Sonhando Com A Morte - Com Andrey Z.

4 Capítulo 4: Revirando Lembranças


Notas iniciais
A partir daqui os capítulos ficam maiores.

– Ah que dia lindo, apesar do frio está maravilhoso. Vamos ver o que encontro lá em baixo – Disse Andrey fechando a porta de seu quarto e descendo as longas escadas em seguida.

– Bom dia meu jovem, que frio faz hoje não acha? – A voz era de uma senhora que se encontrava aos pés da escadaria e que se apoiava em uma bengala.

– Bom dia senhora...?

– Franpeerf ! Marta Franpeerf, ao seu dispor. Sei que ainda não fomos apresentados, mas desde já me adianto – Respondeu a senhora agora identificada.

– Dispensemos as formalidades, sou Andrey Zyrmytrov, cidadão Russo-Britânico, na verdade... – Parou ao ser interrompido pela senhora a sua frente.

– Ora, ora, se não é o jovem filho de Emylly e Puchkin, agora detetive, certo Andrey?

– Vejo que conhece a mim e a minha família.

– Ah, mas é claro. Pode não se lembrar, mas já te carreguei no colo varias vezes quando era criança. A mais de vinte anos conheci seus pais aqui mesmo em Moscou, como venho com frequência a Rússia acabei por me tornar próxima deles, mas após a morte de sua mãe e o inicio da Grande Guerra perdemos o contato e assim que a Guerra terminou voltei para cá em mais uma viagem de rotina e acabei por saber da morte de seu pai, lamento tudo isso.

– Obrigado Sra. Franpeerf é bom saber que gostava de meus pais.

– Eram grandes pessoas, acredite. Oh! Que distração a minha, hora de tomar meus remédios, onde se meteu minha acompanhante? Foi muito bom revê-lo garoto, até logo – despediu-se a velha senhora que saiu manquitolando pelo hotel.

– Que surpreendente, esse papo me deu fome, hora do café! – Disse enquanto caminhava para o refeitório.

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– Será meus olhos me enganando de novo ou aquela bela jovem ali é Deb Dempsey, filha daquele famoso ator norte-americano já falecido ? – A voz era de um jovem que conversava com o outro ao seu lado.

– Dessa vez você acertou, mas olhe só aquele guloso com o prato cheio de muffs...não pode ser...mas é Andrey! – Disse o outro rapaz ao seu lado.

– Quem? Andrey o quê? Por acaso é famoso?Porque esse eu não conheço.

– Mas eu sim, deixe-me chamá-lo aqui. Andrey, ei Andrey! Aqui no fundo!Olhe só ele está vindo.

– Não pode ser, Alexander é você mesmo? – Perguntou Andrey parado na frente da mesa.

– É claro meu amigo. Alexander Cuscov, um pouco mais gordo eu diria, mas o mesmo – Respondeu o homem falando de si com uma naturalidade surpreendente.

– Deixe-me pensar a quanto tempo não nos víamos? Seus pais foram para a Itália há 16 anos, já faz muito tempo meu amigo. Senti tanto a sua falta no primeiro ano, não conseguia fazer mais nenhum amigo. Eramos muito travessos, se lembra de quando quebramos o vidro da porta da Sra. Palov? – Disse Andrey com um largo sorriso.

– É claro que me lembro, depois disso o Sr. Palov correu atrás da gente com a cinta da calça nas mãos e o melhor de tudo foi ver a calça dele caindo pela rua enquanto corria, mas como aquele velho está? – Perguntou Alexander.

– Ele morreu dois anos depois que você partiu e a Sra. Palov não suportou viver sem o marido por muito tempo, adoeceu e faleceu seis meses depois, mas devolveu a bola que quebrou a vidraça naquele dia.

– Que pena, eram um casal muito tradicional, pensando bem foi melhor não terem presenciado a guerra mesmo.

– Mas o que te traz novamente a Rússia depois de todos esses anos Alex?

– Meu pai investiu em um grande negócio de petróleo que vem dando fartos lucros, recebi uma proposta de investimentos de alguns magnatas da região e não pensei duas vezes, vim correndo para cá, mas e você em que área atua Andrey?

– Na área policial, mais precisamente em investigações, sou detetive da Scotland Yard, em 1940 fui para Londres a pedido de meu pai para me proteger da guerra, acabei por participar da equipe de investigação da morte de um Conde e por fim desvendar o caso e após isso me casei com uma bela jovem.

– Agora me recordo, você desvendou a morte do Conde Sunderland, li a respeito, mas não me dei conta de que era você que tinha solucionado o caso, parabéns Andrey! Mas e você, o que lhe traz a Rússia essa época tão fria do ano?

– Por incrível que pareça fui obrigado a tirar férias, meu sogro que também é meu chefe cuidou de tudo e só me colocou dentro de um avião, estou um pouco estressado por conta do trabalho, nada de mais preocupante.

– Fique conosco para o café Andrey, a propósito deixe eu te apresentar meu assistente que também é Inglês – Disse Alexander apontando para o jovem rapaz ao seu lado.

– Thomas Zucker ao seu dispor, sem dúvida ouvi falar de você, brilhante sua atuação no assassinato do Conde e em outros casos menores que tem agido, é realmente um prazer – Dizia o homem estendendo a mão em direção a Andrey.

