Sonhando com Malfoy
11 Capítulo 8 | Mexeriqueiro
Hermione só percebeu o impacto da cena ao seu redor algum tempo depois.
O salão mergulhara em um silêncio absoluto — exceto pelos convidados de Luna, que, sem dúvida, representavam a verdadeira resistência no mundo bruxo.
Todos estavam ali para celebrar a união de um casal que, em teoria, deveria ter permanecido em lados opostos de uma batalha política.
Os amigos evitavam tocar no assunto, mas Luna costumava dizer que Gregory era muito mais compreensivo do que aparentava.
Ele estava disposto a questionar suas antigas crenças, ainda que aos poucos, pois começava a compreender parte do que Luna tentava lhe mostrar.
Hermione, no entanto, não conseguia aceitar aquilo por completo. Quanto mais pensava naquela união, mais intrigada ficava. E ali, diante da grande mesa do café da manhã que antecedia o casamento, a cena falava por si mesma:
Eles estavam separados.
Mas não por muito tempo.
Assim que o café da manhã terminou, Malfoy deixou a sala sem olhar para trás.
Goyle, por sua vez, aproximou-se da mesa para conversar com seus convidados. Ao que parecia, Malfoy tinha uma reunião marcada com os membros da Sonserina — seus amigos mais próximos — na ala oeste do castelo.
Luna fora convidada, não por amizade, mas pelo que sua presença simbolizava. No fim, apenas seis pessoas haviam sido excluídas daquela reunião: os convidados mais próximos de Luna.
A diferença entre os dois grupos era gritante, mas a indiferença de Malfoy naquela manhã fora distribuída a todos, sem exceção.
Hermione se arrependeu de ter escolhido aquele vestido. Pensara que seria uma reunião formal, mas, assim que os convidados terminaram seus respectivos cafés da manhã, cada um seguiu para um destino diferente.
Foi quando Rony se inclinou para ela e sussurrou:
— Vamos nadar agora?
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Hermione abriu um sorriso radiante. Eles estavam em um pedaço de terra praticamente intocado. Mesmo nos dias atuais, aquela região permanecia pouco explorada — imagine há tantos anos? A ideia de ver o mar, sentir a areia sob os pés e explorar o oceano sob uma nova perspectiva a deixava animada. Ali, a água deveria ser cristalina, livre de qualquer poluição.
Ela mal podia esperar.
Rony segurou sua mão, e os dois saíram correndo pelos corredores. O quarto dele ficava bem em frente ao dela, e, ao chegarem, cada um entrou no seu para trocar de roupa.
Quando Hermione saiu, usando um biquíni hot pants de tom roxo profundo e uma saída de praia transparente — elegante, mas discreta —, Rony abriu um sorriso.
O sutiã tinha formato de coração, e o conjunto lhe caía perfeitamente.
Ela se sentia segura naquela roupa.
— Você… malha? — Rony perguntou, divertido.
— Não, mas corro em volta do lago. — Hermione respondeu, sorrindo orgulhosa.
— Claro que corre. — Ele riu, oferecendo-lhe o braço como um cavalheiro.
Quando chegaram ao jardim, Hermione mais uma vez ficou encantada com a paisagem. O céu de um azul intenso, o perfume das flores que preenchia o ar… A ilha era simplesmente deslumbrante.
Caminharam juntos rumo à praia. O trajeto tinha cerca de um quilômetro, e, no caminho, Rony comentou que Harry estava lidando com um problema envolvendo o ciúme de Gina.
Aquela informação fez o estômago de Hermione revirar.
Certamente, a causa do ciúme era ela.
Quem mais poderia ser? Gina não tinha muitas razões para se preocupar com outras pessoas.
Hermione queria poder dividir aquele momento com os amigos, mas as coisas haviam mudado. Luna agora estava com Goyle. Harry, com Gina.
O que a levou a perguntar, sem pensar muito nas implicações daquilo:
— Rony, você já namorou?
Estavam quase chegando à praia. A areia clara reluzia sob o sol, e o mar, de um azul cristalino, se estendia diante deles, calmo como uma imensa piscina natural.
Era, sem dúvida, a vista mais poderosa e majestosa que Hermione já presenciara.
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Hermione observava a paisagem, incrédula. O cenário diante dela era tão magnífico que, por um momento, esqueceu-se completamente da pergunta que havia feito.
Rony, ao seu lado, parecia igualmente deslumbrado com a praia de areia clara e macia que se estendia à sua frente.
— Sim… Mas devo confessar uma coisa — disse ele, sem desviar os olhos do horizonte. — Sempre amei a Luna.
