Sonhando com a Califórnia

1 Sonhando com uma loira numa Harley-Davidson


Notas iniciais
Olá, amores! ❤️ Olha eu aqui com mais um projeto! Bom, quem me acompanha sabe que eu participei de um amigo secreto da família Cupcake no final do ano passado e já finalizei a minha história. Porém, percebi que a administradora do grupo, @LaraBarbosa, acabou ficando sem receber uma. Não vou julgar, porque não sei como está a rotina de quem tirou o nome dela… mas isso me deixou bem triste. Então decidi eu mesma escrever uma história especialmente pra ela ❤️ O título é inspirado na música California Dreamin’, do The Beach Boys, que aparece na quarta temporada de Stranger Things. A história vai ser curtinha: serão no mínimo 10 capítulos, com no mínimo 2 mil palavras cada, seguindo as regras do amigo secreto. Pretendo postar um capítulo por semana! Por enquanto, ela também está sem capa, mas logo minha melhor amiga, Faila Mariana (@fayh_diangel), vai fazer uma pra mim ❤️ ✨ Casais: Casal principal: Samantha “Sam” Puckett & Fredward “Freddie” Benson Casal secundário: Ally Dawson & Austin Moon ✨ Universo: iCarly & Austin & Ally ✨ Gênero: Romance Confesso que assisti pouco dessas séries, mas prometo dar o meu melhor ❤️ ✨ Principais inspirações: “23.5”; “Como Ganhar Milhões Antes que a Vovó Morra” e “A Lista da Minha Vida”. Espero muito que vocês gostem! Até mais ❤️

FREDDIE BENSON jamais imaginara que Los Angeles poderia ser tão quente naquela época do ano. A luz do sol atravessou as cortinas pesadas e atingiu diretamente seu rosto, forçando-o a franzir o cenho até acordar.

Era começo de agosto e, por consequência, sua primeira semana de aula no curso de Engenharia de Software na Universidade da Califórnia em Los Angeles ou, simplesmente, UCLA.

Passou a mão, ainda meio desajeitado, pela mesa de cabeceira até encontrar o despertador, puxando-o para perto. Comprimiu os olhos e franziu a testa ao ver 8h30. Levou alguns segundos para entender e então arregalou os olhos.

— Puta que pariu! Tô muito atrasado! — gritou, dando um pulo para fora da cama.

Se embolou nas cobertas, lutou para se livrar delas e saiu às pressas, correndo para o banheiro do quarto.

A primeira aula começava às oito. Já estava meia hora atrasado — e ainda precisava se arrumar e atravessar praticamente a cidade inteira até a faculdade.

Estava completamente encrencado!

Assim que terminou de escovar os dentes, correu até os aposentos de seu primo, e colega de apartamento, Austin Moon, ainda sentindo o gosto da pasta de menta na boca.

— Austin, acorda! Estamos muito atrasados e...

Mas, para sua surpresa, o quarto azul — incrivelmente bagunçado, com instrumentos e roupas espalhados por todo lado — estava vazio.

Filho da...! — conteve o palavrão, descontando a frustração ao dar um leve soco no ursinho de pelúcia guitarrista que Austin deixava sobre a cômoda branca. O brinquedo caiu no chão.

Suspirou fundo e foi até a cozinha, na esperança de que o folgado ao menos tivesse facilitado sua vida e deixado algo pronto para adiantar seu lado. Mas, para sua nenhuma surpresa, encontrou duas frigideiras, um prato, uma colher e uma faca sujos na pia.

— Por que eu ainda me iludo?

Ao se virar para a geladeira, deu de cara com um post-it roxo fixado na porta.


“E aí, priminho! Parece que alguém dormiu demais hoje, hein? Isso que dá ficar jogando até tarde!”


Freddie revirou os olhos.


