Notas iniciais
Essa história terá apenas um capítulo, pois é uma história curta da qual fiz em um momento melancólico e normalmente quando escrevo algo durante essa pequena etapa da minha vida que vem e vai toda hora por causa da minha bipolaridade, são sempre textos curtos. E vai ter muitos destes.
Então, espero que gostem.

Hoje eu sonhei com você. Sonhei que você me abraçava e me aninhava em seus braços, estávamos felizes. Porém, quando acordo eu não sinto você, não sinto seu calor e nem a deformidade do colchão. Perambulo pela casa a sua procura, mas não o encontro. Resolvo tomar um banho e infelizmente a água quente não substitui o calor de suas mãos. Saio do banho e coloco uma de suas blusas que me protege do ar gélido que entra pela janela.

Me jogo na cama novamente, esperando ouvir a porta da frente abrir ou o som da sua voz me chamando. Mas não. Não ouço nada. Olho para o relógio e já são nove da manhã. Suspiro e resolvo ir fazer o café da manhã. Deixo seu prato na geladeira. O silêncio torturante me acompanha enquanto como contra minha vontade. Ao terminar lavo meu prato e arrumo tudo em seu devido lugar. Quase dez e nem sinal de sua presença. Um aperto toma conta do meu peito, me deixando sem ar enquanto a preocupação cresce.

Decido pegar um ar para me acalmar e vou até a porta. Quando abro vejo o jornal do dia aos meus pés e sou tomada pela surpresa ao ver a foto de meu marido ao lado de um carro destruído. Meu coração acelera ao pegar o jornal e ler a notícia. Lágrimas escorrem pelo meu rosto e levo a mão a boca para não deixar um soluço escapar. Não poderia ser possível o que estava escrito ali. Larguei o jornal e sai correndo em direção ao quarto. Ao pegar o celular, minhas mãos tremiam tanto que o derrubei duas vezes antes de respirar fundo e me acalmar para concluir a chamada. Liguei para um amigo da família para ter certeza que a notícia era realmente verdadeira. A resposta que recebi fez meu coração quebrar lenta e dolorosamente. Ele estava morto a uma semana praticamente e eu havia ajudado sua família a preparar o velório. Ignorei sua pergunta sobre meu bem-estar e desliguei. As lágrimas escorriam livremente. Minha visão estava embaçada e ao andar em direção a cama acabei tropeçando no pequeno urso que ele havia me dado. O peguei e o apertei contra o peito ao deitar na cama. O seu cheiro ainda estava nos travesseiros. Um vazio dominava onde antes tinha apenas amor. O fato de que não irei mais ver seu sorriso, nem sentir seu toque, sua voz me desejando boa noite ao deitar, só fazia a dor aumentar. O sono veio aos poucos por conta do cansaço.

Eu sonhei com você...

Notas finais
Então, o que acharam? Não deixe de dar a sua opinião, ela é bem vinda.
Até a próxima.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!