A declaração foi tão repentina que Hermione sentiu o impacto como um choque.
Ela tentou disfarçar a surpresa, mas não pôde evitar encará-lo.
— Como assim? — precisou perguntar.
Rony soltou um suspiro curto, sem perder o sorriso — um sorriso que, Hermione percebeu, não chegava aos olhos.
— Que diabos, Hermione… Eu era apaixonado por ela.
Não apenas como amiga.
A revelação trouxe um aperto no peito de Hermione. Ela se sentiu mal por ele.
— Eu nunca desconfiei, nem por um instante. — Instintivamente, segurou a mão dele.
Eles pararam a alguns passos do mar, a brisa salgada envolvendo-os.
Hermione soltou a mão de Rony e abriu sua bolsa, de onde tirou uma grande canga lilás com uma delicada estampa floral. Estendeu-a sobre a areia e se sentou, dando uma batidinha ao lado para que ele fizesse o mesmo.
— Eu sei que sou bom em disfarçar as coisas. — Ele se acomodou ao lado dela.
Parecia tranquilo, como se falasse de algo distante, já resolvido.
— E agora? O que sente por ela? — Hermione precisava saber. Somente então poderia decidir o que fazer com aquela informação.
Rony hesitou um instante antes de responder:
— Gosto dela. Mas me ressinto da escolha infeliz que fez.
Ainda havia algo ali.
Hermione compreendia. No fim, Goyle sempre fora um babaca com ela. Luna insistia que ele agia daquela forma porque já a amava e não sabia lidar com seus sentimentos. Dizia também que ele havia prometido passar o resto da vida tentando compensar os erros do passado.
Essa promessa tranquilizava Hermione… Mas não completamente, ela admitia para si mesma.
Antes que pudesse aprofundar a conversa com Rony, um grito ecoou pela praia:
— Ei!! Esperem por nós!
Era Luna, acompanhada por um Harry sorridente.
Luna vestia um maiô comportado e parecia ansiosa para entrar na água. Harry, por sua vez, usava um short curto, seu físico evidenciando horas de treino.
Hermione arqueou uma sobrancelha, surpresa. Não sabia que shorts masculinos mais curtos faziam sucesso entre os bruxos.
Rony, ao contrário, usava um modelo um pouco mais longo e uma camiseta.
Quando os dois se aproximaram, Hermione abriu a boca para fazer algumas perguntas, mas Luna foi mais rápida:
— Nada de conversas que estraguem o clima agora, ok? Temos 17 anos de novo e vamos nadar no Atlântico Norte de mil e quinhentos anos atrás!
Hermione desviou o olhar para o mar. De repente, sentiu um medo estranho… O que poderia existir ali, tantos séculos antes?
— Não vamos morrer hoje. — Harry sorriu, acompanhando o olhar inquieto de Hermione, como se soubesse exatamente o que ela estava pensando. — Estaremos seguros.
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Diante das palavras tranquilizadoras de Harry, Hermione não precisou de mais nenhum incentivo. Puxou o laço de sua saída de praia, deixando-a cair na areia como um montinho de tecido transparente, e, sem hesitar, correu para o mar junto dos amigos.
Rony também se livrou da camiseta, rindo da correria repentina.
Naquele momento, estavam felizes como nunca antes.
Passaram o dia inteiro ali, nadando, rindo e cuidando uns dos outros. De repente, pareciam os mesmos melhores amigos de sempre, como se nada tivesse mudado. Aquilo ficaria gravado em suas memórias e em seus corações.
Nem sequer pararam para almoçar. Ficaram na água, depois na areia, aproveitando cada instante. Harry, em algum momento, trouxe algo leve para comerem, mas o dia passou tão rápido que ninguém realmente se importou.
O clima era ameno, agradável — para Hermione, aquela era a nova definição de paraíso.
Havia sido o melhor dia de sua vida.
Naquele dia, todos deixaram suas preocupações de lado. Não havia passado nem futuro. Apenas o presente, e a companhia uns dos outros.
Eles viram o pôr do sol juntos, sem pressa, sem ansiedade, sem se importar com o mundo exterior.
Quando voltaram para dentro, cada um foi tomar banho antes de se reunirem no salão da ala sul, onde haviam estado na noite anterior.
Os outros convidados de Luna já estavam ali, sentados próximos à lareira, compartilhando um vinho. Gina estava ao lado de Harry, um pouco retraída. Hermione sentou-se perto de Rony, que ocupava um canto do sofá, enquanto os outros se envolviam em uma conversa animada.
Luna estava com eles, o que significava que Goyle estava na reunião com seus próprios convidados.
E que eles… não se misturariam.