“Decidi não te acordar porque você fica de mau humor quando levanta cedo ksksksks. Se quiser tomar café, deixei um ovo e alguns bacons na geladeira. Se precisar de mim, não ligue! Já estarei na faculdade e o professor não deixa mexer no celular. Espero que você tenha herdado os dotes culinários da vovó e não incendeie a casa antes de sair. Ah, e um conselho de amigo: não demora pra pedir um táxi. Los Angeles vira um caos no horário de pico. Enfim, bem-vindo à vida adulta! Não acorda tão tarde. Te vejo na UCLA.”

~ Austin


— E ainda tem a audácia de debochar de mim! — Inspirou fundo, amassou o post-it e o jogou no lixo, antes de começar a lavar a frigideira que iria usar. — Só estou fazendo isso por você, vovó!

Havia se mudado para Los Angeles a pedido da avó. Ela queria que ele corresse atrás dos próprios sonhos e não desistisse de entrar em uma das universidades mais prestigiadas do país. Mesmo que isso significasse aturar Austin como colega de quarto.

Freddie passara quase sete anos cuidando de Stephanie Monroe. Sua mãe, Marissa Benson, trabalhava à noite e não conseguia acompanhar a idosa na rotina de quimioterapia e radioterapia, nem nas aulas de natação recomendadas pelo médico para aliviar as dores. Sobrava para ele ajudar em tudo: limpar a casa, preparar as refeições, dar banho… e estar presente. A cada ano de luta, via a avó se tornar mais frágil.

Agora, ter um pouco de tempo para si e o próprio futuro parecia necessário; merecido, até. Ainda assim, era impossível não sentir falta dela todos os dias. O dia em que recebeu a notícia de que o câncer havia evoluído em metástase foi um dos piores de sua vida, comparável apenas ao dia do enterro.

Freddie era um garoto nascido e criado em Wichita, no Kansas, em uma fazenda afastada da cidade. Por isso, quando desceu do elevador e saiu à procura de um táxi, sentiu o coração disparar ao se deparar com a multidão: pessoas indo e vindo apressadas pela calçada, presas às próprias rotinas e aos celulares, sem sequer responder ao seu “bom dia”.

Austin o havia ensinado um “truque” para chamar um táxi: bastava ficar na ponta da calçada, erguer a mão e gritar “táxi!”, que um apareceria quase imediatamente. Pelo menos, era isso que dizia a teoria.

Na prática, porém, não parecia funcionar tão bem em horário de pico. Freddie ficou facilmente cinco minutos ali, parado como um idiota, repetindo o gesto enquanto os táxis passavam direto, para ser mais especifico, paravam para qualquer outra pessoa ao seu redor:

Mães com crianças pequenas, executivos carregando pastas e falando ao telefone, mulheres granfinas com cachorros de pedigree dentro de bolsa caríssimas… todos conseguiam um carro. Menos ele.

Sentia-se invisível.

— Ei, Wichita! — gritou uma voz atrás dele.

Ele se virou, confuso.

Era uma garota montada em uma Harley-Davidson Fat Boy vermelho neon. Ela parou bem à sua frente, desligou o motor. Sem tirar o capacete, deixava à mostra apenas o que era possível adivinhar: fios loiros escapando pelas laterais, pele clara e os olhos completamente ocultos pelo visor escuro e reluzente. Além de que a motoqueira vestia uma jaqueta de couro e uma calça legging, ambas pretas.

— Perdeu a hora, foi? — Ela provocou, com um meio sorriso. — Você tá sendo mais rejeitado do que carro da Peugeot em país tropical. Aliás, aqui nos Estados Unidos também… faz uns trinta anos que a Peugeot sumiu do mercado.

Freddie franziu a testa.

— O quê?

— Peugeot! Marca de carro. Coisa de colecionador hoje em dia — respondeu, dando de ombros.

Ele balançou a cabeça, ainda tentando acompanhar.

— Não, não é isso. Quem é você? E como sabe que eu sou de Wichita?

