Soneto sem Fastio

1 do livro Cancioneiro


SONETO SEM FASTIO

Na voz do meu amor a noite rompe,
Embora vamos sempre a cada beijo,
E o lábio em se calando instaura a fome
De ter mais uma vez o que não tenho.


Destarte, esqueço a tarde e me despejo
Em muitas despedidas, paz, motins.
Escravo destas dores tão sem-fins.
Escritos nestes olhos, meus desejos.

Adeus, vertigem: quero ser sensato.
Fazer de tal porvir destino pronto.
Deixar bater à porta o meu descaso.


Contudo à minha espera, resguardar:
Além do necessário a vida esconde
Um par desconhecido em cada par.

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