar a casa e eu não conseguia reconhecer nem um dos meus colegas de classe, então escolhi qualquer lugar para sentar e fiquei esperando que alguém me reconhecesse e viesse me ajudar de alguma forma — até parece né? -, muita gente passava sorrindo alegremente conversando alto e transbordando alegria e animação, até que por algum motivo, milagre ou azar o meu vi meu irmão e o restante da minha família — eu fiquei como assim meu Deus? Essa viagem não é assunto escolar? -. Eu resolvi segui-los, rosto familiar à vista... eu não queria ficar sozinho e quem gosta de ficar sozinho, né? Eles pagaram uma espécie de moto ou lancha sei lá o que era aquilo ao certo, só sei que servia para escalar locais de difícil acesso e era motorizado. Nesse momento lembro-me de estar diante de uma vala e eu estava olhando meu irmão subindo uma ladeira toda lambrecada e escorregadia, ele passou tranquilo conseguiu subir com maestria, mas teve uma pessoa desconhecida que não conseguiu e eu resolvi ajudar a erguer o veículo motorizado. Entrei naquela água parada geladíssima que arrepiou a minha espinha, mas mesmo assim eu ajudei e ele conseguiu subir na segunda tentativa. Antes de sair da lama eu fiquei olhando pra cima imaginando o quão seria difícil subir aquilo a pé, nesse momento escutei um miado de desespero abafado pela água, meu gato foi junto, de alguma forma ele apareceu lá, não sei como, mas ele estava lá, meu gatinho preto que eu o nomeei carinhosamente de Kuro — em japonês isso significa a cor preta, por causa do pelo dele -, eu precisava tirar ele dali, levar ele de volta para a casa que eu não fazia ideia de onde estava. No momento em que eu o peguei no colo percebi que a boca dele estava machucada, imaginei que deveria ser uma picada de cobra ou de uma mariposa, algo desse tipo, então resolvi levar ele ao veterinário mais próximo que eu conseguisse encontrar, peguei um ônibus qualquer e nesse momento percebi que eu estava em um lugar completamente desconhecido, eu não fazia ideia pra onde eu deveria ir, resultado, fiquei perdido. Saí andando pra qualquer direção, estando convicto a perguntar a qualquer pessoa que eu visse para qual direção eu deveria ir para chegar no veterinário, entrei em um bairro um tanto suspeito, ninguém andava pelas ruas, as pessoas que me viam corriam para dentro de suas casas passei a imaginar que aquele lugar era perigoso passei a ficar aflito com minha situação. Virando a esquina vi dois rapazes conversando e isso de alguma forma me deixou calmo, me aproximei para conversar com ele e pedir informação. -- Opa, boa tarde. Disse. -- ... Aparentemente eles não ficaram muito satisfeitos om minha presença. -- Eu preciso levar esse gato ao veterinário e eu não sei para qual lado fica, vocês podem me ajudar? -- Esse gato é seu? Disse o rapaz mais alto e com a expressão séria. -- É, é meu sim, estou preocupado com ele, pois acredito que alguma cobra deve ter mordido ele e preciso correr contra o tempo. Nesse momento uma criança que aparentava ter uns três ou quatro anos se aproximou de mim olhando fixamente o gato, imaginei que ele queria pegar o gato no colo. Excitei por um momento, afinal meu Kuro estava machucado e eu não queria fazer ele sofrer ainda mais com dores, mas acabei cedendo e entreguei para a criança. -- Olha, está vendo aquela ponte improvisada ali. Afastando-se de seu colega de conversa o rapaz sério apontou um pouco mais adiante. -- Sim. Respondi aliviado. -- Então, é só você passar pela ponte, assim que a ponte acabar você virar para a sua esquerda e próximo ao ponto de ônibus virar a direita. Entendeu? -- Ah, sim. Muito obrigado. Me dirigi e subi na ponte, nesse momento lembrei de pegar o Kuro com a criança. No momento em que eu me virei ela jogou em mim meu querido gatinho com a garganta aberta, ainda tendo convulsões sofrendo e eu fiquei desesperado, horrorizado. Como que uma criança faria algo assim tão cruel e ainda se sentir satisfeita. Os rapazes avançaram