— Ah, as notícias correm rápido aqui pelo prédio. Meio que todo mundo já sabe que o Austin tá morando com um primo dele, um novo calouro da UCLA. Fredward Benson, não é?

— Sim, mas prefiro que me chamem de Freddie.

— Ok, Sr. Freddie Benson de Wichita! — Ela piscou, dando uma risadinha debochada.

Freddie revirou os olhos.

— Mas, voltando ao que me chamou atenção… — A loira retomou a falar. — Percebi que nenhum táxi tá te pegando. Sabe como é: horário de pico. Eles preferem quem parece ter dinheiro; julgando pela aparência. E, bem… um estudante recém-chegado, com roupas assim, todas amarrotadas, não chama muita atenção. Uns babacas, com certeza. Mas é assim que funciona por aqui, como você já deve ter percebido a essa altura.

— Ah, que azar o meu… — O homem murmurou, encolhendo os ombros enquanto encarava as próprias roupas de segunda mão, emprestadas de Austin.

A loira começou a rir.

— Do que você tá achando tanta graça, hein?

— Nada contra você, sério. É só que… mentira que aquele metido a besta do Austin consegue ser mais responsável do que você! Como você consegue se atrasar logo no primeiro dia?

— Virei a noite jogando “Subnautica”.

— Uau!

— É um jogo de terror psicológico muito bom, pra sua informação.

— Tá, tá bom, Sr. Wichita. Enfim… eu também estudo na UCLA. Quer uma carona? Aproveita, porque não vou perguntar de novo.

Freddie olhou ao redor. Um táxi se aproximou; ele ergueu a mão e foi ignorado mais uma vez. Suspirou fundo.

— Ok… mas admito que nunca andei de moto antes.

— Sério?

— Sim… mas não vejo outra opção.

— Você não montava em bois ou cavalos na sua terra natal? Pelo que eu saiba, lá é conhecido como a cidade dos vaqueiros.

— Isso é estereótipo, sabia?

— Ah, é? — Deu de ombros. — Vai me dizer que você não cresceu numa fazenda cheia de cabeças de gado?

Freddie abriu a boca para responder, mas hesitou, fazendo uma careta.

— Tá… eu cresci.

— Olha só, eu estava certa. — A loira sorriu de soslaio.

— Mas era uma de pequeno porte, ok? E o máximo que eu fiz foi andar de cavalo. Eu tinha dez anos, caí… doeu tanto que jurei nunca mais subir em um na vida.

— Bom, então o cavalo devia ser agressivo.

— Bem agressivo. O nome dele era Slow Dancer. Bem irônico.

Ela riu.

— Relaxa! Motos não têm sentimentos. Então é melhor subir logo. Ainda dá tempo de pegar as duas últimas aulas e o almoço grátis do campus que a Sra. Dawson oferece. — recomendou, oferecendo um segundo capacete, que repousava no guidão do lado do acelerador, para Freddie.

O qual subiu meio receoso na moto grande, meio desajeitado, engolindo em seco, torcendo para que a mulher não notasse seu pequeno desconforto.

— Tudo certo aí?

— Sim.

— Então segura firme, Wichita!

Ela acelerou, e o tranco fez Freddie se agarrar com força à alça da moto.

A loira pilotava como se estivesse numa corrida ilegal: costurava entre os carros com precisão quase irresponsável, acelerava nos menores espaços, ignorava buzinas indignadas e avançava sinais amarelos — e alguns vermelhos também — enquanto soltava xingamentos rápidos para motoristas que, na visão dela, eram “lentos demais pra dirigir”. O vento batia forte no rosto de Freddie, e cada curva mais fechada fazia seu estômago revirar. Quando finalmente entraram no campus, já se encontrava tonto, com as mãos ainda travadas na alça da moto.

— Onde fica o seu departamento, Wichita?

