Sonhando Sozinho- Parte 1 Serie Sonhos

1 A garota de vestido branco


Notas iniciais
Oii... Essa é a minha segunda fic aqui, porém é a minha primeira original, se gostarem não se esqueçam de comentar... Obg ♥ E n estou escrevendo sozinho... Kyra Fallen tbm está escrevendo comigo so q n lembro o ID dela...

Olho para os céus com joelhos no chão, uma chuva se forma e os céus entram em prantos, meus cabelos começam a se molhar e gotas de chuva escorregam em meu rosto, minhas roupas também começam a molhar ficando coladas em meu corpo. A chuva começa a engrossar e vejo além do enorme gramado em minha frente, avisto uma figura feminina, ela usa um vestido branco, com três camadas, que vai até o joelho, usa também um par de sandálias Anabella, sua roupa também está encharcada, e seus cabelos castanhos escuro caem sobre parte do rosto, seu rosto que expressa dor, amargura, tristeza.

Algo me faz saltar e correr em sua direção, como se precisasse alcança-la, como se minha vida dependesse disso, enquanto corro a chuva fica cada vez mais intensa, e começa a formar um lago que me engole junto com ela. Dentro do lago percebo que não é apenas um lago, é como se fosse um mar, ou até um oceano, não sei onde está a terra abaixo de mim, não sei onde o oceano começa ou onde acaba. A superfície parece inalcançável. Quando me impulsiono para cima não a encontro, e começo a subir cada vez mais, e não encontro superfície alguma. Sinto que estou perdendo o folego, estou prestes a me afogar.

Agatha --a garota de agora pouco-- está à quase 10 metros de distância, e parece está inconsciente, sigo em direção a ela, pego-a e envolvo-a em meus braços, e reinicio minha tentativa de alcançar a superfície, mas é inútil. Para piorar meus problemas começo a perder o folego e abro a boca, sugando a água, começo a repetir isso várias vezes sinto meus pulmões enchendo de água, mas não consigo parar, não sei como parar.

Em um instante me encontro em meu quarto, era apenas um sonho, um sonho do qual fui libertado pelo meu despertador, mas sinto dificuldade em respirar, e faço barulho nas tentativas, é como se realmente tivesse me afogado, luto para recuperar o folego, uma luta acirrada, mas em pouco tempo começo a respirar novamente, como se reaprendesse a respirar, coloco a mão no peito e uma sensação de alívio percorre meu corpo, as coisas estão começando a ficar estranhas, antes esses meus sonhos com Agatha eram inofensivos, apenas a perseguia, ou ela me levava a uma cidade e me mostrava alguns apartamentos, ou me levava para uma rua deserta, no calar da noite, no chão havia um liquido vermelho... Sangue... Muito sangue. Mas há três semanas comecei a acordar debilitado, atordoado, com dificuldade para respirar, como se estivesse morrendo em meus sonhos, e isso é assustador.

Sonho com Agatha desde os 12 anos um pouco antes de meus pais morrerem, ela havia me avisado, ela me mostrou imagens de um acidente de carro, na maioria dos meus sonhos, e dois anos depois meus pais faleceram em um acidente de carro.

Eu e meus dois irmãos, Tayler e Michele, ficamos em choque, perde-los foi a pior coisa que nos aconteceu, doeu muito na época --ainda doe-- e foi difícil superar, Michele e eu ainda morávamos com nossos pais e o medo de sermos separados nos assombrava, a nossa sorte é que já conhecíamos a assistente social, e ela nos deixou com Tayler, que na época tinha 19 anos, ele já tinha uma casa própria e seu emprego poderia nos sustentar, então passamos a morar com ele.

Mas a dor de perder nossos pais era insuportável, às vezes eu os esperava chegar de seus empregos, e depois me lembrava de que eles nunca mais voltariam. Não somos mais aquela família sorridente faz muito tempo, ainda temos alguns momentos felizes, mas não como antes, ainda existe um vazio, um vazio que eles deixaram e que nunca será preenchido.

