Sonhando Acordada
11 Capítulo 11 (Final) - Acordando
Me aproximei do meu próprio corpo, que jazia não muito longe do carro. Minhas pernas estavam cobertas de estilhaços de vidro, provavelmente alguns segundos atrás eram a janela do carro, onde eu estava apoiada.
No lado da minha cabeça, uma poça vermelha começava a formar-se lentamente, e um filete de sangue escorria de um corte na minha sobrancelha. Ajoelhei-me ao lado do meu corpo e comecei a pensar.
Isso era tudo uma lembrança? Se sim, eu estou morta, então? Por que eu estou lembrando disso? Minha mãe morreu nesse acidente, também, certo? E o meu pai? Como eu sei disso, se estou morta? O Christian existe, então?
— Você pode acordar quando quiser, Lory, eu estou aqui, você não está sozinha. — Ouvi novamente a voz de Chris. Olhei ao redor, inutilmente, procurando qualquer traço dele.
— O que está acontecendo? Onde eu estou? — Perguntei para o nada. Achei que se eu verbalizasse as perguntas, encontraria respostas mais facilmente, mas apenas senti como se estivesse pirando de vez. — Eu estou morta?
— Você não está morta, está dormindo. — Disse alguém atrás de mim. Virei-me e encontrei Josh, o nerd que encontrei uma vez, em um sonho. — Na verdade, dormindo não é o termo certo. Tecnicamente falando, eu acho. Você está em coma, não sei se posso usar "dormir" como definição para isso.
Então todo o cenário se desfez, e tudo ao nosso redor ficou branco. Meu corpo, a estrada, o nosso carro, tudo sumiu. Ele aproximou-se um pouco mais e sentou na minha frente, cruzando as pernas.
— E por que tudo parece tão... real? — Perguntei.
— Tecnicamente também, tudo é real, o que muda é que tudo aconteceu em sua mente. Tirando os acontecimentos que você presenciou desde o momento em que foi atacada por aquele trio. A partir dali, suas memórias começaram a tomar ordem. Antes, tudo não passava de memórias bagunçadas, coisas que você presenciou antes do acidente, mas se embaralharam quando você... "bateu a cabeça". — Fazendo aspas com as mãos e sorrindo, Josh parecia achar graça da situação.
— E quem é você? — Perguntei.
— Não sou alguém, sou uma parte da sua mente. — Ele disse, empertigando-se — O cérebro humano é algo muito fascinante, muito complexo. Quando você "machucou" sua cabeça, tudo virou uma grande bagunça, e, para manter tudo em ordem sem comprometer o resto do corpo, o seu cérebro começou a tentar "recriar" o que você já viveu até agora. Mas, com tudo revirado, sua noção de tempo, o que você sabe sobre muitas pessoas, tudo ficou misturado e muita coisa se perdeu.
— Então eu estou viva, em alguma cama de hospital? Sofri um acidente de carro e bati a cabeça, entrei em coma e tudo até agora foi uma confusão de memórias minhas?
— Bom, sim.
— E eu vou acordar? — Perguntei, com medo da resposta. Josh abriu um sorrisinho malicioso e, enquanto arrumava os óculos no rosto, disse:
— Você já está acordando.
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Tudo estava escuro, mas haviam barulhos ao meu redor. Conseguia ouvir um bipar constante de alguma máquina, o barulho de rodinhas no chão em algum lugar não muito distante, alguma televisão ligada, fazendo um barulho estranho.
Então comecei a sentir. Senti algo apertando meu indicador esquerdo, e uma mão segurando a minha também. Senti algo espetado em meu braço direito, uma dor muito incômoda no lado da minha cabeça e algo envolvendo uma de minhas pernas.
Me concentrei em tentar abrir os olhos, mas senti que não iria conseguir sem um pouco mais de esforço. Enquanto tentava abri-los, tentei mover meus dedos também. Depois de um tempo, consegui. O dono da mão que estava segurando a minha, percebeu.
— Lory? — Ouvi Christian me chamando. — Lory, você está acordando? Consegue me ouvir? — Senti uma mão afagar meu rosto. Então abri os olhos, e lá estava ele, com seus cabelos mais bagunçados do que nunca e seus olhos verdes como nenhum outro, olhando fixamente para mim.
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