— Ali… — Apontou com o indicador, meio trêmulo. — Na área de exatas e ciências da computação.

— Bem que suas roupas dizem que você é um nerd todo certinho.

— Ei!

A mulher estacionou a moto na área destinada a motocicletas. Freddie desceu com cuidado, ainda meio tonto, e já se preparava para lhe dar um sermão sobre leis de trânsito — por que elas existiam e por que, definitivamente, deveriam ser seguidas — quando ela tirou o capacete.

Por um minuto inteiro, foi como se o mundo desacelerasse.

O rosto dela finalmente se revelou: pele clara, traços delicados e cabelos loiros ondulados que caíam de forma despreocupada sobre os ombros, balançando suavemente com a brisa leve da manhã. Os olhos, de um azul vivo, quase hipnotizante, contrastavam com a expressão leve que ela carregava. A jaqueta de couro marcava o corpo definido, completando a imagem que fez Freddie simplesmente esquecer o que ia dizer.

Ela sorriu.

— Até mais, Wichita! Foi bom te conhecer.

— É… até… mais… — respondeu, pausadamente, tropeçando nas próprias palavras.

— Boa aula! — Acenou, antes de sair em direção a outro departamento.

Freddie ficou parado por alguns segundos no estacionamento, ainda processando tudo, até sentir alguém tocar seu ombro. Ele se assustou, dando um leve pulo.

— Finalmente chegou, priminho! Tá assustado? — riu, com um toque de escárnio.

— Não se chega nas pessoas por trás assim, sabia?

— Vim ver se você conseguiu pegar um táxi. Achei que você tinha se perdido por aí com algum famoso na rua.

— Graças à sua ajuda que não foi!

— A propósito, esse é o meu amigo, Dezmond Wade, mas pode chamar ele apenas de Dez. E esse é o meu primo de Wichita que te falei, Fredward Benson, mas ele prefere ser chamado apenas de Freddie. Acredito que vocês dois vão se dar super bem e tem mais em comum do que eu imaginava, dois desajustados precisando de um mestre em popularidade para se encaixar, no caso, eu.

— Vou ignorar isso. — Observou o primo.

— Para com isso, cara, tá me fazendo passar vergonha! — Dez disse de forma sussurrada. — E de qualquer forma, só de olharem, já sabem que o mestre de popularidade aqui sou eu e não você.

O garoto era magro, de cabelos ruivos, com alguns fios espetados para cima, e desajeitado, vestindo uma camiseta azul larga demais e uma calça jeans maior do que o próprio número. De algum jeito, ele estranhamente lembrava o Salsicha, do Scooby-Doo.

— Prazer. — Dez estendeu a mão.

— O prazer é meu.

— Vem, deixa eu te mostrar onde fica a sua sala — disse Austin, passando o braço pelos ombros de Freddie. — Sua sorte é que são dois professores diferentes: o primeiro já terminou as duas aulas, e o segundo ainda nem chegou.

[...]

A professora Joan M. Hess ainda não havia chegado quando Freddie entrou apressado na sala de Algoritmos e Lógica de Programação. Tentou não chamar atenção, mas corou levemente ao perceber os olhares curiosos voltados para si e seguiu até uma mesa vazia perto da parede, próxima à lousa, do outro lado da sala. Ao se sentar, soltou um suspiro de alívio ao notar que já não era mais o centro das atenções. Em seguida, colocou o caderno, o estojo e o celular sobre a mesa.

Não demorou muito para que Joan — uma mulher baixinha, de cabelo chanel ruivo e olhos verdes marcantes, ampliados pelos grandes óculos de grau — se apresentasse. Vestia uma saia lilás, uma camiseta branca com botões amarelos e, por cima, um moletom roxo. Logo começou a explicar os princípios que seriam estudados ao longo do semestre.

No entanto, sua voz arrastada logo fez com que Freddie começasse a sentir sono, sua cabeça pendendo levemente enquanto lutava para se manter acordado. Foi então que uma risada feminina, vinda de trás, o fez despertar de imediato.