Luna escolhera ficar ali. Isso significava que, pelo menos naquele momento, não estava à mercê dos desejos de Goyle.
Hermione considerou aquilo um sinal positivo. Se ele não a obrigava a participar de uma reunião que excluía seus amigos, talvez houvesse alguma esperança.
— Não sei como essa união poderia dar certo. — Rony comentou, quebrando o silêncio entre eles.
Hermione desviou o olhar para Luna, que conversava animadamente com seu pai, Harry, Gina e uma mulher que ela não reconhecia.
— Eles vão conseguir. — Disse, confiante. — Já estão juntos há muito tempo. Se estão dispostos a fazer todo esse esforço, é porque realmente precisam ficar juntos.
Ela bebeu um gole de vinho.
— Luna vai estar sempre sozinha? — Rony perguntou, a voz carregada de ressentimento.
Hermione não soube o que responder. Afinal, estava ali apenas como uma espectadora temporária.
Mas antes que pudesse tranquilizá-lo, as grandes portas duplas do salão se abriram.
Gregory Goyle surgiu na entrada, vestindo um traje que mais parecia de um príncipe — negro, elegante, com uma capa esvoaçante. Um estilo tipicamente bruxo, do qual os sonserinos claramente não abriam mão.
Hermione revirou os olhos. Sonserinos…
— Olá, estimados convidados. — Ele cumprimentou com um olhar avaliador, antes de se voltar para Luna. — Olá, futura esposa.
Ela sorriu em resposta.
— Convido vocês a se juntarem a nós em nossa reunião íntima na ala oeste. Por favor, não se sintam acanhados. Estaremos em paz aqui. Como iguais.
Ele fez uma pausa antes de concluir, com um olhar firme:
— Não aceito um “não” como resposta.
"Como iguais."
Hermione quase engasgou no vinho.
Naquele momento, havia acabado de levar a taça aos lábios, usando um vestido floral de fundo preto, curto, que moldava seu corpo perfeitamente. Nos pés, um par de All Stars — achara que seria apenas uma reuniãozinha antes do jantar, nada formal.
E, acima de tudo, pensara que não veria Malfoy naquela noite.
Estava enganada.
Queria perguntar o que motivava aquela mudança repentina, mas conteve-se.
Ela não podia ser a mesma Hermione questionadora que fora em Hogwarts. Não ali. Estava na casa de Malfoy como convidada, vivendo uma realidade paralela onde tinha a chance de aproveitar momentos com seus amigos.
Deveria ser grata a ele por isso. Precisava manter isso em mente.
Mas às vezes… era difícil.
O choque estava estampado no rosto de todos, incapazes de disfarçar a surpresa.
Nenhum deles havia imaginado que algo assim pudesse acontecer.
Ainda assim, de certa forma, todos acabaram concordando.
— Só peço que respeitem a distância estabelecida pelo anfitrião. — Goyle disse, sorrindo.
Era um sorriso educado, presunçoso, de alguém extremamente confiante em si mesmo.
A lembrança veio como um raio: a primeira vez que ele lhe dirigiu a palavra.
Na ocasião, dissera que preferia sequer olhar para ela a partir daquele dia.
A memória era nítida, porque, depois daquela troca, mal haviam conversado novamente.
Agora, sem questionar, todos o seguiram.
Os convidados de Luna, assim como Hermione, não estavam vestidos para uma reunião com o anfitrião. Haviam escolhido roupas simples, casuais. Mas, pelo visto, não havia tempo para mudar nada.
Um incômodo subiu pelo peito de Hermione. Pela primeira vez ali, sentiu-se desconfortável em sua própria pele.
Sabia que esse momento chegaria.
Estava prestes a entrar em uma reunião de bruxos puro-sangue vestida como uma adolescente trouxa.
Apenas suspirou.
Amava seus Converse.
O vestido romântico, delicado, e os cabelos soltos em ondas um tanto selvagens por causa da água do mar realçavam ainda mais sua beleza.
Mas, dentro dela, algo remexia.
Quando entraram no corredor da ala proibida, Hermione não pôde deixar de notar as imensas portas douradas por onde passaram.
Aquilo significava que a sala era alta.
Alta como uma… biblioteca.
O peito de Hermione vibrou em reconhecimento.
E se ela…
Um plano começou a se formar em sua mente.
Talvez não precisasse permanecer tempo demais naquela reunião, sentindo-se deslocada. Afinal, não tinha nenhuma veste bruxa para ao menos fingir que pertencia àquele espaço.
Ela simplesmente era ela.
E não esperava que houvesse tanta gente da nata bruxa ali.
Uma pena.
