Sonhadores
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Espero que curtam!
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A juventude é efêmera. Principalmente naquelas férias de verão, que o internato só para garotas deu um tempo de sua autoridade, e permitiu que suas alunas voltassem para casa por um tempo.
Robin era uma dessas garotas, e vivia numa mansão. Quando chegou em casa, seus pais a receberam com muita alegria. Pode-se dizer que Robin tinha uma vida perfeita, apesar do internato ser muito rígido. Então, só quando se sentia longe dessas obrigações, que ela realmente se sentia feliz. Nem mesmo sua acompanhante de quarto era uma pessoa interessante para que ela pudesse se interagir. No final de tudo, Robin não tinha nenhuma amiga. Aquele sorriso sempre estampado no seu rosto, era só fachada. Robin era infeliz.
Mas o que mais perturbava essa morena de olhos azuis, era aquele rapaz... Ele trabalhava no internato, mas não podia ter contato com nenhuma autoridade ou com alguma garota sem pedir permissão antes. Ao vê-lo sendo ajudante do jardineiro, entregador de cartas, faxineiro, carregador de sacos de arroz... As garotas do internato se derretiam em ver aquele rapaz de porte forte, alto e de cabelos azuis. Robin enrugava a testa, pois sentia ciúmes... Aquele rapaz chamava sua atenção e pensava que ninguém mais daquele internato poderia compreendê-lo mais do que ela.
Franky, o nome daquele rapaz, era a única coisa interessante naquele internato e no qual fazia ela pensar em não desistir da sua vida e concluir que valia a pena continuar vivendo. Pois a juventude é efêmera, e Robin estava disposta para vivê-la ao máximo ao lado dele.
Quando voltasse as aulas, diria para Franky o que sentia por ele. A garota estaria nem aí se ele não sentisse o mesmo ou nem aí em desobedecer as ordens do internato "nunca fale com um garoto", Robin queria muito que Franky ouvisse sua voz, encarasse bem seus olhos azuis, sentisse seus lábios de baixo de uma amoreira. Robin ansiava por isso todos os dias. Franky era tão diferente, tão único... Só ela conseguiria aproveitar ao máximo sua companhia, e não aquelas pirralhas do internato, que acabaram de ter sua menarca. Robin era diferente delas, ela tinha certeza. Aquelas garotas não eram interessantes nem pra trocar algumas palavras, com certeza Franky se entediaria facilmente com elas.
Mas repentinamente a estima de Robin ficou baixa, quem ela queria enganar? Ela era também uma pirralha, que não sabia nada sobre esse mundo, porque só ficava presa naquele internato infernal. Mas graças aos livros da biblioteca, ela conseguia compreender melhor como era o mundo lá fora.
No entanto, na prática... Ela nunca falara com um garoto que não fosse parente dela, como chegaria até Franky? Estava despreparada. Suspirou e pensou em como pôde ter chegado a esse nível? Como assim estava tão perdidamente apaixonada por alguém que nunca trocara sequer uma palavra?
Então, ela compreendeu que Franky era um tipo de escapismo... Que ele era que nem os heróis dos livros que ela lera, e que ele a salvaria daquela vida monótona... Ou seja, Franky faria sua vida valer a pena. Robin não podia mais desperdiçar sua vida, pois a juventude é efêmera.
"Franky, todos os dias antes de dormir desejo fortemente estar em seus braços. Quero muito viver uma aventura ao seu lado, quero me sentir uma mulher e não mais uma garota, por favor... me note no meio daquelas incontáveis garotas... pelo menos um segundo, me note..."
Robin sonhava com isso todas as noites, mesmo entendendo que ela fantasiava achando que Franky iria salvar sua vida de todas aquelas obrigações que o internato a submetia, mas não custava nada sonhar... Então, a garota continuava sonhando com Franky, já tinha uma personalidade pronta pra ele. Já imaginara cenas que os dois trocavam palavras. Robin estava fora de controle. Obviamente Franky não seria da forma que ela pensava, e ela veria todo o encanto que armou nele se perder. Porque a realidade é crua e nua, e não é para sonhadores.
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