Ao se virar, Freddie se deparou com a garota que lhe dera carona até a faculdade, só que havia algo de diferente nela agora. Os cabelos, antes soltos, agora estavam presos em um rabo de cavalo alto. Vestia um vestido longo rosa e usava um colar de pérolas de quartzo rosa em formato de coração. Sua aparência parecia mais delicada, mais fofa… e menos rebelde.

Algo estava estranho.

— Oi. — Ela acenou, sorridente.

— Oi — respondeu ele, voltando a olhar para a frente, ainda desconfiado.

Quando a aula finalmente terminou, Freddie se virou novamente. A garota já se levantava, aparentemente a caminho do refeitório.

— Espera — chamou. Ela parou e se virou. — Eu queria pedir desculpas… mais cedo. Você me deu uma carona e eu nem agradeci.

— Oi? Carona? Como assim?

— Não se lembra? Sou eu, o Sr. Wichita. Eu estava tão preocupado por estar atrasado que nem perguntei seu nome. E não esperava te ver por aqui… acho que não era o único nerd certinho desse lugar, afinal.

A garota franziu o cenho, confusa, e então riu.

— Você é engraçado. Mas me desculpa… acho que está mesmo cometendo um engano. Eu nem tenho carteira de habilitação.

— Oh, Melanie! Você ainda vai demorar muito aí? Tô com a maior fome… — chamou uma garota idêntica à que estava ao lado de Freddie. Ela surgiu na porta, vestindo aquela mesma jaqueta de couro, e parou ao vê-los.

— Freddie? — disse outra voz. Dessa vez, mais duas pessoas apareceram na entrada: Austin e Dez.

Benson ficou olhando fixamente para a garota loira, que sustentou o olhar de volta.

— Acho que já entendi o que aconteceu aqui — explicou a garota de roupa rosa. — Eu sou Melanie Puckett, e essa é a minha irmã gêmea, Samantha Puckett. Você deve ter me confundido com ela. Ela combina mais com a sua descrição… mas não se preocupe, não é a primeira nem será a última vez que isso acontece. — Melanie riu.

— Parece que você já começou a se enturmar bem no seu primeiro dia, primão — comentou Austin. — Foi mal duvidar do seu potencial.

Sam revirou os olhos.

— Você nunca para de falar, não? — retrucou.

— Amigão — Dez tocou o ombro esquerdo de Austin. — Os adultos estão falando.

Moon fez careta.

— Pode me chamar de Sam — A loira de jaqueta continuou. —, não precisa dessa formalidade toda! E eu aceito o seu agradecimento, mesmo que esteja quase uma hora atrasado. Já estava começando a achar que você era um bicho do mato, que nem a Cat descreveu.

— Quem é Cat? — perguntou Freddie.

— Caterina Valentine, nossa outra colega de quarto lá no apartamento — respondeu Melanie. — Somos três, sabe? Aluguel não é barato em cidade grande...

— Tá bom, chega de drama! — Sam tomou a frente. — Freddie, essa é a Melanie. Melanie, esse é o Freddie. Pronto, todo mundo já se conhece. Agora vamos pro refeitório, porque eu tô com fome e a fila já deve estar enorme. — Ela puxou a irmã pelo antebraço e saíram da sala.

— Tchau, Freddie! Até a próxima aula! — gritou Melanie.

— Tchau, Melanie! E tchau, Sam!

[...]

— Então a Samantha Puckett te deu carona pra chegar à faculdade — comentou Austin, andando despreocupadamente.

Dez os havia deixado para ir sozinho ao prédio ao lado, já que sua namorada, Trish, tinha mandado uma mensagem dizendo que precisava dele com urgência no prédio ao lado. Ela cursava Relações Públicas, enquanto Dez fazia Audiovisual e Cinema no mesmo departamento.