Às vezes me dou o luxo de passar por nossa antiga casa, e lembrar-me de meus pais, às vezes sonho com eles, com momentos felizes entre nós, isso foi tudo que me restou... Sonhos.

Depois de colocar uma camiseta preta, uma camisa quadriculada vermelha, um jeans azul e tênis, desci para lanchar, já estava um pouco atrasado, e tenho certeza de que isso iria causar uma discussão, o que sempre acontece, todos os dias, é praticamente uma rotina.

Tayler está lendo um jornal, e parece bastante distraído, só espero que ele não perceba que estou atrasado, não quero ouvir um “você não tem responsabilidade” ou “será que preciso jogar um balde de água para você se acordar mais cedo?”, ou comece com um jogo de perguntas estrategicamente boladas, e a mesa do café da manhã se transforme em uma zona de guerra.

–-Por que se atrasou?

Droga.

–-O despertador não tocou- menti.

–-Mas quando pascei pelo seu quarto ele não parava de tocar, e também ouvi uns barulhos estranhos-- disse Michele.

Eu a encarei com uma expressão de “fica quieta” escrita em minha testa.

–-Barulhos estranhos? Você não estava se drogando, estava?

Ele me olhou por cima do jornal com as sobrancelhas arqueadas, me examinando com cuidado, como se fosse um episódio de alguma serie de detetives, examinando minha expressão, qualquer erro, qualquer passo em falso e ele estará pronto para mais uma pergunta, buscando entrar cada vez mais fundo em meus pensamentos, o jogo começou e preciso tomar cuidado.

–-Não, você sabe que não, nunca fui chegado nessas coisas.

Espero uma resposta, uma contradição, espero ele tentar me confundir com suas palavras até arrancar a verdade de mim, ele começou a fazer isso desde que terminou sua faculdade de psicologia por correspondência, ele o fez para tentar me ajudar. Ele sabe dos meus sonhos perturbadores, só não sabe do que vem acontecendo quando acordo. Mas não gosto quando ele age assim, e sempre me fecho em copas. Odeio esses olhares me examinando como se fosse um paciente e estivesse em um consultório de psicólogos, confesso que eles me dão certo calafrio, que sempre sinto quando Tayler resolve brincar de batalha de diálogo.

–-Tudo bem acredito em você, e espero que não me decepcione.

Por essa eu não esperava, ele ainda está jogando ou desistiu? Seja lá o que for não posso vacilar, ou isso não irá acabar nunca.

–-Não se preocupe eu sei me cuidar.

Olhei para o relógio, isso vou usar o tempo a meu favor, quanto mais cedo sairmos mais tempo ficarei sem Tayler e seus jogos.

–-Já ia me esquecendo de que estou atrasado, preciso chegar à escola, se quiser ser alguém.

Peguei minha mochila e a coloquei nas costas, deixei meu sanduiche em minha boca e levantei.

–-Venha direto para casa... Marquei alguns compromissos para a tarde.

Assenti com a cabeça, afinal de qualquer jeito viria direto para casa.

***

E para piorar a situação, a escola não é um dos meus lugares favoritos, aqui todos me odeiam com todas as suas forças. Um dos motivos é o fato de eu ser bolsista, todos me acham inferior, um babaca qualquer, que deveria desaparecer da face da terra por estar arruinando a sociedade.

O outro motivo é de que estou sempre sozinho, sem amigos, e quando digo sem amigos não quero dizer que só tenho um ou dois, não, eu quero dizer que não tenho amigos mesmo, até os mais idiotas da escola me odeiam, estou na sombra do fundo, do fundo do poço, sou o estranho dos estranhos. Inclusive existem boatos de que escondo drogas na minha casa e trago várias revistas indecentes para o colégio, e também dizem que meu irmão é membro da máfia americana, esses são os que eu conheço, mas sei que ainda existem vários. Eles começaram a inventar coisas assim desde que me isolei deles, construí uma barreira e não deixo ninguém ultrapassa-la.