em minha direção de uma maneira muito, mas muito intimidado. -- Você não é dessas bandas, é? Não respondi. Eu ainda estava muito abalado com a visão do meu pet naquele estado, percebi que aquele não era um lugar que eu deveria ficar por mais tempo, e que se eu permanecesse mais um pouco, eles também me matariam. Tratei logo de fazer uma rota de fuga, eu tinha duas opções, descer a ponte ou pular no rio cheio de crocodilos. Na minha cabeça a melhor opção seria pular no rio, pois eles não se arriscariam vir atrás de mim no meio daqueles monstros aquáticos, engano meu eles começaram a me perseguir. Cansado de lutar contra as água e tentando me manter longe daqueles crocodilos eu consegui me aproximar da margem, mas eu não tinha percebido que a margem era alta o suficiente para eu não alcança-las e para piorar a situação ela fazia uma espécie de C, eu consegui dar um salto e me agarrar nas raízes que saltavam do solo, mas eu estava exausto demais para conseguir erguer meu corpo e para me ajudar ainda mais os caras agarraram minhas pernas me puxando para baixo, eu só conseguia me manter pendurado, nesse momento avistei mais dois homens correndo do meu lado esquerdo, fora da água e com facas em mãos, percebi que naquele lugar esses homens matavam por diversão. Busquei por mais opções, o que eu podia fazer para me safar daquilo, mas não me restava mais nada, e eles já estavam perto o suficiente para conseguir me esfaquear. No momento em que eu olhei para cima, eu vi o rosto dele, vi o quão feliz e satisfeito ele estava e o quão prazeroso seria ele enterrar aquela faca em mim. Ele ergueu o braço, seu olho brilhou e quando fez menção em descer o braço, escutei um disparo de arma de fogo, o homem caiu sem vida na água, olhei para ver quem tinha atirado, um furgão estava parado e um militar estava em posição de disparo no solo, logo depois disso consegui ver que mais furgões estavam chegando e com isso disparos estavam sendo realizado — uma matança -. Fui arrastado até um dos furgões e trataram de me tirar daquele bairro — sim, o bairro inteiro era daquela forma -. Fui levado até um bairro mais bem estruturado e lá encontrei uma militar mulher, o que me pareceu estar no comando daquele batalhão, contei tudo a ela, com todos os detalhes, e ela me disse: -- Se você tivesse passado por tudo isso de verdade, você não estaria com essa calma e estaria chorando. Falou de forma ríspida e intimidadora. Provavelmente ela achou que eu era um deles, e que estava tentando me safar. Percebi que eu não deveria permanecer ali e fugi, corri o máximo que eu pude. Percebi que o lugar estava quieto demais, não se via carro passando pelas ruas, não se escutava vozes, nesse momento um caminhão freio, vários militares desciam e invadiam as caras atirando em todos que estavam lá, sem exceções, podia-se escutar os gritos ecoando pelas ruas, vários disparos podiam ser escutados, parecia que o lugar inteiro estava sendo dizimado.
Corri, me escondi, desviei de caminhões que quase me viram. Precisei invadir casas, para não passar pela mesma rua que os militares. Numa dessas invasões encontrei um grupo pequeno de pessoas que estavam lutando contra os militares. Eles me perguntaram se eu queria fazer parte da resistência e eu, claro, me juntei a eles. -- Como você pode perceber, não estamos em grande número e não possuímos armas de fogo, fazemos o que podemos de forma furtiva, trabalhamos com o elemento surpresa. Você pode escolher uma dessas coisas que estão em cima da mesa para te auxiliar nessa luta. Lá tinha: um guarda chuva, uma vareta, um cinto, um carrinho de supermercado e vários fones de ouvido. -- O que vai escolher? -- O fone de ouvido. Na minha cabeça aquilo iria funcionar como no game Watch Dogs. Depois disso e não me lembro de nada e acordei por causa de uma picada de mosquito no pé. Parando para pensar um pouco, isso me parece com outro game, Outlast 2.
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