Sonhadora

11 Capítulo 11


Liz e Tiffany vieram correndo em minha direção. Droga! Dei um sorriso azedo (dei o melhor que eu consegui) e elas abanaram felizes da vida (sim. essas eram Liz e Tif, sempre retardamente felizes — pra mim isso se chama falsidade).

Gustav saiu (visível) do carro comigo e sorriu para elas, fazendo elas se cutucarem e comentarem quem era ele. Revirei os olhos ainda dando o sorriso meloso. Andamos até elas e o papo começou por aí.

- Oi. — disseram elas

- Hm. — murmurei acenando com a cabeça.

Elas ficaram esperando Gustav se apresentar.

- Ah. Sou Gustav. Amigo de Jenny. — respondeu

- Ahm... — gemeram elas

Elas tinham ensaiado? Ou aquilo tinha virado uma igreja com coros? Ou era um jogral novo para um trabalho de História? Que coisa mais excrota. Comecei a rir. Eu estava estupidamente idiota naquele dia. Meu nível de idiotice tinha subido 2 metros desde que eu descobrira que era aquilo.

- O seu olho... — começou Liz. — Você comprou lentes??! Meu Deus, que linda! — berrou ela

Menos mal. Elas haviam gostado. Meio caminho andado. Mas o pior é que o dia estava ensolarado. Olhei para o chão. Engoli em seco.

- Sua sombra! — sussurrei para Gustav e ele correu para longe.

- O que houve com o seu amigo? — perguntou Tiffany

- Ele tem que ir. Só isso. — dei de ombro fingindo ser normal e andei para dentro da escola.

Tentei parecer tranquila e do nada me aparece Gustav (invisível) e me dá um susto.

- Que foi? — perguntaram elas.

- Nada. Tropecei no lixo. — inventei. Não havia nenhum lixo ali. — O que está fazendo aqui?! — sussurrei à Gustav que andava ao meu lado.

- Tem que ir embora agora mesmo. — falou ele.

- Porque??

- Só olhe! — apontou ele para o espelho do armário de Tiffany.

- Meu reflexo! — ofeguei.

- Corre! — ordenou ele, aos sussurros.

Não pensei duas vezes, corri o quanto antes, para longe dali.

- Ei! Onde vai? Espere por nós! — gritou Liz e começou a correr atrás de mim.

- Não tem saída! — murmurei à Gustav quando o corredor chegou ao fim.

Desejei desaparecer. O que as gurias pensariam de mim? O que eu diria a elas? A raiva me tomou. Tudo começou a subir à tona e eu estava em chamas, de ódio. O que eu havia me tornado? Elas pararam de correr. Não pareciam ter me visto ali. Elas olharam em volta, procuraram e foram embora.

- Ei, psiu! Estou aqui! — gritei à elas.

- Ai, meu Deus! Ouviu isso? Era a voz de Jenny? — ofegou Tiffany.

- Isso está ficando assustador... — falou Liz e elas sairam correndo dali.

Quando elas sairam, eu bufei.

- Elas não me viram? — perguntei à Gustav.

- Não. Sabe porque? Porque a sua transformação já acabou. — falou ele emocionado.

- Ai meu Deus! — ofeguei