Sonhando Com A Morte - Com Andrey Z.

3 Capítulo 3: Um Crime Encomendado


Notas iniciais
Como sempre gosto de humor nas minhas histórias, agora entra um personagem que naturalmente vai nos fazer rir muito :)

– Escute porque só direi uma vez, ela precisa morrer e não tenho opção. Tome suas providências – A conversa era entre duas pessoas nos fundos do hotel.

– Como quiser, faço o serviço muito bem feito, mas sabe o meu preço – Respondia a pessoa ouvinte.

– Não falemos de valor, você sabe muito bem que dinheiro nunca foi problema para mim, faça o que te peço e receberá sua recompensa, terá que dar um fim nessa pessoa e não chamar nenhuma atenção.

– Os detalhes do serviço deixe comigo e acho melhor evitarmos esses encontros, porque o Paranoshx é um hotel de luxo e claro fica cercado de seguranças por todos os lados.

– Muito bem observado, tente ser natural quando estiver perto de mim, mas não dê motivos para conversas. Agora voltarei para o salão de festas.

– Tudo bem, estamos acertados então, até mais ver – Despediu-se a pessoa dona voz, vendo a outra sumir de sua vista.


-------------–--------------------------------------------------------------------------------


Madri, Espanha.


– Senhor abaixe esse rádio, está estourando meus ouvidos – Dizia em alto tom uma mulher uniformizada como empregada.

– O que? Quem está no pátio ? – Gritava o homem já idoso com ralos cabelos grisalhos.

– Não é pátio Sr. Ruiz, é radio! Lhe disse para “Abaixar o rádio” – Gritou novamente a empregada.

– Hã? O rádio ? Você deve estar surda Clara, o aparelho está baixíssimo, e devemos ficar atentos, a qualquer momento a guerra recomeçará, escute o que digo – Esbravejou o homem com o rádio grudado junto a orelha.

– Eu já não aguento, terei que tomar providências! – Exclamou a empregada.

– Quem está tendo vidências? – Perguntava o velho.

– Ninguém Sr. Ruiz, ninguém. Me de licença um instante – Disse a empregada indo para perto do telefone.

– O que tem na estante? – Retrucou o velho vendo a empregada distanciar-se.

– Atende...atende...alô, Sr. Carlos Ruiz Junior? Sim, sim eu aguardo. Olá tudo bem Sr. Junior, posso falar um pouquinho com o senhor? O assunto é com seu pai, sinto que ele precisa esfriar um pouco a cabeça. Desde que a guerra começou ele não tira os ouvidos do rádio, até achava natural, mas a guerra se findou a quase dois anos e ele está cada vez mais obcecado, outro dia me disse para lhe fazer as malas que iria combater nas trincheiras...sim eu concordo...de acordo senhor, assim farei, obrigado pela atenção...eu quem te agradeço, até logo.

– Sr. Ruiz tenho uma ótima noticia, sairemos de férias, o que acha? – Gritou a empregada.

– Acho inútil se não poder ajudar meu país na guerra.

– A guerra já acabou, eu já lhe disse.

– O que tem a irmã Dirce?

– Esqueça! Farei nossas malas, vamos a Rússia ver seu filho.

– Junior? Achei que estava na América, adorarei vê-lo novamente. O que está esperando Clara? Faça as malas – Disse o velho abrindo um largo sorriso.