Por incrível que pareça, não tenho nenhum apelido irritante ou coisa do tipo, não sou provocado no dia a dia, eles me apunhalam pelas costas, pois preferem manter distancia de mim, nunca sou provocado cara a cara, por causa do meu irmão. O membro da máfia americana. Eles têm medo dele, olhando pelo lado bom, ninguém aqui me perturba, não pela frente, isso deveria me incomodar, mas não ligo para essas coisas há muito tempo.

Quando o sinal da colhida toca, tampo os meus ouvidos, para não ouvir aquele som ensurdecedor e irritante, mas mesmo assim é inútil. A colhida começou todos formam as filas, esse é um dos poucos momentos que fico perto de alguém, fico observando enquanto o pedagogo faz o seu discurso diário. E depois começa a chamar as turmas que estão inscritas na 1º aula do dia.

–Turma do Professor Schulz sigam em direção à sala de química.

Ele diz observando minha turma.

Andamos no mesmo ritmo indo em direção à sala onde o Sr. Schulz, nos aguarda. Chegando à sala sigo em direção ao meu lugar que fica bem no final da sala, minha parceira é Stacey Young, a única troca de palavras que ocorre entre nós é sobre o assunto escolar, ela já pediu varias vezes para trocar de lugar, mas como podemos perceber Sr. Schulz não concedeu o pedido. Acho que ele pensa que se ela sair ninguém mais vai querer sentar ao meu lado, e ele tem toda a certeza.

Enquanto ele faz sua palestra rabisco em meu caderno um campo florido e um banco com e o vento contra mim, formando uma brisa suave.

–-Eu poderia viver assim para sempre

Disse dando um sorriso espontâneo. E entre as flores ela surgiu, Agatha estava a poucos metros de mim. E com ela veio uma sensação estranha que percorria toda a minha espinha.

–-O que você quer?

Disse me levantando do banco.

Ela levantou as mãos para cima, e o cenário a nossa volta passou como em um filme, correndo e mudando várias vezes, até passar em um lugar, mas eu me lembro de ter estado aqui, esse lugar me é familiar, uma avenida pouco movimentada, com um mini shopping na esquina, Agatha continuou andando em direção a uma rua perto do mini shopping, eu a segui, olhei para todos os lados e um carro veio em minha direção, em alta velocidade, não buzinou nem nada, não tive tempo nem de sequer reagir. E ele passou por mim.

Mas eu não fui jogado para mais de dois metros do chão ou nem algo parecido, pelo contrario, não sofri danos algum, ele passou por mim como se eu não existisse, Fiquei em choque ao ver isso, Agatha acenou para mim impaciente, já havia me esquecido que ela estava aqui, apenas continuei seguindo-a.

–Para onde estamos indo?

Perguntei, ela apenas me encarou e me examinou novamente, depois seguiu em frente.

–Para onde você está me levando?

Perguntei novamente, a curiosidade estava tomando conta de mim, sei que reconhecia esse lugar, sei que já estive aqui, o que tudo isso tem haver com ela? Olhando mais adiante percebo várias pessoas amontoadas observando alguma coisa, uma multidão olhando para algo cujo Agatha quer me mostrar. Percebo também viaturas e uma ambulância, que diabos está acontecendo aqui? Olho para o lado não encontro Agatha, olho para todas as direções e não a encontro, ela me deixou, me deixou sem respostas.

Começo a caminhar em direção à multidão. Me infiltro nela e começo a pedir que abrissem caminho seja lá o que for preciso ver, Agatha não me traria aqui se não fosse importante. E o que encontro é ruínas do que um dia foi uma loja.

Notas finais
Paro ou continuo? Sem vacuo Pf
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.