– O prazer é todo meu, e muito obrigado pelos elogios, só faço o que gosto e isso me faz muito bem, acho que é por isso que tenho tanto êxito.

– Pois é Andrey, agora me recordo que quando eramos mais novos vivíamos brincando de detetives e desvendando assassinatos de animais que apareciam mortos nos terrenos, como eramos ingênuos não é mesmo – Disse quase rindo Alexander.

– Muito bem lembrado Alex, acho que foi isso que me motivou a seguir a carreira de hoje. Mas mudando de assunto, aquela lá não é a filha do falecido Jhon Dempsey, como é mesmo o nome dela? Dana...Danny...Diana...Débora!Claro Deb Dempsey, ouvi boatos de que ela torrou toda a fortuna do velho pai em festas extravagantes e negócios mal sucedidos, uma pena acabar com um legado tão fascinante.

– Concordo plenamente meu amigo, uma bela moça sem conteúdo algum na cabeça, dizem também que está de casamento arranjado com um herdeiro de uma moribunda Francesa, uma daquelas senhoras antigas, com pensamentos em outras épocas. Se não me engano o noivo de Deb se chama Joseph Franpeerf, tenho pena do coitado.

– Tem certeza de que o sobrenome do noivo é esse mesmo? Porque se for acho que a velha moribunda mãe dele se encontra no hotel e por incrível que pareça ela conheceu meus pais e a mim a muitos anos atrás, se chama Marta.

– Mas que mundo pequeno! O nome da velha é esse mesmo, sinceramente me admira que essas senhoras com moldes do século passado aceitem um tipo de casamento desse modo. Por falar nisso quem é que chega agora para falar com Deb?

– Ah esse eu conheço, é Carlos Ruiz Junior. Um jovem empresário Espanhol que fez uma pequena fortuna com alguns negócios meio mal explicados, mas até hoje não comprovaram nenhum envolvimento ilegal – A explicação veio de Thomas.

– Interessante! Será a falida noiva do palermo Francês escolhendo mais uma vitima? – Brincava Andrey.

– Mas que pecado meu amigo, você sabe que pode estar julgando a moça, as más línguas estão por toda a parte.

– Não me faça rir Alex, mas por falar em pecado o hotel oferece serviços religiosos ? Porque aquele entrando no salão me parece um padre.

– Olhe é mesmo, bem que estava precisando me confessar, se ele estiver disponível será de grande ajuda – Disse Thomas já pensando em agendar um horário com o Sacerdote.

– Ei jovens vocês estão aqui para integrar a nova equipe de apoio na guerra? – A pergunta vinha de um senhor calvo e olhar decidido.

– Como é? Mas de que guerra você está falando meu senhor? A única guerra que vivemos agora é a de impostos, não sei se sabe mas em transações que... – Parou Alexander que já se preparava para palestrar sobre investimentos para o senhor que o abordara.

– Cale-se subversivo! Os Alemães estão invadindo com seus tanques, crianças e mulheres morrerão se ninguém fizer nada, tome as armas e … – O veterano parou o discurso ao ser puxado pelo braço por uma jovem.

– Sr. Ruiz o que está fazendo? Desculpem senhores, mas meu patrão já não anda muito bem das faculdades mentais, sismou que a guerra está para estourar – Disse a empregada envergonhada e segurando o patrão pelo braço.

– Só um minuto, esse é Carlos Ruiz? – Perguntou Thomas.

– Sim senhor, viemos para cá justamente para que ele pudesse pensar em outras coisas e ver com os próprios olhos que a guerra acabou, e aqui ele também poderá rever o filho que também está hospedado no hotel.

– Sim claro, a pouco vimos ele conversando do outro lado do salão, cuide bem de nosso guerreiro e não deixe ele sair por ai combatendo – Disse Andrey tentando esconder a enorme vontade de rir de toda aquela situação.

– Pode deixar cuidarei. Sr. Ruiz vamos procurar seu filho, deve estar do outro lado do refeitório – Disse a sorridente empregada.

– Mas não quero ir ao mictório.

– Não é mictório, disse refeitório! O senhor não está encioso por revê-lo?

– O que tem meu cabelo?

– Deixe para lá, vamos logo antes que eu perca a paciência – Gritou a empregada que puxou o velho com ela.

– Que figura! A velhice as vezes é muito cruel com alguns, doido e surdo é realmente uma pena, mas não deixa de ser engraçado – Disse Alexander após a saída da empregada.

– Um dia chegará nossa vez meu caro, e torço para que demore e muito – Concluiu Andrey.

A manhã toda se deu entre conversas, observações e lembranças dos tempos de garotos, após as 10:00 horas se despediram e Andrey se encaminhou para o quarto, passando pelo salão de música e posteriormente pela recepção, onde foi chamado pela atendente:

- Senhor Zyrmytrov por favor, lhe deixaram uma carta.

- Mal cheguei e deve ser meu sogro querendo saber se realmente não me desviei do caminho – Respondeu Andrey pegando a carta das mãos da funcionária a sua frente.

- Imagino senhor, se me dá licença voltarei a meu trabalho – Disse a recepcionista virando as costas para o jovem Russo.

- Claro, fique a vontade e se precisarem de mim estarei no meu quarto descansando – Respondeu Andrey que já se encaminhava para as escadas que levava aos dormitórios.