Bem… ao menos para Hermione.
Quando as portas verdes brilhantes se abriram diante dela, sentiu um calafrio.
Aquela sala era um refúgio especial.
E, de repente, lamentou estar ali.
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Mais profundamente do que gostaria.
E era por isso que desistir da ideia de fugir para a biblioteca parecia impossível.
Ela o faria.
A sala era ainda maior do que a da ala sul. Mais brilhante, muito mais iluminada.
Hermione sentiu sua presença antes mesmo de vê-lo.
Resistiu ao impulso de procurar por ele com o olhar.
Mas sabia que ele estava ali.
Permaneceu perto da porta, ao lado de Ron, que não se afastou dela. Algumas pessoas foram apresentadas, e Hermione se esforçou para não presumir que aqueles cumprimentos eram forçados…
Mas era difícil não pensar nisso.
Afinal, em qualquer outra circunstância, jamais a cumprimentariam.
Se pudessem, a teriam matado.
O arrepio percorreu sua espinha.
Quando finalmente olhou na direção onde sabia que ele e sua cúpula estavam reunidos…
Ele já não estava mais lá.
Luna notou seu olhar e sussurrou:
— Ele foi se recolher ao quarto. Parece que os amigos da Sonserina o entediaram.
Estava perto de Goyle e, certamente, percebeu o instante em que Hermione o procurou.
Elas trocaram um sorriso cúmplice.
Luna, talvez, quisesse dizer que, se Hermione soubesse que ele não estava mais ali, poderia relaxar um pouco.
Afinal, sua presença era… intoxicante.
O tempo passou sem que Hermione percebesse. Contra sua vontade, se envolveu em uma longa conversa sobre ervas mágicas com o pai de Luna e Ron.
Foi então que lembrou: precisava ver a biblioteca antes que fosse tarde demais.
Respirou fundo e avisou que iria ao toalete.
Saiu pelas grandes portas do salão e, assim que se viu no corredor, praticamente correu.
Sabia onde encontrar as imensas portas douradas.
Quando parou diante delas, inspirou profundamente.
As portas, que pareciam de ouro maciço, tinham símbolos gravados. Códigos? Sigilos mágicos?
Pela primeira vez naquela noite, um pensamento lhe ocorreu: isso pode ser uma péssima ideia.
E se aquela não fosse a biblioteca?
E se estivesse prestes a invadir uma sala secreta ou, pior, o quarto… dele?
Seu ímpeto vacilou.
Mas… seria o quarto dele algo tão óbvio?
Além disso, já estava ali.
A grande maçaneta redonda reluzia à sua frente.
Hesitou apenas um instante antes de tocá-la.
Girou lentamente, torcendo para que, do outro lado, houvesse apenas prateleiras e livros.
Quando a porta se abriu, ela suspirou aliviada.
E sorriu.
As imensas prateleiras se estendiam diante dela, repletas de livros antigos.
A biblioteca era ainda maior do que imaginava.
O teto não apenas era mais alto que o do corredor.
O teto… era a própria galáxia.
Estrelas vibravam e brilhavam sobre sua cabeça, tão próximas que parecia possível tocá-las.
Hermione prendeu a respiração.
Como aquilo era possível?
Como podiam estar tão perto do espaço?
Era um encantamento magnífico.
A biblioteca mais linda que já vira.
Escolheu um dos corredores e começou a explorá-lo.
Ao chegar ao fim, encontrou grandes sofás e uma lareira.
Foi então que sentiu.
Atrás de si.
Uma presença.
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Ele estava atrás dela.
Assim que Hermione adentrou o espaço aconchegante, onde grandes sofás de couro se espalhavam sob a luz bruxuleante das velas, soube que não estava sozinha.
O ambiente era feito para leitura. Para contemplação.
Mas a energia intoxicante que preencheu o ar denunciava a presença de alguém que não pertencia a um cenário pacífico.
Ela sabia quem era.
Mesmo sem vê-lo.
Estava dentro do perímetro que ele considerava proibido.
Menos de dez metros de distância.
Virou-se devagar.
Ele estava ali.
De pé, segurando um livro.
O espaço entre eles parecia diminuir à medida que sua presença se tornava avassaladora. Sete, talvez oito metros.
— Sinto muito, senhor! — Hermione fez uma reverência. — Com sua licença.
Ela se virou para sair.
Parou abruptamente ao ouvi-lo.
— Senhorita Granger.
A voz do dragão a atingiu como um raio.
Era a voz mais sedutora que já ouvira.
Baixa. Rouca. Perigosa.
Ela não apenas a escutava.
Ela sentia.
