Sonhando com Malfoy
14 Capítulo 11 | A Cerimônia
Hermione olhou para Malfoy, ainda assustada com o que ele estava prestes a fazer.
Mas o viu parar bem no meio do caminho, analisando seu rosto com atenção antes de sorrir.
Ele voltou a se aproximar devagar, como se saboreasse o pânico crescente que a dominava. Hermione ainda não sabia o que fazer.
Ela não queria aquilo naquele momento. Mas como impedir um bruxo como Draco Malfoy?
Ele parou bem perto. A varinha pairava entre os dois, mas ela o ouviu dizer calmamente:
— Acho que me divertirei mais se fizer isso com calma. — Ele sorriu. — Está dispensada, senhorita Granger.
E então ela se deu conta daquilo a que havia concordado...
Dois votos perpétuos.
Dois. Contando com o primeiro, prometido assim que chegara ali.
Hermione só podia estar louca.
Olhou para ele quando, de novo, uma curiosidade queimou em sua mente. Um detalhe que ela registrara no instante em que ele falou — e que ainda estava ali, queimando.
— Você mencionou meu apartamento. — Disse ela, sem rodeios.
— Sim. Mencionei. Por que é a sua casa, não é? — Respondeu ele, despreocupado, afastando-se.
— Como sabe disso? Por que pegou minhas coisas? Por que me chantageou com meus pertences? — A raiva começava a fervilhar dentro dela.
— Me recuso a acreditar que você não saiba. — Ele se virou, encarando-a com um olhar profundo, sedutor.
Hermione sentiu o coração acelerar.
— Não, eu não sei. — Ela insistiu. — Pra que tipo de plano estúpido você precisa de mim?
— Logo você saberá, sangue-ruim. — Draco respondeu com um sorriso torto, ainda de costas, afastando-se.
— Como eu poderia ser útil para alguém como você? — A pergunta saiu carregada de desespero.
— Está dispensada, senhorita Granger. — Repetiu ele em um tom aveludado.
De novo. Dispensando-a.
Ela estava disposta a enfrentá-lo, mas como? O tempo era curto e ela ainda queria ver Luna antes do casamento. Foi apenas por isso que saiu dali a passos largos.
Estava furiosa com ele.
E ele sabia disso. Divertia-se com isso. Como se a quisesse exatamente assim: na defensiva. Ele pedira dois de seus pensamentos.
Ele escolheria.
No que ela poderia ser útil, ela não fazia ideia. Não possuía nenhum conhecimento que pudesse ajudá-lo.
"O que diabos esse homem quer de mim?"
Ela não era tão inocente. Passava-lhe pela mente que talvez ele a quisesse. De um jeito específico.
Talvez como um brinquedo. Um brinquedo sexual, talvez...
Talvez Malfoy sentisse atração por ela.
Atração por ela... Só de considerar essa possibilidade, sua pele se arrepiava. E ela se repreendeu. Não queria sentir absolutamente nada por ele. Não queria sentir-se daquela forma em relação a um homem que, provavelmente, planejava usá-la de um jeito que deveria lhe causar repulsa.
Ao se virar para o corredor onde Luna estava, tratou de se recompor.
Sua respiração acelerada poderia entregar seu atual estado de nervos. E como ela se explicaria?
Bateu à porta, e ouviu Luna dizer:
— Entre.
Hermione se forçou a se acalmar, respirando fundo antes de entrar.
Luna a esperava, já completamente vestida de noiva.
— Você está magnífica. — Hermione disse, levando a mão ao peito.
Luna sorriu, visivelmente emocionada.
Ela usava um vestido longo e esvoaçante, num estilo camponês, mas com detalhes em seda que davam um toque sofisticado à peça. Flores rendadas decoravam o corselete com delicadeza. Era adorável, assim como a própria Luna.
No pescoço, um colar de diamantes denunciava a grandiosidade da família na qual ela estava prestes a entrar. Certamente um presente de Goyle.
— Você também está linda. — Luna disse, sorrindo. — Isso é absolutamente bruxesco. — Comentou, divertida, referindo-se ao modelo que Hermione escolhera para o evento.
As duas se abraçaram por mais alguns instantes. Nada mais precisava ser dito.
Hermione confiava em Luna mais do que confiava em si mesma. Confiava em seu julgamento. E, acima de tudo, em sua magia. Luna estava protegida.
Havia muitas pessoas que estariam olhando por ela a todo momento.
E isso, para Hermione, era um alívio.
Como num passe de mágica, o tempo se esgotou. Hermione seguiu para o local onde deveria esperar por Malfoy. Ele ainda não estava. Sua posição era a alguns passos atrás dele.
Cinco passos de distância seriam suficientes, Luna havia dito.
Mas, por alguma razão, Hermione se lembrou de que talvez fossem ao menos dez.
