Sonhando Acordada
6 Capítulo 6 - Perdida em sonhos
Notas iniciais
Eu cheguei em casa totalmente acabada pelo o que havia acontecido entre eu e meus amigos. (Sim, eu havia ido embora no intervalo, odeio aulas de língua estrangeira).
— O que você está fazendo em casa tão cedo? — alguém falou na minha direção.
Era Lara, minha vizinha. Ela era alguém tipo a Jasmine, uma pessoa engraçada, daquelas que riem de tudo, e parece não ter outra expressão que não seja um sorriso. Tinha cabelos compridos e lisos loiro escuro, que iam até metade das costas. Olhos de um azul opaco e uma pele muito macia.
— Lara! Ainda está faltando as aulas para ficar vendo TV e bisbilhotando a vida alheia? — Falei ironicamente. A ironia era uma das artes que eu dominava.
Ela riu e falou:
— Ainda estou gripada sim, mas que eu saiba esta seria a hora do seu intervalo, não? — Abaixei o rosto ao me lembrar da briga entre Jasmine e Nancon — Ué, eu falei alguma coisa errada? — Lara se aproximou e colocou a mão no meu ombro.
— Não... Eu só... Me lembrei de algo ruim, só isso. — Falei — Vou entrar agora, ok? Nos vemos mais tarde!
Por algum motivo, eu não simpatizava muito com ela. Não conseguia entender muito bem o motivo, mas algo nela fazia eu ficar ressentida.
Subi correndo para o meu quarto e tranquei a porta, como precaução para não me encontrar com uma das cobras (Ellen ou sua filha bastarda) ou com meu pai.
Minha cabeça estava latejando, eu me sentei na cama e joguei minha mochila perto da cabeceira.
De repente fiquei tonta e me deitei, aos poucos fui adormecendo até apagar por completo.
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Encostei meus pés em algo duro e úmido, e, quando olhei ao redor, estava em uma rua completamente vazia, com algumas casas lindas ao redor. Me fazia pensar no bairro vizinho ao meu, não entendo o por quê. Estava chovendo e eu estava ficando com a roupa (o mesmo vestido branco do último sonho) completamente molhada.
De repente alguém colocou a mão em meu ombro, me assustando:
— Nossa! — Christian sussurrou na minha orelha esquerda — Não grite, que coisa! Virei algum tipo de monstro?
— Christian!! — Virei-me de frente para ele e o abracei, de repente comecei a chorar.
— O que aconteceu, meu amor? — Ele enlaçou minha cintura e começou a afagar meus cabelos.
—Meu dia não começou muito bem! Minha madrasta mentiu para o meu pai e ele me xingou severamente e meus amigos brigaram e me sinto culpada, eles gostam um do outro, tipo, gostam mesmo! Acho que a culpa é realmente minha! Eu só faço as pessoas brigarem ao redor de mim! E eu não sei por qual motivo, mas minha cabeça não para de doer e eu tenho me sentido sozinha, e acho que estou vendo coisas! Isso é possível? Eu estou ficando maluca? — Eu chorava como uma criança e a chuva só aumentava.
— Calma, calma! Primeiro vamos trocar essas roupas encharcadas e vamos entrar, ok? — Ele falou, com aquela voz que me acalmava só de ouvir.
— Entrar... Onde?? — Olhei envolta confusa — Para uma dessas casas?
—"Uma dessas casas" é a minha! — Ele respondeu, revirando os olhos.
— Aaah — Sorri meio torto e fui cambaleando atrás dele. Além de ter o problema das roupas encharcadas, eu estava tonta de tanto chorar. Parecia que, mesmo dormindo e sonhando, minha dor de cabeça me acompanhava.
Ele olhou para o meu estado possivelmente deplorável, deu um sorrisinho e me pegou no colo. Olhei para ele meio confusa, mas ele continuou andando até uma casa branca com uns dois andares, muito bonita, com um jardim cheio de tulipas de todas as cores. Tulipas vermelhas eram minhas flores preferidas, mas ali fazia frio suficiente para elas crescerem?
— Depois pode pegar quantas tulipas quiser, principalmente as vermelhas — Ele falou depois de me botar no chão para abrir a porta.
Entramos e me deparei com uma casa quase que totalmente mobiliada de branco, mas simplesmente linda e aconchegante.
Havia um corredor que seguia para duas portas diferentes, ambas fechadas. A minha esquerda, havia a mesa de jantar e mais a frente a cozinha, e a minha direita havia uma sala de estar com uma parede completamente de vidro, como uma janela gigante e uma TV colada na parede, na frente do sofá, que também era branco.
Fomos em frente até a escada que ficava entre o corredor e a sala, subimos e encontrei um corredor reto e comprido, com três portas de cada lado e uma no final do corredor. Tudo parecia estranhamente familiar.
— Você pode usar o banheiro deste quarto, no guarda-roupas deve ter algo que você goste. — Ele abriu uma das portas do lado direito.
O Quarto também era decorado com muitas coisas brancas. Havia uma cama muito convidativa por parecer tão fofa, com um dossel muito amável.
Na parede que ficava bem na frente da cama, havia uma porta de correr que dava para o closet. A outra porta era normal e dava para o banheiro.
Tomei um banho e troquei aquele vestido ensopado por um verde florido e fui até a sala, onde encontrei Christian lendo um livro azul estranho, no qual não consegui ler o título.
—Hey, olha só quem chegou! Minha gatinha perdida, que eu encontrei miando na chuva. — Ele me disse ironicamente.
Eu definitivamente queria poder viver ali para sempre!
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