Preenchia o silêncio, reverberava dentro dela, em sua mente e através de seus ouvidos.
Era como se Draco Malfoy estivesse em toda parte.
Hermione se virou novamente.
Seu medo se tornou físico.
— Senhor Malfoy. — Respondeu, exibindo uma coragem que não possuía.
Ele deu três passos lentos em sua direção.
— Eu estava esperando por você.
A forma como inclinou a cabeça, como se a analisasse em um jogo particular, beirava o teatral.
A força de sua magia parecia ainda mais clara.
Era como o sol.
Implacável. Quente. Perigosa.
A capa esvoaçava sutilmente ao seu redor, reforçando sua presença como um bruxo de imenso poder.
Mas… ele estava esperando por ela?
Um tremor percorreu seu corpo antes que pudesse evitar.
E soube que ele percebeu.
Soube que sua mente afiada registrava cada movimento involuntário de suas mãos.
— Gostaria de ter sua permissão para sair, senhor. — Hermione escolheu cuidadosamente cada palavra, esforçando-se para não tremer.
Ele sorriu.
Aquele sorriso maléfico que o tornava ainda mais bonito.
Ainda mais assustador.
— Negado, senhorita Granger.
O impacto da resposta fez seu estômago despencar.
Draco não havia movido os lábios.
Mas sua mente escutou.
Hermione ficou em choque ao registrar a informação.
Levantou todos os escudos mentais que conseguiu naquele momento.
Deu três passos para trás.
O sorriso dele se alargou.
Hermione nunca teve tanto dele.
E estava assustada com o quanto estava tendo assim tão de repente.
— Eu assusto você, senhorita Granger? — A pergunta veio carregada de uma sedução inocente… demasiado inocente.
Sua boca se moveu.
Mas Hermione não soube dizer se o som que sua mente registrava vinha de seus ouvidos ou se apenas existia.
Ele estava em toda parte.
— Sim.
Ela sabia que não podia mentir.
Se mesmo protegida com Oclumência ele ainda conseguia se infiltrar em sua mente… até onde poderia ir?
Mentir só tornaria tudo pior.
Draco caminhou despreocupadamente.
O livro ainda em sua mão.
Quando parou a apenas um metro de distância, Hermione prendeu a respiração.
O cheiro dele a atingiu.
Cedro. Couro.
E algo quente e indulgente, como âmbar queimado.
Seu corpo reagiu antes que pudesse se controlar.
— Gosto disso, Granger. — A satisfação em sua voz era palpável. — Estou me divertindo muito agora…
Os olhos dela estavam cravados nos dele.
O olhar prateado reluzia, afiado, letal.
— Me responda… Estou curioso…
Ele passou a língua pelos lábios.
E Hermione registrou o movimento.
— Como é ver seu precioso Potter noivo de outra mulher?
Hermione franziu o cenho.
Indignada.
O que ele estava insinuando?
Ele era cruel. Sempre fora. Mas por que parecia tão curioso?
— Senhor Malfoy, lamento não poder sanar sua curiosidade. — Sua voz saiu firme, inabalável. — Não vou falar sobre isso com o senhor.
Ele sorriu novamente.
Lento. Perigoso.
— Ele certamente tem muito interesse em você. — Sua ironia era cortante. — Mesmo noivo.
Hermione o observou atentamente.
O que estava acontecendo ali?
Ela não conseguia entender.
— Nunca pensei que Draco Malfoy não passasse de um mexeriqueiro.
As palavras escaparam antes que pudesse segurá-las.
O olhar dele endureceu no mesmo instante.
O ar ao redor pareceu vibrar.
"Cuidado com essa sua língua ferina, sangue-ruim."
A frase ressoou diretamente dentro de sua mente.
Ele não precisou movê-la para que Hermione sentisse cada sílaba.
Seu rosto estava tomado pela raiva.
Um arrepio gelado percorreu sua espinha.
Instintivamente, Hermione deu um passo para trás.
— Não vai perguntar por que estou tão interessado?
Dessa vez, ele falou em voz alta.
A boca se movendo lenta, deliberada.
Hermione o fitou, incrédula.
— Por quê…? — A pergunta escapou em um fio de voz, antes que ele a interrompesse.
— Dispensada, senhorita Granger.
A voz cortou o espaço entre eles como um comando.
Mais alta do que o tom arrastado e sedutor de antes.
Em um movimento abrupto, Draco se virou, encerrando a conversa.
Ela soube que deveria sair.
Que não havia nada mais a ser dito.
E correu.
Os corredores da biblioteca se estendiam diante dela, repletos de livros, de sombras, de algo que ainda pulsava no ar.
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