Ela respirou fundo ao sentir a presença dele se aproximando. Draco Malfoy estava vindo em sua direção.
Virou-se para vê-lo chegar.
Ele estava deslumbrante. À luz dourada do entardecer, sua pele pálida parecia quase translúcida — e, ainda assim, bela. Seus olhos acinzentados davam-lhe um ar inerte, quase morto, o que só aumentava o fascínio que ela sentia por sua aparência. O traje era completo: usava colete, e um relógio pendurado no bolso. A corrente de ouro velho dava-lhe um charme antigo.
Draco usava as malditas luvas — as mesmas que Hermione se negara a vestir.
Ele sorriu para ela ao tirar uma das luvas.
Hermione franziu o cenho, estranhando o gesto.
Ele a encarava de um jeito que nunca havia feito antes. E ela não conseguia decifrar o que aquele olhar significava.
— Me desculpe... esqueci quantos passos devo ficar atrás. — Hermione perguntou, apenas para quebrar o silêncio.
— Você irá ao meu lado. — Ele estendeu a mão desnuda.
Hermione corou violentamente antes de perguntar:
— O quê? — murmurou, olhando para a mão dele — pálida, com dedos longos e belos.
"Me dê sua mão, Granger." — Ele parecia dizer apenas com o olhar.
Como se estivesse hipnotizada, ela o fez.
Ele entrelaçou os dedos nos dela e sussurrou:
— Está na hora. — Com um sorriso nos lábios.
Exibia um bom humor que ela jamais havia visto nele.
Hermione não pôde evitar franzir o cenho para aquele rapaz que a encarava sob a luz do sol poente. A luz acentuava sua aparência naturalmente sedutora e destacava ainda mais sua pele pálida. Draco jamais passaria por um trouxa comum — ele exalava um tipo de poder que não era natural.
Trouxas jamais se acostumariam com sua presença. Talvez até começassem a adorá-lo como a um deus.
Era, sem dúvida, sobre-humano.
Hermione quase não conseguiu desviar o olhar. Por alguns segundos, permaneceu completamente hipnotizada.
Sentiu o toque firme da mão dele na sua.
Hermione sempre imaginou, secretamente, como seria. Sempre quis saber como seria o toque dele.
A maneira leve com que entrelaçou seus dedos aos dela, com uma gentileza que ela não conhecia.
O olhar profundo, que parecia atravessá-la por completo.
Hermione suspeitava que ele sabia o que ela pensava. Mas a prova de que isso não era verdade estava justamente na obsessão dele por seus pensamentos.
"Por que ele os queria tanto?" — ela se perguntava.
Por que, em nome de Merlin, ele queria tanto seus pensamentos?
Enquanto andava ao lado dele, mãos entrelaçadas, as pessoas se viravam para encará-los, chocadas, enquanto adentravam o corredor que levava ao altar. Hermione sentiu seu corpo aquecer.
A proximidade dele a deixava em chamas.
Todos olhavam a cena com espanto. Ninguém conseguia disfarçar o choque.
Nem mesmo ela.
Teve um vislumbre do olhar envenenado de Astoria. Hermione assentiu em silêncio. Astoria era quem deveria estar ali ao lado de Draco. A mulher com quem ele provavelmente teria um compromisso.
Ela observou o rosto confiante de Malfoy. A feição serena demais, presunçosa até... como quem segura um prêmio.
Hermione não conseguia compreender. Mas estava presa naquela teia. Só não sabia o que era tão valioso para ele a ponto de justificar aquela aparição ao lado dela.
Desde o início, disseram-lhe para manter distância. Mas ele... ele a trazia para perto.
E agora, ela já não sabia mais se era ele quem a queria próxima, ou se era a própria vontade dela que se projetava através dele.
Sentia-se envergonhada por apreciar tanto aquela proximidade, por sentir como se o universo, finalmente, estivesse se alinhando.
Como se tudo estivesse exatamente como deveria ser.
Ela não conseguia evitar. Ainda assim, sentia vergonha por se sentir daquele jeito.
Ele se sentia atraído por ela — Hermione concluiu, com uma certeza cortante. E talvez ele se culpasse por isso. Tanto quanto ela se culpava.
E talvez — Hermione pensava enquanto subia ao altar de madeira — talvez houvesse algo mais.
Ao redor da pequena ilha, sobre a areia da praia, o cheiro de flores do campo, brancas, suaves, tomava o ar.
O casamento rústico era deslumbrante.
Os arranjos florais dominavam o espaço inteiro. E, ao olhar para o horizonte, Hermione teve a certeza de que jamais presenciara uma cena mais bonita em toda sua vida.
Draco ainda estava ao seu lado no altar, segurando sua mão. Hermione tentou soltá-la, mas ele não permitiu.
