Sonhadora

13 Capítulo 14


- Ai meu Deus!

- Não pode mudar isso.

- Eu não quero. Me tira disso!

Ele só me olhava. Olhei para uma janela. Aquela podia ser uma saída... No segundo em que eu me posicionei para correr, ele fechou a janela e se pôs na frente dela.

- Droga, Gustav! – reclamei

- Foi a primeira coisa que eu pensei quando tinha essa idade. Não vai valer em nada. Vai por mim. Isso só é perda de tempo.

Grunhi. Saí do corredor batendo os pés fortemente e andei para fora do colégio pela porta dos fundos. Pelo menos ninguém ouviu (já que não podiam nem nos ver). Nem olhei pra trás, mas sabia que ele estava me seguindo.

- Me deixe em paz! – gritei a ele

- Está brava comigo.

Não respondi. Só continuei andando em direção à minha casa.

- O que eu te fiz?

Novamente, grunhi. Chegando na frente de casa eu abri a posta de fechei-a ou melhor, bati na cara de Gustav sem mesmo deixá-lo entrar. Andei rosnando para o meu quarto, abri a porta com raiva e fiquei "meio" possuída. Fiquei com tanto ódio que tudo na minha frente era invisível.

Gritei e bati na cômoda e derrubei o porta-joias de porcelana da minha avó que quebrou ao cair no chão. Peguei o abajur, arranquei-o da parede e joguei-o no espelho. Os dois quebraram. O vidro do espelho se estilhaçou. Segurei a cadeira para tocá-la no armário, mas quando me virei, Gustav estava ali.

- Saia daqui!!!

- Solte a cadeira.

Respirei fundo.

- Porque eu? — rosnei atirando a cadeira para o outro lado do quarto. – Eu fui escolhida! – chutei a cama e me segurei novamente na cômoda. A primeira coisa que olhei foi um porta-retratos de prata que continha uma foto dos meus pais. Peguei-o e o atirei pela janela fazendo virar cacos.

- Pare! Pare! Pare! – pediu Gustav me segurando

- Me solte!

- Acalme-se. Não quero que você acabe machucando alguém.

- Eu não entendo. – falei caindo de joelhos no chão fazendo com que ele me soltasse.

- Você não...

Ele se interrompeu quando eu atirei a cadeira na janela e passei correndo por ela para fora de casa. Sabia que ele tentaria me procurar, mas um tempo depois ele desistiria, a final, eu era a mais veloz.

O primeiro lugar que eu pensei em ir foi a escola. Era meio dia. Todos já estavam saindo da aula. Andei mais um pouco e encontrei Joe conversando com alguns amigos. Aquele vagabundo. Um dia ele me paga. Me dava vontade ate de ir ali mesmo e arrancar cada membro do corpo dele na frente de todos os seus amigos. Seria a forma de morte mais violenta de todos os tempos. Abri uma sala de aula vazia e fiquei por ali mesmo. Gustav não veio me procurar.

Não sentia sono nem fome só um sentimento forte de vingança. Tentei ficar calma dentro daquela sala fechada, mas meu coração ficou estressado e a raiva subiu tanto que me fez ficar com dor de cabeça. Comecei a ter a visão fraca, tudo começou a ficar preto e eu caí na inconsciência. Ouvi alguns gritos de dor, agonia, terror e algo agudo e alto gritou no meu ouvido. Eram as crianças indo para casa. O sinal havia tocado. Eram seis horas. Levantei e a dor agoniantes aumentou. Abri, com violência a porta da sala e derrubei algumas crianças, que instantaneamente começaram a chorar.

Saí da escola e vi que estava muito escuro. O relógio digital de parede do saguão da escola mostrava 18:30. O pátio já começava a ficar vazio e eu encontrei ele ali, parado. Ah! Que ódio. A sorte minha é que ele estava sozinho. Com os fones no ouvido, mochila nas costas e mãos no bolso.

Todos os professores já haviam saído do colégio. Agora, ali, só restava eu e ele. Avancei alguns passos e pisei em umas folhas secas no chão que fez barulho. Ele não ouviu. A música alta fazia ele ficar completamente ensurdecido. Andei mais um pouco e ele, depois viu que não estava sozinho.

- Jenny! Você por aqui.