— E eu achando que você tinha vindo até aqui caminhando, fazendo algum exercício físico pelo bem da sua saúde! — Austin continuou, em um tom zombeteiro.

— Eu ainda tô em choque que ela é uma das nossas vizinhas da frente e eu não tinha visto até agora! — desabafou Freddie.

— Mentira que você não a conhece… nem a Melanie? Ou a Cat, você já viu? — perguntou Austin, perplexo.

— Em minha defesa, eu só me mudei há uma semana!

— Isso que dá ficar enfurnado no quarto, jogando o dia inteiro. Tem que começar a se socializar mais, priminho — disse o loiro, dando leves tapinhas nas costas dele.

Estavam perto do refeitório quando avistaram Sam, Melanie, uma garota de longos cabelos pretos e outra de longos cabelos ruivos, sentadas juntas. Sam levantava para cima um copo de refrigerante, que a ruiva tentou pegar, sem sucesso, enquanto dava sermão pra amiga, com a voz chorosa e fina, cruzando os braços e fazendo bico. Freddie ficou encarando a loira de jaqueta, com os olhos brilhando.

— Ela é realmente linda…! — elogiou, sentindo as bochechas esquentarem.

— Se eu fosse você, tomava bastante cuidado antes de se apaixonar por uma Puckett em cima de uma Harley-Davidson.

— Ué? Por quê? Ela é gentil, educada, tem uma moto maneira e uma irmã super inteligente.

— É que a Sam é totalmente diferente da Melanie, ok? São gêmeas completamente opostas. E, olha… acho que hoje vai até chover, porque é a primeira vez que vejo a Sam sendo legal com alguém sem pedir algo em troca.

Puff... Você tá exagerando! — Freddie revirou os olhos.

— Claro que não! Uma vez ela tirou minhas roupas do varal porque ia chover e eu estava na faculdade. Eu agradeci, e sabe o que ela disse? Que, pra retribuir, eu tinha que passear com o cachorro dela… sendo que o bicho estava com diarreia há três dias! Ela sabia disso. A Cat me contou depois, sem querer. Foi tudo cuidadosamente planejado.

— Pelo menos ela te fez caminhar um pouco.

Os dois pararam de andar. Austin ficou na frente de Benson e segurou seus ombros, com os braços esticados.

— Olha, priminho, só tô dizendo isso porque você é família e eu me importo com você, ok? Ela não se apega a ninguém. É um espírito livre. Não obedece ordens, não segue regras… e pode ser uma tremenda oportunista quando quer.

— Isso é rumor. Não dá pra acreditar em tudo que dizem.

— Mas as pessoas só aumentam um rumor… ele quase nunca surge do nada. Ela vai pegar o seu coração e amassar até você não aguentar mais, entendeu? Por favor, toma cuidado.

O celular do loiro vibrou no rosto.

— O pessoal do grêmio estudantil tá me chamando pra uma reunião.

— Como você conseguiu entrar no grêmio?

— Fazer o quê, o papai aqui tem o charme. — Deu uma piscadinha e ajeitou a gola da camiseta branca com elegância. — Mas enfim… pensa no que eu te falei. Protege esse coração, meu nobre Don Juan. — disse, já dando as costas e seguindo seu caminho.

— Esse cara é uma figura mesmo… — Freddie balançou a cabeça, em sinal de reprovação.

Logo depois, ouviu o som de uma notificação no próprio celular — mais especificamente, do Instagram. Ele abriu um sorriso bobo para a tela… e, no instante seguinte, se repreendeu mentalmente por isso.


Sam Puckett (@puckett.badass) começou a seguir você.

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Bio:

não enche. eu não aviso duas vezes.


Tarde demais para bancar o conselheiro, Austin. Acho que já estou caindo nos encantos dela… — pensou, sorrindo feito bobo.

Notas finais
Olha o Freddie, já todo caidinho ❤️