Apertou seus dedos com mais força.
Ela não conseguiu olhar para Harry ou Rony naquele momento. Sabia que eles deviam estar apavorados com o que estavam vendo.
Draco havia exigido distância de todos. Especificamente. Mas ele mesmo permanecia tão próximo dela.
Confundindo-a. Enlouquecendo-a.
Foi então que Hermione viu Goyle, pela primeira vez, ali no altar com eles. Mas ela estava tão hiperconsciente da presença de Draco que até respirar parecia difícil.
Quando Luna entrou, de braços dados com o pai, sorrindo como se aquele fosse o dia mais feliz da sua vida, sua expressão transbordava certeza e serenidade.
Ela estava segura do que fazia.
Hermione sentiu uma lágrima escorrer por seu rosto. Inevitavelmente.
E então viu Malfoy lhe estender um lenço branco.
"Deveria ter vindo mais preparada." — ele disse em sua mente.
Ela não estendeu a mão para pegá-lo. E foi ele mesmo quem enxugou a lágrima em sua bochecha.
O gesto quase a fez recuar, assustada.
Mas ele sorria, com um carinho e uma atenção que a desconcertaram completamente.
"Agora sim."
Ele repetiu, sorrindo de novo dentro da mente dela.
Quando Luna finalmente chegou ao altar, Hermione sentia que era feita de gelatina. Podia derreter a qualquer momento.
Estava mole.
Como se fosse cair a qualquer segundo.
A linda surpresa que ela não esperava era que Dumbledore celebraria a cerimônia.
Hermione voltou a chorar quando ele subiu ao altar e tomou sua posição como oficiante.
Ela sentia-se no próprio paraíso. Aquele momento não poderia ser mais especial.
Draco, mais uma vez, enxugou suas lágrimas. Não disse uma palavra.
Apenas secou seu rosto, diante de todos, com um carinho silencioso, como se Hermione fosse feita de cristal.
Como se tudo o que importasse para ele fosse... ela.
E aquele comportamento era tão... repentino.
Que Hermione não pôde evitar a sensação de estar flutuando. Mas, ao mesmo tempo, não conseguia afastar a ideia de que tudo aquilo fazia parte de algum plano.
Um plano que, talvez... fosse obscuro.
Ela sabia que precisaria perguntar a ele o que tudo aquilo significava.
Quando a cerimônia terminou, todos foram guiados até uma tenda montada ainda sobre a areia da praia. Ao entrarem, a magia do lugar era palpável: o chão de madeira impedia que a areia invadisse os sapatos dos convidados, e o interior era vasto, encantador, repleto de flores do campo.
Toda a decoração rústica era perfeita.
De tirar o fôlego.
E não poderia combinar mais com Luna.
Goyle havia feito aquele dia para ela.
A estética natural contrastava completamente com sua aparência sempre tão refinada, mas Hermione sabia — ele estava perdidamente apaixonado. E faria tudo por ela.
Draco ainda segurava sua mão.
Ela quase pediu que ele a soltasse. Mas... o que diria?
Que ele não podia fazer aquilo? Que sua presença a deixava tonta?
Quando Luna e Goyle caminharam até a pista de dança, ela ainda vestida de noiva, com o lindo véu cobrindo o rosto, Goyle o ergueu — pela segunda vez naquele dia — sobre a cabeça dela e a beijou.
Hermione não imaginava que aquele casamento poderia deixá-la tão emotiva.
Eles começaram a dançar, e logo outros casais os seguiram. Hermione sentia Draco ao seu lado, tão próximo de todos, sem pedir a habitual distância.
— Dança comigo, senhorita Granger? — ele disse em voz alta, num tom sedutor e gentil.
Houve suspiros ao redor.
— Sim. — ela murmurou.
Ela não podia mais negar absolutamente nada àquele homem. Ele a tinha em suas mãos.
Ele a conduziu até o centro do salão, onde alguns casais já dançavam, e a segurou com delicadeza, junto ao próprio corpo. Inclinou a cabeça até sua orelha direita e disse:
— Para que não haja dúvidas sobre o que estou tentando fazer... — murmurou. — Será que assim estou sendo suficientemente claro?
Ele sussurrava enquanto seguiam o ritmo suave da balada. Uma música feita para dançar colados.
— Quero que diga. — ela sussurrou de volta, sentindo o perfume dele por toda parte. Sentindo o corpo firme e definido contra o seu e sua pele arrepiar.
Ele encostou os lábios em sua testa, e ela se perguntou se aquele homem estava verdadeiramente enlouquecendo.
Ela não sabia o que fazer. Não sabia se fugia...
Ou se permanecia ali, deixando-se enfeitiçar por completo pelos modos gentis dele.
Modos que ela jamais imaginou que existissem.
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